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domingo, 20 de julho de 2014

Sair do euro para voltar? Hans-Werner Sinn.

Hans-Werner Sinn - sair do euro. Jul 2014
 
Uma casa em que pode entrar mas não sair, é uma prisão. É uma frase da entrevista do professor universitário alemão Hans- Werner Sinn, presidente do Instituto IFO de Munique (“considerado um dos mais influentes da Europa”), ao Expresso. Refere-se ao Euro, à Zona Euro.

Em Maio de 2013 publicámos (clicar aqui) a posição do professor Hans – Werner sobre as saídas do euro, dos países do sul ou da Alemanha, e a declaração dele ao Die Welt de que “se a Grécia tivesse ido à falência na primavera de 2010, estaria hoje [em 2013] livre de perigo”.

Ao último Expresso, o economista reitera a necessidade de os países do sul se libertarem da prisão do euro, diz nomeadamente que “o BCE ajudou os credores mais do que era permitido. Agora é o momento de ajudar a população dos países atingidos pela crise com uma moratória da dívida, bem como com opções de saída e de regresso [da zona euro]. Há em Portugal posições semelhantes de economistas prestigiados.

Hans - Werner Sinn propõe uma Conferência Europeia sobre a dívida dos periféricos, à imagem da Conferência de Londres de 1953 (sobre-endividamento da Alemanha) ou da crise das dívidas de 80 ou da crise asiática de 90, que “não foram resolvidas com dinheiro dos contribuintes”.

Importante entrevista a ler no Expresso - Clicar AQUI.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Renzi ao PPE; Não tenho medo de cães de guarda!

Renzi pôe em causa entendimento PPE - PSE. JUL.2014

O primeiro-ministro Matteo Renzi iniciou o semestre da presidência italiana da União Europeia, a polemizar com os conservadores do Partido Popular Europeu (PPE).

Renzi fez um discurso europeísta, mais virado para a “identidade europeia” e contra o “rosto de aborrecimento” do “auto-retrato europeu”. Bastou-lhe lembrar que sem crescimento a UE não tem futuro, para ter à perna o líder da bancada do PPE, o alemão Manfred Weber, e o programa da direita contra a concessão de flexibilidade.

Para o dirigente conservador o “endividamento não cria futuro” e deve-se “continuar na linha de rigor”. Weber espicaçou Renzi afirmando: - “a Itália tem uma dívida de 130%, onde encontram esse dinheiro?” Em resposta, Renzi lembrou que apesar da dívida ser alta, a Itália tem uma riqueza privada quatro vezes superior.

Renzi, que disse não aceitar lições moral de ninguém, lembrou aquilo que há muito se diz, mas na boca de um primeiro-ministro tem outra dimensão: - “Se Weber fala em nome da Alemanha, recordo-lhe que nesta mesma sala, no decurso da presidência italiana, a um só país [Alemanha] foi concedida flexibilidade e apesar de violar os limites é hoje um país que cresce”.

Mais tarde ao programa televisivo “Porta a Porta” Renzi acrescentaria a propósito; “ não tenho medo de cães de guarda, da Alemanha ou de Itália.

A presidência italiana promete; independentemente de Matteo Renzi ser mais parecido com Blair ou com a Gioconda, está a fazer frente à Alemanha. Também o presidente da delegação italiana do Partido Socialista Europeu, Gianni Pittella ameaçou os acordos com o PPE sobre Jean-Claude Juncker, em função da flexibilização das normas europeias.

Uma presidência italiana de discussão europeia ou mais uma falsa partida socialista.

Para já, não se compara ao comportamento do governo português, sintetizado por Cavaco Silva no sublime - “aprendemos a lição”.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Reino Unido favorecido por não estar no Euro.

Economia britânica cresce sem euro. Dez.2013

Segundo a previsão do Centro de Pesquisas em Economia e Negócios, (CEBR) citado pelo jornal Público, a economia britânica pode ultrapassar a alemã em 2030.

O centro de análise e previsões económicas “adianta que o facto de a Alemanha estar unida, pelo euro, aos países periféricos que enfrentam graves limitações financeiras, tornou-se num problema que não é sentido no Reino Unido, que mantém a sua própria moeda e, por isso, conseguiu evitar os impactos mais profundos da chamada crise da dívida.”

A Alemanha, que já usou os países europeus “periféricos” para despachar os seus excedentes industriais, que está a fixar os jovens de melhor formação desses países, vai acabar por largar a tralha das economias fragilizadas, cujo reboque atrasa o seu crescimento.

Seria uma ventura para países como Portugal, onde a sua classe política, da esquerda à direita, vende a ilusão de uma reforma do Euro. 

Portugal nunca devia ter aderido a este Euro, é a convicção de cada vez mais portugueses. Sair do euro é uma discussão tabu nos partidos, do Bloco de Esquerda ao mais à direita, mas que urge fazer. 

