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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Abstenção promove bloco central.

Eleições Europeias.Mai.2014
 
O ministro Pires de Lima diz que os partidos do governo têm “condições para vencer legislativas”.

Com os resultados das “europeias”; a maior derrota da direita em eleições e a não descolagem do Partido Socialista, quer PSD/CDS quer o PS, podem vir a obter uma vitória nas legislativas.

Arménio Carlos perguntava, “o que falta” ao presidente da República para convocar eleições antecipadas? Falta uma vitória expressiva do PS nestas europeias, afinal o contra-senso da campanha feita à esquerda do centro-esquerda. O reforço da CDU (apenas isso) não viabiliza qualquer solução governativa que seja alternativa ao governo de direita. Não se vê o PCP a apoiar qualquer governo e não há mais nada.

A abstenção e o voto de protesto (que não são a mesma coisa) aponta para a inevitabilidade de um entendimento ao centro, um governo do bloco central, (o pântano) – caso não existam novas dinâmicas políticas até às legislativas, provocadas por novas lideranças ou novas forças políticas com peso à esquerda.

Ao impasse nacional vai responder a fatal divergência política instalada, com estas eleições, na União Europeia. Os movimentos internos nas instituições agora eleitas irão determinar as brechas decisivas na Zona Euro. Poderá haver saídas ordenadas do Euro? Ou agora serão mais complicadas?

A Europa - que os povos da Europa não querem - vai aquecer.

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Abstenção e apelo ao voto. Marinho e Pinto.

Ex-abstencionista militante apela ao voto. Mai.2014
 

Há 3 anos, Abril de 2011, escrevi um artigo (aqui) insurgindo-me contra a campanha que o então Bastonário da Ordem dos Advogados fazia. Marinho e Pinto advogava (!) uma “greve ao voto”, incitava a abstenção massiva como punição da mediocridade dos políticos. Invocava Manuela Ferreira Leite, que havia sugerido a “suspensão da democracia por seis meses”.

Marinho e Pinto; um fanático da “revolução pela abstenção”.

Acabei o post dizendo: “Se Marinho e Pinto pedir aos portugueses, ajuda para a sua luta pela exclusividade no Parlamento dos deputados que são advogados, (que lá fazem leis para os clientes) terá decerto apoio, agora vir também com o discurso populista anti-partidos, é uma decepção. É verdade que Fernando Nobre já caiu desse cavalinho e que ele anda por aí, mas não é sela para si Dr. Marinho e Pinto”.

Enganei-me, Marinho e Pinto enganou-nos. Aí está, montado no ginete da política. Obviamente para fazer diferente, como afirmam todos os novatos que alçam a perna à montada de um qualquer papel político. Não critico, apenas faço o reparo óbvio de que começa a carreira de político contra o que afirmava antes, é afinal… um clássico.

Como nada me move contra o candidato, nem contra o partido MPT (ainda ontem dei os parabéns a um dos fundadores, que fez anos) espero que faça proveito do cargo, caso seja eleito.

A solução Marinho e Pinto pode ser a chave para muitos dos actuais abstencionistas – adiram ou formem partidos, candidatem-se. Façam política se acham que a fariam melhor que os políticos de hoje.

Eu voto e voto contra o governo. Seria uma vergonha que Passos Coelho/Paulo Portas e Cavaco Silva ganhassem hoje eleições em Portugal.

Só terão uma boa percentagem de votos se não votarem contra eles.

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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Direita ganha terreno, eurocépticos triplicam.

Sondagem.Direita ganha terreno. Mai.2014
 
Sondagem. Os partidos eurocépticos poderão chegar a uma centena de eurodeputados. Os socialistas (S&D) não alcançam o Partido Popular Europeu (PPE) por 16 lugares.

Nas últimas sondagens antes das eleições para o Parlamento Europeu do centro Poll Watch, o centro-direita aumentou a vantagem em relação ao centro-esquerda: a projecção dá ao grupo do Partido Popular Europeu (PPE) 29%, ou seja, 217 eurodeputados e 27%, ou seja, 201 deputados, ao grupo Socialistas e Democratas (S&D).

O Parlamento Europeu que resultará das próximas eleições, pelas estimativas, será péssimo para a necessidade de Portugal tomar decisões orçamentais.

