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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Ucrânia. Uma fotografia perigosa.

Um quarteto da corda. Fev.2014

Quando a responsável do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, é apanhada a dizer “fuck the EU” num diálogo com o seu embaixador em Kiev, Ucrânia, revela algo importante.

A European Union é, para o governo dos EUA, uma “potência” que não merece respeitabilidade; está degraus abaixo, das duas únicas e verdadeiras potências. Russos e Americanos fizeram um simulacro de intervalo na Guerra Fria que, como é patente, está a terminar.

O teor da conversa entre os responsáveis diplomáticos americanos (reproduzida no Público) denuncia uma flagrante ingerência nos assuntos internos da Ucrânia.

A ver passar outros glutões, fica a despeitada Ângela Merkel. Os alemães estão a ter sucesso imperial na velha europa, mas o velho sonho da Grande Germânia, a leste, tem outra concorrência. Nem os russos abrirão mão da Ucrânia, nem os Estados Unidos deixarão de ultrapassar os aliados da NATO para afirmar os seus interesses geoestratégicos.

Com as convulsões em crescendo nos Balcãs e a destabilização na Ucrânia, um país que está verdadeiramente em leilão, o confronto pela influência política pode descambar em algo mais que retórica e escaramuças de baixa intensidade.

Especialistas em espalhar discórdia, para benefício próprio, são habitualmente os iniciadores dos sarilhos bélicos.

Prefigura-se uma Europa perigosa - onde se estão a juntar motivações para um novo conflito armado em grande escala.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Alemanha baixa idade de reforma e aumenta salários.

Acordo SPD - CDU.Nov.2013

Para convencer o SPD a aliar-se a um governo de direita, a CDU aceitou como condições adoptar o salário mínimo, reduzir a idade da reforma para alguns casos, e aceitar a dupla nacionalidade.

O salário mínimo irá ser de 8,5 euros/hora a partir de 2015 e a pensão correspondente ao nosso Rendimento Social de Inserção, será de 850 euros; cá ficamos pelos 178 euros (e quinze cêntimos) e são agora menos os abrangidos. Está ainda previsto o aumento das pensões para mães de filhos nascidos antes de 1992 e o aumento dos salários mais baixos.

A idade da reforma baixa, para quem tiver 45 anos de descontos, dos 67 anos actuais, para 63 anos. Por cá sobe…

O que as notícias não dizem são as repercussões nos ordenados dos emigrantes. A falta de mão-de-obra qualificada na Alemanha, e a crise de emprego em países de fora e de dentro da União Europeia, tem levado à “requisição” de trabalhadores estrangeiros, cujos salários têm sido reduzidos. 

O ano passado, o governo alemão impôs às empresas empregadoras de trabalhadores qualificados de fora da Europa, um corte para cerca de metade nos salários. Já havia, portanto, um salário mínimo (anual e a ser reduzido) para emigrantes qualificados. Esse serve para baixar salários, o agora acordado vai servir para subir o poder de compra de 5,6 milhões de alemães. 

Coisas do Euro…

Post Scriptum.  - Nem de propósito, o que aqui se escreveu ontem e as notícias de hoje:

No próximo ano, a idade da reforma sobe para os 66 anos e, apesar de o relatório do Orçamento do Estado (OE) indiciar o contrário, este requisito deverá manter-se em 2015. Só a partir de 2016 a idade de acesso à pensão aumenta progressivamente, até chegar aos 67 anos em 2029. As estimativas são do Governo (...)

Consta que isto está num documento deste governo  que vai ser discutido "com os parceiros sociais na próxima segunda -feira". Em Portugal a idade de reforma sobe na Alemanha desce. Este governo não vai decidir hoje o futuro das próximas décadas, vamos voltar a discutir este assunto com outra ponderação e outros personagens.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Durão Barroso, o servente mole da Alemanha.

Euro moeda alemã.Nov.2013

“Gostaríamos de ter mais Alemanhas na Europa:” Disse Durão Barroso; gostamos de ter durões macios como Barroso na Europa, dirão os alemães.

Achei que Barroso seria um naperon das jarras alemãs quando foi eleito em 2004, é mais um fofo capacho. As declarações medricas do presidente da Comissão Europeia sobre a investigação ao excedente externo da Alemanha, significam um grau de subserviência constrangedor.

Se os 7% do PIB nos últimos três anos, de excedentes externos alemães, está acima dos 6% considerados potencialmente problemáticos para a zona euro, obrigando por isso Bruxelas a analisar as causas (cito do Público). Por que razão o presidente da Comissão anuncia a abertura da investigação à Alemanha, com mil desculpas pelo incómodo?

Quando as regras comunitárias se aplicam aos países mais fracos, temos um Durão Barroso inflexível e ameaçador, quando é aos fortes o presidente da Comissão adopta a postura rastejante. 

