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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

As poupanças de Bernardo Ferrão


Oclarinet… às duas por três partiu…às duas por três chegou. 

Um pouco “pra poder recuperar/ o direito a respirar”. Olá! Sérgio Godinho!!! Para espirrar o ar inquinado e sufocante com que o jornalismo desfigurado, deste equinócio até solstícios adjacentes, contamina a nossa existência.

Bernardo Ferrão, jornalista promovido nesta época - para esta época, comentava antes de ontem os jornais do dia, no Jornal das Dez da “SIC Notícias”.

Dizia o comentador/jornalista (!) que o título do jornal Público “ Portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos à ordem” levava-o à conclusão “que os portugueses aprenderam alguma coisa com o que se passou nos últimos quatro anos”… “perceberam que é preciso poupar”. Daí, Bernardo Ferrão disse que era levado a “outro raciocínio”. E raciocinou; “O Partido Socialista aposta muito em dar mais dinheiro aos portugueses porque dessa forma aumenta o consumo, dessa forma estimula a economia e cria emprego, etc.” e concluiu a dúvida existencial/essencial; “-será que os portugueses, se tiverem mais dinheiro, vão gastar mais, ou optar por poupar como se sugere aqui?” (SIC)

Santinho! Os que têm para guardar, e a alguns sobrou dos bens que tiveram de vender para pagar dívidas, têm o dinheiro à ordem porque os juros baixos dos depósitos a prazo não pagam o risco da banca trafulha. “Aprenderam alguma coisa com os últimos quatro anos” e querem o seu dinheirinho disponível em vez de jogado em segredo pelo sistema financeiro. Quando 60% dos activos da banca estão à ordem é porque não há confiança no sistema. Os juritos não justificam o risco, ponto.

Quanto ao perigo dos portugueses terem dinheiro para gastar (que raio de campanha) ou não consumirem, é evidente confusão de Bernardo Ferrão. Para azar, hoje o mesmo Público titula “Poupança das famílias recua com aumento do consumo”. É o INE a baralhar o argumentário do governo e de quem lhe dá apoio lançando dúvidas apenas sobre os programas da oposição.

Eu não tenho como poupar, ontem cortei-me num dedo com uma faca e a minha mulher disse sem humor nenhum, indiferente, ”aproveita para ver a glicémia”. Vi, tinha 138. Poupei uma picadela, é certo, mas beneficiei com a facada? Isto é que é uma dúvida Sr. Bernardo/comentador/jornalista.

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domingo, 20 de julho de 2014

Sair do euro para voltar? Hans-Werner Sinn.

Hans-Werner Sinn - sair do euro. Jul 2014
 
Uma casa em que pode entrar mas não sair, é uma prisão. É uma frase da entrevista do professor universitário alemão Hans- Werner Sinn, presidente do Instituto IFO de Munique (“considerado um dos mais influentes da Europa”), ao Expresso. Refere-se ao Euro, à Zona Euro.

Em Maio de 2013 publicámos (clicar aqui) a posição do professor Hans – Werner sobre as saídas do euro, dos países do sul ou da Alemanha, e a declaração dele ao Die Welt de que “se a Grécia tivesse ido à falência na primavera de 2010, estaria hoje [em 2013] livre de perigo”.

Ao último Expresso, o economista reitera a necessidade de os países do sul se libertarem da prisão do euro, diz nomeadamente que “o BCE ajudou os credores mais do que era permitido. Agora é o momento de ajudar a população dos países atingidos pela crise com uma moratória da dívida, bem como com opções de saída e de regresso [da zona euro]. Há em Portugal posições semelhantes de economistas prestigiados.

Hans - Werner Sinn propõe uma Conferência Europeia sobre a dívida dos periféricos, à imagem da Conferência de Londres de 1953 (sobre-endividamento da Alemanha) ou da crise das dívidas de 80 ou da crise asiática de 90, que “não foram resolvidas com dinheiro dos contribuintes”.

Importante entrevista a ler no Expresso - Clicar AQUI.