Quanto mais PPE, maior vai ser a pressão para seguir as regras impossíveis de cumprir do Tratado Orçamental. Os abstencionistas portugueses deviam pôr os olhos na realidade, em vez de cantar vitória por serem muitos e na prática ajudarem a eleger a direita. Mas não há nada a fazer…não entendem que abster-se é uma forma de votar, de votar no mais votado.

Por cá a campanha é desinteressante, infantil até. Ninguém discute a Europa, nem aqueles que falam em discutir a Europa. O debate da Europa para os portugueses é a saída do euro, tema tabu para todos os partidos parlamentares, sem excepção. A CDU quer mais um deputado e isso basta-lhe, o BE está numa onda cerebral que não se consegue surfar, e o PS acha que o deixam repor um pouco do roubado pelo governo e pela troika, (apesar do estúpido Tratado Orçamental).

Pelos vistos, a vida dos portugueses ainda vai piorar antes de haver uma percepção da gravidade da situação.

Uma boa notícia, que estas coisas desembaraçam-se na televisão; Medina Carreira, que não acreditava haver em Portugal quem ponha mão num governo, já disse no último “olhos nos olhos” da TVI 24 (com João Ferreira do Amaral) a frase: “Tendo a crer que uma solução era a saída do euro”.

Eu digo: “Tendo a crer que isto é tão…compreensão lenta”.

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domingo, 18 de maio de 2014

TSU dos pensionistas vai acabar. Diz o PS.

80 compromissos Campanha do PS. Mai.2014

Não acontece nada? As promessas do PS são importantes? Em períodos eleitorais, a maior parte dos partidos (e dos propagandistas avulsos) limita-se a denegrir a imagem dos adversários políticos.

É o apelo à recusa do voto - neste ou naquele - por repulsa; faz-se através de sound bites, caricaturas ou campanhas negras.

António José Seguro anunciou ontem os (15 de 80) compromissos do PS, e revelou como um dos principais objectivos, o fim da “TSU dos pensionistas”.

Mais que ouvir dizer mal do governo de Passos/Portas e Cavaco, da troika, ou do Euro e da União Europeia, o que se quer ouvir é se há reposição das condições existentes antes das medidas de austeridade.

A estupidez do Tratado Orçamental, ou a ficção da União Europeia, podem ser de difícil entendimento e um engulho programático, a restituição do que foi roubado aos rendimentos de cada um, é simples e um chamamento ao voto.

O PS marca pontos.

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Eleitores europeus interessados nas sondagens.

Sondagens europeias - da treta.Mai.2014

Há sondagens e sondagens, aquela referida hoje no jornal Público, retira conclusões do estilo “seis em cada dez europeus” (!), tendo entrevistado “eleitores” de apenas 12 dos 28 países da União Europeia. Numas europeias, com as mudanças políticas que tem havido, não há países tipo.

Os inquiridos são menos de 9 mil pessoas - façam as contas pela soma dos eleitores europeus existentes, e verificarão a representatividade da sondagem.

Em Portugal ninguém foi sondado, nem interessa quem foi sondado em tal sondagem.

Se me perguntassem se estou interessado nas eleições europeias diria que estou pouco interessado e diria também que vou votar. Só baralhava a sondagem.

Está explicado porque Portugal não participou nas sondagens, tiveram receio de me apanhar do outro lado da linha telefónica.

Agora a sério…levem estas coisas a brincar. Pela nossa saúde.

Post Scriptum 1. Afazeres profissionais impediram-me de seguir os telejornais e as reportagens televisivas da chegada dos ministros (disseram-me que em directo e um-a-um) a uma reunião qualquer. Espero que repitam tantas vezes como os golos do Benfica, pois quero confirmar se meteu motas com câmaras móveis.

Post Scriptum 2. Isto vai uma azáfama na edição da comunicação social; Fátima, Bola e Promoção do Governo – Bola, Promoção do Governo, Fátima - Promoção do Governo, Fátima, Bola – Bolas! Não está nada fácil fazer o alinhamento…Né?

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terça-feira, 6 de maio de 2014

Zona Euro – O pior de dois mundos.

A terra de ninguém.Mai.2014
O professor Thomas Piketty, economista especializado em desigualdade económica, e próximo do PS francês, diz em coluna do jornal Público que “as actuais instituições da Europa são disfuncionais”. Para Piketty “necessitam de ser reconstruidas”.

Reconstruir as instituições europeias, ou “reformar a Europa” é um projecto comum aos maiores partidos portugueses, da direita do euro à esquerda euro-socialista e euro-comunista. A grande maioria dos portugueses que vai votar nas eleições europeias – vota portanto, pela reforma da Europa. Será que os eleitores acreditam que esta Europa é reformável?

