Os bairros “tradicionais” cristãos de Bab Touma e Bab Charqui, em Damasco foram atacados por rebeldes. Apesar de ser reportado pelas agências internacionais de notícias e pelo auto intitulado Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a imprensa portuguesa demora a dar a notícia.
A RTP adiantou-se no seu noticiário, onde esperava ver o enviado especial Paulo Dentinho, mas ele desapareceu dos écrans. É um caso curioso; o jornalista Paulo Dentinho, responsável pelas reportagens mais caricatas da guerra da Líbia, para onde foi com a cartilha e personificou o medo de quem não estava preparado para repórter de guerra, foi enviado à Síria.
Apareceu uma vez num telejornal a dizer que as coisas na Síria são mais complexas do que se imagina (imagino eu, para quem só lê a imprensa portuguesa).
Dentinho tinha falado com cristãos que lhe expressaram o receio que tinham de um poder islamita, depois fez uma reportagem com eles, filmou clérigos e igrejas cristãs e desapareceu dos noticiários da RTP (que eu tenha visto). Estranho ou talvez não.
Os rebeldes terem entrado em bairros cristãos “frequentados por turistas e palco de manifestações pró-Assad” segundo a imprensa, é significativo e deita por terra a tese de um confronto “dos sírios” contra a minoria Alauíta. É mais complexo, como afirmava Paulo Dentinho quando estava de serviço.
Volto a lembrar que as vítimas do atentado terrorista de Damasco foram o vice-ministro da defesa, Asaf Shawat (alauíta), o ministro da defesa, Daud Rajiha (cristão) e o ministro assistente Hassan Turkomani (sunita). São portanto várias as religiões representadas no poder de Damasco.
Os jornais portugueses falam hoje do discurso do presidente Bachar al-Assad, mas até esta hora não há notícia do ataque dos rebeldes a bairros cristãos, apesar de a RTP o ter feito na hora de almoço. Não é anormal?
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