terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um Grillo em Itália. Redes sociais ou televendas.

Nicola Vendola. Fev.2013

Nicola (“Nichi”) Vendola, fundador do SEL (partido; Esquerda, Ecologia e Liberdade) que Beppe Grillo tratou num comício por buson (bichona), definiu bem, ontem, os tempos italianos - ”televendas”.

O fenómeno Grillismo não é das redes sociais, o pivot nasceu na televisão e o “tsunami” fez-se sobretudo pelas televisões; a proposta do M5S de Grillo para “um referendo sobre a concessão dos canais públicos” não será alheia ao apoio televisivo, e por outro lado, a cassete primária da anti-corrupção vende que se farta em Itália.

Para a cassete contribuíram os juízes anti-máfia durante anos e Mário Monti durante o seu falhado governo tecnocrático. Monti e os juízes (António Ingroia nem foi eleito) levaram com o boomerang da demagogia do anti-partidarismo que alimentaram. 

O marketing de Gianroberto Casaleggio, “productor” de Grillo, expropriou a anti-corrupção, marca de sucesso, juntou-lhe um actor popular e um guião estridente de meias e completas verdades mais umas piadas e obscenidades quanto baste. O resultado está à vista; publicidade bem embrulhada e target definido, com acesso aos grandes meios, resulta com Berlusconi como com qualquer outro produto.

O anti-partidarismo como fórmula de democratização é contraditório com a formação do M5S, um partido que fez primárias (?) on-line como se isso o aproximasse da qualquer democracia directa. Unipessoal, personalizado e ditatorial, (expulsou quatro militantes por fazerem declarações na televisão), o M5S não tem nada a ver com os movimentos sociais (de expressão democrática) nascidos na Internet.

Neste momento os eleitos do M5S são tão políticos como os outros, não se sabe porque serão mais honestos que os outros e parece que nem eles sabem o que vão fazer para o Parlamento (pelo que se ouviu da boca deles ontem). 

Beppe quis concorrer à liderança do PD, não conseguiu, agora é contra os partidos. Pode não se concordar com a linha política do Partido Democrático, mas lá todos falam e muitos mais falaram nas primárias que elegeram Luigi Bersani, um processo “hiperdemocrático”, como se diz em Itália - que fazia falta aqui.

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3 comentários:

CLV disse...

Não parece nada correcto atraíres a atenção dos teus leitores com a expressão "antipartidarismo". Ser contra todos aqueles que coabitam São Bento é coisa saudável; ser contra os partidos é pecaminoso. Todos os de São Bento, sem excepção, não merecem qualquer consideração. Outra coisa é o direito de associação que, esse, é sagrado. Na minha opinião nunca deve falar-se em antipartidarismo.

Carlos Mesquita disse...

O artigo não defende o anti-partidarismo, antes pelo contrário, penso estar claro quando digo que “levaram com o boomerang da demagogia do anti-partidarismo que alimentaram” ou caracterizo o M5S como “partido” formado na onda populista anti-partidos.

Sou ainda de uma geração que levou porrada para que houvesse, entre outras coisas, partidos. Não vou tão longe na desconsideração dos de S.Bento, precisamente por isso poder alimentar o populismo e o oportunismo político.

Publiquei aqui um texto de André Freire (obviamente concordante) onde ele afirma que “por vezes, o criticismo anti-partidos e anti-classe política roça o populismo anti-democrático.

A alternativa às organizações tradicionais de “representação política”, não é de certeza, um gajo, (grilo ou carapau) e uns paus-mandados num Parlamento, à espera que o chefe pense alguma coisa sobre a Europa ou outro assunto e lhes teleguie o braço para votar.

O protesto não é um fim, não percebo o receio de criticar processos anti-democráticos porque é a onda das massas, quando se sabe como apareceram as piores ditaduras na Europa – como sabes, com apoio popular e até a cheirar a esquerda. A Itália é hoje um caso a estudar, sem medo; pode ir por várias direcções, algumas são péssimas.

ARJ disse...

Não se entende, são a favor ou contra a União Europeia? Já li de tudo.