Portugal é o segundo país da Europa com maior aumento no registo de carros novos. Já em 2013 Portugal esteve entre os únicos quatro países onde as vendas de carro aumentaram no primeiro trimestre desse ano.
Para além da explicação simples, da desigualdade na distribuição dos rendimentos e na capacidade de compra ainda existente em parte da população, podemos perguntar se tal é fruto da crença de que somos um bom exemplo ou receio pelo futuro.
O medo é por vezes mal interpretado. Há pouco tempo foi notícia que um americano necessitado encontrou uma mala cheia de dólares e entregou-a às autoridades. Fizeram-no herói de suprema coragem e honradez exemplar; depois entrevistaram-no e ele confessou que se não restituísse a mala seria punido por Deus. A coragem era afinal o medo; o terror de um fanático religioso perante o castigo das labaredas eternas.
O ano passado afirmei aqui que, guardar o dinheiro no carro em vez de no colchão se justificava. Dizia:
“Embora pareça um contra-senso num país a viver em austeridade rigorosa, o investimento em carro novo compreende-se; por duas razões.
Primeiro, os bancos deixaram de ser seguros após a inteligência do Eurogrupo ter ido aos depósitos dos cipriotas; podem afirmar mil vezes que não é para replicar noutros Estados, que a desconfiança de quem tem dinheiro está instalada.
Segundo, já haverá quem tenha assumido que Portugal deixará a Zona Euro, brevemente, em princípio empurrado pelas circunstâncias. Nessa situação os bens importados sofrerão um aumento imediato de preço. A maioria dos portugueses não tem agora euros para mudar de carro usado para outro carro usado, mas muitos há que podem comprar carro novo para usar por muito tempo”.
Nada aconteceu de há um ano para cá que tenha alterado a situação. Aumentou a propaganda de que tudo está a melhorar, mas essa propaganda não contagia quem tem dinheiro de sobra e receio de o perder.
O euro é uma moeda duvidosa, como duvidosa é esta União Europeia.
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