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sexta-feira, 6 de junho de 2014

O que são primárias abertas? No PS são fechadas.

Seguro engana os eleitores. Jun.2014
O que a direcção do Partido Socialista de António José Seguro anunciou, não são eleições primárias abertas.

No nosso país, os candidatos dos partidos a cargos locais ou nacionais são designados pelos órgãos dos partidos e estes eleitos pelos seus militantes, ou então por voto directo dos militantes.

Os eleitores não inscritos nos partidos não têm tido o direito de contribuir com o seu voto, para escolher os candidatos aos mais altos cargos públicos – e assim determinar decisivamente a política nacional.

As eleições primárias (internas aos partidos) são eleições fechadas quando só podem votar eleitores inscritos no partido.

A solução que o actual PS quer fazer passar por eleições abertas, obriga a inscrição no partido como simpatizante; uma espécie de “terceira via” entre abertas e fechadas - para satisfazer o “aparelho” que já se agitava com a ideia das abertas.

Os eleitores não inscritos no partido são impedidos de votar, não são eleições primárias abertas.

Nas eleições primárias abertas participam todos os eleitores, sejam simpatizantes com a área política ou com os candidatos propostos; não têm obviamente de ter filiação no partido e só votam uma vez em eleições abertas (não são adversários a fazer batota - ver aqui). Pérez Rubalcaba, do PSOE, quer em Espanha eleições primárias abertas  em todos os partidos parlamentares.

Na Europa, do próximo Partido da Terra galego ao distante Partido Democrático (PD) italiano há vários exemplos recentes que pelos vistos Maria de Belém não estudou – ou estudou muito bem. Em França, os eleitores no PS declararam defender valores gerais da esquerda e pagaram um euro.

Em Itália, desde 2005 que são usuais as eleições directas abertas, para governadores, como Nicola Vendola em 2005 e 2010 (SEL- Esquerda, Ecologia e Liberdade) da região de Puglia, às últimas do Partido Democrático, para a câmara de Roma (Ignazio Marino) e aos recentes candidatos eleitos primeiros-ministros, Luigi Bersani e Matteo Renzi.

Quando muito as primárias de Seguro corresponderiam às primárias no seio do PD para encontrar os candidatos às eleições abertas. Em Itália, no PD, quem teve mais de 15% no partido, candidatou-se em eleições abertas a todos os italianos; pagaram dois euros e não tiveram de se filiar como simpatizantes de ninguém.

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terça-feira, 27 de maio de 2014

António Costa agita o pântano.

António Costa vai encontrar resistências. Mai.2014
 
Entre a primeira volta das legislativas, que foram as europeias, e a segunda parte, prometem-se mexidas nas equipas e revolução no balneário. António Costa avança para a liderança do PS.

Altera tudo.

Quando em Janeiro de 2013, António Costa simulou a vontade de tomar o poder no PS, conseguiu parar o empenho saneador interno e posicionar-se. Sabia que o aparelho do PS, controlado por Seguro, não lhe daria qualquer hipótese de sucesso. Contou apoios e esperou por melhores dias, ou seja, dias piores para o partido.

O tempo que deu a Seguro para descolar dos empates técnicos com os partidos do governo acabou no resultado das europeias. O que o PS de Seguro tem para oferecer ao país, em 2015, é a participação num governo de “bloco central”. Só uma dinâmica vencedora, que Costa está bem colocado para desenvolver, pode alterar a rota pastosa socialista até às legislativas.

O sucedido em Itália, com o Partido Democrático é elucidativo, ganharam e nem a abstenção subiu. Mas o êxito italiano é também um problema para o actual presidente da Câmara de Lisboa; António Costa defende directas abertas nos partidos, (que salvou o centro esquerda italiano) e isso é uma atitude que os aparelhos partidários toleram mal.

Entre as blindagens estatutárias que António José Seguro inventou para ir a eleições em 2015, e a vontade dos militantes do PS, joga-se o futuro do próximo governo.

Costa tem coragem e uma tarefa difícil, é-lhe mais complicado ganhar o PS que ganhar o país.

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domingo, 19 de janeiro de 2014

O regresso de Berlusconi. Sintonia Renzi/Forza Itália.

Renzi. Sintonia profunda com Forza Itália de Berlusconi. Jan.2014
Menos esquerda na social-democracia italiana.