Há problemas em sair do euro que devem ser discutidos, como temos problemas reais insolúveis dentro da Zona Euro. Para recuperarmos a soberania e os meios normais da política em democracia, é preciso sair do Euro. 

Quem não acredita na reforma profunda das instituições europeias e da moeda comum devia defender a nossa saída do Euro e preparar essa saída. Os partidos nacionais mais representativos apostam em modificações na Zona Euro que nos sejam favoráveis, embora não se vejam nenhuns sinais disso.

Serão os responsáveis, por um dia nos acharmos fora do Euro, empurrados, e sem termos prevenido essa saída.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Alemanha baixa idade de reforma e aumenta salários.

Acordo SPD - CDU.Nov.2013

Para convencer o SPD a aliar-se a um governo de direita, a CDU aceitou como condições adoptar o salário mínimo, reduzir a idade da reforma para alguns casos, e aceitar a dupla nacionalidade.

O salário mínimo irá ser de 8,5 euros/hora a partir de 2015 e a pensão correspondente ao nosso Rendimento Social de Inserção, será de 850 euros; cá ficamos pelos 178 euros (e quinze cêntimos) e são agora menos os abrangidos. Está ainda previsto o aumento das pensões para mães de filhos nascidos antes de 1992 e o aumento dos salários mais baixos.

A idade da reforma baixa, para quem tiver 45 anos de descontos, dos 67 anos actuais, para 63 anos. Por cá sobe…

O que as notícias não dizem são as repercussões nos ordenados dos emigrantes. A falta de mão-de-obra qualificada na Alemanha, e a crise de emprego em países de fora e de dentro da União Europeia, tem levado à “requisição” de trabalhadores estrangeiros, cujos salários têm sido reduzidos. 

O ano passado, o governo alemão impôs às empresas empregadoras de trabalhadores qualificados de fora da Europa, um corte para cerca de metade nos salários. Já havia, portanto, um salário mínimo (anual e a ser reduzido) para emigrantes qualificados. Esse serve para baixar salários, o agora acordado vai servir para subir o poder de compra de 5,6 milhões de alemães. 

Coisas do Euro…

Post Scriptum.  - Nem de propósito, o que aqui se escreveu ontem e as notícias de hoje:

No próximo ano, a idade da reforma sobe para os 66 anos e, apesar de o relatório do Orçamento do Estado (OE) indiciar o contrário, este requisito deverá manter-se em 2015. Só a partir de 2016 a idade de acesso à pensão aumenta progressivamente, até chegar aos 67 anos em 2029. As estimativas são do Governo (...)

Consta que isto está num documento deste governo  que vai ser discutido "com os parceiros sociais na próxima segunda -feira". Em Portugal a idade de reforma sobe na Alemanha desce. Este governo não vai decidir hoje o futuro das próximas décadas, vamos voltar a discutir este assunto com outra ponderação e outros personagens.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Durão Barroso, o servente mole da Alemanha.

Euro moeda alemã.Nov.2013

“Gostaríamos de ter mais Alemanhas na Europa:” Disse Durão Barroso; gostamos de ter durões macios como Barroso na Europa, dirão os alemães.

Achei que Barroso seria um naperon das jarras alemãs quando foi eleito em 2004, é mais um fofo capacho. As declarações medricas do presidente da Comissão Europeia sobre a investigação ao excedente externo da Alemanha, significam um grau de subserviência constrangedor.

Se os 7% do PIB nos últimos três anos, de excedentes externos alemães, está acima dos 6% considerados potencialmente problemáticos para a zona euro, obrigando por isso Bruxelas a analisar as causas (cito do Público). Por que razão o presidente da Comissão anuncia a abertura da investigação à Alemanha, com mil desculpas pelo incómodo?

Quando as regras comunitárias se aplicam aos países mais fracos, temos um Durão Barroso inflexível e ameaçador, quando é aos fortes o presidente da Comissão adopta a postura rastejante. 

A decisão “Não deve ser entendida como um desacordo da Europa relativamente à competitividade da economia alemã” diz a Comissão; pois não, é ao efeito que tem na valorização da moeda comum e por consequência na economia dos países em crise.

Enquanto por aqui temos problemas em exportar mais, por causa do alto valor do euro, e temos um desemprego atroz, a Alemanha desnata os países do sul de quadros e consegue manter uma taxa de desemprego que é menos de metade da média da Zona Euro; A mais baixa desde 1991.

Durão Barroso. Não há desequilíbrio? A Alemanha só tratou de si, da sua nova moeda, o euro, e da sua prosperidade. Como podemos ser competitivos, nesta Zona Euro, com esta Alemanha, com esta União Europeia, com esta moeda? 

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domingo, 3 de novembro de 2013

Alemanha pode acolher Edward Snowden?

Edward  Snowden Uma janela na espionagem. Nov.2013

Dezenas de personalidades da sociedade alemã defendem que o analista informático norte-americano "é um herói e não um traidor". 

