terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Comprar carro por medo?

oclarinet.blogspot.com Protecção para o mau tempo. Fev.2014
 

Portugal é o segundo país da Europa com maior aumento no registo de carros novos. Já em 2013 Portugal esteve entre os únicos quatro países onde as vendas de carro aumentaram no primeiro trimestre desse ano.

Para além da explicação simples, da desigualdade na distribuição dos rendimentos e na capacidade de compra ainda existente em parte da população, podemos perguntar se tal é fruto da crença de que somos um bom exemplo ou receio pelo futuro.

O medo é por vezes mal interpretado. Há pouco tempo foi notícia que um americano necessitado encontrou uma mala cheia de dólares e entregou-a às autoridades. Fizeram-no herói de suprema coragem e honradez exemplar; depois entrevistaram-no e ele confessou que se não restituísse a mala seria punido por Deus. A coragem era afinal o medo; o terror de um fanático religioso perante o castigo das labaredas eternas.

O ano passado afirmei aqui que, guardar o dinheiro no carro em vez de no colchão se justificava. Dizia:

“Embora pareça um contra-senso num país a viver em austeridade rigorosa, o investimento em carro novo compreende-se; por duas razões.

Primeiro, os bancos deixaram de ser seguros após a inteligência do Eurogrupo ter ido aos depósitos dos cipriotas; podem afirmar mil vezes que não é para replicar noutros Estados, que a desconfiança de quem tem dinheiro está instalada.
 
Segundo, já haverá quem tenha assumido que Portugal deixará a Zona Euro, brevemente, em princípio empurrado pelas circunstâncias. Nessa situação os bens importados sofrerão um aumento imediato de preço. A maioria dos portugueses não tem agora euros para mudar de carro usado para outro carro usado, mas muitos há que podem comprar carro novo para usar por muito tempo”.

Nada aconteceu de há um ano para cá que tenha alterado a situação. Aumentou a propaganda de que tudo está a melhorar, mas essa propaganda não contagia quem tem dinheiro de sobra e receio de o perder.

O euro é uma moeda duvidosa, como duvidosa é esta União Europeia.

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3 comentários:

João Pimentel Ferreira disse...

Não posso deixar de comentar quando diz que é boa opção comprar carro novo. Portugal, apesar de ser um país pobre com salários baixos e fracas condições de vida, tem 540 automóveis por mil habitantes, o terceiro número maior da Europa e dos maiores do mundo. Estima-se que o português comum precise de trabalhar seis meses por ano, para pagar as despesas totais do seu carro. Portugal não tem recursos petrolíferos nem tem indústria automóvel própria. Estima-se que a hegemonia do automóvel tenha um custo económico anual ao país de cerca de 10% do PIB. Todavia, Portugal está no top 5 dos países da UE com mais autoestradas, se consideramos número de habitantes, área e PIB. Numa autoestrada, opção extremamente onerosa para o erário público (veja o caso das PPP) circulam veículos movidos a derivados do petróleo, e esses veículos e petróleo são na totalidade importados. 1/4 das importaçôes em 2010 foram carros e combustíveis! Se o português comum aproveitasse todos os recursos financeiros que aloca para o carro e os alocasse para outros fins no mercado interno, melhoraria muito mais a economia nacional!

Carlos Leça da Veiga disse...

Meu Caro Mesquita,

O "euro" não parece ser uma moeda duvidosa mas sim maldosa. Sob o pretexto falacioso duma falsa unidade europeia só tem servido para, em substituição do exercito, invadir as periferias do nosso Continente e, insidiosamente, destruir-lhes por completo as Independências Nacionais. Com o apoio descarado dos servos do capital financeiro - que os há espalhos por toda a parte - a obra expansionista dos Germânicos prossegue incólume na sua estratégia e todas as Nacionalidades que há na Europa - mesmo que isso seja negado - vão sendo integradas no novo Reich, desta vez o IVº. O expansionismo da Prússia "bismarkiana", mais uma vez, está a deitar as unhas de fora.

Em Portugal a alienação política é tal que há um Governo a obedecer, em directo, ao domínio avassalador e tirânico do novo Reich e não, como devia, a propugnar pela Libertação das Nacionalidades Oprimidas. Na Europa, só em Portugal é que a Nação está confundida com o Estado e se, como deve ser, não oprime qualquer Nacionalidade, por justiça, não pode aceitar que perca a sua Soberania Nacional. Ao defender-se a nossa Independência tem de estar-se a defender as demais que na Europa são muitas e estão Oprimidas. Contra tudo e contra todos a missão portuguesa, para ser digna disso mesmo, é a de ser o farol dos Independentismos existentes na Europa Viva a Europa das Nacionalidades.
CLV

Carlos Mesquita disse...

Meu caro João Pimentel Ferreira, não escrevi em lado algum que “é uma boa opção comprar carro novo”. Digo que se “compreende” e que há “justificação”, numa base - evidentemente especulativa - de que se está a investir em bens duradouros por não haver confiança na perenidade da moeda única.

Sobre os carros, derivados do petróleo e as auto-estradas, ou a falta de ferrovia e de transportes públicos a preços vantajosos, que são assuntos em que até estaremos de acordo, não são matéria deste post. Andam por aí noutros. Obrigado.