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terça-feira, 19 de junho de 2012

Egipto. Mubarak clinicamente morto.

Hosni Mubarak morreu. Jun 2012

Depois de em Abril de 2011 ter sofrido um ataque cardíaco após um interrogatório, Hosni Mubarak teve hoje um AVC estando clinicamente morto.

Entretanto os dois candidatos à presidência do Egipto reclamam ambos vitória e os Irmãos Muçulmanos convocaram manifestações para a Praça Thair, contra a Junta Militar.

A “primavera árabe” no Egipto, vai estender-se por várias Estações.

Post Scriptum: Outras notícias dão Mubarak em "estado de coma".
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domingo, 17 de junho de 2012

17 Junho. Eleições para (quase) todos os desgostos.

Eleições.Calçada ou calçado. Jun2012

As eleições de hoje são todas muito importantes, mas exceptuando a segunda volta das legislativas francesas, em que se vai saber se Hollande governa em coabitação ou com maioria no parlamento, o que sendo determinante não é dramático, quer na Grécia quer no Egipto tudo aponta para que se instale maior confusão do que a que existe hoje.

Na Grécia o resultado parece depender da disposição psicológica na hora de votar, os gregos sabem o que querem mas têm dúvidas, como toda a gente, de que o voto (ou voto em quem) lhes traga o desejado. Fala-se em suspense como se uma vitória eleitoral de uma direita (Nova Democracia) ou de uma esquerda (Syriza) só por si decidisse o caminho da Grécia.

Apenas decide quem vai ser chamado a formar governo, ambos já tiveram essa missão e não conseguiram alianças que o viabilizassem. Daí que seja importante a votação nos outros partidos que caíram no esquecimento mediático. Como as sondagens na Grécia não acertam com um resultado pode haver surpresas.

O único partido grego que não aceita a União Europeia (EU) e o euro, é o comunista (KKE), todos os outros querem ficar na Zona Euro e todos os outros querem renegociar os termos do memorando da troika. Da própria EU vêm sinais que tal irá acontecer, independentemente dos resultados eleitorais. O dia seguinte à constituição de um governo, legislativo ou presidencial, ditará o futuro da Grécia.

A Grécia sai do euro se for ingovernável e é para essa situação que os partidos deveriam ter um plano B, O “plano B secreto” do Syriza (passar para a influência da Rússia?) não pode ser divulgado, e o da União Europeia só pode ser injecção de capital e redução da austeridade.

No Egipto a Primavera Árabe borregou, a democracia não veio com eleições, como aliás era esperado atendendo às forças políticas organizadas. Das manifestações não sai nada de orgânico e o poder político é sempre exercido por algo mais inteligente que um sapato no ar. No Egipto vai decidir-se quem nesta fase imporá a ordem (e de que tipo), se os islamitas se os militares e ambos têm dificuldades na coabitação.

As primaveras são cíclicas...como os invernos.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Maio, mês da Grécia.

 oclarinet.blogspot.com Tsypras uma voz da Grécia.Jun2012

Na habitual sondagem mensal de O ClariNet, feita a partir das publicações mais lidas neste blogue, o tema Grécia foi o mais procurado em Maio. Os quatro posts mais vistos foram sobre as eleições gregas, os “pré resultados”, os “resultados finais”, seguido por “quem são os partidos” (uma publicação que deu algum trabalho) e “Grécia sob chantagem”; destes, os três primeiros fazem parte dos dez mais lidos desde sempre no “oclarinet”.

Dois temas correntes e de previsível sucesso (!?) vêm a seguir, “Miguel Relvas pede desculpa ao Público” e “Duarte Lima entrega polvo político”. Por ser uma matéria em que nos antecipámos à comunicação social em português “a moeda de Geuro (e o Peuro)” teve muitas pesquisas. Depois as “eurobonds” que o PS retirou do anexo ao pacto orçamental.

