segunda-feira, 18 de julho de 2011

Resgate da dívida de Portugal - o "bom negócio".

EmpréstimoJul2011


As declarações de Klaus Regling ao jornal alemão (na imagem) são uma evidência. Quem recebe juros acima dos financiamentos só pode ganhar com o negócio.
Nada de novo. Ter sido dito por um alemão, que é o presidente do Fundo Europeu de Estabilização (FEEF), que já passou pelo FMI, e é um possível sucessor de Trichet no BCE, tem o seu relevo.

O mais importante é ter sido referido numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemaine Zeitung, pois são os alemães que mais precisam ser esclarecidos.
Boa parte da população alemã está convencida – tem sido bombardeada com essa campanha – que está a ficar menos rica, por causa dos empréstimos aos países da zona euro em dificuldades.

Os empréstimos são um excelente negócio, já em Abril aqui o referi a propósito da previsão de lucros do FMI para este ano, uma cifra acima de 500 milhões de dólares. Tinham nessa altura revisto os resultados operacionais em alta, para 524,8 milhões de dólares, graças aos novos empréstimos à Grécia e à Irlanda.

Dizia. “O FMI tinha tido resultados negativos em 2007, devido à liquidação antecipada dos empréstimos da Indonésia, Uruguai, Sérvia e Filipinas, e em 2008 por causa das indemnizações por saída de 591 funcionários, o Fundo Monetário Internacional só em 2009 teve resultados positivos com as receitas dos empréstimos à Arménia, Bielorrússia e Letónia, fechando o ano fiscal em Abril de 2010 com 363,2 milhões de dólares de lucro.”

Se o resgate das dívidas soberanas na Europa caiu do céu para o FMI, o maná, acrescido da “ajuda” a Portugal, alimenta toda a finança que beneficia com a crise.

A entrevista de Klaus Regling pode ser útil de duas maneiras, uma perante os alemães, se estes ficarem elucidados das garantias de que não saem prejudicados, e que é o orçamento alemão que está a lucrar, a outra diante dos portugueses; não há razão para ter complexos de pobrezinho endividado, quando se está a pagar com língua de palmo, juros agiotas e alcavalas de castigo.

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