O jornal Público citando a imprensa alemã, diz que mais de 50 personalidades “exigem às autoridades alemãs que abram as portas” da Alemanha a Edward Snowden. Dentre as personalidades, sobressai o antigo secretário-geral da CDU, Heiner Geissner, que declarou, “Snowden prestou um grande serviço ao Ocidente. Agora é a nossa vez de o ajudar”.

Como a “autorização de permanência de Edward Snowden na Rússia termina em Julho de 2014”, esta tomada de posição de cidadãos alemães influentes, pode vir a facilitar alternativas para a continuação do ex-espião americano em liberdade, depois dessa data.

Já há um reconhecimento internacional de que Snowden não é um traidor, iniciativas de gratidão como a destes alemães, reforçam mais esse facto.

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sábado, 14 de setembro de 2013

O dedo de Peer Steinbruk, a coisa.


Já magoava a ausência de notícias sobre as eleições na Alemanha, parece que nada têm a ver connosco ou com a Europa, onde estamos de boa ou má vontade.

Finalmente os meios de informação portugueses conseguiram traduzir alguma coisa do “alemão”, esse idioma tramado. Não é um discurso, uma promessa eleitoral, um debate aceso ou uma intriga política apagada, é um gesto. 

Um dedo do meio

Parece linguagem universal mas não é, falta um tradutor do significado para a latitude germânica de tal gesto. Por aqui é uma futilidade. Para quem tem o manguito lusitano de Bordalo, o dedo do meio é um apêndice sem inflamação.

As reacções são tragicómicas: Os coitados dos liberais que ainda não sabem se atingem os 5% para entrar no Bundestag, vieram esbracejar com todos os dedos das várias mãos, que “não se pode fazer isso”.

O Die Linke, “A Esquerda”, diz que o dedo do meio “marca o fim da candidatura de Peer Steinbruck”. 

O dedo do meio de Steinbruck deu para perceber muita coisa; sobre o estado da política pela Germânia, sobre o estado da esquerda, e sobre o estado do Die Linke.

Sai um manguito!

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Industriais acusam PPC de minar recuperação económica.

PPC atacado por industriais. Ago.2013

Não é cá, é na Grécia, e PPC não é Pedro Passos Coelho mas a Public Power Corporation, a EDP lá do sítio. O título não é enganador porque o mal é o mesmo, com a agravante de nós em Portugal termos dois PPCs - a minar a recuperação económica - o Pedro no governo e o Mexia na EDP.

Os industriais gregos, como os industriais portugueses fizeram várias vezes, queixam-se do preço da energia. A PPC grega, em processo de privatização por exigência da troika, aumentou os preços para a grande industria e os consumidores protestam.

O relevante, para além dos argumentos de que são as empresas que trazem a liquidez das exportações e fazem o investimento, são os valores apresentados na conferência de imprensa da associação industrial; os empresários gregos dizem que “pagam 75 euros por megawatt (MW), quando as indústrias na Alemanha pagam 49,70 euros e na França 42 euros”. (fonte: Ekathimerini)

Em Portugal, em 2011, (nem é preciso actualizar) os grandes consumidores industriais pagavam o megawatt a 84 euros e os pequenos industriais a 92 euros. António Mexia, presidente da EDP, sempre disse que o preço da energia estava dentro da média comunitária. Talvez Mexia ande a mentir…

Os fabricantes gregos afirmam ser preciso reduzir o preço da energia em 10 €/MW para a “indústria grega se tornar competitiva e conseguir dar um impulso ao emprego”. Por isso insurgem-se contra a PPC.

Em Portugal, para o nosso PPC, dar impulso ao emprego é manipular os dados estatísticos do INE, nos jornais e na TV. (ver aqui).

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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Teste. O que diz Wolfgang Schauble a Vítor Gaspar?

  Dit dit dah dah dit dit (?) …será Morse? Ou será Código Fónix;… blá blá BLÁ BLÁ blá blá?

Gaspar entende Schauble na perfeição, daí o movimento sincopado da cabeça – tal e qual o dos peluches de tola articulada que viajam nos automóveis (atrás - que à frente vai a Senhora de Fátima dependurada no espelho rectrovisor).

Soube hoje pela TV que Gaspar se sente em casa na Alemanha. Está em Frankfurt, está bem. Mas vai voltar ao lugar onde é infeliz, e faz mal (mesmo que não seja por muito tempo).

Vítor Gaspar escreve para o site do Ministério das Finanças alemão; o ministro alemão das Finanças escreve sobre o “amigo e colega” Gaspar, para a revista do Expresso. Ambos são muito “clarividentes, determinados e corajosos” e acham “Portugal firmemente no caminho da recuperação”.

Como a divida pública ultrapassou neste primeiro trimestre 127% do PIB, qualquer coisa como mais 3.800 milhões de euros, o elogiado ajustamento acomoda-se mal.

