Passos Coelho disse em entrevista ao Porto Canal que “a ideia de que estamos num círculo vicioso que só produzirá maus resultados como na Grécia, não está a verificar-se”; mas adiantou, “não estou com isso a dizer que não possa um dia acontecer”.
Afirmar uma coisa e o seu contrário é habitual nos porta-vozes deste governo, sempre poderão dizer mais tarde, perante os desastres, que já os haviam referido no passado. Neste caso é avisado, pois são muitas as vozes de que seguimos a Grécia, tintim por tintim.
A forma contraditória de como Passos Coelho pinta a situação do país, ora com tons brilhantes de sucesso ora com o breu da tragédia, esborrata-lhe o discurso e confunde o auditório.
Assim, no mesmo dia em que Passos Coelho dizia no Porto que estava a conduzir bem mas não sabia se a viatura tinha travões, foi a Fátima fazer o milagre de pôr a juventude social-democrata a cantar vitória por não ter futuro.
É óbvia a intenção de Passos Coelho - através do medo paralisar a contestação. A ausência do discurso de esperança não é defeito, é estratégico na comunicação do governo. Por vezes exagera.
Diz que faltam 20 a 30 anos para pagar a dívida, que aumenta apesar de os portugueses terem visto cortes de 13 mil milhões de euros e dizerem-lhes que ainda falta cortar mais 4 mil milhões.
Com esses anos ficou a Argentina depois de recusar pagar, correr com o FMI e renegociar com os credores. Não precisa de perguntar a nenhuma troika se pode aumentar o salário mínimo ou de vender as joias do Estado em saldo, e a sua economia cresce acima das economias regionais. E a Grécia vê perdoar 50% da sua dívida.
Passos Coelho promete o pior de dois mundos porque precisa da crise para as negociatas das privatizações e das mudanças ideológicas na sociedade portuguesa. A possível bancarrota de 2013 vai obrigar a uma negociação em piores condições que teve a Argentina. É a Grécia, que num dia de 2013 nos pode “acontecer”.
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