Primeiro disseram que Portugal não importava pepinos de Espanha, agora a ASAE está a investigar se recebemos pepinos. Afinal em que ficamos.
Depois o problema não é só os pepinos, são todas as hortícolas e o controle da qualidade da água de rega, para além das boas práticas dos consumidores.
Há um surto de infecções intestinais graves na Alemanha, provocado por uma variante da bactéria E.coli. Já matou nove pessoas e há centenas de outras contaminadas. Análises locais detectaram a estirpe perigosa em pepinos espanhóis e num outro de cultura biológica.
Na 5ª feira o ministério da Agricultura esclareceu (!?) a situação dizendo que “não se confirma a existência desse produto em Portugal”; dessa declaração os jornais fizeram títulos peremptórios “Não há pepinos contaminados em Portugal”. Dizia o ministério: - “Portugal não foi informado pelas autoridades alemãs ou pela Comissão Europeia (CE) como sendo um país de destino desses produtos”. É de ficar de pé atrás, então os alemães são quem sabe o que importamos dos nossos vizinhos aqui do lado? O controle das nossas importações é feito pela CE, não temos organismos que saibam o que entra em Portugal?
Agora, o secretário de Estado da Defesa do Consumidor pôs a ASAE em campo para determinar se recebemos pepinos espanhóis. As autoridades portuguesas, se não queriam alarme, fizeram asneira. O que cria medo nas pessoas é pressentirem a ineficácia das autoridades que velam pela segurança alimentar. Teria sido adequado dizer a verdade, lançar de imediato a inspecção e aproveitar para aconselhar a população (sim, outra vez!) sobre os cuidados a ter no consumo de vegetais crus.
O problema não é os pepinos, são todos os vegetais regados com águas contaminadas. O E.coli está presente nos intestinos humanos, o sistema imunitário do indivíduo saudável controla a estirpe já por si conhecida. A circulação de pessoas, o próprio uso pela agricultura de imigrantes de outros continentes, pode trazer variantes de E.coli para as quais não há defesas na nossa região. Os cuidados que temos no consumo de vegetais crus em outras regiões do globo faz todo o sentido tê-los por cá.
É curioso ter-se encontrado o E.coli resistente num pepino de cultura biológica, produtos consumidos essencialmente por quem está muito preocupado com os venenos que se usam na agricultura. Fugir dos pesticidas para se intoxicar com a água de rega não é o caminho, a solução está na desinfecção, lixívia q.b. ou ozónio para quem tiver gerador. Também não vale a pena culpar os espanhóis, por cá os vegetais são regados da mesma maneira e corremos os mesmos perigos.