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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O preço do petróleo baixou esta semana.



Porque é que o preço dos combustíveis aumentou esta semana?

O preço do petróleo chegou o mês passado a “mínimos de dez anos”; está agora em “mínimos de onze anos”. Atingidos precisamente na semana em que as gasolineiras portuguesas aumentaram o preço dos combustíveis. Porquê?

Os órgãos de informação (!?) portugueses difundiram a semana passada, a patranha de que era “previsível uma inversão da tendência” na redução constante do preço do crude. Incompetentes e calões; é o mínimo que se pode dizer de tais “órgãos” e dos seus jornalistas.

Não era segredo o excesso de crude no mercado, a crise chinesa, o petróleo de xisto americano, e fundamentalmente o papel que a Arábia Saudita reserva ao seu petróleo como arma política. Sabia-se da confusão da última reunião da OPEP onde os países produtores não chegaram a acordo com os sauditas, para cortar na produção e parar a descida de preços.

É uma palermice grosseira difundir que a agudização do conflito entre a Arábia Saudita e o Irão desse em “inversão da tendência” de descida do preço do petróleo. Se não se entenderam quando mantinham relações é depois de aumentarem as declarações de ódio mútuo que se iriam entender? A Arábia Saudita extrai mais barato o crude e domina o preço de mercado.

O petróleo barato da Arábia Saudita é a estratégia para enfraquecer o Irão (e a Rússia) na disputa de domínio geoestratégico regional. Serve igualmente os interesses dos EUA na sua intervenção na política Venezuelana. Terá efeitos colaterais em outros países produtores, mas a guerra que o reino saudita trava está para durar. Previsível, é que ainda vai baixar mais os preços antes de quaisquer aumentos do petróleo. (O melhor é não atestar o depósito).

Porque é que os combustíveis aumentam em Portugal, quando já milhares de gasolineiras espanholas têm gasóleo abaixo de um euro, (habitualmente ela por ela)?

Os jornalistas apenas têm adormecido a opinião pública, não são os primeiros culpados de o governo português não fazer nada. O governo (de esquerda), a DECO, o ACP, e os etc; o amparo do Bloco e do PCP que ouvimos diariamente com as médias-pequenas-e-micro-empresas na boca, na pretensa defesa do emprego, estão a permitir que muitas das mais-valias do trabalho vão para os bolsos dos especuladores dos combustíveis, para os lucros excessivos na energia e nas telecomunicações, em portagens e outros “custos de contexto”.

Coisa pouca quando se anda de olhinhos fechados ou muito preocupado com a bola que não entra e o treinador que não sai. Para “lopeteguis e jezuses” há centenas de horas de televisão e dezenas de jornalistas especializados.

Ainda se espera o ano da mudança.


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segunda-feira, 2 de junho de 2014

O Bloco de Esquerda e as migrações.

BE fecha-se . Jun.2014
João Semedo justificou os maus resultados do Bloco de Esquerda (BE) com a migração; os emigrantes e os votos migrantes do BE para novos partidos, acrescente-se outros eleitores que migraram para a abstenção, nulos e brancos.

A emigração de muitos portugueses não explica em nada o desastre eleitoral do BE, basta olhar para o resultado do LIVRE em Lisboa (à frente do Bloco) para entender que a “migração interna”, no espaço político do BE, é a razão fundamental do desaire.

Tanta migração só pode ser acatada à perda de identificação dos anteriores eleitores, com o Bloco de Esquerda actual, com a função do BE no espetro partidário nacional.

Visto de fora, (cabe ao BE descobrir as razões da derrota) as dissidências internas, que representaram o abandono de quadros que quiseram fazer do Bloco uma força de desbloqueio governativo à esquerda, terão sido determinantes.

A convergência no discurso e o fechamento na prática política, não aglutina. A indefinição que coloca o BE, ora entre o PS e o PCP, ora pretensamente como força mais à esquerda do Parlamento, confunde mas nem interessa.

A imagem que se quer passar para o exterior, não corresponde à discussão que baila nas redes sociais sobre o que se passa dentro do partido. Veneno puro. A propósito, vi há umas semanas na RAI, Matteo Salvini, secretário do Lega Nord gritar num comício que não queria ninguém da Liga a “twitar”, que o lugar dos militantes da Liga Norte era nas empresas, nas fábricas nos bairros.

Pois é, os resultados da extrema-direita também têm a ver com a militância nos locais próprios, em vez do paleio intestino em parlatórios como o Facebook que tanta delícia faz por cá.

O BE mingua por opção própria e tem esse direito, fecha-se mais adiando a discussão política. Escusa de sugerir ser uma alternativa de governo mas pode dizer que papel quer desempenhar numa alternativa ao actual governo de direita. Assim, parecendo um PCP pequenino e ainda mais europeísta, caminha para a irrelevância. Sem a dissolução (a sério) das organizações que deram origem ao Bloco, parece ser o seu destino.

Sempre pode voltar ao útero e entreter-se a “construir o partido”. Como cantava o Zeca; “uns são do partido velho, outros andam a fazer o novo”. O disco não muda e a discussão para isso já está feita.

Discutir o hoje fica para Novembro – qual é a pressa (Ana Drago)?

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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Abstenção promove bloco central.

Eleições Europeias.Mai.2014
 
O ministro Pires de Lima diz que os partidos do governo têm condições para vencer legislativas”.

