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terça-feira, 9 de julho de 2013

Aplausos. Mário Soares e a Missa nos Jerónimos.

Cerejeiras só as que dão cerejas.Jul. 2013

Uma semana de crise política em que a coligação no governo mudou de PSD/CDS para CDS/PSD não será um grande acontecimento. Outros casos sucederam com mais significado. A missa da entrada solene do novo patriarca, que descambou num acto rasteiro de propaganda do governo, mereceu de Mário Soares uns períodos do seu comentário no DN. Transcrevo:

“TEMOS ESPERANÇA NO NOVO PATRIARCA? 

 No último domingo, realizou-se a primeira missa de D. Manuel Clemente, atual patriarca, no Mosteiro dos Jerónimos. Havia a esperança de ser um novo impulso para a Igreja portuguesa, muito mais aberta do que a espanhola e mais próxima do pensamento do novo Papa Francisco.

Mas não foi. A missa, instrumentalizada pelo Governo moribundo que temos, tornou-se uma vergonha inaceitável. A presença do Presidente da República, nada discreta, de Passos Coelho e de Paulo Portas e mais a claque dos capangas que lá puseram para bater palmas aos políticos presentes resultou num escândalo. Nenhum católico verdadeiro pode aceitar uma tal humilhação a que sujeitaram o patriarca, que, julgo, não a merecia. Mas a verdade é que não reagiu e pelo contrário parecia satisfeito, como se viu na televisão.

Se a Igreja não deve intrometer-se na política, a verdade é que os políticos também não devem aproveitar-se da Igreja para fazerem propaganda. Teremos voltado ao tempo triste do fascismo?

Foi o que aconteceu, sem que o senhor patriarca tivesse reagido minimamente. Começou muito mal com a sua primeira missa. Direi mesmo que foi uma vergonha que infelizmente o vai marcar negativamente perante os católicos sinceros e progressistas, sem falar dos leigos, como eu, que se lembram bem dos tempos em que o fascismo utilizava a religião...

Não sei agora como é que o senhor patriarca vai falar dos desempregados e dos pobres, quando deixou que os responsáveis por essa desgraça nacional fossem aplaudidos nessa primeira missa, obviamente organizada pelos políticos, como está à vista, quando são vaiados sempre que se atrevem a aparecer na rua.

É óbvio que uma Igreja como o Mosteiro dos Jerónimos é um local sagrado. Não se compreende assim que o novo patriarca, que é uma pessoa culta e experiente, deixasse que os políticos presentes fossem aplaudidos sem que ele, patriarca, lhes lembrasse que a Igreja onde estavam é um lugar sagrado, não é um lugar próprio para esse tipo de manifestações políticas. Começou mal, muito mal, as suas novas funções, como o povo católico mais humilde vai compreender”.

Mário Soares in Diário de Notícias

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Aplausos para Passos e Cavaco. A contra-manifestação.

Cavaco Passos Portas Igreja = A contramanifestação.Jul.2013

O povo a bater palmas a Cavaco, Portas e Passos, era notícia; os convidados do poder a manifestarem nos Jerónimos um desagravo é uma contra-manifestação. 

Os contra-manifestantes de Domingo chegaram aos Jerónimos um dia atrasados, a manifestação foi no Sábado - só pode ser culpa dos choferes. 

Segundo o jornal Público a “entrada solene do novo Patriarca de Lisboa” D. Manuel Clemente, “contou com 278 padres e bispos e 65 cónegos de todo o país bem como de um conjunto de convidados da esfera política e económica”.

O pouco que se viu das palmas veio precisamente do “conjunto” referido, o conjunto convidado a actuar e principescamente pago pelas benesses do Estado. De povo a bater palmas a Cavaco, a Portas e a Passos, não há imagens - e não é por falta de repórteres.  

A ideia que D. Manuel Clemente começa por dar, do seu tempo de “renovação da Igreja” é gasta e retrógrada, o conluio da Igreja com o poder, por cá já demos em tempos de má memória. 

Cabe a D. Manuel esclarecer se quer voltar à época do Cardeal Cerejeira, a ser assim está fora de prazo muito antes de atingir o limite de idade.

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domingo, 7 de julho de 2013

Edward Snowden pede asilo à Nicarágua.

Edward Snowden ex-técnico da CIA pede asilo à Nicarágua. Jul.2013


A imprensa da Nicarágua transcreve hoje uma carta de Edward Snowden pedindo asilo à Nicarágua. 

O ex-informático da CIA que há mais de duas semanas se encontra na zona em trânsito do aeroporto de Moscovo, enviou na última noite à embaixada da Nicarágua, na capital russa, uma carta onde pede asilo político.

”Eu, Edward Snowden, cidadão dos Estados Unidos, escrevo a solicitar asilo á República da Nicarágua devido ao risco de ser perseguido pelo governo dos EUA, por ter revelado a existência de um programa de espionagem mundial da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos”.

Edward Snowden considera improvável um julgamento justo nos Estados Unidos, e que corre o risco de ser condenado a prisão perpétua ou à pena de morte, por espionagem.

Três países da América Latina ofereceram asilo a Snowden; Venezuela, Nicarágua e Bolívia, desafiando os EUA e separando as águas entre eles e os países europeus que se indignaram com a espionagem praticada pelos Estados Unidos, mas colaboram para deter o homem que a denunciou publicamente.

Portugal, com a iniciativa do “governo de Portas/Passos” de não deixar sobrevoar ou aterrar em Lisboa o avião de Evo Morales, por simples suspeitas e a ordens dos EUA, (ainda não deram outra razão defensável) é dos países que mais envergonham o mundo civilizado.

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sábado, 6 de julho de 2013

Manifesto PSD/CDS verso manifestações.

  foto1 Manif.6 Julho Belém-Jerónimos. Jul.2013

Passos Coelho e Paulo Portas trocaram de cadeiras, não mudam as políticas, no fundamental nada muda. A farsa deprimente, de um governo sem governo ou crédito político, a manter-se, é até à próxima crise interna. Tentam resolver os problemas da sua imensa prole autárquica, partidário-dependente, assustada com eleições e a consequente perda de bons negócios ou tão só de emprego certo. 

O PSD e o CDS têm medo das eleições por causa do desemprego (dos seus), os que querem eleições também é por causa do desemprego, mas do resto da população que vive da economia real e não da economia atracada à política.

 foto2 Manif.6 Julho Belém-Jerónimos. Jul.2013foto3 Manif. 6 Julho Belém - Jerónimos Jul.2013











A manifestação de hoje em Belém, com calor tórrido (havia muito mais manifestantes na sombra das árvores do Jardim da Praça do Império que ao sol) significa que vai haver resistência na rua, contra todas as adversidades, seja o tempo, seja a propaganda fascistoide que filou a comunicação social dos grandes meios.

foto4 Manif. 6 julho Belém - Jerónimos. Jul.2013

As virtudes da luta de oposição, nas ruas e nos locais de trabalho, estão confirmadas pelos problemas no seio do poder. Na manifestação de Belém exigiu-se que se ouça o país que quer eleições, é uma reivindicação da democracia perante o espectáculo lamentável de Passos e Portas, e o falhanço das políticas do governo e da troika.

Não se acredita na estabilidade governamental desta coligação PSD/CDS, com o seu passado, o presente, e o futuro próximo, para mais com os cortes programados de 4,7 mil milhões de euros. “Travar esta política derrotar estas medidas” tem sido tarefa do movimento sindical. Manter a pressão para o governo ir embora é encargo para a maioria insatisfeita da população portuguesa.

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