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sábado, 2 de novembro de 2013

Carvalho da Silva. Precisam-se pessoas para a porrada.


Dispostos a levar porrada - precisam-se. Nov.2013

Em entrevista à Antena 1, mencionada pela SIC Notícias, o ex-Secretário- geral da CGTP, Carvalho da Silva, teme que Portugal esteja a chegar a um momento de rupturas perigosas e diz mesmo que o país precisa de cidadãos que estejam dispostos a sujar as mãos e a levar "porrada" nas ruas. 

O ex-líder da Intersindical aponta a necessidade de “gerar capacidades para que as pessoas se envolvam na acção política, na intervenção”. Carvalho da Silva referiu o exemplo do século passado, em que “o povo português não teve interpretes” e “projectos políticos capazes de incorporar aquilo que era a revolta concreta das pessoas” (na década de trinta e seguintes) o que levou a que nós tivéssemos “fascismo durante muitos anos.” 

Muitos de nós acompanham Carvalho da Silva; o que hoje vemos é muita revolta, que embora generalizada, tem dificuldade em encontrar resposta organizativa tão consensual como a revolta. 

Hoje, o Expresso, através de Martim Silva e uma croniqueta fácil de “altos e baixos”, faz a vingança “jornaleira” de colocar o “Movimento que se Lixe a Troika” em baixo, e afirma que hoje “os portugueses não parecem dispostos a seguir o caminho das ruas”. 

O que eu tenho visto é mais gente daquela que está “disposta a sujar as mãos” nas ruas, em crescendo, a encher. Martim Silva não sabe fazer essa contabilidade, não vê, só sabe contar pelos dedos e por isso conta mal no jornal.


É habitual no dia 1 de cada mês enunciar os posts mais lidos neste blogue no mês anterior, devido à manifestação de ontem (será que Martim Silva a viu) ficou para hoje. Os 10 mais lidos em Outubro:

01/10 – Para quem sonha...

19/10 – Manifestação Ponte-Alcântara convoca 1 de Novembro.

04/10 – António Costa defende directas abertas nos partidos. 

15/10 – Após 39 anos, um governo proíbe uma manifestação.

17/10 – Cavaco Silva foi só depositante do BPN?

08/10 – Bispos preocupados com as contas do corte nas pensões.

10/10 – Tabaco, fisco perde milhões. Fumar com menos impostos.

07/10 – TSU dos reformados - na viuvez, o início do pacote. 

12/10 – Barcelona – Nós Catalunha somos Espanha?

25/10 – Vaga de greves começa mal para fura-greves.

(para ler os artigos clicar nos textos a cor)

Cavaco Silva - Um drama nacional. Nov.2013

PS. - Carvalho da Silva também disse que “um dos maiores dramas que aconteceram a este país, foi, neste período, ter o presidente da República que tem”.

Nisto, também acompanho Carvalho da Silva!


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domingo, 3 de março de 2013

Manif. 2 de Março. A contramanifestação dos números.

Foto manifestação 2 de Março. Mar.2013

O jornal Público engendrou um novo tipo de repórter, na linha muito publicitada do “ganhe dinheiro trabalhando em casa”. 

João Pedro Pereira, o repórter sentado, especialista em escrever sobre coisas que lê na Internet, abalançou-se a fazer uma contra-manifestação ao protesto popular de ontem.

Para tal, contou (de casa) clareiras no Terreiro do Paço e muitas aldrabices no texto. Estive na manifestação de Lisboa, não sei ao certo quantos manifestantes lá estiveram, mas sei que o repórter (!?) do Público ainda o sabe menos. O método dele é uma intrujice, seja voluntária ou fruto da ignorância.

Os metros quadrados do Terreiro do Paço são estáticos, as pessoas não. Os manifestantes do 2 de Março não preencheram a praça, agrupando e ajeitando-se no espaço, esperando uns pelos outros, não arredando pé até fazer uma massa de gente. Isso faz a batida Intersindical, o que levou outro “repórter sentado”, (o Ricardo Costa da SIC/Expresso) a dizer que esteve mais gente na Manif. (da Greve Geral) da CGTP que agora. É falso, afirmo eu que estive nas duas.

