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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Portagens nas SCUT não beneficiam o Estado.

Portagens nas SCUT não trazem benefícios. Mai 2012

Contratos paralelos nas estradas agravam despesa pública. Segundo o Tribunal de Contas (TC), a reformulação dos contratos com os subconcessionários de maior parte das ex-SCUT prevê compensações equivalentes aos contratos a que o tribunal recusou o visto prévio.

Alguém deu a volta ao texto para que tudo fique na mesma, segundo a acusação. As Parcerias Público Privadas não são um mal em si, são uma forma de financiamento como outra qualquer, já o corpo dos contratos e das reformulações dos contratos encerram os problemas.

O Estado negociou mal as PPP no primeiro momento e não teve vontade, poder ou capacidade de as renegociar. Renegociar é (ainda) a fase em que estamos. A discussão, mais que pública, é política e jurídica, a defesa dos interesses do Estado (dos contribuintes) verso contratos assinados pelos representantes do Estado.

Entretanto o Tribunal de Contas confirma o que muita gente sempre disse, que há portagens que não trazem benefícios para o Estado mas são um novo negócio para os concessionários. Estes reduziram os riscos do negócio passando a receber o mesmo, passem carros ou não passem pelas auto-estradas.

Diz o relatório que “O Estado não procedeu à avaliação dos critérios definidos para a introdução de portagens nas concessões SCUT, nem à avaliação dos potenciais impactos sócio económicos daquela medida sobre as regiões afectadas, nem tomou qualquer iniciativa no sentido de proteger os direitos e interesses dos utentes da introdução de portagens”. Mais palavra menos palavra, eu, e outros, dissemos o mesmo há anos.

Como as vantagens financeiras para o Estado dependem do tráfego e os “cenários de tráfego” foram “extremamente optimistas”, vamos ter ex-SCUT pagas pelos utilizadores e pelos não utilizadores que através dos impostos pagarão os prejuízos da Estradas de Portugal.

A que acrescem “efeitos (que) contribuem para a redução substancial dos benefícios líquidos atribuídos à renegociação dos mesmos”, que o TC enumera:

-“ Os custos relativos às externalidades ambientais, resultantes do desvio de tráfego para estradas secundárias; custos concernentes ao aumento da sinistralidade; custos relativos aos impactos económicos e sociais nas regiões afectadas; o aumento dos custos de manutenção e conservação das vias secundárias para Estradas de Portugal, S. A. e para os municípios afectados com a transferência de tráfego para aquelas vias”. Pois é, também já tinha sido dito.

Com um único organismo do Estado – o Tribunal de Contas – a saber fazer contas, não é fácil governar este país.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Portagens no IC19? Quero ver!

IC19portagensAgo2011

O governo de Passos Coelho tem coisas engraçadas. Dia sim, dia não, (quando não é em dias seguidos) manda um dos serviçais atirar barro à parede. É para ver se pega, ou seja, para aferir da contestação que uma ideia que lhes germina no profícuo cérebro meditabundo, pode provocar.

Evidentemente, já tem preparados desmentidos se o bruaá for muito intenso.

É o que se passa com a notícia do Jornal de Negócios (JNg), sobre o contrato de concessão entre o Estado e a Estradas de Portugal. O contrato “prevê que a empresa (-) possa passar a cobrar portagens no universo da sua rede de Itinerários Principais (IP) e Itinerários Complementares (IC), que são dotados de características de auto-estrada”.

A notícia diz que “prevê”; faz portanto parte do contrato! O governo vem desmentir que esteja previsto a introdução de portagens nestas vias (o que, aliás, a notícia do JN também diz) e que são especulações jornalísticas. O governo faz um bom esforço para baralhar o que é verdade, e assim permitir nos noticiários da noite “acalmar” o Zé-povinho. Não chega.

Segundo o JNg a possibilidade de portajar estas vias “passa a estar prevista na lei, como fonte de receitas próprias da Estradas de Portugal”. Ou desmentem isto ou mais vale estarem calados, porque o que está em causa é o que a lei permite e não se vão fazer hoje ou depois de amanhã.

Sobre as portagens no IC19 de que já se fala, tinha a sua piada. É a via mais congestionada do país; dá para pôr a Estradas de Portugal a salivar com o negócio (como outros salivam com o negócio do BPN) mas é muita gente, muita classe média baixa, que está a encher a um ritmo que falta pouco para explodir. Portajar o IC19, depois de aumentar o preço dos bilhetes de comboio da Linha de Sintra 25%, é coisa que eu pagava para ver.

Que me lembre, manifestação a sério daquelas que fazem tremer o poder, foi a dos camionistas; querem algo semelhante, com mais gente e mais razão?