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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Europa. Demonização e legitimidade de Merkel.

Que Construção Europeia...Jul.2012
O leitor Pedro deixou um comentário no post “ Alemanha perde com a Itália e Merkel com Monti”, cuja resposta não podem ser duas linhas na caixa de comentários. Há quem odeie Merkel e o leitor não vê porquê. Por ser alemã? Por ser mulher? Pergunta. Resposta, não! Até é ofensivo perguntar isso. Depois afirma que “quem odeia a chanceler acredita que o faz por causa das suas políticas mas essa convicção não tem fundamentos legítimos”. Tem!

Falemos então de legitimidade. Ângela Merkel foi eleita chanceler pelos alemães para governar o seu país e representar os alemães na União Europeia (UE), no organismo que reúne os líderes de todos os países da União; não foi eleita pelos povos europeus para decidir a política europeia e muito menos a política em cada país da UE.

ILEGITIMAMENTE, Merkel, com o apoio de Sarkozy e a cumplicidade de muitos outros, assumiu-se líder da Europa, subalternizando os órgãos representativos (porque eleitos) dos povos europeus. Tem decidido sozinha a política económica e monetária europeia, e até a política laboral, que tem as implicações conhecidas em cada país. Era o que faltava, não termos, todos os que são atingidos pelas decisões políticas da senhora Merkel, legitimidade para a criticar.

Sobre as políticas de Merkel, que ao Pedro não pesam, há mais do que “convicção” de que são erradas, falharam na Grécia, estão a falhar aqui e a estender-se por países como a Espanha, onde acaba o falhanço para dar lugar ao fim do euro e do projecto europeu. 

Ao contrário de que diz não há uma “Europa falida”, há países que por estarem no Euro não têm mecanismos próprios para enfrentar a crise. Crise que é bom lembrar começou com a falência do Lehmam Brothes nos EUA, e não foi resolvida de forma mais barata e rápida na Grécia pela teimosia ignorante de Merkel.

É por estarmos no euro que não resolvemos os nossos problemas da mesma forma que os resolvemos antes. Teríamos inflação (uma forma mais equilibrada de dividir os sacrifícios) mas não sofreríamos o número de falências de empresas e famílias que temos agora. E teríamos, o que é mais importante, uma perspectiva de saída da crise e de futuro.

Merkel já cedeu na capitalização bancária não veiculada à dívida soberana, o que parece ter chateado o Pedro, e cederá nas eurobonds (numa das suas várias formas) se o euro ainda existir após as eleições alemãs, onde é previsível perder a maioria e vir a ter o SPD como companhia na governação. 

O que se exige de Merkel não é que “seja solidária com os pobrezinhos” que é a tara caritativa da direita política, mas que não crie mais pobreza. 

Os alemães não têm de “abrir a bolsa para os países à beira do precipício” como diz o Pedro, mas abri-la para investir no euro e na União Europeia, se quiserem continuar a ser a potência económica que são hoje e deixarão de ser com o fim do Euro.

O que está em causa, não é se “Merkel é o bode expiatório de uma Europa falida” como pensa o Pedro, ou uma cabra que vai levar a Europa à falência, como pensam outros; o problema é se este euro faz sentido como moeda de todos estes países, e se esta União Europeia (com Merkel) continua a ser uma solução de paz para a Europa e de prosperidade para os seus povos, ou ao invés, uma semente de perigosos conflitos e a causa do empobrecimento de muitos de nós. 

Pedro, obrigado pelo comentário.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Moody´s corta rating de bancos alemães.

Moody´s baixa nota de bancos alemães e austríacos. Jun 2012

A crise da dívida na Zona Euro atinge a Alemanha. A agência de notação “Moody´s cortou nesta quarta – feira a nota de sete grupos bancários alemães e dos três maiores bancos da Áustria.

A Moody´s realça os riscos da qualidade dos activos da banca alemã e austríaca, pela limitada capacidade de absorverem prejuízos causados por mais choques, resultantes da crise da divida da Zona Euro.

A exposição directa da banca alemã e do Unicredit italiano, proprietário de bancos na Alemanha e na Áustria, à dívida soberana e à crise financeira “a leste”, pode levar a um colapso do sistema financeiro pelos reflexos que teria nos Estados Unidos da América.

Como dizia um ministro francês respondendo às pressões de Obama na cimeira da Nato, “que saibamos a crise não começou na Europa, o Lehman Brothers não era um banco francês ou italiano”, se chegar lá a carambola da crise não é nada que não tenha sido previsto, para não dizer merecido.

Que apareceria à porta dos bancos alemães era mais que certo; ainda tem pouco significado e no fundo têm sido as instituições de crédito alemãs as mais favorecidas pela crise. Quem não merece pagar a crise é quem não contribuiu para ela e têm sido sobretudo esses que estão a pagá-la.

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