O Público apresenta conclusões de um estudo sobre a qualidade da democracia em Portugal, no mínimo abusivo. Inquiridos 1207 indivíduos em Julho de 2011. “Apenas 56% dos portugueses consideram que a democracia é preferível a qualquer forma de governo”. A fotografia que ilustra o artigo é de uma manifestação em frente à Assembleia da República; serão as manifestações, demonstração democrática das posições políticas e sindicais dos cidadãos também um problema da democracia?
Um dos autores, António Costa Pina, diz que o estudo mostra que “há regressão no apoio aos sistemas democráticos”, 15% dos inquiridos considera que, “nalgumas circunstâncias, um governo autoritário é preferível a um sistema democrático”. Como 15 para 100% não são 56, falta saber que sistema entre o poder democrático e o autoritário é preferido, ou não será, tão-somente, a descrença neste simulacro de democracia em que vivemos. A prová-lo estão 86% dos inquiridos que querem “eleições livres e justas”; e 86% para 100% já dá 14, – próximo dos 15% que preferem um governo autoritário, (no universo do inquérito serão os mais satisfeitos com a realidade que vivemos).
Temos um governo a exercer contra o que prometeu em campanha eleitoral, a suspensão da Constituição no que se refere aos direitos sociais, laborais, na saúde, na educação; a soberania entregue a interesses estrangeiros, políticos e económicos, mais desemprego e pobres, a comunicação social mais controlada pelos grupos económicos e seus interesses, etc. Os portugueses só podem estar insatisfeitos com a qualidade da nossa democracia.
A percepção da degradação da democracia é por causa de esta não cumprir a democracia económica prometida, das decisões do poder político serem interpretadas como contrárias aos interesses da maioria dos portugueses. O que parece resultar do estudo é a exigência de mais e melhor democracia, e não um apelo a formas autoritárias de poder. Democratizar a democracia é contar com outras formas de participação cívica das populações, da democracia real, de consulta directa sobre questões relevantes como a privatização da água e outras, a par da promoção da justiça social.
Se agora 15% aderem a soluções autoritárias, (segundo Costa Pina, 12 a 17% aderiam no início da democracia) repare-se que “nos 30 anos do 25 de Abril, era de 7%”. Estamos a regredir, não é surpresa, é fruto do poder actual promover o enfraquecimento da democracia. É uma situação recuperável.
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