Entrei na manifestação na Avenida da Liberdade, perto dos Restauradores, a seguir ao primeiro sector (o silencioso). Quase toda a manifestação estava a montante. Foi enchendo à frente com populares que foram entrando daí para baixo e passado pouco tempo da nossa chegada ao Terreiro do Paço cantou-se a “Grândola”.

É visível nas televisões a saída de gente ainda antes do hino, e muitos mais saíram daí em diante. Foi uma caminhada com passagem pela Praça e não uma concentração, como facilmente qualquer jornalista que fez reportagem (no local, que é onde se fazem) notou. Foram horas a entrar e sair gente. Saí já noite, pelas 19 horas porque não aguentava, nem quem foi comigo, as já 4 horas em pé e ao frio – estava ainda a chegar a “maré da saúde”.

Foi patente que os manifestantes, todos ao mesmo tempo no Terreiro do Paço, não caberiam; as contas do “repórter sentado” do Público não servem de nada aos leitores. Servem para a organização “que se lixe a troika” corrigir procedimentos; tempo de saída, itinerários, distâncias e estrangulamentos, cabeça de manifestação, etc, ou mesmo o modelo, aprendendo com a experiência e com quem faz bem. 

O que é mais importante é a grande manifestação nacional contra este governo.
Pois é.
Mas não podemos esquecer como este governo foi lá parar e com quem conta para lá se manter.

Post Scriptum:
O Público volta hoje (2ªF) à carga com a ocupação por metro quadrado, quando se sabe que a manifestação de 2 de Março obedeceu a uma dinâmica de passagem pelo Terreiro do Paço e não a uma concentração “tipo Fátima”. É o argumentário para as discussões das segundas-feiras, a razão por que se vendem os jornais ditos desportivos. Haja paciência…



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sábado, 8 de dezembro de 2012

Medina Carreira ou o branqueamento do Monte Branco.

Monte Branco a ponta do iceberg.Dez.2012


É sabido que Medina Carreira tem um clube de fãs que vai desde gente muito à esquerda a gente muito à direita, consoante o assunto da sua truculência telegénica dê jeito a uns ou a outros. 

Nunca acusou ninguém nominalmente apesar de passar por denunciante de várias áreas de criminosos. No fundo não tem inimigos, ao contrário da tese de perseguição política agora inventada.

Ser suspeito de envolvimento no caso Monte Branco trama-lhe o ofício e desvaloriza um activo da TVI; percebe-se que abram os noticiários desse canal e lhe façam especiais para ele se dizer inocente. Seria uma solução para os avultados custos da investigação e da Justiça, substituir o tempo morto das televendas noturnas, pela audiência de suspeitos nas televisões, o povão apreciava, tele-votava, e os processos seguiam ou eram arquivados.

As coisas não são assim, mesmo quando o Ministério Público veio dizer que nada havia contra figuras públicas suspeitas, as suspeições continuaram, é o sistema. Começou com a investigação a castigar dessa forma delinquentes contra quem não conseguia juntar provas de acusação, continuou para aniquilar adversários políticos e ganhar eleições, não vai parar. 

O desenvolvimento deste caso leva a outras suspeitas. O Expresso diz hoje que uma fonte do processo refere que o nome do fiscalista poderá ter sido “usado como código” por Canas, e na realidade “pertencer a outra pessoa, considerada próxima de Medina Carreira”. Próxima é o quê? Um cliente? O DN não refere a proximidade, só o código.

Estaremos perante o branqueamento do Monte Branco? Desde que se sabe que os escritórios de advogados são alvo fáceis de buscas, (apesar dos protestos da Ordem) é óbvio que os possíveis documentos comprometedores estarão a recato, fora de casa ou dos escritórios. 

Qual a intenção da fuga para o semanário Sol de uma busca a uma figura mediática. Dizer à opinião pública que a investigação deste caso é feita com “tiros no escuro”, comprometendo com os métodos os resultados.

