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segunda-feira, 27 de junho de 2011

O diálogo frutuoso do ministro Álvaro Santos Pereira e as impressões de Carvalho da Silva.

combichoJun2011
                                                  Diálogo Frutuoso


O ministro da Economia e do Emprego reuniu hoje com a CGTP. Carvalho da Silva à saída do encontro, e quando lhe perguntaram se tinha ficado bem impressionado, disse “não fiquei com qualquer impressão”. O ministro Álvaro não clarificou o seu pensamento quando recebeu a CGTP, segundo Carvalho da Silva.

Já no outro encontro do ministro Álvaro, com o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) José Pinto Coelho, as coisas devem ter corrido com outra abertura, pois à saída o presidente da CTP disse ter ficado “bem impressionado” com o ministro Álvaro.

A diferença de impressões dos interlocutores do ministro tem significado político; principalmente quando Álvaro Santos Pereira definiu como uma das suas prioridades a Concertação Social. O ministro antes do encontro com a CGTP estava optimista e esperava um “diálogo frutuoso”. O diálogo faz-se abrindo o jogo com todas as partes e não escolhendo o par para dançar.

O que impressiona neste início de carreira política do ministro Álvaro é que tenha ficado com uma pasta que pede grandes capacidades políticas, coisa que pelos vistos não tem à partida, e não tem tempo para aprender a ter.

Parece por estas primeiras reuniões que temos um ministro que descarta a CGTP da Concertação Social. A ser assim vai haver problemas adicionais no que diz respeito ao “emprego e competitividade”. Baixos salários, maior facilidade nos despedimentos e menos apoios sociais, não se impõem com facilidade.
Se a coragem é para confrontar quem trabalha a situação do país vai para a conflitualidade.

O ministro Álvaro devia saber que quando se quer trabalhar em equipa, não se deixam protagonistas do jogo de fora.

sábado, 18 de junho de 2011

Para a História - em meados de Junho de 2011 "d.C." ocorreu uma crise internacional.

oclarinetJun2011cp


Já muitos deram por isso, mas o melhor é ficar escrito para facilitar a vida aos futuros historiadores. Há uma crise financeira internacional que tem implicações graves na Europa, no Euro e em Portugal; quem o garante (agora) é uma novíssima legião de comentadores e observadores da coisa política e da economia. Novíssima porque só agora aderiram ao discurso da crise externa.

Essa legião de fazedores de opinião pública é precisamente a mesma que negava que a crise internacional tivesse reflexos significativos na nossa economia. Isto antes da data em que se conheceram os vencedores das últimas eleições. Há portanto dois momentos, um quando o governo era PS e outro quando o “governo troiko” se começou a formar.

Antes, a crise internacional era uma desculpa de Sócrates, o processo seguinte à falência do Lehman Brothres era coisa estrangeira, a situação grega e Irlandesa era deles. A falta de solidariedade da União Europeia, para com os países membros em dificuldades, era uma justificação esfarrapada para encobrir a incompetência do governo. Falar em crise internacional era motivo para ser apelidado de socretino. Como se vê era só-cretinice militante.

Agora, a legião que apoia o governo troiko, não só abusa dos mesmos argumentos de Sócrates, como vai adiantando que é muito difícil a tarefa de governar nestas circunstâncias. Dar a imagem de que só não se demitem porque ainda não tomaram posse, é tão negativa como o optimismo excessivo para criar confiança. Deprimir o povo não ajuda a baixar a despesa com medicamentos no SNS, basta a depressão natural causada pela penúria.

Já aderiram às razões da crise internacional, bem vindos. Agora tentem ser úteis exigindo uma boa governação em vez de desculparem o futuro governo pelas asneiras que ainda não teve tempo de fazer. Não estamos em bancarrota, e se lá chegarmos é com um governo troiko; troiko 1, troiko 2…!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Já há governo da "verdade".

               A Verdade DivididaoclarinetJun2011

A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
 
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meio perfil
E os meios perfis não coincidiam verdade…
 
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
 
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
 
Carlos Drummond de Andrade