Mas a realidade não entorpece a desfaçatez. Portugal vai no bom caminho, dizem eles. Um bajula o mestre, o outro enaltece o súbdito cumpridor.

Cavaco Silva assiste; o que são desemprego, falências, miséria, comparados com a visão da carreta do bom gosto, santa à frente e boneco articulado atrás.

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Alemanha dá emprego e tira vantagens do desemprego.

Alemanha escolhe mão-de-obra no desemprego que criou na Europa. Mai. 2013
Os enceradores de soalhos – guache de Malevitch

Espanha vai colocar 5000 jovens por ano no mercado de trabalho alemão.

A solução encontrada pelo governo de Mariano Rajoy para o desemprego jovem, que se cifra em 56% da população activa espanhola com menos de 25 anos, é emigrar. Também!

O movimento migratório de quadros desempregados europeus, para a Alemanha, obedece à estratégia de Ângela Merkel, de assim suprir as necessidades da sua economia. Há um ano (aqui) definiu esse plano e explanou-o numa reunião de líderes europeus em Bruxelas.

Dois meses antes (aqui) a preocupação do governo Merkel era de readmitir trabalhadores alemães já reformados, e seduzir os que estavam a atingir a idade da reforma a ficarem nas empresas, (com alguma flexibilidade laboral).

O desemprego na Europa, que a política de austeridade imposta pela Alemanha aumentou sobremaneira, serve os interesses alemães e só alemães. A circulação de jovens pelo mercado europeu de trabalho seria até vantajoso para os países de origem, se não fosse em massa, se feito na perspectiva de regresso, e numa realidade de economias mais equilibradas.

Mas o panorama das economias do sul não caminha para a estabilidade. A pós-troika independente e viável não existe - continuando na Zona Euro; com mais divida, juros mais altos, e menos economia, não vamos lá.

Quem sair da sua terra, não volta tão cedo e muitos jamais voltarão. Como dizia aqui há dois meses, a mobilidade faz-se num só sentido, desnatando de quadros os países do sul, quadros esses que custaram uma boa parte da divida desses países a formar. 

À Alemanha, fica-lhe bastante mais barato utilizar os quadros formados no estrangeiro, com o dinheiro dos contribuintes e dos pais dos jovens, das economias agora em dificuldades.

O Estado germânico está a ganhar com o afundamento de outras economias europeias. Sou dos convictos, de que Portugal não inverte a sua situação enquanto não sair do euro (AQUI).

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Deputado do PSD escreve a Merkel.

Duarte Marques escreve a Merkel. Mai 2013

O jornal Público escreveu ontem uma notícia com pouco crédito, (falei dela AQUI) hoje desmente-a na primeira página acusando o governo alemão de dizer umas coisas em off e outras em on. O On-offre tem as costas largas quando se fazem interpretações abusivas do que se pensa ter ouvido ou lido.

O que vem na primeira página do Público de hoje é que a Chancelaria alemã emitiu um comunicado; “garantindo que Berlim apoia plenamente os programas de austeridade”. Não aconteceu nada. O Público errou ontem, como o jornal i de hoje. O El País (citado pelo Público e que eu já tinha lido) não fala em austeridade - ninguém falou em austeridade (pelos vistos). Tudo normal na anormalidade germânica.

À parte um pedido de rigor jornalístico, pois nem todos os leitores portugueses leem a imprensa internacional, regista-se um facto político notável:

- O deputado Duarte Marques, presidente da JSD e a fazer carreira para um dia ser candidato a primeiro-ministro deste país, apressou-se a escrever uma carta de censura à chanceler Ângela Merkel. Carta essa - vejam lá - baseada na “notícia do Público”. Para “apurar a verdade”; escreve Duarte Marques a certa altura:

“Esta recente desresponsabilização da Alemanha sobre o “património” da estratégia de austeridade que graça na Europa parece-me de um oportunismo político pouco habitual para as tradições alemãs e sobretudo, pouco digno para um país que, pela mão de Helmut Kohl, nunca sofreu de falta de coragem para assumir o interesse europeu e alemão – mesmo contra a opinião pública alemã. Kohl era de uma casta de estadistas que hoje escasseiam na Europa”. (fim de citação).

Se me é permitido um desabafo, diria que “oportunismo político” é coisa que não escasseia em Portugal, como se nota em Duarte Marques. Mais; a “casta de estadistas” que a JSD tem procriado também não é escassa, é mesmo descomunal – uma enormidade!

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Alemanha critica austeridade. Falsa notícia.

oclarinet. Alemanha contra austeridade da troika - querias.Mai.2013

Nada faz supor que a Alemanha tenha deixado de defender a austeridade, a não ser uma notícia (não confirmada por mais ninguém) do jornal Público, que diz:
 - “ Responsáveis alemães demarcam-se da austeridade imposta aos países periféricos”. O título refere a “austeridade das troikas” (!?).

