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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Venezuela. Ups.

A verdade a que temos direito...Fev.2014

Procurar notícias da Venezuela, tentando recorrer a todas as fontes, pode não ser fácil - depende dos dias e dos acontecimentos - o acesso está subordinado às campanhas urdidas a nível internacional.

A obediência à geoestratégia daqueles que se consideram os donos do mundo espelha-se na comunicação social internacional. O jornal Público tem feito parte, de vez em quando, de campanhas políticas internacionais; toma partido em vez de fazer jornalismo independente. São opções que os leitores e os assinantes julgarão, até porque o jornal também tem profissionais éticos e competentes misturados com os propagandistas.

Fica a impressão de que os editores de jornais esquecem o período em que vivemos - a época da Internet. Podem evidentemente tomar partido, fazer “agitação e propaganda”, marcar regimes a denegrir, mas não podem impedir que isso apareça aos olhos dos seus leitores como a negação da informação jornalística.

Na hora em que escrevo, o periódico venezuelano “Correo del Orinoco” está indisponível “na Net” (imagem), manigâncias!

No entanto, por exemplo, o Ensartaos (.com.ve) está visível. O artigo “Se desespera el imperio. Siria, Venezuela, Bolivia: Tres frentes simultâneos de ataque” de Javier Del Valle Monagas Maita serve muito bem para acompanhar os (outros) textos militantes sobre a situação na Venezuela.

A verdade a que temos direito… anda por aí, algures.

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Fecho da ERT, uma história mal contada.

Fecho da TV pública grega - insólito em democracia.Jun.2013

Hoje é dia de greve geral na Grécia, contra o encerramento da TV pública. São muitas as expressões de solidariedade internacional com os gregos, inclusive de políticos com responsabilidades em governos da europa, mas nada é feito nas instâncias europeias para reverter a decisão do governo grego. 

Pelo contrário, as exigências da troika tornam muito difícil a oposição dos partidos (Pasok e Dimar) que suportam o governo de Samaras e são contrários ao fecho da ERT.

Ao contrário do noticiado, a acção insólita do governo grego não foi surpresa. Desde Maio que se falava da intenção de Samaras e nos últimos dias foram várias as movimentações da oposição e os alertas dos jornalistas. 

Aliás, aqui, no ClariNet, num post sobre a Grécia na terça-feira, colocámos uma imagem da sede da ERT e referimos o risco de encerramento, o que foi confirmado poucas horas depois.

A Comissão Europeia rejeitou responsabilidades no encerramento da ERT. Não só as tem pela pressão da troika para privatizações na Grécia, como faz chantagem que impede a alteração do mal feito.

Está para ser concedida mais uma tranche de 3.300 milhões de euros à Grécia, estando dependente o desembolso da estabilidade do governo. Quer o Pasok de Evangelos Venizelos quer o Dimar de Fotis Kouvelis estão de mãos atadas perante a abertura de uma crise, fatal para a governação da Grécia.

A data de encerramento da ERT não foi escolhida ao acaso, depois deste governo não haverá qualquer coligação na Grécia e todos sabem isso. 

O sistema político grego está definitivamente arruinado, destruído pela falta de democracia no país onde a democracia nasceu.

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Miguel Sousa Tavares tramado pelo "palhaço".

Palhaço. Susceptível de ser crime de ofensa à honra do PR.Mai.2013

O escritor Miguel Sousa Tavares reconheceu nesta sexta-feira que não devia ter chamado palhaço a Cavaco Silva. Fez bem. Cavaco Silva é todos os dias chamado de muitas coisas, publicamente, nas redes sociais e por todo o lado, mas o Miguel tem um estatuto que amola mais, tem de preparar a defesa.

Palhaço; será, em minha opinião, das nomeadas menos agressivas que circulam sobre Cavaco Silva.

No contexto da entrevista ao Jornal de Negócios, com referência ao político italiano e ex-comediante Beppe Grillo terá, como diz Miguel, “ido atrás da pergunta”. Agora a Procuradoria- Geral da República (PGR) vai atrás do Miguel, e na corrida, a todos os outros cujas palavras ofendam o cidadão Cavaco Silva.

O que é do cidadão Cavaco e o que é do presidente Cavaco é a questão. Ofensas ao cargo de presidente da República, nunca se viu, à pessoa que agora ocupa o lugar, é mato. Umas são mesmo insultos, mas a maioria são apenas desconsiderações, pessoais e políticas.