“Profunda sintonia com Forza Italia” foram as palavras (textuais), do novo secretário-geral do Partido Democrático (PD) Matteo Renzi, após a reunião, de duas horas e meia, com Sílvio Berlusconi, líder do conservador Forza Italia.

A reunião, que se realizou na sede do PD, e que, também por isso provocou acesa polémica na esquerda do PD, ressuscitou politicamente o condenado pela justiça, Berlusconi. Este deu o seu acordo a reformas no sistema eleitoral que reforçarão os grandes partidos.

A reforma eleitoral (cujo texto Renzi apresenta segunda -feira) será no sentido de garantir o “bipolarismo”; uma prenda aos grandes partidos, “eliminando a chantagem” dos pequenos partidos, cujo poder “impede a governabilidade”, isto segundo Renzi.

Renzi e Berlusconi entenderam-se ainda sobre a reforma do “Título V da Constituição”, relativo à administração do território e sobre a transformação do Senado em uma Câmara autónoma sem vencimentos e sem eleição directa dos seus membros.

A viragem à direita do Partido Democrático promovida pelo novo secretário-geral e a sua equipa de jovens, ainda vai dar que falar. Para já, e apesar das ameaças do líder do governo Enrico Letta (também do PD) em demitir-se, caso os pactos com Berlusconi continuem, Renzi leva o seu plano adiante.

Berlusconi é um condenado e num país normal seria um político acabado.

O novo líder do PD, de “centro-esquerda” e partido historicamente opositor de Berlusconi, acaba de contribuir para a sua reabilitação política.

Não vai ser pacífico nas várias tendências do PD.

(em actualização)

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Movimento da Forquilha. A revolta social em Itália.

Movimento da Forquilha - Camionistas bloqueiam estradas de Itália. Dez. 2013
  Quando rebelar-se é um dever.
 
E quando a extrema – direita aproveita os movimentos sociais.

O dia de ontem, 9 de Dezembro, fica marcado em Itália por protestos em toda a península. Bloquearam estradas, ocuparam estações ferroviárias, degenerando em confronto violento com a polícia em Turim. Agricultores, desempregados, camionistas, trabalhadores liberais e estudantes, responderam por toda a Itália à convocatória do movimento “Forconi” (forquilha).

A forquilha já é um símbolo da revolta social em Itália. O movimento nasceu em Janeiro de 2012 quando agricultores, pescadores e transportadores, se organizaram na Sicília, na sua primeira greve por tempo indeterminado contra o governo Monti. A greve alastrou à Calábria e a Roma, bloqueando o abastecimento de combustíveis e alimentos.

O movimento vive desde o início no receio de sofrer infiltrações da máfia e de organizações extremistas, e ontem veio a confirmar-se “penetras” de grupos da extrema-direita em várias cidades, nomeadamente na Piazza Castello de Turim, onde se registaram os maiores desacatos. Segundo os jornais italianos seriam organizações de extrema-direita como o MSE, a CasaPound, a Forza Nuova, alguns identificados com as cores das claques ultras de clubes como o Torino e da Juventus em Turim ou do AC Milan e do Inter, em Milão.

Para o porta-voz da coordenadora do protesto, Andrea Zunino, a violência foi provocada por “um punhado de jovens agressivos e violentos, pouco tendo a ver com o evento, que foi totalmente pacífico”. 

Numa altura em que em Itália se assiste a uma importante recomposição das forças políticas; com a viragem à direita do Partido Democrático elegendo Renzi, com o novo líder Matteo Salvani na Liga Norte, ainda mais racista e xenófobo que Umberto Bossi e com Berlusconi preparando o regresso em força da Forza Itália, o panorama das lutas sociais e da sua incorporação partidária será problemática; para todos, e mais para a esquerda.

As condições económicas da força do trabalho italiana contrariam a política europeia e o Euro, nesse sentido a oposição da direita eurocéptica terá vantagem no ainda maior caos político que se adivinha em Itália. 

Ler ainda:

http://oclarinet.blogspot.pt/2013/12/movimento-forconi-despoleta-rebeliao-em.html

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Eleições primárias abertas, Louçã e os outros.

Luigi Bersani. Nov.2013

Rui Tavares volta hoje a abordar as primárias abertas, afirma que “Francisco Louçã distorceu completamente a ideia, dizendo que alguém queria impor uma lei aos partidos”. De facto, Louçã baralhou as primárias que já existem no PS, PSD e CDS, com as primárias abertas que nunca por cá houve; juntou ainda direitos constitucionais, dos militantes partidários, e medos vários.