O jornal português não identifica os “responsáveis alemães” que terão veiculado tais críticas. O que se sabe das autoridades germânicas, das suas declarações públicas - vai no sentido contrário da “notícia do Público”.

A Alemanha tem resistido a todas as pressões para ceder à imposição da política de austeridade, lembrando aos países europeus os compromissos que assumiram para reduzir os défices e estabilizar as dívidas.

As criticas alemãs de gestão errada da crise europeia - sejam pela troika, pela Comissão Europeia, ou pelo seu presidente Barroso - não podem ser entendidas como uma critica às medidas de austeridade. Durão Barroso criticou a “política de austeridade de inspiração alemã”, qualquer censura alemã a Barroso só por ingenuidade pode ser lida como um volte face na política alemã.

Aproximam-se as eleições na Alemanha, vai haver muito sound bite a correr pela Europa - para caçar votos germânicos. 

Como nós não votamos lá, são escusadas as campanhas cá.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

UE vai aplicar tarifas em painéis solares chineses.

UE. Tarifa anti-dumping para painéis solares chineses. Mai.2013

Em socorro da indústria alemã…

A Comissão Europeia vai apoiar o sector industrial da energia solar da Europa com medidas anti-dumping sobre os painéis solares da China, segundo a imprensa alemã (F.A.Z.) citando círculos de Bruxelas. Uma decisão sem precedentes.

A indústria fotovoltaica germânica passa por um declínio calamitoso, tendo no último ano falido 35% (um terço) das empresas do sector.

A China, agora com 65% da produção mundial, ultrapassou a Alemanha no fabrico de painéis solares, mas está acusada de dumping comercial pelos EUA e pela Europa. Os Estados Unidos já aplicam taxas alfandegárias.

Em Julho de 2012 foi apresentada a queixa formal por concorrência desleal, na origem da iniciativa anti-dumping da União Europeia. A média das taxas sobre estes produtos chineses deve ser de 46%, segundo a imprensa alemã. As anunciadas tarifas anti-dumping deverão começar a ser aplicadas em Junho deste ano.

A grande maioria dos painéis solares instalados na Europa já são “made in China”, as taxas aumentarão o preço da energia solar; torna por um lado mais cara uma energia limpa mas por outro defende a produção industrial europeia.

Suscita-me uma interrogação, sabendo que também há dumping dentro da União Europeia; se o sector industrial não fosse dominado pelos germânicos haveria lugar a tais medidas?

Pode-se concordar, como se pode concordar em a França socorrer a Peugeot; mas é difícil de engolir que Portugal não possa meter dinheiro nos Estaleiros de Viana do Castelo, para comprar aço e fabricar os barcos adjudicados.

As indústrias são todas europeias, mas há umas mais europeias que outras…

Coisas do Euro.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Grécia estaria fora de perigo se tivesse falido.

Deve a Alemanha sair do euro ou os países em crise.Mai. 2013

"Se a Grécia tivesse ido à falência na primavera de 2010, estaria hoje livre de perigo” (DW). Quem o afirma é o professor universitário Hans-Werner Sinn, presidente do Instituto IFO de Munique.

O presidente do instituto de pesquisa alemão sustenta que os países em crise deviam ter a oportunidade de abandonar a zona Euro, temporariamente, a fim de desvalorizar os seus preços e dividas. 

A discussão sobre a saída de Estados, da Zona Euro, tabu em Portugal até há umas semanas, faz-se na Alemanha com duas linhas críticas do modelo actual de solução da crise do euro. 

Por um lado, os que querem a saída da Alemanha, constituídos em partido (AFD – Alternative Fur Deutschland) para ir às próximas eleições gerais, e aqueles que querendo a continuação do euro e da Alemanha no euro, vêm como solução para a crise a saída de alguns países (Portugal incluído) da moeda única.

O Jornal de Negócios (JNeg) publica hoje uma resposta de Hans-Werner Sinn ao investidor George Soros, cuja posição alinha em parte com o AFD. No artigo, titulado “Deve a Alemanha sair do euro?”, o investigador admite que “se a Alemanha deixasse a moeda única, o regresso à competitividade seria mais fácil para os países do sul, já que o euro que restava iria sentir uma desvalorização”. Diz no entanto que os países em crise continuariam com o problema de se manterem numa zona com nações mais competitivas.

No último sábado, em entrevista ao El País, Hans-Werner Sinn, colocava três alternativas: 1 - A desvalorização interna no sul; 2 – desvalorização interna do sul através de uma expansão do norte, 3 – saída do euro de alguns países. 

Adiantava que “o mais provável é uma combinação dessas três” e que Espanha, Portugal e Grécia necessitam de uma desvalorização interna de 30%; França, de 20%; Itália um corte de preços de 10%, enquanto a Alemanha deve encarecer 20%.

