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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Abstenção, voto em branco e voto nulo.

 

Acaba hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas. A minha campanha é que se vá votar contra os partidos do governo, e para campanha... chega.

Quero deixar uma nota sobre o voto de protesto, entendido como: - abstenção, voto em branco ou voto nulo. 

É vulgar ouvir dizer: “ não foi com o meu voto que o político x ou y foi eleito, nem fui votar”; ou “nunca votei em nenhum político não tenho culpa do que eles fazem”; ou ainda (a politizada) “se a maioria se abstivesse isto mudava”.

Em discussões no Facebook sobre este assunto, tenho colocado um quadro que publiquei aqui em Janeiro, a propósito do 2º aniversário da eleição de Cavaco Silva. Penso ser esclarecedor. Transcrevo:

“Para Cavaco ter uma maioria absoluta, foi preciso que 23% (!) dos eleitores votassem nele, (VER QUADRO ABAIXO) e que o resto da população ficasse em casa, ou fosse às mesas de voto arremeter uma quixotesca votação de protesto que valeu 2% em votos brancos e menos de 1% de nulos”. (…)

oclarinet.blogspot.com - Eleitores de Cavaco Silva


Como se pode ver pelo quadro
a abstenção ganhou e o eleito foi Cavaco.

Cavaco foi eleito porque a maioria dos leitores não foi votar contra ele.

Quem não vota em ninguém – elege o mais votado.

Amanhã é dia de reflexão, isto é matéria para ponderar.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Aniversário da eleição de Cavaco. Os festejos.

Aniversario PR Cavaco Silva.Jan.2013

23 De Janeiro é uma data memorável, e como tal, a comunicação social vem lembrar que Cavaco Silva ganhou há 2 anos uma maioria absoluta para continuar em S. Bento. Dois anos de excelência, para os portugueses, graças também a Sua Excelência, o PR.

Para Cavaco ter uma maioria absoluta, foi preciso que 23% (!) dos eleitores votassem nele, (VER QUADRO ABAIXO) e que o resto da população ficasse em casa, ou fosse às mesas de voto arremeter uma quixotesca votação de protesto que valeu 2% em votos brancos e menos de 1% de nulos; o que não é razão para desistir, como sabemos - basta haver eleições para a campanha de eleger o mais votado, seja quem for, voltar.

Eleitores de Cavaco oclarinet.blogspot.com Jan.2013

O “se a maioria se abstivesse” teve a maioria e o eleito foi Cavaco. 

O resto são mais “ses”. A realidade é que Cavaco Silva está na Presidência da República porque não votaram contra ele, a mesmíssima razão porque Passos Coelho está a fazer de primeiro-ministro.

Somando os que votaram Cavaco directamente aos que votaram Cavaco indirectamente dá sete milhões e meio de convivas. É uma grande festa de aniversário e com fartas razões para celebrar. Ou não?

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

O voto em branco.

branco


O voto em branco nas legislativas é contabilizado junto com os nulos, ao contrário das presidenciais onde não conta. Com essa contabilização fica-se apenas a saber quantos são, mais nada. Mas para que serve objectivamente? Para nada daquilo que são os objectivos (mais ou menos divulgados) de quem vota em branco.

Como forma de protesto contra a classe política não resulta, nada acontece aos políticos, não deixam de ser eleitos. Os que são eleitos são-no legitimamente, e são tão representativos com a percentagem de votos brancos e nulos, como se houvesse mais um ou dois pequenos partidos com essa percentagem.

Ninguém deu importância aos votos brancos e nulos das anteriores eleições, nestas será igual. Não se pode afirmar o que representam, as motivações serão várias e até contraditórias, não tem efeito político porque não tem políticas, não vincula ninguém, é um acto oco. Aqueles que votam em branco porque não se identificam com nenhum político também não se identificam com os outros que votam em branco; se houvesse movimento seria cada um para seu lado. O que pensa o voto em branco sobre a nacionalização da CGD?

