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sábado, 2 de fevereiro de 2013

PS. Disputa pela liderança.

Com o nariz acima da testa.Jan.2013

Ausente alguns dias (rurais) volto à urbe e a blogar.

Diz-se que o Sebastião da Autoridade da Concorrência se vai embora, e que o Sebastião do Partido Socialista ainda não chegou ou está a chegar. No primeiro caso nunca se deu pela acção da Autoridade da Concorrência, daí que mesmo saindo um Manuel Sebastião continuamos à espera do “Desejado”, com autoridade e independência para lidar com os vários cartéis.  

No Partido Socialista é semelhante, aquilo funciona assim, qualquer coisa é melhor que Passos Coelho, mas com António Costa a liderar era outra coisa.  

Desligado, perdi alguma informação, e também a contra-informação o que é uma vantagem. Do que me chegou pelos canais abertos de TV parece que o “jornalismo” e o “comentarismo” fizeram a festa toda, foguetes, canas etc. Todos confessam não saber as intenções de A.Costa, (antes, durante, após) mas concluem que o actual presidente da Câmara de Lisboa quis tomar o poder no PS e recuou nos intentos.

Dizer isso e qualificá-lo como político experiente é contraditório, o poder no PS não se conquista no Largo do Rato. Costa agitou o PS mantendo o status quo interno, aterrorizou a direita e por arrasto preocupou os partidos à sua esquerda - todo o espectro partidário prefere ir a eleições com António José Seguro como candidato.  

Não são os opositores ao governo nem os eleitores do PS que vão ao Congresso socialista. António Costa não tem tempo, nem teria decerto disposição, para fazer o trabalho de sapa pelas distritais discutindo as divergências que são evidentes, agora chega a todo o partido.

António Costa parou as acusações de deslealdade e impediu que a direcção do PS se visse livre da oposição interna. Para já cortou o passo a Seguro, posicionou-se, está a contar apoios. O que exige sobre a clarificação histórica e estratégica parece difícil de conseguir desta direcção, pelo que há mais hipóteses (agora que antes da crise) de avançar na disputa pela liderança.

Será matéria para os próximos dias.

Como habitual no início do mês os títulos mais lidos no ClariNet no mês anterior.

26/01 – Professores 26 Jan. Dezenas de milhar em manifestação.

02/01 – La Libertá – Giorgio Gaber.

09/01 – Bufos? GNR dá formação a 1708 parceiros civis.

03/01 – Chile. Justiça detém assassinos de Víctor Jara.

20/01 – Alemanha. Baixa Saxónia – CDU de Merkel desce. (6%).

04/01 – Saúde de Chávez complica jornalismo.

18/01 – Guerra do Mali. Mais apontamentos. Al-Qaeda. França.

24/01 – Enganar os mercados é mais fácil que enganar a fome?

14/01 – Travessa do Fala – só. Imagens que valem mil palavras.

17/01 – Guerra do Mali. Apontamentos.

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Guerra do Mali. Mais apontamentos. Al-Qaeda. França.

Lider extremista de Timbuktu. Jan. 2013

(continuação)

Se o norte do Mali corre o risco de se transformar num Afeganistão, como disse um ministro francês, os “talibans” que está a gerar, podem chegar à Europa. Que as suas acções no Sahel e no Magreb atingem a economia europeia, para além dos países do norte de África, não restam dúvidas.

Como disse aqui ontem, Os tuaregues que Kadhafi empregou e com quem dizia ter afinidades, regressaram da Líbia após o fim do regime; desempregados e sujeitos a perseguição racista, voltaram e com armas. Compõem o moderado MNLA (Movimento Nacional de Libertação de Azawad) com antigos combatentes das rebeliões anteriores e juntando várias etnias.

Na rebelião no Mali, o MNLA teve como aliado o grupo extremista islamista Ansar Dine, que domina algumas cidades (como Timbuktu - dos túmulos sagrados). O grupo Ansar Dine (defensores da fé) como o MUJAO (Movimento de Unidade e Jihad na África Ocidental), estão ligados por militantes comuns, e estes à AQIM (Al-Qaeda do Magreb Islâmico). Ouve-se falar em dissidências; são processos de autonomia e concorrência entre as bases da Al-Qaeda, passe a redundância.

Os grupos fundamentalistas tomaram cidades aos independentistas e nelas têm aplicado a Sharia, com a mesma leitura dos talibans afegãos sobre a lei islâmica. A determinação e traquejo militar dos combatentes jihadistas aliada ao fanatismo religioso parece ter feito a diferença nos combates contra o MNLA, que são (ou eram) em muito maior número.

Jihadistas de vários países estarão na Guerra do Mali, como estão armas nas mãos dos grupos islamistas vindas da Líbia e entregues pela França aos rebeldes líbios. O “Le Figaro” fez uma reportagem há cerca de dois anos, foi depois confirmado; mísseis anti-tanque, lançadores de foguetes, etc. de França para os rebeldes. Depois desapareceram, andam por todo o lado, da Síria ao Mali. Pior são os mísseis terra-ar, (ver aqui set-2011) um perigo acrescido para os interesses franceses na região.