No artigo citado do J Neg, Hans-Werner diz que “os países em crise não seriam poupados a uma dolorosa contenção sempre que permanecessem numa união monetária que inclui nações competitivas. A única forma de evitá-las seria que elas próprias saíssem do euro e desvalorizassem as suas moedas. Mas, até agora, não parecem dispostas a seguir tal caminho”.

Por cá, já há mais gente disposta a seguir tal caminho.

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domingo, 21 de abril de 2013

Alemanha apoia confisco de depósitos bancários.

oclarinet. Wolfgang Schauble. Abr.2013

(Excesso de liquidez na Zona Euro. Em que zona da Zona Euro?)

Resgate ao Chipre deve ser modelo para o futuro. Para Schauble, ministro das Finanças da Alemanha, a solução encontrada para o Chipre deve ser norma no resgate dos bancos.

Wolfgang Schauble, em entrevista ao semanário económico Wirtschaftswoche, defende o mesmo modelo que o Eurogrupo preconizou para resgatar o Chipre; a contribuição dos depositantes dos bancos (de depósitos não garantidos) para financiar o resgate de bancos em situação difícil.

Recorde-se que o ministro holandês Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, fez declarações semelhantes e todo o mundo lhe caiu em cima, classificando a simples abordagem da ideia, como a coisa mais estúpida decidida pelo conjunto dos ministros das Finanças da União Europeia.

Na altura, (há um mês) Schauble distanciou-se da polémica, afirmando que a decisão de confiscar poupanças dos cipriotas era da responsabilidade do governo de Chipre.

A nuance dos pequenos depositantes e das contas protegidas pelo seguro de depósitos (até 100.000 €) de nada serviu. Schauble exigia no Eurogrupo uma taxa de 40% sobre os depósitos maiores e a desconfiança sobre a segurança dos depósitos bancários ficou adquirida. 

Escrevi aqui em Março, na capitulação de Chipre e antes da abertura dos seus bancos: “A quebra na confiança bancária é irreversível, não provoca para já uma corrida aos bancos, mas implica a fuga massiva de capitais numa altura em que era mais necessário atrair investimento estrangeiro”.

O destino dos capitais em fuga dos países do “sul” da Europa é em grande parte para a Alemanha, onde (por agora) estão seguros. 

A Alemanha perdeu a vergonha, Schauble conhece as implicações das suas afirmações públicas, sabe que está a desnatar países em dificuldades de meios financeiros, só pensa nos germânicos.

  PS. No mesmo semanário, Schauble pediu para o BCE reduzir o excesso de liquidez na Zona Euro. Na Zona Euro? Em que zona da Zona Euro? …Pois!

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domingo, 31 de março de 2013

Oferta de emprego da Alemanha desnata países do sul.

oclarinet - Os alemães incham isto está mau MALEVITCH. Mar 2013

“Alemanha quer contratar médicos e engenheiros do Sul da Europa” diz o jornal Público. A notícia não é nova, já em Maio de 2012 Ângela Merkel falava, em Bruxelas, no “relançamento da economia” (…) “através do reforço da mobilidade dos trabalhadores no interior do mercado interno”.

Merkel referia-se, como se pode hoje confirmar, ao reforço da economia alemã, e uns poucos mais. As medidas impostas aos países do sul destroem emprego de todo o tipo incluindo o mais qualificado criando disponíveis para emigrar, mas nos países do sul não se geram lugares para estrangeiros. 

A mobilidade faz-se num só sentido, desnatando de quadros os países do sul, quadros esses que custaram uma boa parte da divida desses países a formar.

Há um ano dizia aqui: «Não estando em causa a mobilidade dos trabalhadores, a verdade é que a Alemanha já tem de recorrer a trabalhadores aposentados para preencher os postos de trabalho que a sua economia gera, e, fica-lhe bastante mais barato utilizar os quadros formados no estrangeiro, com dinheiro dos contribuintes e dos pais dos jovens qualificados desses países».

Agora teremos de juntar à atractividade (rapina) alemã de trabalhadores qualificados, o aliciamento de capitais depositados nos bancos do sul, para a sua banca, a única segura na Europa para depositantes com contas acima de 100 mil euros. Jogadas de mestre.

Comentário do meu amigo Carlos Loures no post de Maio de 2012:
A Blitzkrieg foi um conceito militar criado pelo general Von Manstein e aperfeiçoado pelo general Hainz Guderian. Blitzkrieg significa “guerra relâmpago” - a um ataque brutal da aviação, deixando o inimigo a contas com numerosas baixas, cidades destruídas, mortos civis aos milhares, sucedia-se a intervenção de infantaria por blindados e artilharia e sempre com apoio aéreo. A infantaria vinha eliminar os derradeiros focos de resistência - tudo muito rápido e bem articulado. Quando o inimigo (que nem sabia que era inimigo) acordava do pesadelo, estava em território alemão. A Segunda Guerra foi um fértil campo de experiência para este tipo de operações. A senhora Merkel está a adaptar a blitzkrieg aos tempos actuais – sem o mau aspecto dos bombardeamentos e dos sinistros panzer, está a conseguir resultados muito animadores (para ela). O que deu cabo da estratégia alemã foi a resistência, sabotagem, snipers, comboios de munições a irem pró catano… Seremos nós, portugueses, gregos e tutti quanti, capazes de estragar a festa à senhora dona Angela?