A decisão “Não deve ser entendida como um desacordo da Europa relativamente à competitividade da economia alemã” diz a Comissão; pois não, é ao efeito que tem na valorização da moeda comum e por consequência na economia dos países em crise.

Enquanto por aqui temos problemas em exportar mais, por causa do alto valor do euro, e temos um desemprego atroz, a Alemanha desnata os países do sul de quadros e consegue manter uma taxa de desemprego que é menos de metade da média da Zona Euro; A mais baixa desde 1991.

Durão Barroso. Não há desequilíbrio? A Alemanha só tratou de si, da sua nova moeda, o euro, e da sua prosperidade. Como podemos ser competitivos, nesta Zona Euro, com esta Alemanha, com esta União Europeia, com esta moeda? 

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Merkel sem maioria procura coligação.

oclarinet.blogspot.com - Merkel sem maioria. Set.2013

Merkel ganhou. Quem só deu pela festa, só deu a festa. Merkel arriscou, perdeu a coligação de direita e não alcançou a maioria. Merkel tem de negociar com sociais-democratas ou Verdes.

Merkel cometeu um erro. Poderia fazer por manter a coligação com os liberais do FDP, se, tal como fizeram nas últimas estaduais na Baixa Saxónia, fizesse uma campanha pela coligação de direita. A transferência de votos nessa eleição estadual não chegou, mas a nível nacional provavelmente faria a diferença entre um governo de direita e uma coligação híbrida. 

Merkel perdeu a coligação de direita quando na recta final, em Berlim, pediu todos os votos para a CDU e impediu a deslocação do voto para os liberais. Como não alcançou a maioria absoluta, os votos que o FDP pedia e não teve, só servem para a propaganda pessoal de Merkel. Os resultados na Baviera, com o FDP arrasado, impediram a CDU de discernir o jogo táctico.

Merkel tem agora de procurar uma coligação à esquerda, tem muitas derrotas eleitorais nos Estados e imagináveis discordâncias com os novos parceiros sobre o caminho que a Europa deve seguir. Há uma campanha para dizer que os alemães são todos iguais, é uma campanha. A obediência à Constituição e ao Bundesbank são o verdadeiro vector da política alemã, ultrapassáveis (como cá) em nome do euro.

Os outros. Peer Steinbruck confirmou não ser o político mais indicado para a campanha eleitoral do SPD; numas eleições em que Merkel conseguiu adormecer o eleitorado e nada discutir de substantivo, as futilidades das gafes de Steinbruck, terão acabado por ter influência nos resultados.

Aos Verdes desenterraram um desvio teórico envolvendo pedofilia, mais uma perversão por vegetais (no país das salsichas) que veio ajudar o Die Linke; ambos desceram por nada relevante apresentarem aos alemães.

O novo partido alemão anti-euro (AFD) não conseguiu convencer cerca de um quarto dos alemães, que dizem querer sair do euro, a ir votar neles, chegava. Como é de formação recente e quase entrou no Bundestag, deve-se contar com ele para as próximas eleições europeias.

Enquanto o Bundesbank mandar na política europeia, separando a moeda, da política económica, não temos saída. Ou ficamos - mais pobres e dependentes - ou saímos; isso as eleições alemãs ainda não alteraram.

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domingo, 22 de setembro de 2013

Merkel ganha, começa corrida às picaretas.

oclarinet.blogspot.com - Merkel ganha, quem perde...Set.2013

Possível maioria absoluta de Ângela Merkel. Políticas europeias? Estabilidade do Euro? Quem está empregado encomende as picaretas.


(Em actualização)

Merkel não obteve maioria  ler post seguinte:

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Portugueses eurocépticos. Dois terços contra o Euro.

Portugueses prejudicados pelo Euro. Set. 2013

Num país sem censura e auto censura, um estudo internacional em que se afirma que dois terços da população portuguesa vê mais desvantagens que benefícios no Euro, passaria em todos os órgãos de informação, estaria a ser amplamente discutido. O Euro discute-se por toda a Europa, há anos.

O inquérito internacional que referi ontem, “Transatlantic Trends 2013”, diz que a maioria dos portugueses, 55%, desaprovam a gestão europeia da crise e 65% censuram Ângela Merkel pelo mesmo motivo, sendo o país que mais penaliza a chanceler, que tem uma taxa média europeia de reprovação de 42%.

Só 29% dos portugueses (contra 67%) aceitam que a política económica e orçamental transite do domínio de cada país para a competência da União Europeia.

Os eurocépticos aumentaram na maioria dos países europeus; são já 60% (65% em Portugal) os que consideram o Euro mais nefasto que vantajoso. Em Portugal, apenas 33% (um terço) acha que o euro teve efeitos mais positivos que negativos.

Pergunta-se. Quem representa os portugueses críticos do Euro? Que partidos representam em Portugal os cidadãos que além de críticos querem sair da Zona Euro?