Os militantes dos partidos decidem quem os representa, directamente ou por interposto órgão, como um congresso; mas também decidem de que forma querem que ocorra a eleição desses representantes. Alargar os votantes aos seus simpatizantes declarados, que é o que são directas abertas, não é populismo. Se um partido decide ter primárias abertas é uma decisão democrática.

Nas organizações, onde quem discorda da táctica política do momento, ou sai ou é corrido, ou ainda onde os órgãos dirigentes e intermédios são fruto de nomeações ou cooptações, a democracia é muito menor.

Que não se defenda primárias abertas no próprio partido, é normal; que se recusem nos partidos dos outros, tem de ter razões. Por exemplo, acontecer a maioria absoluta do PS, como aconteceu em França e na Itália. Apesar disso, António José Seguro disse há dois anos sobre o assunto, “gosto muito dos militantes do meu partido”. Percebem-se ambos, Louçã e Seguro.

O BE tem o problema de ser um partido de protesto e minguar agora, quando crescem os protestos, defende-se. O LIVRE tem a vantagem breve de não ter militantes, e as eleições abertas serem uma enorme rede de pesca. Já o PS está em espera, (nas eleições abertas), a proposta existe em carta, António Costa defende-a mas não para já, pelo que Seguro está seguro.

Uma última palavra para o barulho que Louçã fez sobre os eleitores de uns partidos votarem noutros por batota, jogos financeiros clandestinos, o eleito não poder ser escrutinado, etc. Eleições com primárias abertas tivemos há pouco em França e em Itália, não consta nada disso.

Em Itália, nas últimas eleições partidárias que já tiveram evoluções, Luigi Bersani ganhou a Matteo Renzi (que possui grandes meios publicitários mas perdeu) na última das duas voltas de eleições abertas. Bersani não conseguiu impor a sua segunda escolha, Romano Prodi, para presidente, demitiu-se de todos os cargos. Foi substituído no governo pelo Nº 2 do Partido Democrático, Enrico Letta, e no partido foi eleito em assembleia do PD para secretário-geral o ex-líder sindicalista da CGIL, Guglielmo Epifani, até ao próximo congresso. 

O que se passou de estranho? Onde está o populismo? Se há problemas com as eleições directas abertas, não são de democraticidade. 

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terça-feira, 28 de maio de 2013

Itália Municipais. Beppe Grillo apaga Mov. 5 Estrelas.

Flop Beppe Grillo. Derrota da política anti-política.Mai.2013

As eleições autárquicas em Itália são relevantes; devido à composição do governo, de grande aliança, e da alternativa política (dita anti-política) do Movimento 5 Estrelas (M5S) de Beppe Grillo. Os resultados são politicamente valiosos na crise do sistema político italiano.

Centro-esquerda dominou as eleições. A abstenção subiu 15 pontos em relação a 2008. Em Roma votaram 52,8%, no país 67,38% dos eleitores. Ignazio Marino candidato do Partido Democrático (PD) ganhou na capital por 42,60% contra 30,27% do actual presidente Giovanni Alemanno, de ultra direita. Há segunda volta a 9 e 10 de Junho. O candidato de Grillo, Marcello De Vito, conseguiu apenas metade (12,43%) dos votos obtidos pelo M5S nas eleições gerais de Fevereiro, e no resto do país as perdas foram iguais.

A vitória generalizada do PD e a profunda derrota de Beppe Grillo, significa que o eleitorado não castigou o centro esquerda, pela necessidade de se aliar ao Popolo della Libertà (PdL) de Berlusconi, para compor o governo, mas sim o movimento do comediante por não viabilizar uma aliança que impedisse o regresso do PdL ao poder. Sondagens deram grande maioria de votantes no M5S como partidários de uma aliança PD/M5S, para formar governo.

Beppe Grillo flop da anti-política. Mai.2013

No blogue que serviu Beppe Grillo, as “bases” culpam-no por inteiro do desaire, restando ainda criticas para os parlamentares “5 Estrelas” que “até agora fizeram pouco e mal, causando má imagem com brigas de salários e subsídios”. 