Para Piketty, “a questão central é simples: a democracia e as autoridades públicas têm de ser activadas para recuperar o controle e efectivamente regular o capitalismo financeiro globalizado do século XXI”. Central é! Mas alguém acredita que as instituições europeias se vão reformar no sentido de “regular o capitalismo financeiro”?

O economista repisa o que já devia ser consensual; “Uma única moeda com 18 diferentes dívidas públicas, com as quais os mercados podem especular livremente, e 18 sistemas de impostos e benefícios fiscais em permanente rivalidade entre si, não estão a funcionar, nem nunca funcionarão. Os países da zona euro escolheram partilhar a sua soberania monetária, e portanto alienaram a sua arma da desvalorização unilateral, mas fizeram-no sem desenvolver novos instrumentos económicos, fiscais e orçamentais. Esta terra de ninguém é o pior de dois mundos.”

Em terra de ninguém, ninguém contrata arquitectos, nada se reforma. É preciso recuperar os instrumentos da política económica, largando a “Europa disfuncional”, sair do euro.

Alguém acredita que vai haver mais europeístas nas instituições da União Europeia, após as próximas eleições?

Votar nas Europeias? Só para ralar a percentagem do PSD/CDS!



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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Avaliação. O herói surpresa.

oclarinet.blogspot.com - Aumenta desemprego jovem.Mai.2014
Aumenta desemprego jovem. Melhoras?

Teresa Leal Coelho - vice do outro Coelho, no PSD – felicitou-se, celebrando efusiva e mui alegremente, pela “reversão extraordinária das condições dificílimas em que estávamos há três anos atrás”. Falava aos jornalistas no Parlamento, após a sessão de propaganda de hoje, para as TVs e afins, de Portas e M L Albuquerque. Domingo há mais na base da troika.

A adjectivante deputada bradou ainda, ser “absolutamente intolerável” o não reconhecimento pela oposição de tal “resultado - extraordinário”, obtido com “sacrifícios tremendos”. Anote-se o argumentário.

Mais contou, não revelando a fonte, que Portugal já é apelidado de “herói surpresa”.

O que já não é surpresa? O tom da campanha eleitoralista do PSD/CDS, a que os portugueses vão estar sujeitos diariamente, do levantar ao adormecer.

Que a actual subida de impostos - é outra coisa, será coisa de somenos, comparado com o que é possível fazer com a máquina de propaganda do PSD/CDS.

Os órgãos de comunicação social - as chefias e as obediências, os comentadores encartados; todo o aparelho mediático que fez eleger Passos Coelho e Cavaco está intacto (até fortalecido com algumas limpezas). É uma batalha desigual, pela verdade e pelo esclarecimento - pelo debate de alternativas políticas.

Na oposição à esquerda já se sabe, roer a fatiota do próximo até que nenhum tenha vestimenta para se apresentar com decência. Serve para espantalhar.

O “herói surpresa” ainda vai ser Passos Coelho!?

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domingo, 13 de abril de 2014

A inocência do governo PSD/CDS.

in Jornal Público 13-4. Abr.2014

A direita no poder definiu hoje os termos da sua campanha para as eleições europeias.

Quer apagar da história os seus três últimos anos de governação. O país está “como está”, por causa dos governos anteriores a Passos Coelho - dizem.

O governo Passos Coelho / Paulo Portas / Cavaco Silva, não contará para a actual situação desgraçada do país.

Para que alguma ponta da raiz de tal campanha pegue, é preciso muita colaboração das oposições. Para que tal mensagem passe, é necessária grande aselhice à esquerda.

A esquerda anda desastrada, a parlamentar e todas as outras, incapazes de reformular estratégias e de aproveitar momentos favoráveis. A direita diz que as Eleições Europeias “não são umas primárias das legislativas”.

Vamos ver quem, não sendo de direita, vai nisso…


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quarta-feira, 9 de abril de 2014

APRe. Uma volta pelo voto – passou por Lisboa.

APRe! Conferência de Fernando Rosas. Abr.2014

(votar ou não votar nas europeias)

Fernando Rosas, mestre em história do século XIX e XX, animou a sessão cultural promovida pela Associação de Aposentados Pensionistas e Reformados (APRe) realizada ontem.

