José da Silva Lopes, o economista português com a mais longa carreira técnica e política, na área da economia e finanças públicas, disse ontem que estará “presente nas manifestações quando estas visarem os políticos europeus, nomeadamente, a chanceler alemã Ângela Merkel”.
Antes de ontem a comissão Executiva da CGTP marcou um protesto (acção de rua) para o dia da visita de Ângela Merkel a Portugal - dia 12 de Novembro – dois dias antes da Greve Geral.
A posição de Silva Lopes tem um importante significado político. Por ser quem é, e por colocar o protesto na dimensão europeia.
Lembremos que o governo e os seus apoiantes têm em relação à Europa e às instâncias internacionais uma posição de obediência subserviente. Também boa parte dos críticos do governo vai na conversa do poder, de identificar os males nacionais como tendo origem em Sócrates e “termos vivido acima das nossas possibilidades”. Paul Krugman junta-lhe “os malefícios da dívida” para lhes chamar as lérias populares da Europa.
As ingenuidades analíticas anti-socráticas, que nos trouxeram aqui e dificultam ver a muitos a razão da crise, não são fáceis de contrariar, a campanha foi ao nível dos Pastorinhos de Fátima, é crença que terá peregrinos por muito tempo.
O que é fundamental nesta situação é saber se a classe média, atingida sobremaneira com as medidas do governo, está disposta a alterar a situação, juntando-se em massa aos protestos de rua, (hoje já ninguém diz que as manifestações não servem para nada).
A participação de Silva Lopes em demonstrações de protesto ajuda a ultrapassar algumas reticências, quer sectárias, quer classistas. É por isso uma boa notícia.
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