Com os resultados das “europeias”; a maior derrota da direita em eleições e a não descolagem do Partido Socialista, quer PSD/CDS quer o PS, podem vir a obter uma vitória nas legislativas.

Arménio Carlos perguntava, “o que falta” ao presidente da República para convocar eleições antecipadas? Falta uma vitória expressiva do PS nestas europeias, afinal o contra-senso da campanha feita à esquerda do centro-esquerda. O reforço da CDU (apenas isso) não viabiliza qualquer solução governativa que seja alternativa ao governo de direita. Não se vê o PCP a apoiar qualquer governo e não há mais nada.

A abstenção e o voto de protesto (que não são a mesma coisa) aponta para a inevitabilidade de um entendimento ao centro, um governo do bloco central, (o pântano) – caso não existam novas dinâmicas políticas até às legislativas, provocadas por novas lideranças ou novas forças políticas com peso à esquerda.

Ao impasse nacional vai responder a fatal divergência política instalada, com estas eleições, na União Europeia. Os movimentos internos nas instituições agora eleitas irão determinar as brechas decisivas na Zona Euro. Poderá haver saídas ordenadas do Euro? Ou agora serão mais complicadas?

A Europa - que os povos da Europa não querem - vai aquecer.

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quinta-feira, 20 de março de 2014

Mais de 148 personalidades defendem a saída do euro.

oclarinet.blogspot.com - De noite também há flores.Mar.2014

Coincidências; 74 nacionais da esquerda à direita têm o apoio de 74 estrangeiros dos EUA à Alemanha. Nem mais um, nem menos um, para descanso dos neurónios. Comunicação é assim mesmo.

Manifesto dos 74 transpôs a fronteira, só aqueles que defendem a saída de Portugal da Zona Euro ainda não se sentaram, em número e tendências suficientes, à volta de uma folha para redigir um manifesto. Manifestam-se por aí (e por aqui) da esquerda à direita e dos EUA à Alemanha. Quantas personalidades defendem a saída de Portugal do euro?

Há militantes do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e independentes que vêm sustentando para além da inevitável reestruturação da dívida a saída de Portugal do euro. Muitos mais consideram um colossal erro histórico termos aderido à moeda única, mas não retiram dessa certeza a consequência inevitável, que é emendar o erro o mais depressa possível.

Recuperar a soberania monetária; ter moeda própria e meios de política para intervir na economia nacional tem de ser tema da campanha para as Eleições Europeias.O pós-troika na obediência ao tratado orçamental e com o euro como moeda será a continuação do empobrecimento dos portugueses, por dezenas de anos.

A divergência insanável entre os portugueses e os políticos será por não haver partidos com coragem para recusar a estratégia europeia de anexar Portugal através da dívida e do euro.

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Cavaco. Corte de pensões acima de mil euros.

oclarinet.blogspot.com - Cavaco promulga corte nas pensões. Mar.2014
 
Portugueses mais pobres. Cavaco Silva promulgou a nova Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), um novo corte nas pensões de mais 165 mil reformados, já a partir do próximo mês de Abril.

Até aqui, a CES implicava um corte de 3,5% a 10% nas pensões brutas acima de 1350 euros. Na nova versão, essas taxas de redução passam a incidir sobre pensões superiores a mil euros e o limiar de rendimentos a partir do qual se aplicam as taxas marginais de 15% e 40% foi alterado. A medida vai atingir mais 165 mil reformados, a maioria dos quais da função pública e que até aqui estavam isentos da CES. Ao todo serão afectadas cerca de 506 mil pessoas, de acordo com os dados da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

PS, PCP, Os Verdes, e o Bloco de Esquerda, vão pedir a fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional, do diploma agora assinado por Cavaco.

O Tribunal Constitucional tinha chumbado o corte de 10% nas pensões pagas pela Caixa Geral de Aposentações, mas o governo Passos/Portas/Cavaco acaba por obter o mesmo efeito pela porta do cavalo (ou pela janela das melgas).

Cavaco Silva, eleito por 23,15% dos inscritos, continua a missão de suporte do governo e das suas medidas de empobrecimento das famílias portuguesas.

Chegou ao poder numas eleições em que quem ganhou foi a abstenção. Pois, a abstenção + brancos + nulos teve 56,43% (a maioria) e o eleito foi Cavaco!

…E o eleito foi Cavaco!


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sexta-feira, 7 de março de 2014

Sondagem. Esquerda a descer, governo sobe.

Sondagem Fevereiro. Mar.2014
(clicar p/ampliar)

A oposição parlamentar desce 3,2 % nas intenções de voto, (de Janeiro para Fevereiro) segundo uma sondagem i/pitagórica. PSD e CDS sobem em proporção semelhante. No entanto a esquerda consegue a maioria com 52,6% contra 37,1% dos partidos do governo. O PS estabiliza nos 37,2%; empata com os partidos da maioria juntos; PSD (28,4%) e CDS (8,7%).

A CDU, apesar de vir a descer nos últimos 6 meses, ainda se mantém acima dos 10% (10,5) e como terceira força eleitoral. Quem também desce há mais de meio ano, e agora a pique, é o Bloco de Esquerda (BE) que está com 4,9%, abaixo do resultado de 5,2% das eleições legislativas de 2011.

Sondagens como esta significam que a poderosa máquina mediática do governo, é capaz de inverter qualquer tendência que se acharia normal perante as medidas impopulares implementadas.

