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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ex-guerrilheiro quase presidente em El Salvador.

Sánchez Cerén. Eleições presidente de El Salvador.Fev.2014





As eleições de ontem em El Salvador deram a vitória ao candidato da FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional) mas obrigam a segunda volta.

Sánchez Céren (FMLN) obteve 48,92% contra 38,95% de Norman Quijano do ARENA (Aliança Republicana Nacionalista), da direita neo-liberal. António Saca, o terceiro mais votado e antigo presidente, apoiado por uma coligação (União) de direita e centro-direita (democratas cristãos do PDC) arrecadou 11,40% dos votos.

Entre 1980 e 1992, El Salvador viveu uma guerra interna que fez 75 mil vítimas, a oposição optou pela luta armada contra o governo em 1980, após o assassinato do arcebispo, defensor dos direitos humanos, Óscar Romero

O actual presidente, Maurício Funes, eleito pela FMLN em 2009 (51,96% dos votos) sucedeu aos presidentes de direita, eleitos após o acordo de paz entre a guerrilha e o governo, em janeiro de 1992. Estas são as quintas eleições desde a pacificação.

A FLMN resultou da fusão das Forças Populares de Libertação Farabundo Martí (FPL) com mais quatro organizações; ERP, RN, PCS e PRTC; o seu nome tem como referência o fundador do Partido Comunista Salvadorenho (em 1930) Farabundo Martí. Após o acordo de paz as organizações que deram origem à Frente extinguiram-se e a FLMN transformou-se em partido político. (Assim como, se, com a fundação do Bloco de Esquerda, a UDP e o PSR se dissolvessem…pois!)

O actual candidato da FMLN foi comandante guerrilheiro, Maurício Funes o actual presidente não esteve na guerrilha, era jornalista apoiante da FMLN. Teve litígios com o partido quando enviou tropas para o Afeganistão a pedido dos EUA. Apesar de iniciativas significativas, estão por resolver as grandes questões das desigualdades sociais e da violência dos gangues de marginais (maras).

De El Salvador emigra-se constantemente; em números será um terço do êxodo provocado por Passos Coelho em Portugal. As remessas dos emigrantes representam cerca de 17% do PIB salvadorenho. É um país dividido ao meio entre esquerda e direita, mas em paz política/militar.

A guerra trava-se nos bairros marginais entre criminosos organizados, e no modelo de desenvolvimento inalterado que continua a beneficiar as elites empresariais. O que um novo presidente da FMLN poderá alterar, sendo desta vez um ex-guerrilheiro, não se sabe. Primeiro terá de ganhar, em Março, a segunda volta.

Há bons exemplos de líderes da América Latina que vieram da luta armada contra as ditaduras, e agora há a CELAC - Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, que tem contribuído decisivamente para a paz e para o desenvolvimento e independência dos povos do continente.

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domingo, 4 de dezembro de 2011

CELAC - América sem os Estados Unidos e Canadá.

Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribe Dez 2011


Terminou ontem a cimeira constitutiva da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC); 33 países reuniram-se ao mais alto nível em Caracas na Sexta e Sábado (dias 2 e 3 Dez.), para fundarem o bloco de integração latino-americano e caribenho. Um acontecimento de importância histórica não só ao nível da região mas também de enorme relevância nas relações internacionais.

Nenhum órgão de informação português deu relevo ao evento, (a maioria nem noticia deu), é a “informação” a que temos direito num mundo em que os interesses das grandes potências ditam as agendas da comunicação social.

A singularidade da CELAC reside no facto de juntar os países americanos deixando de fora a potência dominante regional e mundial, os Estados Unidos da América. É antes de mais a rejeição da Organização dos Estados Americanos (OEA) como fórum representativo da América Latina e Caribe.

A CELAC é uma realidade no momento em que a crise global do capitalismo ameaça ter efeitos em todas as regiões, mas tem o epicentro nos EUA e na Europa. É uma missão da CELAC criar condições de cooperação regional e instrumentos financeiros comuns para atenuar um possível impacto negativo nas suas economias.

Ao nível político, uma organização onde se encontram todos os diferentes governos, com interesses próprios mas também interesses comuns, será mais capaz de ultrapassar divergências e resolver litígios sem a presença dos EUA que sob a sua tutela. O papel de Washington na América Latina tem sido de potência imperialista, intervencionista, dominadora e divisionista.

Com o objectivo da integração regional, da unidade política, económica e social, a CELAC vai desenvolver planos de cooperação e desenvolvimento, iniciativas políticas conjuntas, acções de solidariedade e relações privilegiadas no comércio, industria e infra-estruturas.

Como dizia na Cimeira a presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, “olhando para a União Europeia” pois ela “é um bom espelho para ver o que se deve fazer e o que não se deve fazer”.

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