A conferência teve como tema “Portugal, a crise do liberalismo e as origens da Ditadura; ontem e hoje”, enquadrou a ascensão dos fascismos na Europa, o Estado Novo, as crises capitalistas e as soluções ditatoriais nos países do sul da Europa.

Para a APRe, que lançou uma campanha pelo voto, “não apenas nas eleições europeias que se aproximam mas também a pensar nas legislativas e nas presidenciais”, os portugueses têm a obrigação de defender as conquistas de Abril. As eleições “devem convocar os portugueses para a reflexão e para o cumprimento do dever cívico conquistado há 40 anos. Dizem.

A campanha da APRe pretende contrariar o apelo ao voto branco, nulo e abstenção “que invadiu as redes sociais”. Por um lado - é obra; por outro, é tarefa facilitada pelo facto de os mais velhos votarem mais e serem menos influenciados pela “rede”.

Vivemos em Portugal uma democracia mutilada com a soberania reduzida pelos tratados europeus.

O divórcio entre a União Europeia e os cidadãos, a suspeita para uns (certeza para outros, como eu) de que estaríamos melhor fora da Zona Euro, afasta eleitores das próximas eleições. A desconfiança perante os partidos, as campanhas anti-políticos e a “distância” entre as políticas de Bruxelas/Estrasburgo e os anseios dos portugueses também não ajuda.

Só nos lembram da Europa em tempos de eleições, nunca aqui se discutiu a Europa nem as suas diretrizes. Pela Europa, por causa da Europa, não votaria, não acredito numa reforma da União Europeia que nos aproveite, ao contrário de todos os nossos partidos parlamentares do centro e da esquerda.

Mas, se o nosso voto serve para pouco em termos europeus, não votar serve o quê? Cavaco foi eleito (com 23,15%) numas eleições em que a abstenção ganhou!

Deve-se, por isso, aproveitar as eleições europeias para votar contra este governo e contra quem nos governa a partir da Europa?

Fica para próximos capítulos…

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quarta-feira, 19 de março de 2014

Centro-esquerda baixa na Europa.

o que Passos prometeu a Merkel...Mar.2014

Em Portugal os “conservadores” do PSD e os “socialistas” do PS andarão empatados, segundo a última sondagem Poll Watch para as eleições de Maio para o Parlamento Europeu, citada pelo jornal Público.

Na União Europeia o resultado é o mesmo, empate técnico, entre a direita do grupo Partido Popular Europeu (PPE) e o centro – esquerda do grupo Socialista e Democrata (S&D). Como curiosidade o PPE reduz em 16 deputados a diferença que tinha há um mês para o centro-esquerda (agora; socialistas 214 – conservadores 213, para 751 lugares).

A social-democracia europeia experimenta uma crise histórica. A adesão às regras ditadas pelo sistema financeiro internacional e o abandono de qualquer matriz ideológica trabalhista deixa o centro-esquerda sem rumo. Já nem o Estado Social é bandeira da nova geração de líderes vacilantes do centro-esquerda.

A terceira força no Parlamento seriam os Liberais com 66 deputados e a quarta a Esquerda Unida com 59. Em que Europa estará Portugal no futuro próximo? Numa Europa sem diferenças relevantes entre poder e oposição? Um bloco central de defensores e rendidos ao neo-liberalismo?

Se a próxima campanha eleitoral para as Europeias, servir para discutir o que faz Portugal nesta Europa, vale a despesa.

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segunda-feira, 3 de março de 2014

Octávio Teixeira. Os receios da esquerda.

Ou se desvaloriza a moeda ou se desvalorizam salários. Mar.2014

O economista Octávio Teixeira, ex-líder parlamentar do PCP, deu uma entrevista ao jornal i cuja leitura se recomenda. Apresentado como “defensor claro e frontal da saída de Portugal do euro”; entre outras matérias, pronuncia-se também sobre as esquerdas e os seus receios, sobre a “saída” do programa da troika e a crise da Zona Euro, a impossibilidade de Portugal pagar a dívida e a “estupidez” do Tratado Orçamental.