A falta de alternativa clara e compreendida do Partido Socialista, quer à austeridade quer à crise da Zona Euro tem fragilizado a oposição parlamentar; o auto-isolamento e indefinição política do PCP e do BE ajudam a folia. Das disputas eleitoralistas na esquerda e centro-esquerda só têm resultado mais debilidades.

Neste caminho… a direita parlamentar, depois dos estragos que causou ao país e aos portugueses, ainda vai dar uma festa.

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segunda-feira, 3 de março de 2014

Octávio Teixeira. Os receios da esquerda.

Ou se desvaloriza a moeda ou se desvalorizam salários. Mar.2014

O economista Octávio Teixeira, ex-líder parlamentar do PCP, deu uma entrevista ao jornal i cuja leitura se recomenda. Apresentado como “defensor claro e frontal da saída de Portugal do euro”; entre outras matérias, pronuncia-se também sobre as esquerdas e os seus receios, sobre a “saída” do programa da troika e a crise da Zona Euro, a impossibilidade de Portugal pagar a dívida e a “estupidez” do Tratado Orçamental.

Sobre a saída de Portugal do euro e o facto de nenhum partido português fazer disso bandeira, Octávio Teixeira diz nomeadamente:

“Estas eleições para o Parlamento Europeu são importantes nesta perspectiva. Tem de se clarificar e esclarecer as situações. É evidente que a saída do euro tem custos. Mas há duas coisas: os custos são a muito curto prazo. Veja-se a Islândia há dois ou três anos. A Islândia fez uma desvalorização brutal, superior a 50%. Teve uma inflação de 12%. Mas passado ano e meio, dois anos, além do crescimento económico que teve, a inflação veio para os 4%. A alternativa que nos é apresentada, a desvalorização interna, tem estes inconvenientes. O programa que está a ser aplicado pela troika e pelo governo é formalmente conhecido como desvalorização interna. A recuperação do escudo, da soberania monetária, teria como consequência uma desvalorização, mas os efeitos são a muito curto prazo e nas exportações, passados seis meses, teríamos efeitos claros. E na redução de importações – com a substituição de importações pelo consumo de produtos nacionais. A inflação – já fiz cálculos sobre isso, admitindo uma desvalorização de 30% – nunca iria além dos 10%. Saímos do euro, recriamos o escudo e imediatamente determina-se que um escudo tem o mesmo valor que um euro. Todas as contas são transformadas de euros para escudos com o mesmo valor. E a seguir desvalorizamos o escudo. A perda para as pessoas na prática não existe.”

Para o economista “o debate público está a passar ao lado das questões centrais e essenciais” como a questão da saída do euro.

O partido de Octávio Teixeira, o PCP, pouco tem ajudado a recentrar o debate.
Receios…!?

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Nicolau Breyner candidato contra o euro.

Nicolau à conquista das europeias.Fev.2014
        (Nicolau Breyner é ou não candidato?) *

A direita “eurocéptica” aposta no actor e realizador Nicolau Breyner como candidato às eleições europeias. Segundo a notícia, a candidatura será de uma coligação de pequenos partidos que incluirá a Nova Democracia (PND).

Quanto a outros pequenos partidos - como o PCP que parece ser contra o euro mas não quer que se saiba (!?), ou ainda a tendência crítica da moeda única dentro do Bloco de Esquerda - calcula-se que não farão parte desta coligação (nem de qualquer outra, para manter a castidade).

Assim vai a estratégia das esquerdas; entre eurocomunistas e neo-reformistas da União Europeia, deixam que a incompatibilidade nacional com o euro seja capitalizada pela direita. Direita que por essa Europa fora capturou as bandeiras sociais da esquerda, enquanto esta ocupou todo o tempo a recrear-se com temas secundários.

Resta à esquerda parlamentar a guerrinha eleitoralista entre ela, os ataques entre claques nas redes sociais, as desculpas e passa-culpas do chumbo do PEC4 e da vinda da troika, o ressuscitar de Sócrates e do argumentário que colocou Passos Coelho no poder.

Nicolau é um bom candidato. É difícil acusá-lo de querer um tacho na política europeia; a manter a coerência de Serpa, não mete lá os pés.

Aquilo que temia e disse-o em vários comentários; que a saída do euro, perante a cobardia da esquerda, acabaria por ser uma bandeira aproveitada por organizações de direita, está aí.

É a política que temos, passatempos entre o mete nojo e o acho graça.

Um vazio.

Post Scriptum: *Corre por aí que Nicolau Breyner desmente ser candidato; a ser assim, deixou-se usar na promoção publicitária desta campanha. Ou foi o realizador do enredo, ou limitou-se a fazer o papel de lebre, coisa fácil para um actor de Serpa.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Isabel do Carmo. A grande volta que a esquerda não dá.

oclarinet.blogspot.com - Dar a volta (manolo75).Jan.2014
A esquerda tem que engolir elefantes ou mesmo dinossauros.

Por Isabel do Carmo

O manifesto 3D tem incomodado muita gente e nomeadamente uma certa direita. Uma direita cínica, displicente, dizendo-se pragmática, que não é conservadora no sentido tradicional, que não acredita em nada, nem nela própria. Contraditoriamente é muito firme sob o ponto de vista ideológico, sendo que essa ideologia é a base estrutural na qual se baseia o sistema financeiro económico que nos domina.

