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domingo, 26 de agosto de 2012

Líbia. Islamistas destroem mesquita, à luz do dia.

Governo libio incapaz de controlar islamitas radicais. Ago.2012

A mesquita de Al-Shaab, junto ao centro de Trípoli, na Líbia, foi demolida em plena luz do dia, no sábado, e os túmulos sufistas no interior foram profanados por grupos de islamistas armados. A operação envolveu o uso de um bulldozer.

A história da Líbia, os seus monumentos e escritos estão a ser destruídos e os mausoléus profanados e danificados, pelo ultra conservadorismo salafista. 

Organizados em milícias, os extremistas islâmicos contam com a passividade das forças de segurança estatais. Uma testemunha da destruição da mesquita disse à BBC que os militares “pareciam estar a supervisionar o processo em vez de evitá-lo”.

Destruio da mesquita de Al-Shaab. Ago.2012

Se o governo da Líbia não chega ao centro da capital, Trípoli, em pleno dia, onde estará?  


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sábado, 7 de julho de 2012

Eleições na Líbia - 7de Julho. Que democracia?

Eleições na Líbia - Resultados duvidosos.Jul2012

As eleições na Líbia não são comparáveis com as da Tunísia ou do Egipto. A Líbia perdeu a unidade política com o derrube de Kadhafi e está instalado o caos em todo o território; mesmo em Benghazi (berço da rebelião contra o anterior regime) foi atacada o mês passado, uma coluna de veículos da embaixada britânica e noutra operação foram detidos funcionários do Tribunal Penal Internacional (só libertados com intervenção do Conselho de Segurança da ONU).

Já esta semana, também em Benghazi, cerca de 300 homens armados invadiram a sede da Comissão Eleitoral de Eleições, onde destruíram material informático, urnas e outros materiais para a votação, enquanto no sudeste líbio o líder dos Toubus (clicar aqui/artigo sobre os Toubus) declarava ir boicotar as eleições. Ainda ontem, entre outros incidentes, foi abatido um helicóptero que transportava material eleitoral e foram suspensas por milícias armadas todas as operações no principal porto petrolífero da Líbia (Ras Lanouf).

Não há condições mínimas para realizar eleições na Líbia mas parece que isso não é importante. A ideia não é acabar com o caos, mas apenas dar-lhe algum ordenamento, no fundo definir melhor o terreno. Com esse propósito as eleições são uma primeira amostragem onde as verdadeiras forças políticas vão evoluir. 

As eleições foram manipuladas na própria concepção, pelo que não resultará nem um simulacro de democracia representativa. Centenas de partidos e organizações políticas congregados em algumas frentes eleitorais e milhares de independentes (muitos deles falsos independentes promovidos e apoiados às claras por partidos) vão disputar os 200 lugares do Parlamento.

Em 6 milhões de habitantes, estão inscritos para votar 2,7 milhões. Dos mais de 4.000 candidatos a Comissão Eleitoral considerou elegíveis 2.501 independentes e 1.206 de grupos políticos. 120 lugares são para os independentes (!?) e 80 para os agrupamentos políticos.

Por “razões demográficas” 100 lugares são para o oeste com mais população, 60 para o leste e 40 para o sul, mas inventou-se um sistema de votação para a futura Assembleia que impede o voto representativo; as aprovações serão por maioria de dois terços, para que o oeste da líbia nunca tenha a maioria.

Com este sistema, em que o CNT não permite a repartição equitativa dos lugares do Parlamento, confessa-se a real divisão líbia. Trata-se de uma manipulação (de sinal contrário ao caso grego em que o vencedor tem mais 50 votos) que vai no sentido de impor (!) a ingovernalidade. Esta situação não é aceite hoje e será mais um factor contra a pacificação após as eleições.

Sem sondagens, a comunicação social árabe “elegeu” 3 partidos como principais. Dois islamitas, o Partido da Justiça e Construção e o Al-Watan (Partido da Pátria - salafista), o primeiro é a Irmandade Muçulmana, o segundo do ex-chefe militar de Trípoli Abdelhakim Belhaj. O outro agrupamento (Aliança das Forças Nacionais) é uma coligação dita liberal, promovida pelo ex-primeiro ministro do CNT Mahmoud Jibril.

Admite-se que também com o truque dos independentes apoiados pelos partidos, os islamitas possam ter a uma maioria no Parlamento. No entanto o verdadeiro poder político continuará nas tribos que defendem os interesses regionais com a legitimidade histórica e armas pesadas.

Que democracia resultará de eleições numa Líbia mergulhada no caos generalizado, sem exército unificado e um modelo de poder político importado (mal) e aplicado sem ter em conta a realidade física e histórica? 

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Líbia. A 15 dias das eleições milícias ocupam aeroporto.

Milícias tomaram aeroporto internacional de Trípoli.Jun.2012
A 15 dias das eleições na Líbia, milícias ocuparam o aeroporto internacional de Tripoli. Um grupo armado de cerca de 200 homens – da milícia Al Awfia oriunda de Tarhuna, cidade considerada fiel a Kadhafi e situada a cerca de 60 km a sudeste da capital – usou armas pesadas montadas em dezenas de veículos para controlar o aeroporto civil mais importante da Líbia.

A milícia exigia a libertação do seu líder, o coronel Abu Ujeila al-Habashi desaparecido no domingo e que, segundo a Al-Jazzera, teria ido à capital entregar uns tanques do exército regular. O Conselho Nacional de Transição (CNT) no poder na Líbia negou qualquer envolvimento no desaparecimento do líder da Al Awfia, responsabilizando “rebeldes armados desconhecidos” pelo seu rapto.

Forças líbias já recuperaram o aeroporto, há notícia de membros das milícias detidos e o CNT tinha prometido nas negociações, através do seu presidente Mustafá Abdul Jalil, um inquérito ao desaparecimento do chefe da Al Awfia.

Fica do acontecimento mais uma prova de que dificilmente há condições para a realização de eleições livres e sérias na Líbia, no prazo previsto, que é no próximo dia 19.

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