Sobre a saída de Portugal do euro e o facto de nenhum partido português fazer disso bandeira, Octávio Teixeira diz nomeadamente:

“Estas eleições para o Parlamento Europeu são importantes nesta perspectiva. Tem de se clarificar e esclarecer as situações. É evidente que a saída do euro tem custos. Mas há duas coisas: os custos são a muito curto prazo. Veja-se a Islândia há dois ou três anos. A Islândia fez uma desvalorização brutal, superior a 50%. Teve uma inflação de 12%. Mas passado ano e meio, dois anos, além do crescimento económico que teve, a inflação veio para os 4%. A alternativa que nos é apresentada, a desvalorização interna, tem estes inconvenientes. O programa que está a ser aplicado pela troika e pelo governo é formalmente conhecido como desvalorização interna. A recuperação do escudo, da soberania monetária, teria como consequência uma desvalorização, mas os efeitos são a muito curto prazo e nas exportações, passados seis meses, teríamos efeitos claros. E na redução de importações – com a substituição de importações pelo consumo de produtos nacionais. A inflação – já fiz cálculos sobre isso, admitindo uma desvalorização de 30% – nunca iria além dos 10%. Saímos do euro, recriamos o escudo e imediatamente determina-se que um escudo tem o mesmo valor que um euro. Todas as contas são transformadas de euros para escudos com o mesmo valor. E a seguir desvalorizamos o escudo. A perda para as pessoas na prática não existe.”

Para o economista “o debate público está a passar ao lado das questões centrais e essenciais” como a questão da saída do euro.

O partido de Octávio Teixeira, o PCP, pouco tem ajudado a recentrar o debate.
Receios…!?

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Relvas regressa ao PSD para fazer o que sabe.

Relvas regressa.Fev.2014
 

É normal que Miguel Relvas tenha liderado a lista de Passos Coelho ao Conselho Nacional do PSD? Segundo as notícias “provocou um grande mal-estar junto de muitos congressistas”.

O dito mal-estar faz parte da encenação. Para os desafios eleitorais da direita fazem falta os “Relvas”; gente capaz de mobilizar e dirigir o aparelho partidário.

Ou iam buscar um sucedâneo, fazer uma experimentação, ou Passos Coelho apostava em alguém com provas dadas. Como o tempo não está para ensaios, volta Relvas com a autoridade de ter encabeçado a lista vencedora do Conselho Nacional.

O PSD, que não é um partido famoso pela ética e pela vergonha na cara, acaba por decidir em função das necessidades práticas.

Quem acha insensata a nomeação de Relvas, não percebe Passos Coelho. O primeiro-ministro já demonstrou ser capaz de atropelar tudo para levar avante o seu projecto.

Miguel Relvas e Passos Coelho estão ligados desde sempre. 

Não se pense que Relvas é uma pedra na engrenagem eleitoral do PSD - Relvas é a engrenagem.


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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Nicolau Breyner candidato contra o euro.

Nicolau à conquista das europeias.Fev.2014
        (Nicolau Breyner é ou não candidato?) *

A direita “eurocéptica” aposta no actor e realizador Nicolau Breyner como candidato às eleições europeias. Segundo a notícia, a candidatura será de uma coligação de pequenos partidos que incluirá a Nova Democracia (PND).

Quanto a outros pequenos partidos - como o PCP que parece ser contra o euro mas não quer que se saiba (!?), ou ainda a tendência crítica da moeda única dentro do Bloco de Esquerda - calcula-se que não farão parte desta coligação (nem de qualquer outra, para manter a castidade).

Assim vai a estratégia das esquerdas; entre eurocomunistas e neo-reformistas da União Europeia, deixam que a incompatibilidade nacional com o euro seja capitalizada pela direita. Direita que por essa Europa fora capturou as bandeiras sociais da esquerda, enquanto esta ocupou todo o tempo a recrear-se com temas secundários.

Resta à esquerda parlamentar a guerrinha eleitoralista entre ela, os ataques entre claques nas redes sociais, as desculpas e passa-culpas do chumbo do PEC4 e da vinda da troika, o ressuscitar de Sócrates e do argumentário que colocou Passos Coelho no poder.

Nicolau é um bom candidato. É difícil acusá-lo de querer um tacho na política europeia; a manter a coerência de Serpa, não mete lá os pés.

Aquilo que temia e disse-o em vários comentários; que a saída do euro, perante a cobardia da esquerda, acabaria por ser uma bandeira aproveitada por organizações de direita, está aí.

É a política que temos, passatempos entre o mete nojo e o acho graça.

Um vazio.

Post Scriptum: *Corre por aí que Nicolau Breyner desmente ser candidato; a ser assim, deixou-se usar na promoção publicitária desta campanha. Ou foi o realizador do enredo, ou limitou-se a fazer o papel de lebre, coisa fácil para um actor de Serpa.

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Passos Coelho não gosta dos seus conterrâneos.