Perturbando-se pois com o manifesto 3D, o que só o dignifica, resolveu denegrir toda a esquerda, no sentido actual e no sentido histórico, dando-a por morta e enterrada. Em relação a Portugal, a porta da respeitabilidade dos consideráveis só a abre ao PS se este entrar em compromisso com a direita, isto é, se em próximas eleições legislativas o PS ficar numa posição que o leve a acordos governamentais ou parlamentares com o PSD/CDS. Esta seria uma grande desgraça para o nosso país. Teríamos a continuação da mesma política actual um pouco mais adocicada, mantendo o emaranhado de compromissos na Europa e em Portugal. Ou seja, o status quo.

Historicamente, a esquerda ou que como tal se designava, tem de facto páginas muito negras no seu passado. E muito mau será se aqueles que hoje se consideram de esquerda não proclamem tantas vezes quantas são necessárias que repudiam e denunciam as várias formas de estalinismo, para usar uma designação genérica que abrange muito mais do que uma só criatura. Tal como se passa com a Inquisição e seus continuadores na Igreja Católica, não há “contexto histórico” que os absolva. Podemos pois falar claro sobre o presente e o passado. E poderemos então ver de que lado funcionou de facto a esquerda depois de se sentar desse lado na assembleia durante o período da Revolução Francesa.

Foi a esquerda que lutou contra a escravatura, foi a esquerda (as mulheres e alguns homens) que lutaram pelos direitos das mulheres, foi a esquerda que descreveu as condições miseráveis dos trabalhadores durante a Revolução Industrial (Flora Tristan em França e em Inglaterra, Engels em Inglaterra), foi a esquerda que pôs em romance as diferenças de classes e a revolta (Victor Hugo e tantos outros), foi a esquerda que lutou pelas 8 horas de trabalho e depois pelo “weekend”. Foi a esquerda (partido Trabalhista na Grã-Bretanha) que criou o primeiro Serviço Nacional de Saúde (a lei de Bismark era apenas de “caixas” para quem trabalhava), foi a esquerda que organizou a resistência ao nazismo nos países ocupados, foi a esquerda que lutou pela independência das colónias, foi a esquerda que lutou contra o apartheid (só agora é que são todos admiradores do Mandela). Foi a esquerda que lutou contra a ditadura em Portugal, foi a esquerda que derrubou as ditaduras da América Latina.
Quando hoje alguns de nós nos sentimos motivados para apelar à unidade da esquerda é antes de mais uma questão ética.

Não somos nós que inventamos, são números oficiais que nos mostram que um quarto da população portuguesa está em estado de pobreza e que trezentos mil portugueses da população activa não têm trabalho, não virão a ter, não têm subsídio de desemprego ou não virão a ter. O que é que lhes querem fazer? Exterminá-los? Pô-los em fila à porta das instituições de solidariedade? No fundo fazem sentir-lhes que são inúteis, tal como os reformados. Se não existissem era melhor… Na prática, procedem como se eles estivessem a mais na vida. Ou acham que eles podem ser todos “empreendedores” e “subir por mérito”? Ou então que têm todos um QI baixo como disse a 27 de Novembro o Presidente da Câmara de Londres? Estamos num alto (será o máximo?) do desprezo da direita pelos seres humanos.

O momento é de urgência. Por isso a esquerda tem que se deixar de eleitoralismos, de protagonismos, de clubismos identitários.

Tem que engolir elefantes ou mesmo dinossauros. O povo cujo coração bate à esquerda, como é próprio dos corações, é muito mais amplo do que as direções (estimáveis) do B.E., do Livre, do PC, do PS e dos interesses individuais e ou coletivos.

Quando o grupo ad-hoc que promoveu o Manifesto 3D se formou, e depois cresceu para cinco mil, foi exatamente para unir a Esquerda correspondente ao povo da esquerda, não foi para sermos o “rés-do-chão esquerdo” ou o “oitavo esquerdo”. Para nós, que já tivemos tantas vidas seria mais cómodo ficar a ver a banda passar.

A alternativa tem que passar por uma grande volta! E ou a esquerda dá essa volta ou vamos caminhando para a barbárie.

In Jornal Público 19/01/2014


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domingo, 1 de dezembro de 2013

História. A clandestinidade das Brigadas Revolucionárias.

Outubro de 1975. Conferência de Imprensa da separação das BR do PRP. oclarinet Dez.2013

A historiadora Raquel Varela escreve no seu livro sobre a história do PCP, (de que li um fragmento na Net) o seguinte: (…) “O partido não iria apoiar uma guerra civil. Esse argumento, o de que o PCP teria evitado um “novo Chile” em Portugal, foi considerado à altura e mantido como argumento estrutural da posição do PCP a 25 de Novembro de 1975. Nesta política, da potencialidade do regresso a um regime ditatorial, o PCP era apoiado por vários sectores da extrema-esquerda – o PRP-BR, por exemplo, anuncia o regresso à clandestinidade em Novembro de 1975”.

Num outro livro, “Revolução ou Transição”, coordenado por Raquel Varela; na parte lavrada por Jorge Fontes diz-se: “Um capitão do COPCON desvia um milhar de G3 para o PRP-BR, que decide passar à ilegalidade de forma a preparar a «insurreição armada».”

Não foi assim. O PRP-BR não passou à “clandestinidade” ou à “ilegalidade” (!). Foram as Brigadas Revolucionárias. Houve uma separação das Brigadas, do PRP, em Outubro de 1975 (não em Novembro) anunciada em conferência de imprensa (foto em cima).

