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segunda-feira, 10 de março de 2014

Ex-guerrilheiro eleito presidente de El Salvador.

Sánchez Cerén eleito presidente de El Salvador.Mar.2014
 
Post Scriptum -13 de Março


Confirma o que aqui se escreveu na segunda-feira:


Sánchez Céren, o candidato da FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional) foi eleito, à segunda volta, presidente de El Salvador.

Segundo relata o canal de televisão Telesur, o escrutínio final confirma a vitória tangencial de Céren, com 50,11% contra 49,89% do candidato da direita Norman Quijano.

Recorde-se que o candidato da esquerda não foi eleito na 1ª volta, também tangencialmente; obteve 48,92%, a um escasso 1,09 da maioria. Nesta 2º volta toda a direita de uniu contra Sánchez Céren (Quijano tinha obtido na 1º volta apenas 38,95% e António Saca, 3º mais votado - 11,40%).

Se o escrutínio final confirma a vitória de Sánchez Céren, era possível hoje ler que esquerda e direita reclamam vitória nas presidenciais de El Salvador”.

Apesar de os próprios Estados Unidos aconselharem calma na espera dos resultados finais e de os observadores internacionais não se terem pronunciado por alguma anomalia nas eleições, a direita já pedia a intervenção das Forças Armadas - decerto para “desempatar”.

As forças neo-liberais travam uma contra-ofensiva na América Latina que não vai ter tréguas. Os Estados Unidos e o poder financeiro internacional, aliados aos oligarcas de cada país onde há governos progressistas, tudo farão para que a história volte atrás.

Na América Latina resiste-se; e em muitos lados governando.

(Sobre a 1ª volta e as forças políticas em El Salvador - Clicar AQUI)

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ex-guerrilheiro quase presidente em El Salvador.

Sánchez Cerén. Eleições presidente de El Salvador.Fev.2014





As eleições de ontem em El Salvador deram a vitória ao candidato da FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional) mas obrigam a segunda volta.

Sánchez Céren (FMLN) obteve 48,92% contra 38,95% de Norman Quijano do ARENA (Aliança Republicana Nacionalista), da direita neo-liberal. António Saca, o terceiro mais votado e antigo presidente, apoiado por uma coligação (União) de direita e centro-direita (democratas cristãos do PDC) arrecadou 11,40% dos votos.

Entre 1980 e 1992, El Salvador viveu uma guerra interna que fez 75 mil vítimas, a oposição optou pela luta armada contra o governo em 1980, após o assassinato do arcebispo, defensor dos direitos humanos, Óscar Romero

O actual presidente, Maurício Funes, eleito pela FMLN em 2009 (51,96% dos votos) sucedeu aos presidentes de direita, eleitos após o acordo de paz entre a guerrilha e o governo, em janeiro de 1992. Estas são as quintas eleições desde a pacificação.

A FLMN resultou da fusão das Forças Populares de Libertação Farabundo Martí (FPL) com mais quatro organizações; ERP, RN, PCS e PRTC; o seu nome tem como referência o fundador do Partido Comunista Salvadorenho (em 1930) Farabundo Martí. Após o acordo de paz as organizações que deram origem à Frente extinguiram-se e a FLMN transformou-se em partido político. (Assim como, se, com a fundação do Bloco de Esquerda, a UDP e o PSR se dissolvessem…pois!)

O actual candidato da FMLN foi comandante guerrilheiro, Maurício Funes o actual presidente não esteve na guerrilha, era jornalista apoiante da FMLN. Teve litígios com o partido quando enviou tropas para o Afeganistão a pedido dos EUA. Apesar de iniciativas significativas, estão por resolver as grandes questões das desigualdades sociais e da violência dos gangues de marginais (maras).

De El Salvador emigra-se constantemente; em números será um terço do êxodo provocado por Passos Coelho em Portugal. As remessas dos emigrantes representam cerca de 17% do PIB salvadorenho. É um país dividido ao meio entre esquerda e direita, mas em paz política/militar.

A guerra trava-se nos bairros marginais entre criminosos organizados, e no modelo de desenvolvimento inalterado que continua a beneficiar as elites empresariais. O que um novo presidente da FMLN poderá alterar, sendo desta vez um ex-guerrilheiro, não se sabe. Primeiro terá de ganhar, em Março, a segunda volta.

Há bons exemplos de líderes da América Latina que vieram da luta armada contra as ditaduras, e agora há a CELAC - Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, que tem contribuído decisivamente para a paz e para o desenvolvimento e independência dos povos do continente.

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