Há uma ligação estreita entre as fraudes e branqueamento de capitais do Monte Branco e o BPN, são investigados muitos empresários, banqueiros e homens da política. Até Passos Coelho acabou por ver uma escuta validada neste processo, pelo presidente do Supremo, de uma conversa com um banqueiro sobre privatizações.

Será mais um caso da Justiça que vai dar em nada? Há crimes, suspeitos e arguidos, haverá condenações?

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Declaração de voto de João Almeida, dirigente do CDS.

Porta-voz do CDS.Nov.2012

O deputado João Almeida, num documento citado pelo Expresso, justifica ter votado favoravelmente o Orçamento de Estado (OE) para 2013, dizendo que o seu voto “não se justifica pelo conteúdo do Orçamento, mas antes pelas implicações que teria a sua não aprovação”.

João Almeida, depois de votar o orçamento, assinala “cinco riscos muito significativos” do OE, são eles:

“A carência de justificação clara para a dimensão do ajustamento necessário;

A difícil sustentação do cenário macroeconómico;

A desproporção entre o esforço do estado e o esforço solicitado às famílias;

A insuficiência das alterações introduzidas, em sede de especialidade;

E a introdução de medidas que comprometam reformas futuras”.

Diz depois que da falta de justificação do Orçamento, decorre “um primeiro risco de credibilidade, acrescido de um problema de aceitabilidade”.

Nada credíveis e totalmente inaceitáveis, são as declarações de voto dos deputados da direita que aprovaram o Orçamento. Pensarão eles que sacodem a água do capote? 

São os responsáveis por medidas que levarão mais miséria a mais lares, têm aliás total noção disso como se observa em João Almeida. Mas o tacho político é muito útil e os deputados do CDS/PP anteveem para si um futuro incerto. 

É o baixo nível a que chegou a honestidade política de alguns deputados e partidos.

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cabeças de abóbora, com cornos.

Ora aboboras...Out.2012

Como ando pela lavoura, na apanha, e na preparação para os dias de inverno, estou pouco informado. A norte da situação, ouve-se uns zunzuns de que a Comissão Europeia deu “a aprovação a medidas alternativas (à TSU) que foram apresentadas pelo governo”. Leio no Expresso online.

Já me chegou a notícia de que ninguém em Portugal foi informado, nem a oposição, nem o Parlamento, nem os ”parceiros” da Concertação Social, e o Cavaco, se sabe, não dá cavaco. Ou seja, sabem tanto com acesso à informação, como eu com a banda larga mais estreita que possam imaginar.

surpresas surpreendentes - seguramente.Out.2012

Por essas e por outras, vou voltar à lavoura. Já apanhei as uvas, mais nozes, amêndoas e avelãs, vou ensacar cebolas de tarde e o mais que houver a fazer.

As fábulas têm fundamento; estou na da formiga e a cigarra, a aprovisionar a despensa, como Passos Coelho estará sempre como personagem da rã e o escorpião. O bicho não tem emenda, é da sua natureza. Fora de qualquer imaginação andam uns cabeças de abóbora que ainda acreditam na estabilidade com este governo e com esta troika.

Deixo aqui o primeiro comentário (no Expresso), o único que li, e assino por baixo, do leitor Alix 07:

“Enquanto este país não estiver completamente destruído e os portugueses na completa e abjecta miséria, este governo não descansará.

Os portugueses só têm mesmo uma opção se ainda acreditam em Portugal e nos portugueses, sair para a rua para defender o país já que ninguém o defende no Parlamento.

Há que ir a todas as manifestações que se puderem, sejam apartidárias ou não, porque isto já ultrapassa em muito os partidos e os sindicatos, já que é o país que está em causa, é uma questão de salvação nacional correr com este governo incompetente, negligente e traidor, o mais rápido possível, antes que este aniquile o país.”

Alix Dixit - Vera Est.

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sábado, 1 de setembro de 2012

Escutas a Portas seguram coligação?

Escutas a Portas submergiram.Ago.2012
 
Mais uma prova de que as notícias que envolvam “os submarinos de Portas”emergem e submergem. Ontem foram notícia (primeira página do DN e referência em todos os canais TV e jornais) as escutas em que Paulo Portas foi apanhado. Hoje submergiram - já nem se vê rasto do periscópio.