Não estragamos a festa do Reich no terreno escolhido por Merkel para a lide, no Euro estamos tolhidos para a peleja, as armas têm valores muito desiguais e somos derrotados; perdemos a guerra (porque estamos numa guerra), perdemos entre outros os nossos médicos engenheiros e enfermeiros, perdemos a economia e mais da independência nacional. Portugal precisa de futuro e precisa discutir se esse futuro existirá dentro ou fora do euro. 

Entendo ser hora de sair do euro, é urgente acabar com o tabu do Euro na discussão da nossa crise social, económica e financeira. Aproveite-se a crise política para mudar de rumo, um rumo que permita aos nossos trabalhadores laborarem na sua economia, no seu país.

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Chipre capitulou, continuar no Euro é afundar-se.

Europa afunda Chipre. 2013
 
 Sair do Euro

Parecia que o poder político cipriota ia resistir às pressões europeias, mas de nada valeu a vontade política do Parlamento; votar contra a proposta desonesta e desastrosa do Eurogrupo não bastou. Perante o ultimato para aceitar as condições do novo modelo de resgate da troika ou sair do euro, o Chipre capitulou.

Chipre está condenado, como nós enquanto estivermos no Euro, a ver a sua economia afundar-se. Beneficiada fica a Alemanha, o país que mais tem ganho pela desconfiança induzida no sistema bancário dos países europeus. 

Mas os efeitos colaterais, de desacreditar os fundos de garantia dos depósitos bancários e confiscar contas, podem chegar à Alemanha. Ainda é cedo para abarcar os danos gerais na Europa, que abandonou definitivamente o caminho da solidariedade entre os Estados. O projecto da União Europeia acabou em Chipre.

A quebra de confiança bancária é irreversível, não provoca para já uma corrida aos depósitos, mas implica a fuga massiva de capitais numa altura em que era necessário atrair investimento estrangeiro; para nós (Sr. ministro Gaspar) e para todos os países europeus estagnados ou em recessão.

O Eurogrupo e a troika afundam Chipre com argumentos de sobredimensionamento do sector financeiro, que sendo real, é-o em outros países europeus intocáveis como a Inglaterra ou a Suíça, ao mesmo tempo que denunciam os favores da fiscalidade cipriota, condição generalizada em outros intocáveis, como a Holanda do presidente do Eurogrupo, onde estão sediadas empresas portuguesas para fugir aos impostos em Portugal (como as mercearias Pingo doce).

São lições para Portugal e todos os atingidos pelos ajustamentos impossíveis, somos reféns de uma situação que não criámos, precisamos sair do Euro para conseguir por meios próprios estabilizar as nossas vidas. 

Depois de Chipre todos ficámos a saber que não podemos contar com a solidariedade europeia, somos descartáveis para os países ricos e eles são um desastre para nós.

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domingo, 24 de março de 2013

Em memória do massacre nazi de Sant´Anna di Stazzema.

Napolitano e Joachim Gauck no monumento- ossário de Sant Anna di Stazzema.Mar.2013

Em 12 de Agosto de 1944, três centenas de soldados nazis alemães cercaram a vila italiana de Sant´Anna di Stazzema, na Toscânia, e assassinaram 560 pessoas incluindo mulheres, crianças e idosos, naturais e refugiados na aldeia.

Os alemães, em retirada pelo norte de Itália perante o avanço dos Aliados e o aproximar da derrota militar, cometeram crimes de guerra sobre as populações. Represálias pelo apoio à resistência partigiana que combatia a ocupação alemã, ou simples terror; os relatos são de atrocidades de grande crueldade.

O massacre foi comprovadamente documentado em 1994, quando foram encontrados acidentalmente centenas de relatórios num armário metálico (chamado pela imprensa “armário da vergonha”) na cave do tribunal militar de Roma. Em 2004, um tribunal militar italiano iniciou o julgamento de 10 ex-soldados nazis envolvidos e ainda vivos, condenando-os em 2005 a prisão perpétua. Vivem na Alemanha.

Hoje, os chefes de Estado de Itália e da Alemanha, Giorgio Napolitano e Joachim Gauck, prestaram homenagem à memória das vítimas do Nazi-fascismo, visitando o lugar simbólico de Sant´Anna di Stazzema. 