O desvio das G3 de Beirolas foi em Setembro (dia 10), a separação das BR estava decidida pela Comissão Central do PRP-BR desde Junho, por causa da lei do desarmamento e para “logo que houvesse necessidade disso” (Revolução Nº51, 30/10 anúncio da separação). O prazo da lei do desarmamento saiu em Outubro 75 e deu-se nessa data a separação. Só isso.

Já agora, e lembrando a onda de terrorismo impune da direita, na altura, o PRP-BR dizia em Outubro 75, ser curioso que a lei do desarmamento seja idêntica, e saia numa altura idêntica, à ocorrida no Chile dois meses antes do golpe de Setembro de 73. 

As preocupações com o caso chileno não podem ser baralhadas com qualquer apoio político do PRP-BR ao PCP, antes pelo contrário. Basta ver a quem se dirigia o discurso de Cunhal no Campo Pequeno, após o 25 de Novembro, e a prática seguinte do PCP sobre a esquerda revolucionária. Aliás, os comunicados de todas as organizações da esquerda após o 25 de Novembro são claros, os coincidentes com o PCP, (que são muitos) não são do PRP-BR.

PS. Coloco esta nota neste blogue, por estar cansado de ver na Internet alterações de factos, seja por esquecimento, desconhecimento ou outra razão; parecem menores mas contribuem pouco para a História. 

 Como habitual, no dia 1 de cada mês os 10 posts mais lidos no mês anterior:

27/11 – Alemanha baixa idade de reforma e aumenta salários.

02/11 – Carvalho da Silva. Precisam-se pessoas para a porrada.

22/11 – Cresce a resistência à violência pré-ditadura.

10/11 – Paul de Grauwe também se engana. Que Comissão Europeia.

25/11 – Eleições primárias abertas, Louçã e os outros.

20/11 – Função pública e aposentados roubados no subsídio.

17/11 – Livre. O partido lançado por Rui Tavares.

13/11 – Durão Barroso, o servente mole da Alemanha.

01/11 – Manifestação 1 de Novembro.

07/11 – O embuste da taxa de desemprego - há menos empregados.

(para ler os artigos clicar nos textos a cor)

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domingo, 24 de novembro de 2013

A esquerda e o populismo.

Indignação Protesto e Luta. Nov.2013

A primeira coisa que fiz hoje enquanto lia os jornais online, foi partilhar no Facebook o artigo de Jorge Almeida Fernandes (JAF), “A esquerda sem povo”. Continua por lá a ser partilhado o que significa que o “divórcio entre a esquerda e as classes populares” é assunto que interessa.

As crises do capitalismo colocaram sempre em crise as forças políticas do sistema, anti-sistema ou pela reforma do sistema. A capacidade do capitalismo se regenerar, aproveitando as contradições políticas das organizações partidárias e de classe, tem sido comprovada. O que agora parece relevante é a hegemonia política não ser fruto da supremacia de um grupo social. 

O exemplo de JAF no artigo do Público sobre os 40% de operários a votar na Frente Nacional, de Marine Le Pen, não é muito preocupante, já nos anos 60, segundo o sociólogo Michel Simon, 31% dos operários inscritos votavam na direita (43% à esquerda) e havia Partido Comunista. Operários e outros assalariados votam de maneira semelhante, em França.

O alarme do crescimento populista deve-se mais aos novos meios ao dispor do marketing político, à captura pelos populistas das bandeiras sociais descuradas pela esquerda, e à incapacidade das esquerdas falarem de forma que se entendam e com projecto opcional popular. É um problema da utilidade da acção política.

A incompetência das sociais-democracias, dos partidos da Internacional Socialista, em afirmarem um projecto alternativo à política anti-popular dominante na Europa, poderia levar à afirmação da esquerda anti-capitalista.

Acontece que à esquerda das sociais-democracias, na maioria dos casos, os valores históricos, económico-sociais e da natureza do poder político, são substituídos por objectivos fracturantes cuja importância não se renega, mas que não preenchem as necessidades prioritárias das “classes populares”. 

Em Portugal, acresce a canga do PREC, com as polémicas de quase 50 anos com o PCP e os múltiplos criadores do Partido Comunista “verdadeiramente revolucionário”, sem o qual (como se viu no 25 de Novembro de 1975) nada pode ser feito para alterar a essência do poder, ou sequer para fazer frente a um golpe de Estado. 

 Por golpes de Estado; falo do de 1975 e falo do que agora está em curso.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Já não há paciência para o FMI, nem para a esquerda.

O FMI tem de deixar de mandar aqui.Nov.2013

Numa altura em que alguma “actividade” da esquerda é andar pelas redes sociais a discutir a discussão, a comparar umbigos e a perfeição das suas capelinhas, o FMI vem lembrar que a hora é de fazer contas e não de preleccionar sobre a melhor forma de aprender a tabuada.

O inimigo tem destas coisas, existe e gosta de aparecer, mesmo nas alturas em que pelejam vaidades disfarçadas de debates marxistas, com partidões e partidinhos, ultraminoritários e sócios moços do Benfica - herdeiros dos golos do Eusébio.

Já não há pachorra para ver o estudantariado e a doutorança a relatar desafios a que nunca assistiram, ou, o que é costumeiro, de ver gente jovem formada em história a não acertar nem com a formação de uma equipa que jogou uns anos antes de terem nascido. Acontece sobre o PREC, os SUV, a FUR, o PCP, o PRP, a piada da Guerra Civil; uma época que alguém resolveu embutir no panorama actual, dividindo a resistência de hoje ao novo-fascismo em desenvolvimento.