Dois assuntos da política internacional fecham os dez mais lidos neste blogue no mês de Maio; “Egipto. Presidenciais segunda volta”, (que é tema para Junho tal como as novas eleições na Grécia) e o vídeo institucional “Competir em solo Inglês treinando em solo argentino”.

Junho prevê-se um mês quente, na Europa, no Médio Oriente, acerca do futuro do euro, dos povos europeus, e do caminho da Primavera Árabe e da causa da Paz. Essas e outras matérias da actualidade política farão as próximas edições de O ClariNet.

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terça-feira, 29 de maio de 2012

Egipto. Presidenciais segunda volta - que revolução?

Maio 2012


Estão apurados os vencedores da primeira volta das presidenciais no Egipto. De uma dúzia de candidatos passam à segunda volta Mohamed Morsy da Irmandade Muçulmana (islamita) e Ahmed Shafik que se apresentou como independente. Morsy venceu Shafik (24,78% contra 23,66%) com a ligeira diferença de 260 mil votos em aproximadamente 23,3 milhões de votos válidos.

Ambos se dizem pela “revolução”, que fez cair em Fevereiro de 2011 o regime de Hosni Mubarack. Os derrotados asseguram que quer um ou quer outro são alternativas ruins.

Mohamed Morsy é o presidente do Partido Liberdade e Justiça, criado para as eleições pelo mais antigo (1928) movimento do mundo islâmico, a Irmandade Muçulmana (IM). Morsy, Engenheiro e professor universitário, porta-voz para a imprensa da IM, substituiu o candidato inicial e “vice guia supremo” da IM, Kairat El-Shater, excluído pela Comissão Eleitoral.

Os fundamentalistas da “Irmandade” estão perto de conseguir a presidência, juntando o poder executivo e legislativo, uma vez que dominam o Parlamento. Para tal Mohamed Morsy procura conquistar os “revolucionários da Praça Tahrir” contra o que chamam “o candidato do anterior regime” Ahmed Shafik.

Encontros com os candidatos derrotados seguir-se-ão, principalmente com Hamdin Sabbahi líder do partido nasserista al-Karamah, 3º classificado com 20,77% de votos, e Abdul Fotouh, 4º com 17,47%, um “irmão” expulso da IM por ir concorrer à presidência. Fotouh considerado um liberal, apresentou-se no entanto com o apoio dos Salafistas, (radicais islâmicos) segunda força politica no parlamento.

Ahmed Shafik foi o último primeiro-ministro, nomeado por Mubarak já depois de se ter iniciado a “revolução de 2011”, é para uns opositor de Mubarack e para a campanha da oposição um membro do anterior regime. Inicialmente desclassificado, recorreu e foi aceite pelo Supremo e pela Comissão Eleitoral.

Shafik, secular, ex-piloto da força aérea, participou na guerra dos 6 Dias de 1973, adido militar em Roma nos anos 80, veio a ser chefe da divisão aérea e comandante da Força Aérea do Egipto na década seguinte. De 2002 a 2011 foi ministro da Aviação Civil, “transformando a companhia aérea do Egipto numa empresa de prestígio internacional”. Mal visto pelos manifestantes de Tahrir, apesar de ter mandado dar a ruas os nomes dos activistas mortos e de ter congelado bens de proeminentes membros do anterior governo. A sua campanha será para se afastar do regime de Mubarak, “acabar com a anarquia” e impedir que o povo egípcio ponha todos os ovos no mesmo saco (islâmico).

Quem esperava que da “Primavera Árabe” (versão egípcia), resultasse uma revolução democrática que afastasse o anterior regime mantivesse a laicidade e não trouxesse uma qualquer espécie de teocracia deve estar desiludido. Uma enorme maioria de parlamentares da Irmandade Muçulmana e Salafistas com um presidente a condizer só pode dar uma “democracia corânica” de leitura fundamentalista.

Agora são todos moderados, mas nem há programas nem constituição nem se conhecem bem as funções presidenciais. O Egipto está próximo de ter um poder islâmico, na melhor das conjecturas – imprevisível.

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