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Alemanha dá emprego e tira vantagens do desemprego.

Alemanha escolhe mão-de-obra no desemprego que criou na Europa. Mai. 2013
Os enceradores de soalhos – guache de Malevitch

Espanha vai colocar 5000 jovens por ano no mercado de trabalho alemão.

A solução encontrada pelo governo de Mariano Rajoy para o desemprego jovem, que se cifra em 56% da população activa espanhola com menos de 25 anos, é emigrar. Também!

O movimento migratório de quadros desempregados europeus, para a Alemanha, obedece à estratégia de Ângela Merkel, de assim suprir as necessidades da sua economia. Há um ano (aqui) definiu esse plano e explanou-o numa reunião de líderes europeus em Bruxelas.

Dois meses antes (aqui) a preocupação do governo Merkel era de readmitir trabalhadores alemães já reformados, e seduzir os que estavam a atingir a idade da reforma a ficarem nas empresas, (com alguma flexibilidade laboral).

O desemprego na Europa, que a política de austeridade imposta pela Alemanha aumentou sobremaneira, serve os interesses alemães e só alemães. A circulação de jovens pelo mercado europeu de trabalho seria até vantajoso para os países de origem, se não fosse em massa, se feito na perspectiva de regresso, e numa realidade de economias mais equilibradas.

Mas o panorama das economias do sul não caminha para a estabilidade. A pós-troika independente e viável não existe - continuando na Zona Euro; com mais divida, juros mais altos, e menos economia, não vamos lá.

Quem sair da sua terra, não volta tão cedo e muitos jamais voltarão. Como dizia aqui há dois meses, a mobilidade faz-se num só sentido, desnatando de quadros os países do sul, quadros esses que custaram uma boa parte da divida desses países a formar. 

À Alemanha, fica-lhe bastante mais barato utilizar os quadros formados no estrangeiro, com o dinheiro dos contribuintes e dos pais dos jovens, das economias agora em dificuldades.

O Estado germânico está a ganhar com o afundamento de outras economias europeias. Sou dos convictos, de que Portugal não inverte a sua situação enquanto não sair do euro (AQUI).

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Deputado do PSD escreve a Merkel.

Duarte Marques escreve a Merkel. Mai 2013

O jornal Público escreveu ontem uma notícia com pouco crédito, (falei dela AQUI) hoje desmente-a na primeira página acusando o governo alemão de dizer umas coisas em off e outras em on. O On-offre tem as costas largas quando se fazem interpretações abusivas do que se pensa ter ouvido ou lido.

O que vem na primeira página do Público de hoje é que a Chancelaria alemã emitiu um comunicado; “garantindo que Berlim apoia plenamente os programas de austeridade”. Não aconteceu nada. O Público errou ontem, como o jornal i de hoje. O El País (citado pelo Público e que eu já tinha lido) não fala em austeridade - ninguém falou em austeridade (pelos vistos). Tudo normal na anormalidade germânica.

À parte um pedido de rigor jornalístico, pois nem todos os leitores portugueses leem a imprensa internacional, regista-se um facto político notável:

- O deputado Duarte Marques, presidente da JSD e a fazer carreira para um dia ser candidato a primeiro-ministro deste país, apressou-se a escrever uma carta de censura à chanceler Ângela Merkel. Carta essa - vejam lá - baseada na “notícia do Público”. Para “apurar a verdade”; escreve Duarte Marques a certa altura:

“Esta recente desresponsabilização da Alemanha sobre o “património” da estratégia de austeridade que graça na Europa parece-me de um oportunismo político pouco habitual para as tradições alemãs e sobretudo, pouco digno para um país que, pela mão de Helmut Kohl, nunca sofreu de falta de coragem para assumir o interesse europeu e alemão – mesmo contra a opinião pública alemã. Kohl era de uma casta de estadistas que hoje escasseiam na Europa”. (fim de citação).

Se me é permitido um desabafo, diria que “oportunismo político” é coisa que não escasseia em Portugal, como se nota em Duarte Marques. Mais; a “casta de estadistas” que a JSD tem procriado também não é escassa, é mesmo descomunal – uma enormidade!

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sábado, 3 de novembro de 2012

Merkel quer mais cinco anos de austeridade.


oclarinet.blogspot.com  Merkel quer marmelada.Nov.2012

Merkel pediu mais austeridade aos seus parceiros europeus. “Precisamos de um grande esforço de mais cinco anos”, disse. 

Defendeu a “necessidade de grandes reformas estruturais” para “recuperar a confiança dos investidores na zona euro”, e que é necessário “rigor para convencer o mundo de que vale a pena investir na Europa”.

Nada de novo no discurso, excepto a fasquia temporal de cinco anos, um prazo para a austeridade. Porque não 4, ou 6 anos, ninguém sabe. É propaganda interna e para ser ouvida externamente.