Como a maioria dos protagonistas do período revolucionário pós 25 de Abril estão vivos, devia haver uma certa contenção, em contar histórias da carochinha. Não há. Já o professor Hermano Saraiva dizia, que estava farto de ver em livros de história, coisas a que ele assistiu contadas de forma absolutamente falsa. Também eu, professor, também eu.

Bom. O tema era o FMI, mas não tenho vagar para recapitulações. Também, quem ainda não percebeu o papel do relatório encomendado ao FMI, não vai lá com mais uma explicação.

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Esquerda. Sondagens dão Bloco em baixo e PS em cima.

Campanhas & campanhinhas.Out.2013

A palavra “campanhinha” não existe no português escrito (não existia!) mas não encontro melhor para expressar a minha percepção do fundamental do marketing político à esquerda. De tão primário nem sei a que alvo medíocre se destina.

Segundo uma sondagem da Pitagórica publicada no Jornal i, o PS sobe nas intenções de voto - tem agora 36,7% - o seu melhor indicador, deixando o PSD a 13 pontos. O PSD com 23,7% regista o seu pior resultado este ano.

A maior queda nas intenções de voto, nesta sondagem, é para o Bloco de Esquerda (BE), que com 6,6 % tem o mais baixo resultado deste ano. 

Haverá causas várias, mas há uma “campanhinha” que, já se viu, não funciona; a de tentar, por todos os meios, ir buscar votos aos eleitores do Partido Socialista. Penso que não funciona, simplesmente, porque para ir buscar votos aos eleitores do Partido Socialista, não pode ser por todos os meios.

Os votos que o BE perdeu, ganhou-os o PS, logo, a “campanhinha” é contraproducente. Antes das “Europeias” o BE tem de apresentar algo de afirmativo, relevante e alternativo. Não vão chegar as “campanhinhas” já muito repetidas; “votam sempre nos mesmos” e “não votem no PS/PSD/CDS” ou coisas do mesmo jeito, não é por acaso que o Bloco vai para baixo e PS vai para cima.

O BE se é alternativa ao PS é em quê? O BE se é alternativa ao PCP é em quê? Isto perguntará a maior parte das pessoas. Eu gostaria de saber como é que o BE vê Portugal a continuar na Zona Euro? O BE e os outros.

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cobardia nacional? Há um ano estava tudo na rua!

15 Setembro FMI fora daqui. Set. 2013

Que se passa? Setembro não é, habitualmente, um mês de marasmo e desmobilização popular. 

Há um ano estava tudo na rua, os membros do governo eram vaiados, de Mota Soares em Ponte de Lima ao Miguel Macedo (da cigarra e da formiga) em Vouzela, para não falar nas estrelas, tipo Relvas, que já foram embora.

Faz hoje um ano que Conceição Cristas se desviou de um ovo, na “acção directa” mais exímia (por parte de um governante). Arménio Carlos e João Proença admitiam uma greve geral conjunta. Os deputados do PS ultrapassavam Seguro na reprovação do Orçamento, António Costa idem.

Centenas de milhar manifestaram-se contra a troika; o movimento “Que se Lixe a Troika” teve o seu apogeu a meio do mês. Depois houve a vigília ao conselho de Estado em Belém, para terminar no 29 de Setembro, “a maior jornada de luta de sempre da CGTP”, que fez do Terreiro do Paço - Terreiro do Povo.

Em Setembro do ano passado as sondagens davam maioria de esquerda e uma grande descida do PSD. 

Agora estamos nisto: É Manuela Ferreira Leite que vem alertar para os cortes de 10% nas pensões serem “um teste a pessoas que não fazem greve, que não têm representação na concertação social, que não têm nenhuma legislação que as proteja…”

O que faz a esquerda? Anda a tratar das eleições autárquicas! Para quê?

As esquerdas estão a aproveitar o momento eleitoral para promover a contestação ao governo e aos partidos que o suportam? As autárquicas vão servir para dar um cartão vermelho ao governo? Nada disso.

PCP e Bloco de Esquerda, entre outros, elegeram como inimigo principal o Partido Socialista. A caça ao voto no mesmo eleitorado, e a afirmação, a isso obriga.
Os reflexos dessa política eleitoralista, vai refletir-se nas bases mais combativas do PS e levar por outro lado votantes naturais do centro-esquerda para a abstenção. 

Quem ganha com isso? O PSD!

E nem é o PSD de Ferreira Leite, é o do governo, da troika, dos interesses actuais do mundo da finança.

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Compromissos e salvação nacional. As negociações.

Gertrud Hohler no Público.Jul.2013
 
E se a discussão fosse se devemos sair da Zona Euro?

O nervoso miudinho, que reina pela comunicação social e redes sociais, sobre as reuniões entre partidos, não faz sentido. A semana passada disse aqui que ”nada é certo, excepto que o PS não se suicidará politicamente, aderindo às fantasias cavaquistas”. Até ver mantém-se, mas depende do desfecho.

O PS pode vir a precisar de um PSD; não é, obviamente, este. Está portanto a fazer de conta, estão aliás todos a fazer de conta, incluindo o PCP e o Bloco de Esquerda (BE). Os jogos partidários (de todos) são mais…jogos florais. 

Ao PCP, BE e alguma esquerda avulsa, convém dizer que o PS está a viabilizar o governo. Ninguém sabe sequer o que se discute, mas afirmar alianças programáticas do PS com os partidos do governo, pode induzir no eleitorado que o centro esquerda português já não existe; é tudo da direita - por decreto digital.

