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sábado, 3 de maio de 2014

Massacre em Odessa.

Massacre fascista em Odessa. Mai.2014

Apoiantes do “governo de Kiev” encurralaram na Casa dos Sindicatos em Odessa, dezenas de “activistas pró-russos” e em seguida atearam fogo ao edifício. Terão morrido queimadas vivos ou intoxicadas 36 pessoas, mais 8 morreram ao lançarem-se das janelas, para fugir à morte pelo fogo.

O período acima é o que a imprensa internacional minimamente independente (jornalistas!) relata.

O jornal Público faz agora título “Serviços de informação da Ucrânia denunciam ataque orquestrado pela Rússia sobre Odessa”. Sabendo-se que as autoridades policiais de Odessa identificaram todos os mortos como sendo ucranianos, e conhecendo-se o desenvolvimento dos confrontos, não se entende este jornalismo.

Gabriel García Márquez, que vi recordado em entrevista na TVE há uns dias, dizia que tinha saudades do “jornalismo clássico”, aquele que dizia o que se passava e nada mais, que noticiava.

Também eu tenho saudades - de o ver por cá.

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Escalada para a guerra civil na Ucrânia.

Blindados ucranianos mudam de mãos. Abr.2014

Não é adquirido que o grupo de extrema-direita que tomou o poder em Kiev tenha as forças armadas ucranianas consigo.

O passeio de blindados (abandonados pelos militares ucranianos?) com bandeiras dos opositores pró-russos - mostra o possível sarilho que será recuperar as posições tomadas pelos manifestantes armados, no leste do país.

A União Europeia, os Estados Unidos e a NATO, meteram mais uma vez a pata no charco. Desta vez nas portas da Europa. Os ucranianos russófonos não vão viver em paz com o actual poder fascista de Kiev, nem a Rússia irá ficar a observar passivamente um banho de sangue na região.

Uma guerra pode ser inevitável na Ucrânia, se tal acontecer falta saber com que intensidade e se vai alargar-se envolvendo a Rússia. O “ocidente” meter-se num conflito bélico dessa natureza seria a loucura total.

Há em Kiev, nos Estados Unidos - e na Europa - doidos suficientes para nos levar a uma guerra generalizada.

Que a política conceda, desta vez, uma oportunidade à paz.

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domingo, 2 de março de 2014

Ucrânia. Guerra Fria está a aquecer.

Preparativos de Guerra. Mar.2014

Nato acusa a Rússia de “estar a ameaçar a paz na Europa” e John Kerry ameaça a Rússia de expulsão do G8. A infantilidade da “diplomacia ocidental” para consumo dos “senhores ouvintes” menos exigentes.

A guerra fria voltou, Portugal não tem interesses directos no Mar Morto, na Crimeia ou na Ucrânia. Portugal fez-se membro da NATO quando ela se dizia, (e era discutível) uma estrutura defensiva e pela paz; nada beneficia em dela fazer parte quando a NATO leva a guerra a todo o lado, patrocinando golpes de Estado, de África ao Médio Oriente, e até às portas da Rússia.

A Rússia não deixará de “proteger os cidadãos russófonos” e os seus interesses estratégicos. A carta das Nações Unidas é todos os dias violada por Israel e pelas potências ocidentais, seja com intervenções militares, ocupações ou financiamentos de grupos cuja missão é fazer golpes de Estado.

A hipocrisia não tem limites quando se trata da ingerência dos imperialismos nos assuntos internos de países independentes. Estamos a ser preparados para aceitar uma guerra e um golpe de Estado de uma oligarquia ucraniana contra outra.

A Europa que viveu o terror do nazi-fascismo, ainda há poucos anos, é agora aliada de um poder liderado no terreno por nacionalistas nazis. Se não se percebeu Hitler é natural que se confunda os efeitos de uma guerra na Crimeia, hoje, com a outra do século XIX.

Estamos nas mãos de loucos perigosos.

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No princípio do mês os posts mais lidos no mês anterior:

08/02 – Ucrânia. Uma fotografia perigosa.

03/02 – Ex-guerrilheiro quase presidente de El Salvador.

04/02 – Nicolau Breyner candidato contra o euro.

14/02 – Absolvidos submarinos do processo dos submarinos.

02/02 – Catalunha vai votar.

21/02 – Nós cidadãos. Mais um partido.

01/02 – Manifestação 1 de Fevereiro.

19/02 – Cantar Grândola 40 anos depois.

23/02 – Relvas regressa ao PSD para fazer o que sabe.

09/02 – Vendo o meu Miró.

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ucrânia – a posição do PCU.

Ligações perigosas na Ucrânia.Fev.2014
Senador John McCain com Oleg Tyanybok (Svoboda)

Chegou-me por e-mail, um texto que acredito ser uma boa tradução da mensagem do dirigente do PCU, Piotr Simonenko, cujo original está em:
http://www.kpu.ua/obrashhenie-pervogo-sekretarya-ck-kpu-petra-simonenko-k-tovarishham-po-partii/

Embora reconhecendo as responsabilidades que os regimes da “cortina de ferro” tiveram no surgimento dos movimentos de extrema-direita nesses países e na influência que os neo-nazis têm hoje, a mensagem do PCU ajuda a compreender a situação actual.

Mensagem do Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista
da Ucrânia, Piotr Simonenko, aos camaradas do Partido.

Caros camaradas comunistas!

Dirijo-me a vós num dos momentos mais dramáticos da história do nosso país. Durante os trágicos acontecimentos dos últimos três meses foi derramado sangue, morreram pessoas. Foi ameaçada a integridade territorial da Ucrânia e a sua própria existência como Estado unificado, independente, soberano.

Estes acontecimentos não têm um carácter unívoco. A participação neles de grandes massas de pessoas  reflecte o profundo descontentamento na sociedade com o regime político de Yanukovitch e do seu círculo, que governou o país de forma inepta, enganando as pessoas, abandonando as suas promessas de campanha, e em momentos difíceis abandonando
cobardemente o seu posto. O clã que se formou em torno de Yanukovitch, que recebeu a designação de «Família» e que se enriqueceu de forma desavergonhada, afastou de si a maioria dos seus adeptos e eleitores.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Ucrânia. Uma fotografia perigosa.

Um quarteto da corda. Fev.2014

Quando a responsável do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, é apanhada a dizer “fuck the EU” num diálogo com o seu embaixador em Kiev, Ucrânia, revela algo importante.

A European Union é, para o governo dos EUA, uma “potência” que não merece respeitabilidade; está degraus abaixo, das duas únicas e verdadeiras potências. Russos e Americanos fizeram um simulacro de intervalo na Guerra Fria que, como é patente, está a terminar.

O teor da conversa entre os responsáveis diplomáticos americanos (reproduzida no Público) denuncia uma flagrante ingerência nos assuntos internos da Ucrânia.

A ver passar outros glutões, fica a despeitada Ângela Merkel. Os alemães estão a ter sucesso imperial na velha europa, mas o velho sonho da Grande Germânia, a leste, tem outra concorrência. Nem os russos abrirão mão da Ucrânia, nem os Estados Unidos deixarão de ultrapassar os aliados da NATO para afirmar os seus interesses geoestratégicos.

Com as convulsões em crescendo nos Balcãs e a destabilização na Ucrânia, um país que está verdadeiramente em leilão, o confronto pela influência política pode descambar em algo mais que retórica e escaramuças de baixa intensidade.

Especialistas em espalhar discórdia, para benefício próprio, são habitualmente os iniciadores dos sarilhos bélicos.

Prefigura-se uma Europa perigosa - onde se estão a juntar motivações para um novo conflito armado em grande escala.

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