O discurso foi feito na 27ª Convenção Estadual de Sternberg, na sua região de origem, Mecklenburg – Pomerânea Ocidental, onde esteve em campanha; defendendo subsídios de assistência e lançando um programa tecnológico para a promoção da inovação.

Precisamente o que nós estamos a cortar em Portugal, (entre muitas outras coisas) e está a ser cortado nos outros países a quem Merkel pede mais cinco anos de austeridade.

Em vez de alargar o comentário e mandar recados, lembremos que ela vem cá dia 12 deste mês.

Os portugueses e os outros povos dirão o que pensam de mais cinco anos de empobrecimento.

Dia 12 conversamos.

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domingo, 28 de outubro de 2012

Refundar o memorando ou golpe de Estado.

Golpe no Estado Social. Out.2012

 O balão de oxigénio, que os partidos do governo pensam ter conseguido com as jornadas parlamentares, é de ar balofo, irrespirável para a maioria dos portugueses. Entretém o PSD e o CDS até terem de resolver os problemas com as suas autarquias mais o Orçamento, e distrai a sua inconsolável comunicação social.

O fim absoluto do Estado Social não é possível levar a cabo sem que a população dê por isso. Por isso, não é possível sem reacções de revolta da população.

Estive no estrangeiro, aqui ao lado, volto, e está tudo na mesma. O Estado Social não é coisa que o Partido Socialista possa meter na gaveta (sem ir junto), portanto, nada se passou de singular por estes dias.

Fica a ameaça, que sempre pairará enquanto este governo não for para a rua, da destruição do Estado como o conhecemos, para entregar as suas funções a privados; as lucrativas, e as não lucrativas subsidiadas pelo Estado até o serem. 

As palavras que agora leio no DN, sobre as “jornadas refundatórias”, são um pagode; o ministro da caridade fala em “salvaguardarmos a componente fiscal e mitigarmos o esforço fiscal que hoje é exigido aos portugueses”, logo ele que tira aos mais desgraçados. A ministra da Justiça em a “classe política dar o exemplo”, e em “dar um referencial aos portugueses”, será ela o figurino? O ministro Álvaro diz que “sem indústria não há emprego” e continua a manter o seu emprego.

Passos Coelho não mente, diz só que “a reforma do Estado será uma transformação para melhor e não uma compressão ou redução daquilo que existia até agora”; não mente, nunca mentiu, todos acreditam desta vez que estando em causa o objectivo estratégico e ideológico da destruição do Estado Social, de um golpe de Estado, ele não está a mentir.

Temos, para já, a manifestação em frente ao Parlamento, a recepção a Merkel e a Greve Geral para lhe dizer, e a todos os outros, no que acreditamos.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Merkel protege Irlanda e trama Espanha e Portugal.

Merkel cede perante Irlanda.Out.2012


Irlanda obtém pelo telefone, o que Portugal não consegue com um primeiro-ministro rastejando aos pés de Ângela Merkel.

Passos Coelho ainda não deve ter percebido o que se passou no último Conselho Europeu; quando entender talvez veja que a sua atitude perante Merkel é uma tolice pessoal e uma desgraça para o país.

Foi um Passos Coelho optimista (a fazer lembrar a retoma do Pontal) que deu a conferência de imprensa após o último Conselho Europeu. Falava do uso do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para assumir a responsabilidade pelo dinheiro já injectado nos bancos portugueses, precisando que “em 2013, assim que entre em vigor, é possível que a recapitalização seja feita através desse mecanismo”.

Ângela Merkel apagou-lhe o sorriso logo de seguida, quando afirmou que “não haverá qualquer recapitalização retroactiva”.

Com isso tramou a Espanha, que tem resistido a pedir um resgate, e o “bom aluno” português, cujo governo nada reclama, e conta com um povo que protesta mais na Internet e menos onde se veja.

Mas não era só a Ibéria que contava com o MEE. A Irlanda não desarmou perante Merkel e o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, que já tinha garantido o apoio de Hollande, pressionou a chanceler alemã e conseguiu um tratamento especial.

O que não se aplica a Espanha e Portugal assenta nas necessidades irlandesas. Ambos os governos - irlandês e alemão – “reconhecem o caso especial da Irlanda, e o Eurogrupo terá isso em consideração”, diz o comunicado do governo da Irlanda.

Ou seja, o interesse económico das empresas alemãs na Irlanda, e a necessidade de haver na Europa, uma história de sucesso no regresso aos mercados, fez Merkel voltar atrás.

Ela sabe, todos sabemos, que o caminho do nosso Orçamento de Estado para 2013 e os “planos alternativos” subsequentes, levam-nos na direcção grega. Portugal é anexado, vai continuar a ser empobrecido, e no fim, ignorado. 

Se os portugueses deixarem. 

