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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Alerta de falta de sangue para cirurgias; novamente!

Isenção das taxas moderadoras a dadores de sangue era inteligente. Jul.2012
clicar no burro

Os alertas na comunicação social para a falta de sangue são cíclicos. Desde que o governo decidiu retirar a isenção de taxas moderadoras aos dadores benevolentes, os alertas passaram a ser mês sim mês não.

O presidente do Instituto Português do Sangue fez agora outro alerta, na TSF, porque o “número de unidades de reserva tem vindo a baixar” para um nível que pode levar à não realização de algumas cirurgias.

Em Janeiro, várias associações de dadores, avisaram da “desmotivação geral” como consequência dos cortes nas isenções de pagamento das taxas moderadoras. Os responsáveis da Saúde desvalorizaram, incluindo o ministro, e em Fevereiro ouve uma quebra de 20% das dádivas.

Recuperaram no final de Março com os alertas lançados, para em Abril o IPO vir dizer que se debatia com falta de sangue, este mês voltou a necessidade de fazer mais pedidos à população perante nova quebra de 16%.

Parece evidente que o governo criou condições para deixar de contar com boa parte dos dadores regulares, substituindo-os por dadores ocasionais, ou dadores que só contribuem em última instância. Não será a melhor forma de gerir um sector essencial do sistema de Saúde.

Independentemente do que cada um pensa sobre as dádivas de sangue, o que importa é a posição de quem dá, e há (pelo que se vê) muita gente arreliada com a desconsideração. Os movimentos de repúdio pela medida mesquinha das taxas moderadoras deveria ter sido levado a sério, os dadores são saudáveis, não são os abusadores do Serviço Nacional de Saúde.

O ministro anunciou que vai tomar medidas, uma delas vai ser uma campanha publicitária durante a Volta a Portugal em bicicleta. Só por uma razão de transparência espero que sejamos todos informados sobre quanto o governo arrecadou com a taxa moderadora dos dadores de sangue e quanto vai gastar na campanha da Volta. 

Campanha que vai passar a ser feita volta e meia, porque volta e meia estamos sem dadores de sangue.

PS: - "Deminuição de dádivas de sangue é mais grave do que tem sido dito"
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Roche suspende venda de medicamentos a crédito.

Roche tem fármacos insubstituíveis. Fev.2012


Os nossos governantes falam de vergonha, por se sonhar que Portugal não paga as suas dívidas, e por isso andamos todos vestidos com a austeridade, entretanto o governo monta calotes.

A má gestão, pelo Estado, da conta corrente entre o ministério da Saúde e a Roche Farmacêutica levou ao corte de fornecimento de medicamentos a 23 hospitais. A Roche e o Estado contratualizaram como prazo de pagamento 60 dias e existem “dívidas acumuladas há mais de 500 dias, chegando a superar em alguns casos os 1.000 dias”; valores “superiores a 135 milhões de euros” mais 6 milhões de juros de mora.

A Roche cortou o crédito por o Estado não apresentar um plano de pagamento da dívida vencida, como combinado entre as partes. A primeira reacção do Ministério da Saúde foi dizer que “o SNS encontrará soluções alternativas, inclusivamente junto de outros fornecedores”; é a burla mais corrente em Portugal, deixar calotes e ir mudando de fornecedor, é também por isso e pela inoperância dos tribunais nestes casos que não há mais investimento interno e externo no nosso país.

Para azar dos chicos – espertos do ministério, a Ordem dos Médicos veio avisar que não há “substitutos válidos” aos fármacos da Roche “Não é por isso, aceitável ou tolerável o corte do fornecimento dos referidos medicamentos, que condicionará necessariamente a suspensão dos tratamentos indispensáveis”, dizem os médicos.

Agora o Infarmed diz que é, “eticamente reprovável e ilegal”, a posição da Roche. Olhem para a Grécia onde a Roche já reduziu o fornecimento e a Novartis e a Big Pharma planeiam o mesmo, estendendo esta última a outros países (incluindo Portugal) com grandes dívidas aos laboratórios.

O melhor é sentarem-se novamente à mesa das negociações e renegociarem a dívida aproveitando a abertura da Roche. Ou será que esta dívida segue o princípio de que não é para renegociar?

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Expurgados dos centros de saúde é coisa de carnaval.

Quietos.Fev 2012

Não deram tolerância de ponto no Ministério da Saúde e eles resolveram brincar ao carnaval – no serviço.

Todos os utentes que não recorram a um centro de saúde durante três anos consecutivos vão ser expurgados das listas, noticia o Público. Dito assim, num país de leitores de títulos e raciocínio vertiginoso; tão rápido que não precisam de ler os artigos até ao fim, parece que vão ficar sem médico.

Afinal não é o caso, arquivo morto sempre existiu nos centros de saúde, já por lá andei por não dar sinal de vida. Quando muito é um estratagema para “aumentar os utentes dos médicos de família” como denuncia O Sindicato Independente dos Médicos, e isso sim, seria grave.

O caminho para resolver o problema da falta de médicos de família, não pode ser o de aumentar o número de doentes que cada médico já tem – seria estragar o que de bom foi feito nos últimos anos.

Olhem antes para os excelentes exemplos que as Unidades de Saúde Familiar são, que transformaram por completo a forma de atendimento dos doentes, pelo menos na minha área.
As listas actuais já incluem decerto doentes crónicos, mais ou menos frequentes e passivos. Cabe a cada serviço e médico gerir os seus “clientes”.

Ampliar administrativamente por directiva do ministério o número de utentes por médico – que é do que se trata – vai desorganizar o atendimento, piorando o que hoje funciona bem e não resolvendo o problema de quem não tem médico de família.

Não bastar ter médico de família, é preciso que o serviço prestado funcione e isso não se consegue trabalhando para as estatísticas. Os utentes são pessoas e os médicos também, uns necessitam de ser bem atendidos e os outros de terem o numero de doentes que lhes permita exercer bem a profissão.

Antes de porem em prática as ideias (!?) pensem nas consequências. Não estraguem.

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