A França que começou por intervir no Mali para criar uma zona tampão que impedisse o avanço dos rebeldes até à capital, vai ter de ir mais além, talvez numa guerra de longa duração. Esta intervenção francesa excede a sempre evocada vontade de intervir nos países que colonizou, tem um interesse estratégico fundamental, que são as minas de urânio no deserto do Níger, na zona que dá para a fronteira do Mali. A que está a funcionar em Arlit, essencial para alimentar as centrais nucleares francesas, e a que está em construção nas novas reservas de Imourarene na mesma região, que terá uma área de exploração de duzentos quilómetros quadrados.

Em Arlit, apesar da segurança militar, já raptaram sete funcionários (4 continuam presos pelos raptores); guardar duzentos quilómetros quadrados de deserto em Imourarene vai ser uma empreitada. E como se está a ver pelo que acontece na Argélia, vontade e capacidade militar não falta aos grupos ligados à Al-Qaeda, que competem entre si esgrimindo contra os infiéis. A França é dos países que tem ajudado (inadvertidamente?) a propagação do radicalismo islamista.

Agora é na Síria.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Guerra do Mali. Apontamentos.

Azawad Independente.Jan.2013

A exportação da guerra santa islâmica para o Sahel e para o Magreb, às portas da Europa, põe em causa a segurança dos europeus? 

Mali. Mais uma guerra com envolvimento europeu. Não é (apenas) uma guerra contra terroristas, tem essa componente mas é mais que isso. Está em causa o direito à autodeterminação dos povos, de viverem em paz, livres do colonialismo e também do fanatismo religioso.

No norte do Mali há tribos abandonadas historicamente pelo poder político e fronteiras territoriais em todo o Sahel que são invenções coloniais sem sentido. O povo tuaregue vive numa área que abrange território da Argélia, Líbia, Mali, Níger e Burquina Faso. Os tuaregues independentistas “do Mali” têm identidade política própria e uma região herdada das divisões coloniais a que chama sua, Azawad.

Os tuaregues, povo berbere semi-nómada com cultura e língua própria, lutam pela independência desde 1916, primeiro contra os colonizadores franceses, depois de 1960 contra o Mali. Revoltaram-se em 1961/1964 pelo direito às suas terras que uma reforma agrária ameaçava e foram brutalmente reprimidos. Voltaram a sublevar-se entre 1990 e 1995, após a grande seca da década de oitenta, e foram novamente alvo de violenta repressão. A terceira grande revolta pela independência foi em 2007; a resposta sangrenta dos militares do Mali levou à fuga em massa de refugiados.

A guerra pela independência do Azawad tem quase cem anos, mas pela primeira vez os tuaregues têm agora armamento capaz e organização política/militar adequada. Iniciaram o levantamento a 17 de Janeiro de 2012 e tomaram as principais cidades da região. A 6 de Abril declararam a criação do Estado Independente de Azawad (não reconhecido pela “comunidade internacional”).

O exército do Mali não tinha meios para enfrentar os tuaregues que regressavam da Líbia bem armados. Um “efeito colateral” da intervenção militar americana e da NATO na Líbia. Americanos que, lembre-se, com a criação de um exército de jihadistas no Afeganistão, lançaram uma força terrorista no Mundo. 

Os tuaregues, organizados no Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA), consideram “o Islão como uma religião de tolerância e não-violência”. Os grupos islâmicos (islamistas) de orientação radical são contra a independência e pela guerra santa, mas participaram nas operações contra o poder central do Mali e controlam várias cidades.

 Sobre esses grupos (Ansar Dine, AQIM, MUJAO), os interesses franceses, e as contradições do “Ocidente”, será o próximo post, este vai longo. 

(continua AQUI)

Anterior sobre Mali AQUI

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Al-Qaeda retalia na Argélia a ofensiva no Mali.

Mokhtar Belmokhtar. Jan.2013

Islamistas dizem ter raptado 41 ocidentais, no campo de gás da BP, em In Amenas na Argélia. Ameaçam matá-los se a França não terminar a intervenção no Mali.

Os raptores, que estarão ligados ao AQIM (Al-Qaeda do Magreb Islâmico), agem como tinham ameaçado, atacar ocidentais no norte de África e/ou as capitais europeias.

Dois líderes radicais são apontados como responsáveis pelas acções, o argelino Mokhtar Belmokhtar (*), um dos líderes históricos do AQIM no Sahel, jihadista no Afeganistão, que se juntou a vários grupos islâmicos armados (GIA,GSPC,AQIM) e que estaria no Mali, na cidade de Gao, atacada pela aviação francesa. Outro, o maliano Omar Oud Hamaha, líder em Timbuktu; foi porta-voz do Ansar Dine (destruição dos túmulos de Timbuktu) e tanto se diz do AQIM como do grupo MUJAO (jihadistas da África subsariana). Foi figura principal no programa da TVI 24 sobre o Mali.

Para já, temos um campo da BP, tão isolado como os campos de urânio que levam os franceses a intervir militarmente no Sahel, a ser atacado.

E temos a confirmação de que os aliados de ontem no derrube de Kadhafi, o AQIM e a Coligação Ocidental, vão envolver-se noutra guerra, agora entre eles, e provavelmente envolver nela o espaço europeu.

Tudo isto é um legado do colapso da Líbia, sobejamente avisado, até por mim.

P.S. (*) Notícias posteriores indicam o grupo de Mokthar como autor da captura dos reféns; já fez sequestros e conseguiu milhões em resgates. Em 2007 matou quatro reféns, é determinado, o que não é boa notícia.

(Mais sobre a guerra do Mali - AQUI e AQUI)

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