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sábado, 20 de outubro de 2012

Merkel e Passos, ou as explicações de Peer Steinbuck.

oclarinet.blogspot.com - Merkel.Passos - Conselho Europeu.Out.2012

O último relatório das Perspectiva Económicas Globais, elaborado pelo FMI, considera que Grécia, Espanha e Portugal, terão em 2013 as recessões mais agressivas do mundo. Diz também que Portugal continuará, até 2017 (inclusive), a ser um dos países do mundo com menor crescimento.

Os primeiros-ministros da Espanha e da Grécia alertaram no Conselho Europeu para o impacto social da crise económica. Portugal (representado por Passos Coelho), não. Por cá ouvem-se críticas ao comportamento do nosso primeiro-ministro; mas é importante ler (em quadradinhos) o que disse Peer Steinbuck, o candidato do SPD à chancelaria alemã:

SPD1.oclarinet.Out.2012 SPD2.oclarinet.Out2012
SPD3.oclarinet.Out2012
SPD4.oclarinet.Out.2012
SPD5.oclarinet.Out2012




Como se vê, demora e dá trabalho explicar a situação aos alemães. Ora, Passos Coelho quando sai de Portugal é para descansar das agruras internas, se possível ouvir elogios da patroa, e receber conselhos e diretrizes.


Quem espera outra coisa pode esperar sentado.





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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Silva Lopes presente na manifestação contra Merkel.

Silva Lopes contra Merkel.Out.2012

José da Silva Lopes, o economista português com a mais longa carreira técnica e política, na área da economia e finanças públicas, disse ontem que estará “presente nas manifestações quando estas visarem os políticos europeus, nomeadamente, a chanceler alemã Ângela Merkel”.

Antes de ontem a comissão Executiva da CGTP marcou um protesto (acção de rua) para o dia da visita de Ângela Merkel a Portugal - dia 12 de Novembro – dois dias antes da Greve Geral. 

A posição de Silva Lopes tem um importante significado político. Por ser quem é, e por colocar o protesto na dimensão europeia. 

Lembremos que o governo e os seus apoiantes têm em relação à Europa e às instâncias internacionais uma posição de obediência subserviente. Também boa parte dos críticos do governo vai na conversa do poder, de identificar os males nacionais como tendo origem em Sócrates e “termos vivido acima das nossas possibilidades”. Paul Krugman junta-lhe “os malefícios da dívida” para lhes chamar as lérias populares da Europa.

As ingenuidades analíticas anti-socráticas, que nos trouxeram aqui e dificultam ver a muitos a razão da crise, não são fáceis de contrariar, a campanha foi ao nível dos Pastorinhos de Fátima, é crença que terá peregrinos por muito tempo.

O que é fundamental nesta situação é saber se a classe média, atingida sobremaneira com as medidas do governo, está disposta a alterar a situação, juntando-se em massa aos protestos de rua, (hoje já ninguém diz que as manifestações não servem para nada).

A participação de Silva Lopes em demonstrações de protesto ajuda a ultrapassar algumas reticências, quer sectárias, quer classistas. É por isso uma boa notícia.

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Europa. Demonização e legitimidade de Merkel.

Que Construção Europeia...Jul.2012
O leitor Pedro deixou um comentário no post “ Alemanha perde com a Itália e Merkel com Monti”, cuja resposta não podem ser duas linhas na caixa de comentários. Há quem odeie Merkel e o leitor não vê porquê. Por ser alemã? Por ser mulher? Pergunta. Resposta, não! Até é ofensivo perguntar isso. Depois afirma que “quem odeia a chanceler acredita que o faz por causa das suas políticas mas essa convicção não tem fundamentos legítimos”. Tem!

Falemos então de legitimidade. Ângela Merkel foi eleita chanceler pelos alemães para governar o seu país e representar os alemães na União Europeia (UE), no organismo que reúne os líderes de todos os países da União; não foi eleita pelos povos europeus para decidir a política europeia e muito menos a política em cada país da UE.

ILEGITIMAMENTE, Merkel, com o apoio de Sarkozy e a cumplicidade de muitos outros, assumiu-se líder da Europa, subalternizando os órgãos representativos (porque eleitos) dos povos europeus. Tem decidido sozinha a política económica e monetária europeia, e até a política laboral, que tem as implicações conhecidas em cada país. Era o que faltava, não termos, todos os que são atingidos pelas decisões políticas da senhora Merkel, legitimidade para a criticar.

Sobre as políticas de Merkel, que ao Pedro não pesam, há mais do que “convicção” de que são erradas, falharam na Grécia, estão a falhar aqui e a estender-se por países como a Espanha, onde acaba o falhanço para dar lugar ao fim do euro e do projecto europeu. 

Ao contrário de que diz não há uma “Europa falida”, há países que por estarem no Euro não têm mecanismos próprios para enfrentar a crise. Crise que é bom lembrar começou com a falência do Lehmam Brothes nos EUA, e não foi resolvida de forma mais barata e rápida na Grécia pela teimosia ignorante de Merkel.

