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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Após 39 anos, um governo proíbe uma manifestação.

Este governo já proíbe manifestações. Out.2013

O ministro Miguel Macedo alega que tem poder para proibir a manifestação na ponte 25 de Abril. E proíbe. Proíbe porque entende que tem poder político para o fazer.

A proibição é política, o governo receia as manifestações. Após 39 anos de democracia temos um governo que proíbe uma manifestação (de sindicatos!).

Está em causa o direito de manifestação, uma das liberdades fundamentais conquistadas com a Revolução de Abril. 

O tempo é do povo português responder, participando massivamente nas manifestações contra este governo.

Até que caia!

Post.Scriptum:

 
Após a proibição do governo, a Comissão Executiva da central sindical cancelou a marcha na ponte, fazendo os manifestantes pelo sul a travessia da ponte em autocarros. Juntam-se em Alcântara aos manifestantes da região de Lisboa.

TODOS  A ALCÂNTARA - SÁBADO - 19 DE OUTUBRO

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Associação de Oficiais das F.A. com Manifesto da A25 de Abril.

Oficiais das Forças Armadas revêem-se no Manifesto da A25 de Abril. Abr. 2012

A Associação dos Oficiais das Forças Armadas revê-se na posição assumida no Manifesto da Associação 25 de Abril.

Em declarações à Antena 1, o presidente da Associação de oficiais, Coronel Manuel Cracel, disse, nomeadamente:

“Revemo-nos na generalidade daquilo que é dito através do Manifesto da Associação 25 de Abril; porque, de alguma forma vemos, que não só os militares mas as próprias Forças Armadas têm sido alvo de medidas que, algumas delas, nós consideramos afronta – e que de alguma maneira se encaminham para a própria descaracterização e desarticulação da instituição”.

Após caracterizar a parte mais relevante das reivindicações dos militares, Manuel Cracel referiu-se ao clima político em que vivemos afirmando:

“Este estado de espírito que reina e vai grassando na população, pode levar a situações que não são desejáveis, nem por nós, e espero (que nem) pela generalidade dos cidadãos – mas, a verdade é que este estado de espírito é algo que se vai verificando e que nos deixa muito preocupados.

Até porque isto, pode ser o prenúncio do caminho para a própria desagregação do Estado, uma coisa que ninguém desejaria, não é”!?... (SIC)

A esta hora não se sabe se Passos Coelho vai responder aos oficiais no activo, com a mesma arrogância que teve para com as individualidades que são, goste-se delas ou não, enormes perante a sua pequenez política. O mais provável é que as palavras dos oficiais nem passem nos noticiários de logo. Foram ditas, ficam aqui.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Abril não desarma. Manifesto da Associação 25 de Abril.

Associação 25 de Abril.Abril 2012

Manifesto "Abril não Desarma" da Associação 25 de Abril



Abril não desarma

Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.

Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.

Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.

Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Onde estava no dia 25 de Abril de 1974?"

O dia 25 de Abril começou mal, soube da chegada de tropas a Lisboa por um passageiro do comboio descendente (como diria o Zeca) de Queluz para o Rossio, muito cedo. Eu levava um grande saco, e o meu companheiro não soube dizer que tropas eram.
Aproximava-se o 1º de Maio e os meses anteriores foram de intensa actividade política para todos os que fazíamos oposição ao regime. Tinha sido o aproveitamento da abertura marcelista nas eleições com o Movimento Democrático, o apoio expresso aos presos políticos, a actividade no Sindicato dos Técnicos de Desenho, para além da acção semi-clandestina que se sabia vigiada pela “bufaria” da polícia política.
Resultou numa exposição demasiada e esperava-se por isso a visita da PIDE a casa de alguns militantes, não havia nada a fazer senão salvar os bens que a polícia gostava de pilhar; brochuras clandestinas, livros proibidos, papeladas, panfletos etc. Era o conteúdo do saco que transportava… e logo nesse dia.
Desde o 16 de Março (ensaio das Caldas) contávamos com um levantamento militar anti-fascista, mas também corria entre nós a informação que Kaúlza preparava um golpe de extrema-direita, de antecipação.
O saco era um problema se na estação do Rossio estivessem tropas, e não fossem amigas – foi com esse receio que fiz a viagem.
Não estavam. Segui para a Junqueira, onde estava a trabalhar, deslocado pela ITT para fazer um levantamento de material obsoleto da NATO. Era o esconderijo para o saco até passar o 1º de Maio, a PIDE não iria a armazéns com trastes da NATO à procura de coisas “subversivas”.
Fechei o saco num cacifo, trouxe a chave e saí a galope, Alcântara, Santos, Cais do Sodré, Rua do Alecrim…e na subida vi o primeiro soldado, deitado, de capacete de aço e arma pronta. À volta alguns populares de pé e nas calmas faziam-lhe perguntas, o rapaz só sabia que tinha de estar ali. Do lado direito, por cima de um tapume, viam-se as janelas da António Maria Cardoso, de lá, daí a umas horas a PIDE faria as únicas vítimas mortais da Revolução de Abril.
As imagens deste soldado e das janelas do edifício da PIDE visto daquele ângulo estão registadas em filme, assim como tudo o que passou no Largo do Carmo onde estive, o Francisco Sousa Tavares em cima dum tanque, os tiros para o quartel, a espera pela rendição de Marcelo Caetano.
E foi assim passado o dia, iniciado com muita tensão e findado com imenso alívio. Depois dos pulos, dos abraços aos conhecidos que iam chegando, cantando o “povo unido jamais será vencido”, vitoriando os heróis fardados decorados com cravos, numa alegria colectiva incontável, acabei o dia sentado nos Restauradores com a minha namorada (não sei como me encontrou) a comer morangos.
 Os morangos ficaram para mim como símbolo desse dia, têm uma vantagem sobre os cravos, não murcham como as Revoluções.

Este post é baseado num artigo que fiz em 2003. Este ano estou murcho para escrever sobre o 25 de Abril – eu até sei porquê…