Daí à excitação de um governo (verdadeiramente!) de esquerda do PCP mais BE é um fósforo. Demonstra que a matemática não é um problema apenas dos alunos do 9ºano. Tal governo é tão possível como eu estar a falar mandarim dentro de três quartos de hora, sem sotaque. 

Nada une o PCP ao Bloco, aproxima-os as cadeiras em S. Bento, e só; O PCP e o KKE grego são o que resta da ortodoxia soviética, ditos anti-capitalistas e adversos ao “jogo burguês” do sistema. Sendo uma forma satisfatória de viver no sistema capitalista, bem com a consciência e com o corpo, dizem ambos que governam quando o povo quiser. Seja isso o que seja não nos serve.

O KKE acusa o Syriza de criar ilusões, o PCP recusa reunir com o PS pelas mesmas razões. Os entendimentos à esquerda nunca incluirão organicamente o PCP, é das outras esquerdas que pode nascer um novo bloco unitário. O BE foi esperança que resultou fracasso, hoje pode ser parte não o aglutinador. 

Ontem, o BE até enganou a Renovação Comunista, em minha opinião a única organização, da nossa esquerda, capaz de fazer uma análise política com mais de duas parcelas. Ou João Semedo mentiu quando disse que a reunião com o PS era “sem condições prévias” ou os negociadores exorbitaram as funções.

O certo é que ninguém procura acordos com ninguém, procuram ganhar ou não perder posição. É um simples jogo de entalanço e desentatanço com fins eleitoralistas. 

Uma mistificação sem compromissos ou salvação nacional. Há negociações mas o negócio são as eleições.

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sábado, 18 de maio de 2013

M.Alegre. A esquerda em Portugal não serve para nada.

Manuel Alegre critica sectarismo das direcções partidárias. Mai. 2013

 Em entrevista de Manuel Alegre a Nuno Ramos de Almeida, no Jornal i, o ex-candidato presidencial tece algumas considerações sobre as dificuldades das esquerdas nacionais, em se unirem “à volta de alguns pontos concretos”.
Diz Manuel alegre: 

 «Temos o privilégio de ter a esquerda mais forte da Europa, mas a esquerda em Portugal não serve para nada. Isso é trágico e um dia destes vai ter consequências na própria democracia. O PC não quer entendimentos, o Bloco diz que sim mas não quer, o PS a mesma coisa. Há uma parte do PS que prefere mil vezes aliar--se à direita a aliar-se à esquerda. Em Caminha para as eleições autárquicas os dirigentes locais dos partidos de esquerda entenderam-se para uma lista, da direcção do BE e do PC veio uma contra-ordem. Acho que não se podem pôr condições a um diálogo. Não se podem impor condições a ninguém: nem o PS vai impor que o PC seja favorável a estar na União Europeia e na NATO, nem o PC e o BE podem pôr como condição que o PS rasgue com a troika. Não se pode querer um projecto global de sociedade, mas pode-se ter um acordo à volta de alguns pontos concretos em que estamos todos de acordo, como a defesa da escola pública e do Serviço Nacional de Saúde e outra política económica.»

Concordar ou não com Manuel Alegre, sobre estes pontos, depende das reais preocupações de cada um e do grau de sectarismo que se tem. Se o governo não cair até lá, as eleições autárquicas terão de causar uma derrota volumosa ao PSD e ao CDS. Se assim não for, constituirão um balão de oxigénio do governo.

Nas esquerdas parlamentares, em outras alturas menos graves, houve alianças autárquicas. Quem não milita nos partidos, estranha que não seja dada autonomia aos responsáveis locais para decidirem o que é mais proveitoso nas suas autarquias. Os partidos – bem ou mal - é que sabem o que querem representar. 

Há muito mais esquerda que a dos partidos, e muita crítica da incapacidade das organizações de esquerda. No entanto, perante a oportunidade de se constituírem listas de cidadãos independentes, para o poder autárquico, (até com militantes partidários mais avessos ao controleirismo), essas listas não aparecem em número que valide o proclamado anti-partidarismo.

Ou seja, para falar-se de esquerda inconsequente, ela é mais que a esquerda partidária. Para que as esquerdas sirvam para alguma coisa, é preciso estarem onde se faz organização e onde se disputa o poder. Estão pouco.

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quinta-feira, 28 de março de 2013

Regresso de Sócrates altera tudo.

Cavaco - a mão escondida atrás dos arbustos - Mar.2013

Com Sócrates na vida política "activa", a oposição ao governo da direita ganha um elemento capital aonde fazia mais falta, a frente mediática; inteiramente preenchida nos lugares de destaque por apoiantes do governo.

É o mais importante. Não somos da mesma área política, mas, na circunstância, é um aliado para a tarefa mais urgente.

Mais de um milhão e meio (1,6) viram Sócrates na televisão a desmontar os “embustes” do argumentário da direita (e não só da direita). Escolheu três temas da narrativa impingida aos portugueses: -“que os problemas do país eram só nacionais”; “Que foi o seu governo que nos levou à ajuda externa”; “que o governo está a aplicar o memorando assinado pelo PS”. 

Foi convincente na argumentação, contou a história (que muitos não queriam que se soubesse) sobre os dias da crise e ajustou contas com Cavaco. Poupou a esquerda (o BE e PCP sabiam que não o calavam, deviam estar quietos) e elogiou a direcção do PS.