Raiva e frustração pelo colapso, passam pelo blogue. Fundamentalmente pelos erros políticos do único líder, que fez “perder a ocasião de se livrarem de Berlusconi”. 

Mas pode ser mais que um desastre eleitoral, O M5S pode só ter durado três meses, como o conhecemos, e ser um ensinamento para outros lugares. 

Do protesto para a governança, não é curso de animação espontânea que se tire nas redes sociais, nem a democracia directa (de base) é aquela ferramenta que substitui o telefone ou os sinais de fumo. A política realiza-se com pessoas, em sítios físicos e não em sites celestes, a democracia pratica-se nos locais “da contradição”, só as ordens e o marketing podem ir por impulsos eléctricos. 

Beppe Grillo ainda vai mandar, até não ter quem lhe obedeça, e os povos vão continuar a tentar encontrar um sistema político em que tenham mais poder colectivo - mais democracia.

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sábado, 20 de abril de 2013

Itália. Giorgio Napolitano reeleito na 6ª votação.

Giorgio Napolitano reeleito presidente de Itália.Abr.2013

O Presidente da Itália, Giorgio Napolitano, acaba de ser reeleito pelo parlamento para um segundo mandato.

Impasse italiano resolvido em parte, após cenas rocambolescas que puseram a nu a crise política em que a Itália caiu, com os resultados das eleições para o Senado e para o Parlamento.

Só na sexta votação e com uma solução de recurso, a Itália conseguiu eleger um presidente da República. 

Eleito pelos senadores, deputados e delegados das regiões, num total de 1007 votantes, precisava nas três primeiras votações de atingir uma maioria de dois terços (672 votos) nas seguintes maioria simples (504 votos).

Franco Marini, 80 anos, proposto pelo seu Partido Democrático (PD) maioritário, teve na primeira votação 521 votos. A candidatura resultava do acordo entre o PD, de Luigi Bersani e o Partido da Liberdade (PDL) de Berlusconi. 

Eleitores da coligação de esquerda votaram contra Marini, não foi eleito. O impasse manteve-se com abstenções na 2ª e 3ª votação – nesta, Stefano Rodotà, apoiado por Beppe Grillo obteve 250 votos, longe dos 672 necessários.

Para a 4ª ronda, Bersani apresentou Romano Prodi, ex-primeiro-ministro e antigo presidente da União Europeia; teve 395 votos dos 504 necessários e Stefano Rodotà 213. Nesta ronda só votaram 732 dos 1.007 eleitores.

Hoje, na votação da manhã (a 5ª) Rodotà conseguiu 210 votos. A maioria optou pelo voto em branco (445) enquanto se aguardava por uma saída para a crise; concretizada na confirmação pelo PD de que tinha sido feito um pedido a Giorgio Napolitano para se recandidatar.

Giorgio Napolitano eleito presidente de Itália. Abr. 2013 

A resposta positiva de Napolitano chegou cerca das 14.30 h locais. Estava eleito às 18.15 horas, vindo a obter 738 votos, contra 217 de Stefano Rodotà.

Com o presidente eleito, sobra uma crise nos partidos, particularmente no PD, com Luigi Bersani demissionário e a minoria interna a afirmar-se possivelmente como a nova classe dirigente, mas, de certeza, sem o PD para dirigir. Mas sobre isso e o embaraço governamental que não está resolvido em Itália se falará quando a poeira de hoje assentar um pouco. 

Para já, vencedor de todas as tácticas imaturas e suicidárias da esquerda, é Berlusconi.

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um Grillo em Itália. Redes sociais ou televendas.

Nicola Vendola. Fev.2013

Nicola (“Nichi”) Vendola, fundador do SEL (partido; Esquerda, Ecologia e Liberdade) que Beppe Grillo tratou num comício por buson (bichona), definiu bem, ontem, os tempos italianos - ”televendas”.

O fenómeno Grillismo não é das redes sociais, o pivot nasceu na televisão e o “tsunami” fez-se sobretudo pelas televisões; a proposta do M5S de Grillo para “um referendo sobre a concessão dos canais públicos” não será alheia ao apoio televisivo, e por outro lado, a cassete primária da anti-corrupção vende que se farta em Itália.

Para a cassete contribuíram os juízes anti-máfia durante anos e Mário Monti durante o seu falhado governo tecnocrático. Monti e os juízes (António Ingroia nem foi eleito) levaram com o boomerang da demagogia do anti-partidarismo que alimentaram. 