O Expresso esmerou-se; para além de ignorar o tema por completo, levou à primeira página (e dedicou uma página inteira do miolo) ao Freeport, e a Sócrates, claro.

De tanto uso, o Freeport está tão esfarrapado que não tapa nada, mas há quem insista… (ver aqui “a culpa de Sócrates”).

Segundo o artigo do Diário de Notícias (DN), Paulo Portas falou duas vezes com Pedro Brandão Rodrigues (ex-deputado do CDS e presidente da Comissão de Contrapartidas) que estava sob escuta do Ministério Público, por causa da investigação do negócio dos submarinos.

Mensão curiosa, do DN, ao facto de Paulo Portas ter querido falar com Brandão Rodrigues “mas só por telefone fixo” e ter-lhe enviado um SMS “ a dizer para trocar de número de telemóvel”. Portas avisou mas ele próprio estava mal avisado, o seu parceiro estava sob escuta no “móvel” e no “fixo”.

Por ordem do juiz Carlos Alexandre, as conversas de Portas, “consideradas relevantes”, foram transcritas para o processo. 

Noutras alturas (no governo anterior) já se saberia o conteúdo das escutas e o conteúdo das entrelinhas das escutas. Já haveria jornalistas a constituírem-se assistentes do processo e era assunto para abrir e fechar telejornais e promover comentadores; agora convém não fazer ondas.

Aqueles que acham que Cavaco Silva está tolhido pelo caso BPN, podem imaginar que as escutas de Portas não se conhecem porque têm mais efeito no recato da investigação. Se calhar é mais uma teoria da conspiração e a Justiça está somente a funcionar melhor, pelo menos a guardar melhor a matéria em segredo de justiça.

 Pode ser que sim…como pode ser outra coisa.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Portugal vence ventos contrários? Risco de bancarrota 70%!

Moedas fracas. Jan. 2012


Carlos Moedas, secretário de Estado adjunto de Passos Coelho, e permanente do FMI, escreveu no Wall Street Journal (WSJ) um artigo intitulado “Portugal está a vencer os ventos contrários”, diz ele que “o pacote de ajuda externa a Portugal está a funcionar e a permitir ao país recuperar a sua competitividade”.

Carlos Moedas foi tentar responder a um outro artigo do WSJ, que citei antes de ontem aqui. O WSJ dizia que Portugal pode estar mais próximo de pedir um segundo resgate e que dificilmente volta aos mercados em 2013. O “nosso secretário” entendeu que basta ele dizer o contrário para convencer os “mercados”. Foi aliás essa a convicção com que o governo Passos/Portas foi eleito; chegavam e os “mercados” ficavam caídos pelos seus dotes governativos.

A realidade, o raio da realidade, não se altera com a prosápia desta juventude bem relacionada; segundo noticia o Expresso online, “nas últimas duas semanas, a probabilidade de incumprimento (risco de default) da dívida portuguesa não tem parado, desde que galgou o patamar de 65% em 17 de Janeiro”. O “custo dos seguros contra o risco de incumprimento” (cds) “subiu ao final da manhã para 70,47%, uma barreira jamais galgada”.

Diz o Expresso que Portugal fez “em sete dias o que a Grécia percorreu num mês”. Os mercados parecem pouco convencidos pelas virtudes das políticas do governo e da troika, e isso não se modifica com artigos de opinião de governantes portugueses em jornais americanos. É até ridículo.

Carlos Moedas termina afirmando que “temos sorte de ter um forte consenso político e social”. Não temos tal sorte e entre outros azares temos Moedas fracas.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

SIS? Métodos das secretas em democracia.

Técnicas do SIS - contrainformação na NET.Jan 2012


“O Serviço de Informações e Segurança (SIS) é um serviço público que se integra no Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), depende directamente do primeiro-ministro e, por natureza, encontra-se ao serviço dos cidadãos”…”exclusivamente ao serviço do povo português”, “rigorosamente apartidário”, “com a missão exclusiva de produção de informação de segurança”. Diz o próprio serviço.

