Mostrar mensagens com a etiqueta Karolos Papoulias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Karolos Papoulias. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de maio de 2012

Novas eleições na Grécia. O que pode ser alterado?

oclarinet.blogspot.com Grécia a aquecer.Mai2012

A Grécia vai ter novas eleições legislativas. A ser assim, o que vai mudar? Pode mudar tudo se o voto anterior foi “um voto de protesto” a ser rectificado na próxima oportunidade, ou ficar tudo na mesma, sem capacidade de formar um executivo que negoceie ou aceite o acordo com a troika.

Antes das primeiras eleições, dizia no post " Eleições na Grécia. Quem são os partidos", que o futuro da Grécia dependia da capacidade política de Fotis Kouvelis, da Esquerda Democrática (DIMAR); ele não quis viabilizar o governo com PASOK e Nova Democracia (tinham 168 lugares, mais que o necessário), devido à elevada votação na Coligação de Esquerda Radical (SYRIZA). Seria incoerente com o que disse em campanha apoiando esse governo, como incoerente com o que tem dito depois. Já afirmou viabilizar tanto um governo de direita/centro esquerda (que negou antes) como um governo de esquerda.

Depois de exigir, durante as negociações com o presidente Papoulias o apoio do SYRIZA ao governo, Kouvelis rejeita agora a possibilidade de cooperar “mesmo após as próximas eleições” com o SYRIZA. Tal situação vai colocar os “radicais” perante um problema, com quem vão fazer um governo de esquerda? Ou simplesmente um governo!? O eleitorado já sabe agora (como já se sabia antes) que o Partido Comunista (KKE) é carta fora do baralho.

Ou há uma reviravolta na votação dando uma maioria aos “radicais” de Tsypras ou o PASOK e a Nova Democracia voltam a ter lugares suficientes para se entenderem a sós, ou com o DIMAR. O resto da direita apenas quer cavalgar o descontentamento.

Esta é a primeira parte; arranjar um poder interlocutor com a União Europeia que saia de eleições e não de tecnocratas nomeados. A outra, e definitiva, é colocar aos gregos a questão de quererem continuar ou não na União Europeia (UE), e em que condições. A “Europa” não deixou Papandreou fazer um referendo, que agora os gregos andam a fazer, da forma mais demagógica, confusa e anti-democrática que já se viu.

Os gregos não querem esta UE e ela ainda não dá mostras claras de ir mudar; devem-se pôr francamente as opções e decidirem em função dos níveis de austeridade e de capacidade de recuperação económica que uma ou outra solução transporta. O que se tem passado, que é consultar os gregos através de sondagens (ainda por cima nada fiáveis) para decidir posições políticas, é uma vigarice.

Não perguntaram aos gregos se queriam entrar na União Europeia (nem a nós) pelo menos perguntem-lhes se querem sair. Uma mudança na política europeia podia resolver o problema, que também é dos outros países da Europa, mas isso não cabe só aos gregos, que com muito risco e coragem já fizeram a sua parte.

(Para ver últimos posts clicar em – página inicial)

domingo, 13 de maio de 2012

Grécia,saída do euro? novas eleições decididas hoje.

oclarinet.blogspot.com Mai.2012

O referendo que propunha Papandreou está a ser feito escondendo dos Gregos as verdadeiras opções. A quadratura do circulo ensaiada em jogo de poker; demagogia, bluff e muita irresponsabilidade.

O presidente da Grécia, Karolos Papoulias faz hoje a última tentativa de formar um governo a partir dos últimos resultados eleitorais, vai consultar os partidos que já se consultaram entre si. Como já se previa, os três partidos convidados a conseguir uma maioria através de coligação, falharam no intento, nem há bloco central, nem governo à direita e muito menos governo de esquerda. Não há surpresa.

Só os socialistas de esquerda, do DIMAR, cederam, diziam na campanha não se coligar com a Nova Democracia e o PASOK, agora aceitam com a condição de entrar o SYRIZA – que recusa. A bola passada ao presidente Papoulias é fácil de jogar, ou demove os “Radicais” e consegue um governo que podia esperar pela queda de Merkel em 2013 e as consequentes alterações na União, ou convoca eleições.

Novas eleições que serão dominadas pela falsa questão da austeridade quando está em causa a permanência na Zona Euro. Austeridade haverá sempre, imposta pela troika ou pelo regresso ao dracma; alívio da austeridade só negociando os termos do resgate o que pressupõe continuar na União e aceitar reformar o Estado, coisa de que nenhum partido grego, nem de direita nem de esquerda, tem um esboço de plano.

Sair do euro é austeridade de choque, bancarrota sem panorama de financiamento da economia. Uma opção “argentina” de recusa em pagar a dívida (na realidade pagá-la em dezenas de anos) e partir para a recuperação económica com uma moeda 50% mais fraca que o euro. Cabe aos gregos decidir que caminho querem; seria sério que a alternativa lhes fosse colocada claramente.

Os sinais que vêm da Grécia são de facilidades que não existem, o SYRIZA diz que a Europa “vai pedir que a Grécia aceite mais dinheiro” (!) enquanto os dirigentes europeus dizem que não há financiamento sem condições de aplicabilidade do acordo de resgate. Não é um braço de ferro, é puro poker em que um parceiro acha que tem uma boa mão, sem levar em conta o jogo e intenções do adversário.

O que não conta no bluff é o desígnio dos militares, pois não se sabe se as alterações feitas por Papandreou, nas chefias, são suficientes para impedir a sua intervenção.

(Para ver últimos posts clicar em – página inicial)