O marketing de Gianroberto Casaleggio, “productor” de Grillo, expropriou a anti-corrupção, marca de sucesso, juntou-lhe um actor popular e um guião estridente de meias e completas verdades mais umas piadas e obscenidades quanto baste. O resultado está à vista; publicidade bem embrulhada e target definido, com acesso aos grandes meios, resulta com Berlusconi como com qualquer outro produto.

O anti-partidarismo como fórmula de democratização é contraditório com a formação do M5S, um partido que fez primárias (?) on-line como se isso o aproximasse da qualquer democracia directa. Unipessoal, personalizado e ditatorial, (expulsou quatro militantes por fazerem declarações na televisão), o M5S não tem nada a ver com os movimentos sociais (de expressão democrática) nascidos na Internet.

Neste momento os eleitos do M5S são tão políticos como os outros, não se sabe porque serão mais honestos que os outros e parece que nem eles sabem o que vão fazer para o Parlamento (pelo que se ouviu da boca deles ontem). 

Beppe quis concorrer à liderança do PD, não conseguiu, agora é contra os partidos. Pode não se concordar com a linha política do Partido Democrático, mas lá todos falam e muitos mais falaram nas primárias que elegeram Luigi Bersani, um processo “hiperdemocrático”, como se diz em Itália - que fazia falta aqui.

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Eleições Itália. Quem são. Na senda do populismo.

Sondagens Italia. Fev.2013
  Sondagens: clicar na imagem.

Em Itália assiste-se à refundação da política, contra o populismo, o domínio externo e a própria história política conturbada dos últimos 20 anos. Parece uma batalha desigual perante as primeiras páginas italianas dedicadas à comédia política e às pressões da finança internacional.

Depois do desaparecimento dos partidos tradicionais na década de 1990, que dominaram a vida política, o cenário partidário italiano fez-se de coligações com antigos membros desses partidos, distribuídos por uma miríade de organizações. A grande maioria dos protagonistas políticos de hoje em Itália é ex- qualquer partido.

As duas actuais grandes coligações de centro esquerda e centro direita, vêm de outras composições para as legislativas de 2001, período vegetativo (L´Ulivo; La Margherita) de recomposição partidária, e do aparecimento de Berlusconi, subproduto da operação anti-corrupção “mãos limpas” (!).

O CENTRO ESQUERDA: Partido Democrático (PD), esquerda reformista; líder das sondagens, de Pier Luigi Bersani, resulta da fusão (em 2007) dos Democratas de Esquerda (DS) ex-Partido Comunista Italiano (PCI) mais alguns movimentos, com “A Margarida”, (católicos progressistas). Outros movimentos e partidos que fizeram parte de “A União” para as eleições de 2006 (eleito Romano Prodi contra Berlusconi) compõem o PD.

A aliança do PD com a formação Esquerda Ecologia e Liberdade (SEL) de Nichi Vendola, governador de Puglia e ex-dirigente da Refundação Comunista (ex-PCIs) põe entraves a uma hipotética aliança pós eleitoral do PD com Monti.

O CENTRO DIREITA: Povo da Liberdade (PdL), direita, segunda maior coligação nas sondagens, foi fundado em 2009 pela fusão da Forza Italia de Silvio Berlusconi e a Aliança Nacional de Gianfranco Fini, outros pequenas organizações conservadoras, liberais e democratas cristãs aderiram. Foi governo em coligação com a Liga Norte de 2008 até 2011. Apoiou o governo tecnocrático de Mário Monti e tirou-lhe o tapete o ano passado. Berlusconi faz as promessas irrealizáveis do costume.

OUTROS: Movimento 5 Estrelas (M5S), terceira força política nas sondagens, populista e aparentemente radical, é um movimento político que se aproveita de sentimentos anti partidos para eleger políticos. É um partido fraude, uninominal como um Cristo sem apóstolos (normas locais proíbem que militantes se expressem nos meios de comunicação); Beppe Grillo é a única voz pública, é homofóbico e xenófobo, egocêntrico que empresta o logotipo do blogue a quem o venerar. Diz que as ideologias acabaram, aceita os neofascistas da Casa Pound, mescla propostas reacionárias com o que o povo gosta de ouvir. Grillo tem uma visão contabilista e administrativa (neo-liberal) da política, é um Gaspar com os estudos do Relvas. Mas prega bem o moralismo, portanto, o M5S vai dar muitos tachos políticos em nome do combate aos tachos.