Avião de Bragança  - vigarice .Jan.2014
Portugueses que gostam mais dos alemães, (ou dos americanos, ou dos russos, ou dos espanhóis) que dos seus compatriotas, há muitos. Que detestem os patrícios da sua terra, daquele lugar primeiro do nascimento é mais raro.

Ontem, José Sócrates contou um episódio da indecência da política eleitoralista, que merece ficar para memória futura.

Sócrates também tem histórias, outros políticos terão outras, mas a de Passos Coelho com a linha aérea Trás-os-Montes/Lisboa é uma nojeira exemplar.

Este governo, em Novembro de 2012, retirou o subsídio de rota à carreira aérea Lisboa-Vila Real- Bragança. O transporte por avião que funcionou ininterruptamente durante 15 anos ficou suspenso, porque, dizia o governo, Bruxelas não permitia esse financiamento.

No fim de 2012, o governo anunciou uma solução (subsídio por bilhete) para repor a ligação aérea. Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, informou estar dependente da aprovação de Bruxelas.

Sócrates disse ontem no seu programa na RTP, que recentemente o primeiro- ministro informou não ter ainda “luz verde da Comissão Europeia” para o novo modelo de financiamento. Mas, “acontece que deputados do PCP perguntaram à Comissão” pela proposta do governo português e a Comissão Europeia respondeu: “não tomamos posição pela simples razão de o governo português não ter cá proposta nenhuma, já teve mas retirou-a”, conta Sócrates.

Pior, ainda, que esta aldrabice obscena, são as datas em que a proposta entrou e foi retirada da Comissão Europeia.

Segundo o comentador averiguou, o governo fez um decreto-lei (o tal dependente de Bruxelas) e anunciou-o, com promessas, em 13 de Agosto (período da campanha autárquica). Em 29 de Setembro deram-se as eleições autárquicas, e no dia 30…no dia seguinte à votação – o governo retirou a proposta de Bruxelas.

Passos Coelho enganou os transmontanos indecentemente.

Passos Coelho não tem raízes - nem aprumadas, nem murchas. Dizem-no transmontano, fizeram-no presidente da assembleia do município de Vila-Real, mas não passa de uma infiltração de sujidade nas terras asseadas de Trás-os-Montes.

Passos Coelho obrigou as portagens na A 24, parou o Túnel do Marão, extinguiu o museu do Côa e quer fazer o mesmo ao helicóptero de Macedo, encerra serviços hospitalares, escolas e tribunais; mas ainda o recebem em Trás-os-Montes.

E recebem-no bem…e voltam a votar nele?!


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domingo, 26 de janeiro de 2014

Ana Drago. Mais uns buracos no Bloco.

Fortes divergências internas atingem Bloco.Jan.2014
Bloco bloqueado com a estratégia e com mais buracos.

A dirigente Catarina Martins afirma que o Bloco de Esquerda (BE) está “interessado em todas as convergências que rejeitem as políticas de austeridade e o tratado orçamental, e, em juntar todas as forças nas eleições europeias e nas legislativas que aí vêm”. Parece não ser inteiramente verdade.

A proposta do movimento 3D era para discutir um programa conjunto para as europeias, com o Partido Livre, a Refundação Comunista e o Bloco de Esquerda. Segundo Catarina Martins o BE entende ser “importante manter o diálogo com o M3D”, e mais não disse.

Ana Drago demite-se da comissão política do BE devido a “estarmos a viver um momento grave” pelo que “ não é tempo de começar um debate de convergências fazendo exclusões”, segundo afirmou.

Assim vai a unidade das esquerdas. Dissidente é o pior inimigo, não há disponibilidade para discutir seja o que for com esse inimigo. Nada de novo no campo da esquerda, sempre assim foi.

Ana Drago é uma dissidência muito mais importante que as anteriores, atinge sobremaneira a imagem externa do BE e vai refletir-se nos resultados eleitorais - do BE, do Livre e do PS.

Como à esquerda não faz falta mais um PCP, (e ainda mais pequeno), da destilação do Bloco é capaz de resultar a UDP e o PSR; ainda mais puros e desnecessários.

Isabel do Carmo dizia (ver aqui) que “a esquerda tem que engolir elefantes ou mesmo dinossauros”. O Bloco não tem apetite nem para comer um cozido à portuguesa de um dia para o outro.

Há sondagens a dar próximas vitórias eleitorais ao PSD/CDS. Pormenores!

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