O SIS (como o SIED) tem deveres; tem “direitos, liberdades e garantias fundamentais constitucionalmente consagrados, bem como um quadro legal” a respeitar.

Os métodos das secretas respeitam esse quadro legal, ou ele é vago o suficiente para ser contornado? No caso dos serviços de informações, a lei é clara em não permitir, por exemplo, “realizar intercepções de comunicações” e sabe-se o que tem acontecido; “escutas ilegais” denunciadas por juízes, procuradores, e pelo próprio procurador-geral, sem ninguém responsabilizado.

Casos longínquos como o de Pieter Hendrik Groenewald, ex-espião sul-africano, que afirmou no tribunal de Cascais – onde foi julgado pela posse de material ilegal de escutas telefónicas – que fazia “escutas” para o SIS, à última da toupeira na Optimus, sugerem a prática, pelas secretas, de encomendar “trabalho” (que estão proibidos de executar) a “espiões privados”. Ninguém parece importar-se.

Mais problemático ainda, porque são práticas que manipulam as opções cívicas e políticas dos cidadãos, é o SIS fazer “guerras de informação” ou “contra-informação”, o que só pode traduzir-se em beneficiar interesses ou personalidades, ou partidos, bem determinados.

O Expresso de 7 deste mês (imagem acima) é claro, e não foi desmentido. Conta a história das 300 contas de Twitter do “perito ex-espião do SIS”, agora na Ongoing, que camuflado em várias identidades, divulgou no Twitter informações favoráveis à Ongoing, e lançou boatos sobre grupos adversários para os prejudicar. Isto é a prática diária no que se refere à política, sejam notas nas redes sociais, nos blogues ou nas caixas de comentários dos jornais online. Pelo artigo do Expresso parte dessa contra-informação e boataria, será obra do serviço público do Estado, de recolha de informação.

O Expresso chama Open Source Intelligent (OSINT), a acções que “basicamente se resumem a técnicas camufladas de disseminação de informação”. Camufladas, diz o artigo, “para que não se corra o risco de ser alvo de um processo-crime”. Ora o SIS diz que “no combate às ameaças” recolhe “dados e notícias: Processando informações recolhidas através de fontes abertas e documentos não classificados que se encontram ao alcance do público em geral, método designado por OSINT (Open Source Intelligent)” – (sublinhado meu). Não é a mesma definição.

O que delimita a actividade do SIS? Recolhe e trata informações ou difunde falsa informação que, como as fugas com motivação política na Justiça, manipulam as escolhas políticas dos cidadãos? Faz toda a diferença entre um serviço de informações da República e uma polícia política dum governo, dum partido, ou de dois partidos.

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domingo, 15 de janeiro de 2012

Sondagem. 64% Contra actuação do governo Passos Coelho.

Reflexos. Jan 2012


Contrariando a percepção geral de quem fala com portugueses e os ouve; na rua, nos mercados, nos locais de trabalho etc., têm saído umas sondagens na comunicação social, que sugerem o apoio da maioria dos portugueses às medidas do governo PSD/CDS, a última dava subida de intenções de voto no PSD. Tem surpreendido muita gente, e sido razão para primeiras páginas nos jornais e relevo nas televisões. Há até, quem por causa dessas sondagens, se interrogue se os neurónios dos entrevistados não estarão chantados, e por isso, incapazes de tremeluzirem a comunicação cerebral. Um case study pela singularidade entre os países em crise.

Um dos jornais que tem pago e divulgado essas sondagens é o Expresso. Pois o Expresso desta semana, cita uma outra sondagem, não na primeira página, mas no interior do caderno de economia, com o título “38% dos portugueses querem regressar ao escudo” que diz a determinada altura o seguinte: “Sem surpresa, entre os países abrangidos por este inquérito, são os gregos que pior classificam a atuação do seu governo em relação à crise da dívida soberana europeia: 79% consideram-na má ou mesmo muito má. Seguem-se Espanha (78%), Itália (75%) e Portugal (64%), tudo Estados com uma situação financeira vulnerável e que já adoptaram pacotes de austeridade”.