Sobre o miolo da entrevista todos viram, apanhei-lhe uma meia mentira nas portagens das SCUTs, assumidas por ele mas impostas por Passos Coelho para aprovar o PEC 3. Que as PPPs são 22 e só 8 dele, pouca gente sabia. Despesismo, défice, endividamento público, perdas de receitas e austeridade, foram temas onde esteve seguro.

Sócrates não veio cedo de mais, muitos ressentimentos são fruto da campanha negra a que foi sujeito e a sua presença vai diluir essa rejeição. O seu regresso e o esclarecimento do passado é elementar para os portugueses perceberem as verdadeiras razões da crise e poderem debater soluções.

Critiquei muito o governante José Sócrates e também apoiei algumas políticas. Como agora veio para se opor ao governo e a Cavaco; bem-vindo e que seja eficaz.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Moções de censura. Porque insistem.

Seguro suporta governo insuportavel. Out.2012

 As moções de censura dos grupos parlamentares do PCP e do Bloco de Esquerda foram úteis. Os deputados da oposição expressaram as críticas ao governo e às suas políticas, desmontaram os fantasiosos cenários do ministro Gaspar e clarificaram as posições de cada partido.

Também permitiu apreciar as limitações do Parlamento, da oposição no Parlamento.

A figura central nos rodriguinhos parlamentares, quer se olhe pela esquerda ou pela direita, continua a ser António José Seguro. Entalado pela direita, entalado pela esquerda, estendendo as pernas em espargata vacilante entre uns e outros, fala à esquerda e age à direita.

Apontou os erros da execução orçamental, apontou os erros da política já traçada, e perguntou com propriedade; “Porque insiste, Sr. Primeiro-ministro, na mesma receita? Porque insiste Sr. Primeiro-ministro?”

 Sugere outra pergunta…

Porque insiste, Sr. António José Seguro, no mesmo remédio? Porque insiste Sr. António José Seguro, em ser o suporte político deste governo?


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Esquerda não assume responsabilidades na derrota.

ParlamentoJun2011



O conjunto da esquerda perdeu as eleições, não há outra leitura com um parlamento com maioria de direita. A CDU fala em vitória porque tem mais um deputado, em Faro, embora com a maior descida do PS nada tenham capitalizado. O BE, reduzido a metade, ainda acenou com um novo representante por Aveiro. Não há razão para festejos.

A capacidade de influenciar a governação é reduzidíssima, o seu papel na alteração das políticas quase nenhum; as suas propostas programáticas não têm votos na assembleia que as viabilizem.

 Com o PS em reflexão para descobrir o rumo e o líder, a restante esquerda fazia bem em repensar o isolamento em que está. A oposição e uma possível unificação da esquerda, para construir a alternativa ao poder da direita, pressupõem a análise dos equívocos estratégicos cometidos. PCP e BE não aparentam querer assumir quaisquer erros.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Campanha do Bloco de Esquerda pelo voto útil.

be2011junho




O Bloco de Esquerda e o PCP/CDU votaram com a direita o derrube do governo. Sem a sua colaboração as eleições não estavam a decorrer, e não havia memorando da troika. Quando decidiram forçar eleições ou sabiam que íamos estar nestas condições, a dias de um eventual governo de direita ultra liberal com possível maioria parlamentar de direita, ou enganaram-se e isso justifica a sua campanha “dos aflitos” – para perder poucos deputados.

Passos Coelho só governaria com o FMI (eu escrevi-o há muito), e sabia que a instabilidade política provocada pela queda do governo, levaria ao incomportável aumento das taxas de juro dos empréstimos e à intervenção do FMI/BCE/CE.
PCP e BE não achavam inevitável a vinda da troika. Não sei o que Bloco e PCP previram, (crescer eleitoralmente?) mas é evidente que não contavam com a resistência do PS, tal como Passos, que pedia maioria absoluta, e não fez acordos pré-eleitorais com o PP – o governo que deseja.

É grave se BE e PCP derrubaram o governo apenas para mudar a liderança do PS, conduzindo ao poder do país, a facção mais extremista do neo-liberalismo que quer arrasar todos os direitos e conquistas de muitos anos.

É verdade que o pendor liberal de Sócrates promoveu muitos atentados ao Estado Social, aos direitos dos trabalhadores, etc; que houve má gestão, compadrio e o mais que estamos fartos de denunciar. Mas o BE e o PCP sabem, que tudo isso foi muito moderado se comparado com o que Passos Coelho se propõe fazer.

A campanha contra “o homem” por um governo de esquerda (com quem?) é bizantina, destina-se apenas a limitar prejuízos partidários, não é eficaz para contrariar as medidas mais nocivas da troika, e leva à abstenção da esquerda moderada.
O BE e PCP seriam úteis se levassem aqueles que pensam votar em branco ou abster-se, a votar contra um parlamento de direita, é lá a primeira frente de oposição às medidas. Isso não se consegue a bater no “ceguinho”, é a falar das situações concretas da Escola Pública, do SNS, da Segurança Social, da privatização da CGD, etc. Dizer que Sócrates e Passos Coelho pensam o mesmo sobre essas matérias é uma tolice.

O voto será útil no BE ou no PCP/CDU onde estão próximos de eleger deputados à direita; mas se a direita vier a ter uma maioria no Parlamento, mais deputado menos deputado, interessa ao próprio e à família dele.

Voto à esquerda, por uma assembleia de esquerda, sem opção que não seja engolir um sapo, … ou um jacaré.