Uma carta do sobrevivente Enrico Pieri, dirigente da associação dos mártires de Sant´Anna di Stazzema, entregue pelo presidente italiano ao seu homólogo alemão o mês passado, despoletou o evento histórico de hoje; “como a visita de Willy Brandt ao gueto de Varsóvia”, segundo Napolitano, “onde ele se curvou pedindo perdão”.

Giorgio Napolitano disse ser “provavelmente o último acto público no fim de sete anos” de presidência, e “estar feliz” pelo seu significado. Subir o monte até ao monumento para tocar “o absurdo e a crueldade sem desculpa, que atingiu a pequena aldeia” para “não se esquecer a vergonha e a catástrofe para onde o fascismo arrastou a Itália”.

O presidente alemão destacou o público no derrube dos muros de silêncio sobre os massacres. Joachim Gauck disse “inclinar-se perante” Enrico Pieri, o sobrevivente, que “fala do futuro da Europa e não do passado”. Ambos os presidentes realçaram a conciliação entre os povos.

Enrico Pieri dirigiu-se aos dois presidentes e disse: “ A Europa em 45 foi destruída, nós reconstruímo-la, agora cabe a vós torná-la maior”. (piú grande)

Memorável num dia que pode ser trágico para a Europa. Nada aponta para o discurso da montanha toscana; do anti-nazi-fascismo, da conciliação entre os povos, do respeito pelos países independentes, da paz, ou da Europa “piú grande”. 

Para já, vamos ver no que dá Chipre…

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terça-feira, 19 de março de 2013

Eurogrupo no Chipre – Desconfiança no Euro.

Chipre manifesta-se contra a Europa.Mar.2013

Os ministros das Finanças da União Europeia podem ser maníacos, mas são uma trupe fértil e divertida. Encontram sem dúvida soluções criativas - Chipre foi só mais uma. Que não avaliem as consequências das suas decisões é apenas um pormenor. (Parece coisa do governo português).

O resgate cipriota, que em valor se aproxima dos juros de Portugal à troika em um ano, é um confisco como é próprio dos resgates troikanos. Cá, o confisco está a ser bem superior e a Europa ouve menos alarido.

O desassossego vem mais da planta de estufa do sistema financeiro, que dos desgraçados dos cipriotas; eles vão pagar de outra forma (igual a nós) o mesmíssimo valor que o Eurogrupo quis confiscar atabalhoadamente. 

Isto, se o Chipre quiser continuar com o presente envenenado do Euro, pois tem na Rússia uma solução acessível para os seus infortúnios. As suas grandes reservas de gás natural vão acabar exploradas por estrangeiros e amigos estrangeiros como os da Europa trazem desgraça certa. Geoestratégia não é o forte dos contabilistas do Eurogrupo.

Estas controvérsias permitem ver as voltas que o mundo dá. Não há por cá comentário sem apontar o receio da corrida aos bancos, do famigerado contágio, que fez polémica infindável por causa do BPN (no fundo para desculpabilizar a mafia montada por gente do PSD que ficou com o dinheiro).

O “método” português de salvação da banca é agora dado como exemplar e Teixeira dos Santos, que em 2011 já estava a passar de besta a bestial, (AQUI) tem a sua intervenção no sistema bancário sancionada por muitos dos seus críticos, vê-se reabilitado. 

O que vai ser difícil de reabilitar depois deste episódio eurocipriota é a confiança no Euro. Quem manda na moeda única é um único país, a Alemanha, e os líderes alemães de agora, não batem certo de juízo.

O Euro chega às eleições gerais alemãs? E Portugal? Afunda-se com o Euro, afunda-se por causa do Euro, ou inicia a saída do Euro?

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domingo, 10 de março de 2013

AFD. Novo partido alemão quer dissolução do Euro.

AFD Alternativa eleitoral 2013. Mar.2013

“Alternativa para a Alemanha” (AFD) é um novo partido alemão, criado por intelectuais, políticos, economistas, liberais e conservadores, cujo objetivo é que a “Alemanha salve o que ainda pode salvar”. 

Consideram que o Euro demonstrou ser inadequado, levando os países do sul a empobrecerem sob a sua pressão. Como dizem na apresentação, “Estados inteiros estão à beira da insolvência” com “reformas estruturais impraticáveis ou que levam as pessoas à miséria”. Por outro lado não lhes agrada que seja a Alemanha a garantir as dívidas dos países estrangeiros.

Contra a política de resgate do Euro e contra o euro como moeda única, defendem que qualquer Estado possa abandonar o euro para adoptar a moeda que entenda ser mais apropriada, ou associação de moedas paralelas a introduzir.

O AFD será lançado oficialmente em Abril, pretende concorrer às eleições como “Alternativa Eleitoral 2013”. Será uma formação a ter em conta dada a importância das eleições gerais alemãs de Setembro e o passado político e académico dos seus fundadores. 

Uma sondagem para a revista “Focus” dava um em cada quatro alemães como favoráveis à saída da Alemanha do Euro.

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