É por estarmos no euro que não resolvemos os nossos problemas da mesma forma que os resolvemos antes. Teríamos inflação (uma forma mais equilibrada de dividir os sacrifícios) mas não sofreríamos o número de falências de empresas e famílias que temos agora. E teríamos, o que é mais importante, uma perspectiva de saída da crise e de futuro.

Merkel já cedeu na capitalização bancária não veiculada à dívida soberana, o que parece ter chateado o Pedro, e cederá nas eurobonds (numa das suas várias formas) se o euro ainda existir após as eleições alemãs, onde é previsível perder a maioria e vir a ter o SPD como companhia na governação. 

O que se exige de Merkel não é que “seja solidária com os pobrezinhos” que é a tara caritativa da direita política, mas que não crie mais pobreza. 

Os alemães não têm de “abrir a bolsa para os países à beira do precipício” como diz o Pedro, mas abri-la para investir no euro e na União Europeia, se quiserem continuar a ser a potência económica que são hoje e deixarão de ser com o fim do Euro.

O que está em causa, não é se “Merkel é o bode expiatório de uma Europa falida” como pensa o Pedro, ou uma cabra que vai levar a Europa à falência, como pensam outros; o problema é se este euro faz sentido como moeda de todos estes países, e se esta União Europeia (com Merkel) continua a ser uma solução de paz para a Europa e de prosperidade para os seus povos, ou ao invés, uma semente de perigosos conflitos e a causa do empobrecimento de muitos de nós. 

Pedro, obrigado pelo comentário.

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Eurobonds. PS de Seguro apoia Merkel contra Hollande.

Euro Obrigações só não de debatem em Portugal.Mai2012

“A Posição do PS passa a ser posição de Portugal” disse António José Seguro após saber que a maioria “deixava” passar a sua adenda ao pacto orçamental.

Seguro parecia uma foca a bater as barbatanas de contente; nem reparou que está fora do seu elemento, ou da ambiência natural de todos os partidos socialistas europeus, quer estejam na oposição quer estejam a governar nos seus países.

Caso único na Europa, um Partido Socialista que entra no debate das Eurobonds do lado errado da barricada, de facto, o PS de Seguro apoia Merkel.

O porta-voz da “posição do PS” que é “posição de Portugal” foi o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que em conferência de imprensa em Bruxelas disse o que pensa “Portugal” sobre as Eurobonds, é coincidente com a posição de Angela Merkel, cada dia mais isolada na Europa e vergonhosamente apoiada pelos dois maiores partidos portugueses.

A adenda do PS não tem qualquer influência prática nas políticas do governo; como dizia o deputado do PSD, António Rodrigues, “estamos a apoiar este projecto de resolução diga ele o que disser”, mas tem um significado político quando obriga o PS a retirar as Eurobonds da discussão política, e terá efeitos na percepção que os portugueses fazem do papel do Partido Socialista.

O PS está para a política nacional como a UGT para o mundo laboral, a trair a sua missão natural de fazerem oposição às políticas do governo.

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Reunião Passos Hollande. O que é isso do crescimento?

Hollande-Coelho.Mai.2012 

Cavaco espera que troika concilie agora austeridade com crescimento económico. Vejamos.
Passos Coelho, insatisfeito com a reunião que teve com Tó Zé Seguro, onde o Seguro queria adendar a palavra “crescimento” à realidade da austeridade, foi encontrar-se com François Hollande. Tinha confirmado com o seu amigo Tó Zé que o “crescimento” é matéria que não se dá nas jotas nem se deu na sua faculdade, senão ainda se recordaria pois foi há pouco tempo.

Do relato que Passos faz da reunião com Hollande, das três uma, ou esteve com pouca atenção à aula, ou Hollande esteve a gozar com ele, ou confundiu esta reunião com qualquer das que teve com Merkel. Diz Passos Coelho que Hollande “subscreve a ideia de que é preciso levar a bom porto os esforços de consolidação orçamental que hão-de permitir-nos ser mais competitivos e poder crescer no médio e longo prazo”.

E diz mais; que veio de lá com uma “boa base de trabalho”, com a “prioridade ao estímulo do financiamento à economia para aumentar o crescimento económico, sem aumentar a despesa pública”. Teríamos assim, Hollande de acordo em adiar para o médio e longo prazo a intervenção na economia real e com cuidados tais sobre a despesa pública que manteriam, por exemplo, o uso das verbas do QREN paralisadas. Só pode ser mentira.