O inquérito é da GfK (Investment Barometer) uma das maiores empresas de pesquisa do mundo. De realçar que o Expresso escreve “sem surpresas” (!) – o que deixará mais sossegados os que se surpreendem pelas sondagens de primeira página do Expresso.

As perguntas do inquérito serão diferentes, provavelmente a GfK ligou para telemóveis e não para telefones fixos, decerto isto e talvez aquilo. A mim ninguém me convence que os portugueses (64%) que dizem ser a actuação do governo má ou muito má em relação à crise da dívida, compensem essa certeza com o apoio à actuação do governo Passos/Portas naquilo que melhor sentem, a austeridade.

Já agora, logo abaixo dos portugueses, também 63% dos alemães consideram má ou muito má a gestão da crise por Angela Merkel, e 56% dos franceses acham o mesmo de Nicolas Sarkozy, isto antes de a França ter perdido a cotação AAA. Cada um acredite no que quiser mas poupem-nos aos barretes.

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

As secretas e a manipulação de relatórios pelo PSD.

À porta fechada. Jan 2011


“PSD apaga de relatórios sobre as secretas alegadas ligações das chefias à Maçonaria”. Diz o “Público” num artigo assinado por Maria José Oliveira. O relatório feito pela deputada Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, que traduz as audições realizadas no parlamento, à porta fechada, sofreu cortes e foram apagadas páginas.

Recorde-se que em Julho o Expresso noticiava “Fugas de informação nos serviços secretos”; “Ex-director terá passado informação à Ongoing antes de ser contratado”; “Jorge Silva Carvalho (o ex-director) assessora a administração da Ongoing com mais dois ex-espiões”. Depois houve o caso “lista de compras” que eram os contactos telefónicos do jornalista Nuno Simas (no período em que escreveu para o Público), e o registo criminal de um empresário madeirense obtido dos serviços para uso particular. No último Expresso diz-se que “Limpeza nas secretas reforça Silva Carvalho”, que, note-se, já não é funcionário dos serviços secretos. O que o Expresso diz é gravíssimo, acusa a reestruturação feita há duas semanas de “afastar os que, de alguma forma, criticaram a instrumentalização dos serviços”.

Agora veio a saber-se pelo bom jornalismo, que o PSD procedeu à manipulação do relatório parlamentar original, indo levar a debate um documento truncado à sua maneira.

Obviamente que os grupos parlamentares da oposição não deixarão de criar um ponto prévio nesse debate para discutirem o que vão discutir. Um relatório censurado ou o que de facto se passou na audição parlamentar à porta fechada.

O título do Público é chamativo, a secreta Maçonaria e a secreta “secreta” espevitam a curiosidade, mas o importante politicamente são os outros cortes do lápis azul dos “laranjas”. As guerras entre os ramos maçónicos anulam o oculto dessa sociedade, cada dia com mais semelhanças com a praxis mafiosa.

Sabe-se assim o que o PSD quer encobrir para além das “ligações de titulares de cargos de chefia e de direcção da intelligence à Maçonaria”. Da lista das citações eliminadas realço terem apagado a página com as “notícias sobre a actuação de Silva Carvalho antes e depois de abandonar o SIED”, ou sobre a “lista de compras” do jornalista Nuno Simas (o processo está no DIAP).

O artigo termina com o seguinte período, «Mais excertos foram apagados da segunda versão apresentada pelo PSD. Nomeadamente o “pressuposto” de que os serviços estão “sujeitos a perturbações” durante as mudanças de Governo; a referencia de que a Ongoing não integra “o elenco das empresas de interesse estratégico” (com as quais os serviços colaboram); as “críticas” sobre as relações que os funcionários das “secretas” mantêm com os serviços depois de iniciarem funções no sector privado, e os “indícios” de que Silva Carvalho continuou a ter “relações privilegiadas” com funcionários da intelligence já depois de ter saído do SIED». O que pretende o PSD?

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