Cada dia há mais portugueses que não gostam de Cavaco Silva, é notório; do que faz e do que não faz, da forma como (não) exerce o cargo, e até da sua plástica pública. Eleito por 23,15% dos eleitores, perde a boa popularidade todos os dias.

A palavra palhaço terá para alguns, conotação injuriosa. O desprezo político e o desdém pessoal que merecem muitas figuras públicas, não é desrespeito pelo cargo que ocupam no Estado.

Esta iniciativa da PGR vai pôr todos a opinar se Cavaco Silva é ou não palhaço. Faz-me lembrar aquele locutor que se enganou a pronunciar o nome do deputado Eusébio de Carvalho, e depois emendou em directo, “perdão…Carvalho”!

Amanhã há manifestação frente ao Palácio de Belém, chamar palhaço a Cavaco Silva é capaz de ser proibido (e os verdadeiros palhaços podem levar a mal) …já sabem!

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sábado, 19 de maio de 2012

Miguel Relvas pede desculpa ao Público. Isso basta?

Miguel Relvas ameaça jornalista. Mai 2012

A direcção do jornal Público expõe os factos relatados pelo Conselho de Redacção sobre as pressões/ameaças do ministro Miguel Relvas; informa os leitores de que apresentou um protesto na sexta-feira e que recebeu um pedido de desculpas do ministro.

Isso basta? O “Público” pode entender suficiente, até a jornalista ameaçada poderia achar suficiente, mas, e a opinião pública e o país político?

O Sindicato dos Jornalistas vai pedir a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República. Isso basta?

Que Miguel Relvas tenha ameaçado o jornal Público de “blackout” do governo ao jornal, (ou manda no governo ou é a posição do governo) coisa ao nível das zangas dos clubes da bola com os jornalistas, não é de um governo de gente adulta, mas paciência.

Agora que tenha ameaçado “publicar na Internet dados da vida privada” duma jornalista do Público, fia mais fino. Não se entende que o advogado do jornal não tenha visto qualquer ilegalidade, o direito fundamental ao respeito pela vida privada é expressamente consagrado na Constituição. E como ia publicar na Internet, como ministro, como anónimo ou através das secretas? E como é que um ministro dos Assuntos Paramentares possui “dados da vida privada” duma jornalista?

Parece-me que um pedido de desculpas não basta, em Inglaterra já tinha saído da vida política. A imprensa em Portugal é muito estranha, até quando o assunto a envolve directamente.

Post Scriptum: O Sindicato dos Jornalistas diz que a confirmarem-se as acusações, o ministro deixará de ter condições para manter-se no governo.
Concordo - demissão!

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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Espanha. Controlo partidário da RTVE pelo PP espanhol.

Juan Luis Gordo (PSOE) -  da Comissão Mista de Controle Parlamentar da RTVE. Oposição sem votos para impedir a partidarização da RTVE

A independência da televisão do Estado espanhol está em causa devido a um decreto, aprovado ontem no Congresso dos Deputados, sobre o modelo de governação da RTVE.


Para além desse decreto, a maioria do Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy, fez ontem aprovar “o maior corte de serviços sociais da democracia”. Bastaram duas horas, como realça o El País, “para validar dois decretos que reduzem em 10.000 milhões de euros os gastos com a Saúde e a Educação”.

O PP impôs a sua maioria absoluta, votando só contra toda a oposição. Como nota o Jornal; “ a maioria parlamentar do PP é suficiente,” para aprovar leis no parlamento, “mas é politicamente limitada, levando em conta que os cortes (na Educação e na Saúde) devem ser aplicados pelas Comunidades Autónomas, governadas por partidos diferentes”.

A situação política em Espanha está ao rubro, o governo do PP está isolado nas medidas que impõe, voltou a recessão, a Moody´s baixou a nota de 16 bancos, só não há mais dificuldades pela intervenção directa do BCE.

Nesta conjuntura difícil, que a crise grega transformou em aflição, Mariano Rajoy deu um “golpe de mão”. Precisa de ter controlo governamental sobre a RTVE (principal empresa de audiovisual em Espanha) que é, reconhecidamente, um meio informativo plural e independente.

A informação da TVE é uma das melhores do mundo, onde o comentário político é feito por jornalistas de vários órgãos de comunicação, garantindo que não há manipulação política partidária.

A nomeação do presidente da RTVE era aprovada por maioria de dois terços do Congresso dos Deputados e isso acabou, assim como a alteração do regime jurídico do Conselho de Administração que deixa de contar com a presença de forças políticas e sindicais que lhe davam maior pluralidade.

