domingo, 17 de março de 2013

Está perto o anúncio da bancarrota. E sair do Euro?

Daniel Beça avisa da bancarrota. Mar 2013


O ex-ministro da economia Daniel Bessa voltou ao discurso do perigo da bancarrota, diz ele:

“Estamos todos no país a tentar evitar o momento final do anúncio da bancarrota e do incumprimento. Não estou a dizer que estamos em cima desse momento, mas, infelizmente, estamos hoje mais perto do que estávamos há dois meses, estamos mais perto do que estávamos há dois anos. E, portanto, é isso que estamos a tentar evitar”. (Transcrito do Público).

Que este seria o governo da bancarrota, até eu o disse por aqui, ainda antes de se saber que a divida galgaria aos valores de hoje. Incumprimento nos moldes actuais de pagamentos é mais que certo, o que não significa no nosso caso falta de credibilidade do país. Se há reputação abalada é da troika, do PSD, do CDS, e de Cavaco Silva, que deixa Portugal capitular neste desgoverno.

O incumprimento já se assume para além de teórico, também em hostes apoiantes do governo; a governação tem retirado aos portugueses os meios para cumprir quaisquer obrigações.

No Euro, com a dimensão dos juros e sem um plano de pagamentos suportável; com o investimento e o consumo ao nível de um país falido não vamos lá. 

Mas os países não acabam por incumprimento, sofrem mais ou menos o que estamos a sofrer, para recuperar os tempos saudáveis. O esforço que fazemos é inglório, com a austeridade que já se suportou e moeda própria, estávamos no caminho de saída da crise e não a enterrarmo-nos mais. 

A saída de Portugal do Euro, harmonizada com os parceiros europeus e negociada com os credores, é uma solução cujo debate tem de deixar de ser tabu, devia ser já a tarefa das forças políticas nacionais.

No caminho que estamos, a austeridade não nos serve, só nos destrói.

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2 comentários:

CLV disse...

Na interpretação dos fenómenos políticos estás demasiado bem colocado para que, agora, possas vir com essa conversa da harmonização e da conveniência de concatenar entendimento com outros estados europeus. Qualquer dos estados continentais jamais desistirá de querer tirar dividendos abusivos das potencialidades reais da economia portuguesa - que as tem - mas, sobretudo, arranjar os entendimentos políticos mais bonitos e melhor disfarçados desde que, no final, apanhem de "borla" a fachada atlântica portuguesa e, em particular, os portos de Lisboa e Sines. Para a grande comercialização intercontinental a processar-se, inevitavelmente, por via marítima - face às características dos transportes actuais - para a Europa continental já só restam esses pontos de carga e descarga. Que razões terão esses estados para querer que o comboio chegue a Sines? O nosso mundo é outro. Está nas Américas, na África, na Oceânia e na Ásia. Quanto mais se virarem as costas à Europa continental - apenas à continental - melhor estaremos nós. Este é o meu "Delenga Cartago".
CLV

Carlos Mesquita disse...

CLV. O dumping que Espanha fazia no tempo de Gonzalez (como tive oportunidade de confirmar quando era industrial), não é nada comparado com as dificuldades do protecionismo no Brasil e noutros destinos que vês como alternativa integral à Europa “continental”. Não vejo razões para apagar qualquer parte do Globo para trocas de qualquer tipo, dá-se aliás o caso, do interesse dos principais países de África e da América Latina na relação bilateral, assentar na porta europeia que Portugal representa, idem para a China. É outra discussão.

As potencialidades da economia portuguesa, “que as tem”, não despontam num país de fraca reputação e sem crédito nenhum. Há várias teses nos países onde é possível discutir a saída do euro, desde a saída temporal (até os países em dificuldades recuperarem as suas economias), a terem uma moeda com paridade percentual ao euro, à saída com continuação de auxílio do BCE e tantas outras que decerto aparecem se o tema for discutido. Como é assunto tabu em Portugal só saímos empurrados, o que é a pior situação.

O que é divida odiosa, o que têm sido os juros agiotas, etc. são coisas para outra fase; enquanto não for tema para a sociedade, partidos, elites, plebeus e comunicação social, não existe. Somos nós e uns poucos na conversa.

Bater com a porta também é um modo, mas convém saber se é a porta da rua ou do quarto e se estamos do lado de dentro ou do lado de fora. Eu vou metendo a “saída do euro” pelas frinchas deste blogue, com abertura necessária para poder ser útil.