terça-feira, 19 de março de 2013

Eurogrupo no Chipre – Desconfiança no Euro.

Chipre manifesta-se contra a Europa.Mar.2013

Os ministros das Finanças da União Europeia podem ser maníacos, mas são uma trupe fértil e divertida. Encontram sem dúvida soluções criativas - Chipre foi só mais uma. Que não avaliem as consequências das suas decisões é apenas um pormenor. (Parece coisa do governo português).

O resgate cipriota, que em valor se aproxima dos juros de Portugal à troika em um ano, é um confisco como é próprio dos resgates troikanos. Cá, o confisco está a ser bem superior e a Europa ouve menos alarido.

O desassossego vem mais da planta de estufa do sistema financeiro, que dos desgraçados dos cipriotas; eles vão pagar de outra forma (igual a nós) o mesmíssimo valor que o Eurogrupo quis confiscar atabalhoadamente. 

Isto, se o Chipre quiser continuar com o presente envenenado do Euro, pois tem na Rússia uma solução acessível para os seus infortúnios. As suas grandes reservas de gás natural vão acabar exploradas por estrangeiros e amigos estrangeiros como os da Europa trazem desgraça certa. Geoestratégia não é o forte dos contabilistas do Eurogrupo.

Estas controvérsias permitem ver as voltas que o mundo dá. Não há por cá comentário sem apontar o receio da corrida aos bancos, do famigerado contágio, que fez polémica infindável por causa do BPN (no fundo para desculpabilizar a mafia montada por gente do PSD que ficou com o dinheiro).

O “método” português de salvação da banca é agora dado como exemplar e Teixeira dos Santos, que em 2011 já estava a passar de besta a bestial, (AQUI) tem a sua intervenção no sistema bancário sancionada por muitos dos seus críticos, vê-se reabilitado. 

O que vai ser difícil de reabilitar depois deste episódio eurocipriota é a confiança no Euro. Quem manda na moeda única é um único país, a Alemanha, e os líderes alemães de agora, não batem certo de juízo.

O Euro chega às eleições gerais alemãs? E Portugal? Afunda-se com o Euro, afunda-se por causa do Euro, ou inicia a saída do Euro?

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2 comentários:

CLV disse...


Meu Amigo Mesquita,

Desde que passou a haver essa aberração política que dá pelo nome de Alemanha a sua necessidade de conquista e domínio passou a ser-lhe uma constante que, tempos atrás, levou aquele imperialismo a ter colónias espalhadas pelo mundo e a imaginar-se vencedora da Inglaterra. Felizmente o que tem acontecido é não perceberem que ao darem passos tão alargados caem-lhes no chão "as suas vergonhas”. Os europeus continentais, isto é axiomático, estão condenados a não conseguirem sair da toca e, jamais, chegarem ao Atlântico. Sempre que tentam fazê-lo "comem do coco" mas, para tanto, tem de haver uma potência marítima a opor-se-lhe e, nesta, tem sido preciso que alguém dê o mote. Contra Napoleão foi o Primeiro-ministro W.Pitt, contra Kaiser o L.George, contra Hitler o W.Churchill e agora quem será?

A UE/IV Reich ao meter-se com Chipre, embora já não haja império inglês, estão, felizmente, a cometer um erro que, penso eu, só vai trazer-lhes dissabores. Os germânicos, mais uma vez, não vão conseguir por a pata no Chipre, isto é, no Mediterrâneo, pois a influência inglesa e, sobretudo a ianque, não vão aceitar deixar de querer mandar naquele mar e no caminho para o canal do Suez. Há constantes estratégicas que são imutáveis, pese embora certas correntes de opinião política o refutem. Talvez, agora, com a ameaça de conquista duma posição germânica no Mediterrâneo, os ingleses, os ianques e os russos (que sempre quiseram por um pé nesse mar) não deixem de recalcitrar em força e, dalgum modo, algo de bom possa sobrar para nós. Espero, sem muita esperança, que os burros que nos governam, consigam perceber que a Germânia não pode ter acesso ao Atlântico e que a fachada atlântica portuguesa é um bem geoestratégico que não é para serviço dos continentais europeus.

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Faltou-me acrescentar que esta patada engendrada pela política agressiva dos hunos e que todos os ministros europeus aceitaram já começou a dar maus resultados. As opiniões públicas entraram em pânico pois a perda das economias pessoais é um acto de guerra mal disfarçado. Acredito que, de ora em diante, a suposta solidez europeia vai ser muito abalada e definitivamente abalada. Morte ao euro e a quem o apoiar!!!

Abração do CLV

Carlos Mesquita disse...

Parece que tens qualquer “coisinha” contra os germânicos.

Só uma achega. A única base militar/naval russa é na Síria, em Tartus. Notícias recentes dizem que têm planeada a presença permanente no mediterrâneo, (como teve a União Soviética até ao início dos anos 90) a partir das frotas do mar Negro e mar Báltico. Os interesses russos e as relações privilegiadas na região estão a ser afectados em vários pontos conflituantes, daí que considerem ser a área do mediterrâneo a fonte das maiores ameaças à Rússia.

Não é por acaso que a Gazprom se prontificou a pagar o valor de 10 mil milhões do resgate de Chipre, (ficando com os direitos de exploração do gás natural) e a Rússia se ofereceu para conceder 5 mil milhões de euros de crédito em cima dos 2,5 mil milhões já concedidos.

Duas guerras mundiais andaram por Chipre, esta gente brinca com o fogo. Aquela ilha é um porta-aviões (como os Açores) mas está na encruzilhada da Europa/Ásia/Médio Oriente/Norte de África, a Europa seduziu-a com o chamariz do Euro e agora faz isto.

É estúpido, mas as guerras não precisam de grandes inteligências.