O voto em branco tem sido expressão do radicalismo inconsequente e do desalento legítimo pela governação e pelo sistema político. Mas não é passando ao lado da intervenção política que as situações negativas se alteram, pelo contrário, terão de ser políticos eleitos a melhorar a democracia, pois políticos não eleitos não estão interessados na democracia.

As medidas que afectarão os portugueses nos próximos tempos, apesar do memorando da troika, dependem da composição do parlamento. Votar em branco nestas circunstâncias é para além de abdicar da escolha dos seus representantes, votar nos vencedores que se perfilam. Quem votar em branco não pode dizer que não votou nos políticos que vão governar, eles serão eleitos também pelos votos brancos e abstenções.

Por outro lado o voto branco conta na conversão de votos em mandatos, diminuindo a percentagem necessária para eleger deputados, ou seja votos em branco de eleitores de esquerda podem contribuir para eleger um deputado do CDS e votos em branco de eleitores de direita eleger para o BE. Votar em branco não só não impede a eleição dos deputados, como podem ajudar a eleger deputados que nunca o eleitor desejaria. Onde está o protesto?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Passos Coelho contra a "lei do aborto", admite novo referendo.

oclarinetmaionabo2011


Passos Coelho que esteve “do lado daqueles que acharam que era preciso legalizar o aborto” como disse hoje; não resistiu à pressão de estar a dar uma entrevista na Rádio Renascença e passou a querer reavaliar a lei admitindo “um novo referendo sobre a matéria”.

A minha primeira reacção, é perguntar àqueles que se querem abster ou votar em branco nas próximas eleições, permitindo assim que as forças mais retrógradas sejam poder, se não ficam incomodados. Se não os incomoda que haja mulheres que voltem a ser consideradas criminosas, se não os incomoda o regresso das mulheres ao mundo do aborto clandestino. Respondam dia 5.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Christine Lagarde, FMI à Largadère.

g-20

A candidata ao FMI (já ganhou) Christine Lagarde, repetiu que é contra a reestruturação das dívidas dos países que recorreram à “ajuda” externa.
Já é mania da direita europeia usar os problemas dos que estão em dificuldades, para se apresentarem candidatos fortes a qualquer coisa.

Christine Lagarde, tal como o espadachim de Paul Féval, Lagardère, mede mal as consequências dos seus actos. Dizia em Abril que não havia lugar a qualquer discussão sobre a reestruturação da dívida grega, e é o que se vê. Dizia também que Portugal iria funcionar como corta-fogo da crise da dívida soberana na Europa, e é o que se vê. O “corta-fogo” está no braseiro da troika e a crise soberana ameaça sair da periferia para o centro da Europa.

Em França é acusada de decidir à Lagardère o caso Bernard Tapie escolhendo em vez da via judicial, resolvê-lo no privado por via arbitral, o que custou 285 milhões de euros ao erário público; outros casos semelhantes são denunciados no site Mediapart. Um de ter parado um inquérito da Direcção Geral da Concorrência, decidido em tribunal como ilegalidade mas ainda em recurso, e outro de abuso de poder que vai ser julgado.

A sucessora de Strauss-Kahn, especialista em direito da concorrência é também perita em direito de trabalho, e isso já é connosco. O acordo com a troika tem medidas, como o despedimento à Lagardère (passe a expressão) que não está a ser discutido na campanha eleitoral, e é ilegal à luz da nossa Constituição – em vigor, por mais papéis que os partidos assinem com o FMI.
O PS recusa a revisão constitucional (é necessária uma maioria de 2/3) para rever a “justa causa nos despedimentos”, mas há mais leis que uma maioria parlamentar de direita pode aprovar. E se as dívidas se pagam ou reestruturam, os direitos uma vez perdidos dificilmente se recuperam.

Faltam poucos dias de reflexão para os cidadãos de esquerda, que pensam abster-se ou votar em branco, decidirem se querem com o seu voto ou falta dele, contribuir para uma maioria de esquerda ou de direita na Assembleia da República.