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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imagens das manifestações.

oclarinet.Cuidado com as imagens.Nov. 2012
Cuidado com as imagens mas não é preciso exagerar…

  “Relvas repreende presidente da RTP” é o título de um artigo do jornal i de hoje, onde também se escreve sobre a manifestação do dia da greve geral.

Diz: “O i sabe que a PSP pediu à RTP brutos das imagens recolhidas junto do parlamento, material que a estação não fornece. Luís Silveira, da direcção de emissão e arquivo, confirmou apenas que foi feito um pedido das imagens recolhidas”.

Mais abaixo: “Como o DN já tinha avançado, a divisão de investigação criminal da PSP pretende socorrer-se de imagens para perceber ligações eventuais entre manifestantes com comportamentos mais violentos a grupos extremistas ou relacionados com tráfico de droga”. (sublinhado meu)

Temos assim, nas manifestações, além dos hooligans da bola, dos agentes estrangeiros e dos profissionais da desordem, os traficantes de droga: Seguir-se-ão decerto os pedófilos e outros violadores, os incendiários da floresta, os assaltantes de multibancos e de velhinhos que vivem isolados, os que fogem ao fisco e os fumadores de tabaco. Toda a corja, nacional e internacional de malfeitores, encontra-se nas manifestações contra a austeridade a troika e o governo de Passos Coelho.

Num outro artigo, de Nuno Ramos de Almeida (no jornal i), é relatado a certa altura. “Algumas raparigas foram obrigadas a despir-se para uma revista mais aprofundada. Vários jovens foram insultados, tendo sido dito, por agentes policiais, àqueles que garantiram não ter participado nos incidentes que “gente inocente não vai a manifestações”.

Não há nada como ouvir falar claro.

O mesmo jornalista, no artigo “Um dia com os 380 irredutíveis estivadores”, (aqui) a ler, particularmente por quem ainda não entendeu o que se passa nos portos, escreve:

“No mesmo dia em que falamos, os estivadores juntam-se à manifestação nacional de polícias, sob o olhar curioso dos agentes. Perto deles, estão activistas dos indignados, gente com máscaras dos Anonymos. Mais atrás, um elemento da DCCB (Direcção Central de Combate ao Banditismo) com uma camisola do Che Guevara. Um circo”.

Camisola do Che Guevara? Seria para passar despercebido entre os hooligans do No Name Boys ou da Juve Leo?

Não sabemos o que o futuro nos reserva em termos de liberdades fundamentais. Por isso, à cautela, é preciso ter cuidado com os vídeos e fotos que se publicam nas redes sociais. Mais prudências ainda com as campanhas contra aqueles que usam maior radicalismo na acção. Agora levam esses em seguida vão os outros (todos conhecem a história). 

O pacifismo é muito bonito mas pode haver uma curta distância entre um pacifóide e um patifóide, o espaço encurta-se pela delação. Bufos conscientes ou involuntários não se diferenciam objectivamente.

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domingo, 18 de novembro de 2012

Carga policial em S.Bento e histórias da carochinha.

oclarinet. Preparar carga policial.Nov.2012

Estive em S. Bento no dia da greve geral e o que vi é diferente do que vejo relatado. Inventa-se muito, por todo o lado.

A primeira historieta são os “profissionais da desordem”. Embora nunca tenha percebido porque há manifestantes que querem subir degraus de acesso ao Parlamento, como se fossem os anfiteatros da Sorbone, ver agentes estrangeiros a promover desacatos é demais. Não há nenhum Lenin de Nanterre à frente da turba, o Dany aparlamentou-se e o modus operandi é muito amador, nem uma gancheta para arrancar as pedras da calçada se viu.

Depois, a polícia de choque que arrasou tudo por onde passou, como aprendeu a fazer nos treinos, acabou por tirar a dúvida se seriam enxertados em sul-coreano. Sendo os únicos profissionais da desordem presentes, acabaram por cumprir, tendo um deles, inclusive, dado um manifestante prostrado no chão a provar ao cão. Acaba por ser um alívio e rasgar o postal turístico português da bela jovem e o polícia de choque domesticado.

A quantidade de polícias feridos relatados mas não filmados é outra inventona. Em S.Bento e antes da carga policial só se viram feridos entre manifestantes, atingidos por pedras por se porem entre os escudos dos polícias e os apedrejadores, curiosamente, estes jovens redentores andam pelos blogues a chamar estúpidos aos que os atingiram.

Quem obrigou os escudos dos polícias a levar com pedras por tempo interminável foram os manifestantes pacíficos e não os chamados “estúpidos” que os apedrejaram. Deviam saber que há um tempo antes e depois da debandada da CGTP. A polícia se não quisesse atingir inocentes, comunicava por megafone aos mirones que estava à espera que fossem embora para arrear nos provocadores. Acontece que a radicalização já não é apenas de um pequeno grupo de jovens urbanos empobrecidos, todos os presentes sabiam que iria haver uma carga policial, uns achavam-se a salvo outros tomaram medidas para não ser atingidos.

O saldo da greve geral é o mesmo e não se mede em S.Bento. Afectado foi o tempo de antena mas é normal. A dinâmica da luta dos trabalhadores, autónoma ou sindical, e dos mais atingidos pela crise, (os desempregados, os precários e os pobres que nada têm a perder), tem pontos de contacto com a política partidária mas objectivos tácticos e estratégicos distintos; aliados momentâneos são concorrentes na mediação da comunicação social, que é essencial para a imagem dos eventos.

Para além do postal da bela e do polícia domesticado outro desapareceu, o da grande diferença entre as manifestações ordeiras nacionais e os desacatos que se vêm no estrangeiro, podendo ser mau para o turismo não é pior que o IVA da restauração.

Por último gostava de saber, dos comentadores de todos os quadrantes que genericamente vêm dizendo que “a sociedade portuguesa pode não aguentar tanta austeridade e haver uma rotura social”, o que querem dizer. 

Expliquem lá o que é essa rotura social, que sinal dá e como se confirma, pois não se percebe que digam isso e não reconheçam o que se passa.

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