A título de explicações gratuitas de quem não precisa de nenhum grupo de estudos para perceber a economia real, digo-lhe:

Sendo verdade que todos os esforços da austeridade não resultam sem acesso a financiamento pelas empresas, e, que a liquidez oferecida aos bancos não chega à economia, coisa que se obvia com um “mecanismo” chamado vontade política, há em paralelo com a servidão ideológica ao sistema financeiro uma outra situação que apenas depende do Estado, das opções do governo:

- O meu caso. Estou prestes a encerrar a minha empresa (menos receitas para o Estado, mais despesa no desemprego) porque pago a sessenta dias aos fornecedores e recebo actualmente as contas principais a seis, sete meses. Não trabalho para o Estado mas tenho clientes que o fazem, eles não recebem (média de pagamentos do Estado 392 dias) não me pagam atempadamente, não tenho mais fundo de caixa para suprir a demora.

Entretanto o Estado já recebeu o IVA do último trimestre de 2011 do qual tenho recebimentos atrasados, do 1º trimestre deste ano também já paguei ao Estado e ainda não recebi a maior parte da facturação.

Não há “variáveis externas que o país não controla” que justifiquem o Estado caloteiro, a responsabilidade é do governo de ignorantes da economia básica
Pior estão indústrias com quem trabalho, cujo volume de facturação impõe pagamento do IVA mensal, têm encomendas, já não conseguem adquirir matéria-prima; boas empresas fecham umas atrás das outras.

Depois ficam surpreendidos com a subida do desemprego!

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Alta ansiedade no encontro entre Hollande e Merkel.

Reunião  Hollande - Ângela Merkel.Mai2012


Ângela Merkel confessou que está ansiosa pelo encontro com François Hollande, será um teste às promessas de Hollande ou apenas para se conhecerem. Alterações nas políticas não estão no programa de Merkel; nada influencia o caminho traçado, nem a realidade nem isto nem a situação grega.


Paul Krugman, qual agitador catratrofista escreveu no seu blog, com o título
Eurodammerung o seguinte:


Some of us have been talking it over, and here’s what we think the end game looks like:

1. Greek euro exit, very possibly next month.

2. Huge withdrawals from Spanish and Italian banks, as depositors try to move their money to Germany.

3a. Maybe, just possibly, de facto controls, with banks forbidden to transfer deposits out of country and limits on cash withdrawals.

3b. Alternatively, or maybe in tandem, huge draws on ECB credit to keep the banks from collapsing.

4a. Germany has a choice. Accept huge indirect public claims on Italy and Spain, plus a drastic revision of strategy — basically, to give Spain in particular any hope you need both guarantees on its debt to hold borrowing costs down and a higher eurozone inflation target to make relative price adjustment possible; or:

4b. End of the euro.

And we’re talking about months, not years, for this to play out.

É evidente que Ângela Merkel não liga nada ao que Krugman escreve; Paul Krugman, lá porque tem um Nobel pensa que é algum João Cantigas Esteves!?

De maneira que o encontro entre Hollande e Merkel pode ser só para se conhecerem melhor.

Fora do encontro a inquietação é diferente; da agonia da Grécia à aflição de Espanha e Itália, ao tormento de Portugal e Irlanda; muitas esperanças são colocadas na capacidade de Hollande provocar uma inflexão nas políticas europeias.

O Eurogrupo quis dar uma imagem imperturbável e o Ecofin vai de certeza pelo mesmo caminho. Não se passa nada de anormal na zona euro, não há riscos nem traços ou reticências, está tudo controlado. Espera-se pelo menos que Hollande tire a harpa a Merkel que a Europa está prestes a arder.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

As eleições estaduais que Ângela Merkel perdeu.

Resultados  Eleições Renânia Norte-Vestefália.Mai 2012

Como era esperado, Merkel perdeu agora as eleições no Estado da Renânia do Norte-Vestefália. É relevante a sequência de derrotas do partido de Ângela Merkel, União Democrata-Cristã (CDU), só ou coligado em vários Estados com o Partido Liberal (FDP), com quem partilha o governo da Alemanha.

Merkel envolveu-se pessoalmente nas campanhas regionais, as derrotas também são dela. O parceiro Liberal ainda sofreu maiores desaires, não tendo conseguido resultados para continuar em alguns dos parlamentos. A tendência demonstra que esta coligação dificilmente governa a Alemanha após as eleições para o Parlamento Alemão (Bundestag), que são em Setembro de 2013.

O plano inclinado da direita alemã, foi marcado com a eleição para a cidade-estado de Hamburgo, a segunda maior da Alemanha, em 20 de Fevereiro de 2011. A CDU teve o pior resultado de sempre, perdeu metade dos deputados (56 para 28) e Olaf Scholz do SPD (Partido Social Democrata, membro da Internacional Socialista) conseguiu a raridade de uma maioria absoluta com 62 lugares.

A 27 do mês seguinte, Kurt Beck do SPD mantém a maioria absoluta no estado da Renânia-Palatino, enquanto o partido da coligação governamental FDP perde todos os 10 deputados. No mesmo dia em Baden-Wurttemberg, a coligação CDU/FDP perde a maioria do Estado, que mantinha à 58 anos, principalmente devido à subida dos Verdes que passaram de 17 para 36 lugares no parlamento, tornando-se Winfried Kretschmann (cabeça de lista dos Verdes) o primeiro-ministro presidente e o primeiro ecologista com tal cargo.