O presidente da RTVE passa a concentrar o poder executivo e é nomeado por maioria do Congresso. Mais precisamente, Rajoy inventou uma nova fórmula, uma Eleição À Espanhola: Findo o consenso anterior, o método consiste agora em fazer uma primeira votação onde se procura uma maioria qualificada, no caso de não se alcançar, repete-se 24 horas depois só requerendo uma maioria simples (metade mais um). Se a ideia pega e se propaga…!?

A informação jornalística em Espanha corre o risco de se partidarizar, com comentadores políticos do regime, telejornais manipulados e tudo o mais que os portugueses bem conhecem (basta ligar qualquer das nossas); para os espanhóis será mau e também para muitos de nós, que ligam habitualmente à TVE para saber mais sobre o que se passa no mundo.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa nas redes sociais.

Ameaça sobre a Liberdade de Imprensa. Mai2012

A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu os novos media e as redes sociais como tema de reflexão no Dia Mundial de Imprensa. Já em datas anteriores, a ONU tinha dedicado o Dia à segurança dos profissionais da comunicação social sujeitos a violência. A perseguição, agressão e prisão de jornalistas e outros profissionais dos media, e até o assassinato, constitui uma das principais ameaças à Liberdade de Expressão.

Em mensagem conjunta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon e da directora da UNESCO, Irina Bokova, considera-se a Liberdade de Expressão como um dos direitos mais preciosos. Referem o facto de, com a mudança dos meios para o suporte online, “jornalistas online, incluindo bloggers” estarem a ser “perseguidos, atacados e mortos” por causa do seu trabalho. Defendem por isso que estes “devam receber a mesma protecção que os trabalhadores dos media tradicionais”.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) reafirma em comunicado, “a importância dos serviços públicos de comunicação social – da agência de comunicação, de rádio e televisão – que o governo e a maioria parlamentar querem desmantelar, com o pretexto demagógico da crise, mas visando cumprir uma agenda neo-liberal de privatização a todo o custo”.

O SJ considera que a “informação como bem público necessita de jornalistas livres e com direitos”, alerta para “o agravamento das condições de trabalho” o “despedimento de centenas de profissionais nos últimos anos” e as “situações de precariedade, de contratados a recibos verdes ou a prazo, bastante generalizada entre os jovens jornalistas”. O SJ especifica “não é possível garantir a independência e a liberdade de informar de jornalistas que podem ser sumariamente despedidos no dia seguinte ou no mês seguinte”.

As ameaças à liberdade e ao pluralismo da imprensa está na concentração dos media, na degradação e precariedade laboral, no controlo ideológico e poder dos grupos económicos. O “primado da superficialidade” é opção política dos donos da comunicação social.

O SJ afirma que “sem informação livre, plural e de qualidade, não há verdadeira democracia”.

Volto a lembrar a forma como os amigos de Pinochet voltaram ao poder no Chile, e o papel preponderante do controlo da comunicação social nesse feito.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Como? PSP quer combater notícias menos positivas. Como?

Não há prisão para a palavra. Març.2012

Só agora, já noitinha; dei com uma notícia do Público que pode ser preocupante – ou não. O relatório do superintendente – chefe Guedes da Silva, que eu já aqui citei, diz que compete a essa polícia “acompanhar e analisar as notícias produzidas pelos órgãos de comunicação social e, consoante os assuntos noticiados, encaminhá-las para os competentes órgãos da PSP, sugerindo estratégias de combate às menos positivas”.

Eu daria uma interpretação não malévola, até porque, o mesmo relatório fala em “promover o direito de resposta sobre notícias que possam desencadear, de forma errónea, percepções negativas do serviço policial”. É um direito que assiste a todos e só serve a transparência e a justiça.

Mas, há sempre um mas; suscitaram-se dúvidas no jornal sobre a interpretação do texto e, endereçaram à Direcção Nacional da PSP um “pedido explícito” para esclarecerem dois parágrafos.

Não responderam! Pronto, lá se foi a interpretação não malévola, que na minha inocência e boa vontade tinha feito. Se queriam exercer o “direito de resposta” perderam uma ocasião capital.

As “estratégias de combate” levadas à letra, seriam vigiar e agir sobre quem produz “notícias menos positivas”? Soa a ameaça.

Não há fugas de documentos internos, sejam de quem for, por simples obra do acaso, mas se é para atemorizar quem escreve, lembrem-se que já passámos por isso, uns lembram-se como eu, outros mais novos só ouviram falar, mas não deu em nada.

Nos últimos dias escrevi duas vezes sobre a PSP, AQUI e AQUI, e vou continuar a escrever sempre que houver razão para isso.

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