O Bloco de Esquerda (BE) está mais forte e pequenino. Atarracado.
A corrente criada por Miguel Portas - Política XXI / Fórum Manifesto - decidiu no sábado desvincular-se do partido. Hoje surgiu a confirmação de que Ana Drago sai do Bloco de Esquerda.
Na quinta-feira, num almoço de amigos onde estava um quadro do BE, este garantia-me que a ex-dirigente e ex-deputada do Bloco não ia sair. Ontem, um fundador da UDP/PCP(R), que não passou para o BE, dizia-me que “quando os deputados do BE eram muitos não havia tantas dissidências”.
Prefiro ir pelos factos políticos. O ponto dois da resolução política aprovada pela Assembleia Geral do Fórum Manifesto diz o seguinte:
“As derrotas consecutivas que o BE acumulou nos últimos anos, e que o conduziram à magra expressão eleitoral obtida nas últimas eleições europeias, não são um reflexo de factores externos. São fruto da acumulação de erros não corrigidos, inscritos numa orientação política que divorciou crescentemente o BE do seu potencial eleitorado. Perante a opinião pública, o Bloco vincou, ao longo dos últimos anos, a imagem de um partido cada vez mais virado sobre si próprio, indisponível para o diálogo e para a convergência com outras forças políticas à esquerda; centrado no protesto, e por isso indisponível para estabelecer compromissos efetivos de governação; revelando uma insuficiente, inconsistente e até, por vezes, contraditória construção programática. Isto é, um partido que surge aos olhos dos cidadãos como incapaz de responder, com realismo, credibilidade e determinação, aos problemas e desafios com que o país se confronta de forma dramática e urgente.”
A demissão de Ana Drago, em Janeiro, da Comissão Política do BE, já anunciava um Bloco que em vez de contribuir para o desbloqueio da esquerda, era o próprio a bloquear. As justificações, em Junho, por parte da direcção, do desastre eleitoral nas Europeias revelava que não haveria consequências para a liderança do BE. Hoje não há surpresas.
Com sondagens a dar a vitória à direita que está no poder, após três anos de destruição do país e de empobrecimento forçado dos portugueses, os problemas internos no BE até podem ser uma boa notícia.
Se o BE é incapaz de contribuir para uma solução que pare a reedição de Passos Coelho, fique com a chamada pureza ideológica e a contestação inconsequente (até dos sacos de plástico- clicar aqui).
A Esquerda tem de ser outra coisa; credível nas soluções e capaz de acordos com forças políticas e sociais que travem a tragédia em que fomos metidos.
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