Maio, 22, a coligação SPD/Verdes mantêm a maioria no estado de Bremen, tendo subido 10 lugares no conjunto e a CDU descido, assim como o FDP governamental que perdeu todos os seus 5 deputados. Pela primeira vez os Verdes ultrapassaram o partido de Merkel numas eleições estaduais.

A 4 de Setembro, no estado de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, a região de origem de Ângela Merkel, o vencedor foi o SPD, que reconduziu Erwin Sellring e mais uma vez a CDU perdeu lugares; os Verdes entraram pela primeira vez no parlamento e o FDP perdeu os 7 deputados que tinha. Um partido de extrema-direita (NPD) tem assento neste parlamento.

Dias depois, a 18 de Setembro, no estado de Berlim, o SPD volta a ganhar e o mais relevante em termos da maioria de direita que governa a Alemanha é o desaparecimento do Partido Liberal do parlamento de Berlim, perdeu três quartos dos votos e todos os 13 deputados. Quem apareceu foi o Partido Pirata com 15 lugares na estreia. Sobre esta eleição ver AQUI.

Já este ano, a 25 de Março, a coligação CDU/FDP no estado do Sarre, perde a maioria, tendo o FDP conseguido apenas 1,2% dos votos e perdendo todos os lugares, era o sexto Estado onde o FDP deixava de estar representado. Sendo uma derrota da coligação, a CDU manteve o seu resultado.

A 6 do corrente mês foi a vez de a coligação CDU/FDP perder a maioria no estado de Schleswig-Holstein, onde estavam há sete anos no poder, o FDP desceu para metade, tendo a esquerda conquistado mais mandatos. É o segundo Estado em que o Partido Pirata consegue representação.

Agora, a 13 de Maio, no estado mais populoso da Renânia do Norte-Vestefália, que habitualmente permite leituras para as eleições federais, o SPD ganha com uma subida significativa fazendo com os Verdes (a esquerda/die Linke desaparece) uma maioria que promete para as eleições federais. Os “Piratas” são quem mais sobe e a grande derrotada é Angela Merkel, com um resultado desastroso. (ver quadro acima com gráfico comparativo com as eleições de 2010).

Como escrevi em Setembro de 2011, no post das eleições no estado de Berlim “ As eleições regionais, claramente perdidas pelas forças políticas do governo, sinalizam a subida sustentada dos sociais-democratas e dos Verdes, com condições para disputar o governo alemão. Para o conjunto da União Europeia seria uma enorme mudança, tendo como único senão o tempo. Com a crise do euro a necessitar de soluções urgentes, a previsível alteração do poder político na Alemanha pode chegar tarde”.

Provavelmente tarde para a Grécia acrescentaria agora, mas estas eleições estaduais, com a vitória de Hollande em França, vão impor mudanças na política interna alemã e na política europeia mesmo antes das eleições de Setembro de 2013 na Alemanha.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Espanha nos 7% de juros. Merkel/Sarkozy perto do divórcio.

Global. Nov 2011


O contágio da crise do euro é uma evidência, já não é um risco. Os investidores têm uma certeza, com Ângela Merkel a liderar os destinos da Zona Euro há incerteza económica nos países europeus, em todos eles e não só nos do sul; Merkel impede uma solução que passe pelo BCE.

Os mercados não vêm (ninguém vê) qualquer medida que impeça o fogo que pegou na Grécia, e alastra para fora da Europa, de atingir maiores proporções.

Como era esperado, os governos de tecnocratas na Grécia e na Itália não devolveram a confiança apregoada, os juros continuam a subir. A Espanha colocou hoje títulos a dez anos e tocou os fatídicos 7% de juros, (Portugal pediu o resgate nos 6,8%). A França, segunda economia europeia, atingiu custos de financiamento que enervaram os políticos franceses, mas também o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schaeuble, que terá dito “os mercados não estão a agir de forma racional”. Onde é que nós já ouvimos isto?

O discurso político já nada resolve. O paleio dos países ameaçados de que não eram a Grécia não funcionou, a conversa de que não fazem parte dos PIIGS ou tem “triple A” não está a funcionar. Nem sequer funciona o facto de não estarem no euro como sucede com o Reino Unido e os Estados Unidos. Está tudo interligado no sistema financeiro, a exposição à divida é cruzada, o caos ameaça a economia mundial.

Tem a palavra Nicolás Sarkozy, a perna curta do monstro bicéfalo que criou o problema, para que o BCE assuma o papel de Banco Central com outras funções que não sejam apenas controlar a inflação. E não venham com a desculpa dos Tratados, eles já não são respeitados pelo mostrengo Merkozy.

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