Mostrar mensagens com a etiqueta Habib Bourguiba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Habib Bourguiba. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tunísia. A nova Constituição e a “primavera árabe”.


Tunísia redige Constituição no meio de assassinato de opositores. Jan.2014

Ou a recolha das pétalas caídas da primavera árabe.


O que resta da Primavera Árabe? Disse aqui que “as revoluções que nunca o foram têm fins decepcionantes”, nunca embandeirei em arco com as revoltas populares no mundo árabe, fossem genuínas ou de fabrico externo, o seu desfecho era previsível.

A Tunísia é um país, dos sujeitos à “experiencia primaveril”, que ainda está inteiro; embora a violência política e a segmentação entre religiosos e laicos seja um facto. A forte presença do extremismo islâmico avisa das dificuldades em conciliar visões antagónicas.

Está a ser redigida uma nova Constituição na Tunísia, deverá ser votada dia 14 de Janeiro e já tem artigos aprovados. Para os media ocidentais cada artigo aprovado tem sido uma meia ou completa bênção.

No Sábado, dia 4, o primeiro artigo aprovado, que “estabelece o Islão como religião oficial” foi visto como um "compromisso", uma vez que o Alcorão (leia-se a Sharia/lei islâmica) não é a base da lei tunisina. Os islamitas da maioria no poder, o partido Ennahda, não cometeram o erro da Irmandade Muçulmana no Egipto.

Ontem foi aprovado um artigo do mesmo projecto constitucional que diz; “Todos os cidadãos e cidadãs têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. São iguais perante a lei, sem nenhum tipo de discriminação”. Para a Amnistia Internacional o artigo é redutor por não especificar as discriminações, mas atendendo ao que era a proposta em 2012 (ver aqui) que apresentava a mulher como complementar do homem é um avanço dos islamitas da Ennahda.

Desde que os islamitas governam, o assédio das tunisinas pela polícia vão dos costumes a situações mais graves; antes, e desde 1956, com o Código do Estatuto Pessoal de Habib Bourguiba, as mulheres tinham na Tunísia, o melhor estatuto de igualdade de entre os países árabes.

O processo de redacção da Constituição, que tem um atraso de dois anos, tem sido feito em ambiente de violência e ameaças de morte aos opositores do Ennahda. 2013 Ficou marcado por assassinatos; em Fevereiro, do líder do maior partido de oposição, Chokri Belaid, que provocou a maior manifestação depois da deposição de Ben Ali; e em Julho, do deputado “nasserista” Mohamed Brahmi, outro líder da oposição.

Que governo islamita poderá ter futuro, numa sociedade entre o presente o passado, e o mais que passado; para mais com a presença interna e exterior do extremismo islâmico?


Para ver últimos posts clicar em – página inicial







segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tunísia. Mulheres perdem direitos com poder islamita.

Islamitas no poder - mulheres sem direitos na Tunisia.Ago.2012

A proposta para nova Constituição apresenta a mulher tunisina como “complementar” ao homem.

A Tunísia, país que com a Turquia (de Kemal Ataturk) era dos mais tolerantes do mundo árabe e entre os muçulmanos, está a mudar no pior sentido, para as mulheres e toda a sociedade.

As mulheres têm direitos garantidos de igualdade de género desde o Código do Estatuto Pessoal, promulgado em 1956 pelo presidente Habib Bourguiba.

As mulheres tunisinas têm direito à instrução, de casar com quem decidam e de se divorciarem judicialmente, têm tutela sobre os filhos e usam livremente contraceptivos.

A leitura do islamismo como prevalência masculina, que é comum a todos os vencedores das chamadas “primaveras árabes” vai impor um recuo civilizacional que não é surpresa para os mais avisados do ocidente. 

Ocidente que está a apoiar a islamização fundamentalista do norte de África e Médio Oriente por motivos estratégicos de influência na região.

Na Tunísia as mulheres lutavam até agora por melhorar os direitos adquiridos, por conseguir uma maior emancipação e equiparação com os homens nos cargos dirigentes.

Agora voltam ao passado; à luta pela igualdade de direitos, para homens e mulheres – contra o obscurantismo teocrático.

Enquanto se espera a evolução no Egipto, o esquartejamento final da Líbia e a invasão da Síria, era bom que a opinião pública mundial deitasse os olhos para os efeitos da “primavera árabe” na Tunísia, onde os islamitas agora no poder até eram considerados dos mais moderados.

 (Para ver últimos posts clicar em – página inicial)