CENTRO: O centro é de Mário Monti, o Partido do Centro (UDC) democrata-cristão, de Ferdinando Casini, é o mais antigo e maior partido centrista em Itália, apoia Monti. A formação Escolha Cívica – Monti pela Itália é apoiada por Monti para apoiar Monti, o homem da Goldman Sachs. 

O tecnocrata da União Europeia, onde foi comissário, ainda pode ter um papel em Itália, não pelos votos nele, mas pelos votos que quer os juízes anti-máfia (como António Ingroia) ou Beppe Grillo tiram ao centro-esquerda, (em particular na Lombardia e na Sicília) através da prédica primária anti-corrupção. Um discurso que faz menos sentido agora que em outros tempos, pois as organizações principais têm elementos que combatem ou combateram a máfia ou limparam as hostes. 

Não é certa a vitória de Bersani, a diferença para a direita está dentro dos indecisos, mas não é indiferente para a política europeia e para os países intervencionados, uma mudança em Itália no sentido do reformismo de centro-esquerda.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Eleições Itália. Bersani ou Berlusconi - Monti.

Itália eleições sondagens. Fev.2013
 
Em Portugal quase nada se sabe sobre as importantes eleições em Itália. 
 
À comunicação social (e ao comentário político nos media) custa-lhes olhar para Itália, hoje. No entanto, as alterações políticas previsíveis em Itália terão reflexo relevante na política europeia, particularmente após a vitória de Francois Hollande em França e antecedendo as eleições gerais na Alemanha.
 
Falar em sondagens sem caracterizar as forças políticas presentes não esclarecerá quem não conheça a história política italiana, mas não há forma de falar aqui da Itália política sem ser em fascículos. Luigi Bersani é o líder do Partido Democrático (PD) “centro esquerda”, Mario Monti “centro” e Sílvio Berlusconi “centro direita” são mais conhecidos. Deles e dos partidos, coligações e personagens, quem são e de onde vêm, fica para um próximo post sobre a Itália política contemporânea.
 Italia sondagens.Fev.2013 
 
Todas as sondagens sobre as eleições italianas dos próximos 24 e 25 de Fevereiro, dão, desde sempre, a vitória à esquerda do Partido Democrático; apesar disso, desde 2012 só se ouve falar no confronto Monti- Berlusconi; do jornal Expresso na sua antevisão para 2013 ao último comentário do Prof. Marcelo.
 
Na verdade, Berlusconi não é candidato a liderar o governo de Itália e Monti é candidato ao Senado, sendo já… senador vitalício. Monti e quem o apoia não chegam a terceira força política, ultrapassados pelo Movimento 5 Estrelas, do comediante Beppe Grillo; aqui com 14,3% das intenções de voto contra 12,9 de Monti.
 
As eleições italianas parecem confusas, não são. Resultam de um processo que pode ser exemplo para o que se passa em Portugal, sobre o anti-partidarismo a corrupção política e os movimentos históricos, por um lado; e sobre as medidas de austeridade o empobrecimento e a saída para a crise, por outro.
 
Para já as sondagens, na certeza que o mais importante não será qualquer confronto Monti-Berlusconi - ao contrário do que nos querem fazer crer.


Última sondagem 8 de Fevereiro: legenda

Centrosinistra - Centro esquerda (37,2)

PD/Partito Democrático – 32,2

Sinistra, ecologia e libertá – 3,5

Altri di centro sinistra – 1,5

Centro (12,9)

Udc/ Unione di centro – 3,0

Futuro e libertá – 0,6

Scelta cívica/con Monti per l´ltalia – 9,3

Centrodestra - Centro Direita (29,7)

Pdl /ll popolo della libertá– 22,0

Lega Nord – 5,4

La destra – 1,0

Centrodestra nazionale/Frateli d´ltalia – 1,0

Altri di centrodestra – 0,3

Altri – Outros partidos (20,2)

Movimento 5 Stelle – 14,3

Rivolucione civile – 4,2

Amnistia giustizia e libertá – 0,4

Fare per Fermare il declínio – 1,0

Altri partito – 0,3

Indecisi/Astenuti – 31,2

Mais sobre eleições Itália AQUI

 
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