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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Rui Rio manda despejar a Es.Col.A do Alto da Fontinha.

Acção brutal da polícia na Fontinha. Abr.2012
Rui Rio mandou a polícia assaltar a Es.Col.A (Espaço Colectivo Autogestionário do Alto da Fontinha), despejo, “pilhagem” dos bens e muita pancadaria, como é apanágio de quem prefere o uso da força. Um projecto de intervenção social, uma escola autónoma que deixa de funcionar para dar lugar não se sabe a quê; a Câmara do Porto diz que é a um projecto social, mas isso não havia já e com o apoio das populações?
 
Es.Col.A. Abr.2012

“Em declaração à TVI Ana Afonso, do movimento ES.COL.A, considera que a acção das autoridades foi despropositada. «Passou-se como no dia 24 de Abril, que é o dia que é hoje. Voltamos atrás 38 anos, fomos tratados como terroristas, com cães, força da intervenção, homens encapuzados, e detiveram as pessoas brutalmente lá dentro e cá fora», frisou.

«Que tenham vergonha, porque estão a despejar um projecto pacífico de intervenção social, de intervenção comunitária, que envolve as crianças, os jovens, os adultos e os idosos do bairro», disse, esclarecendo que o que era feito na escola não passava de apoio educativo, mas também havia música, yoga e muitas outras coisas.”

Se o projecto comunitário fosse obra da Santa Madre Igreja não faltaria apoio da Câmara e do Estado, como é autónomo dá nisto. Uma vergonha.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

PSP sobreavalia alarmismos nos confrontos do Chiado?

Se fosse um sabre...Abril 2012 

A PSP reconhece que sobreavaliou a ameaça que poderia constituir um grupo de pessoas detectado no início da manifestação de 22 de Março, em Lisboa, durante a qual ocorreu uma carga policial.

Na nota de imprensa da Inspecção-geral da PSP, citada pelo jornal Público, não fica claro se a sobreavaliação se refere à apreciação feita no terreno, se aos relatórios internos e do SIS, já considerados “apocalípticos” e alarmistas pela montagem de cenários de grande violência.

O inquérito instaurado a um dos polícias, confirmado pelo ministro da tutela, indica que os chefes estão ilibados de responsabilidades.

Pelo menos, espera-se que do inquérito resultem normativas sobre a utilização do equipamento policial. Como se vê na imagem (em cima), um bastão virado ao contrário é incitamento à violência (se fosse um sabre nessa posição seria uma imagem pacificadora).

Se esta forma de usar o bastão, (com o guarda mãos para a frente) faz carreira, ainda vamos ver chuteiras de futebolistas com pitões na biqueira e peito do pé.

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quarta-feira, 28 de março de 2012

SIS e PSP. Agentes provocadores em manifestações.

Foto Patricia de Melo Moreira-AFP- Guardian. Març.2012 

O inquérito aos incidentes no Chiado só estará concluído em meados de Abril.Não vai cair no esquecimento. Hoje mais um relatório da PSP é conhecido, assinado pelo superintendente – chefe Guedes da Silva (Público).

O papel dos relatórios internos quer do SIS quer da PSP têm tido um papel essencial na criação de conflitos, os termos “apocalípticos”, a montagem ficcionada de cenários de grande violência, que nunca aconteceram, tem levado à predisposição das forças de intervenção para exercer violência que resulta gratuita.

A polícia de choque vai para o terreno atiçada pelos seus superiores.

Os relatórios internos alarmistas (que sabem ser públicos mais tarde ou mais cedo) sucedem-se. Já o ano passado, um documento elaborado por “comandantes da PSP” que não se sabe se é um organismo, comissão ad-hoc ou grupo da sueca de Rio de Sapos, previa cenas de violência com tumultos semelhantes aos que se viveram no PREC.

Agora o SIS indicou às forças de segurança que se deviam preparar para “ruas ocupadas e bloqueadas e para o lançamento de cocktails molotov”, em seguida virão (verão) armas de destruição massiva.

No documento de Guedes da Silva ele refere como desafio da PSP o “bom senso na actuação em situações decorrentes do direito de reunião e manifestação”. É o que tem faltado.

À incompetência do SIS somam-se a inabilidade dos chefes da PSP e a inaptidão dos agentes. O agressor da jornalista da AFP (em cima, ao centro, de óculos escuros, fotografada pela própria) acompanhou a manifestação com o bastão virado ao contrário, em atitude provocatória. Ou não pode exercer a função de “força da ordem” ou é essa postura que o poder deseja; as consequências do inquérito responderão.

Os sindicatos da polícia podiam ter um papel de esclarecimento junto dos seus filiados. Temos 650.000 desempregados (inscritos) 300.000 deles que não recebem qualquer subsídio, o desemprego em crescendo muito dele jovem, medidas contra todos os direitos adquiridos – há razões para descontentamento, manifestá-lo é normal e salutar para a sociedade.

Depois não é pelo aspecto, pelo penteado ou pela farpela, que se identificam os manifestantes “desordeiros”, nem pela organização que convoca as manifestações. Os jovens não enquadrados pelas centrais sindicais não são mais perigosos. Têm sido provocações de polícias infiltrados e até de organizações de extrema-direita (às claras) que têm provocado desacatos.

Se a polícia continuar a demonstrar estar interessada em provocar o confronto, isso vai inevitavelmente levar a outras formas de organização e demonstração por quem quer manifestar-se.

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sábado, 24 de março de 2012

Violência policial no Chiado não precisa de inquérito.

Foto jornal i - Reuter.Març.2012
Agressão à jornalista Patrícia de Melo Moreira


Fazer um inquérito aos acontecimentos da última quinta-feira é perder tempo e dinheiro. Um agente do Corpo de Intervenção da PSP em declarações ao Jornal i, explicou como funcionam os seus cérebros em “modo” de “avançar”.Não há nada que um inquérito possa resolver. Disse ele ao jornal i:

“Quando dão a ordem para avançar, é quase impossível travar-nos, já não ouvimos ninguém, deixa de haver uma linha de pensamento, e a questão de serem fotojornalistas ou cidadãos nem se nos coloca naquele momento: a nossa função é limpar o local”, confessou ao í um agente do Corpo de Intervenção (CI) que pediu o anonimato. (fim de citação)

À parte a confissão do agente, quando fala de fotojornalistas e cidadãos, que nem lhes passa pela cabeça distinguir cidadãos manifestantes de cidadãos desordeiros, tudo se resume ao treino. Quando se treina alguém para ser uma besta, sai comportamento de besta. Digo isto sem qualquer intenção de ofender, a verdade é que tal como a forma unida tem por missão criar corpo, o treino para exercer violência sobre mais fracos procura obediência cega e investida sem vacilações.

Um homem normal não bate em mulheres pacíficas ou homens no chão, não usa violência desnecessária; aliás, a maior parte dos animais ditos irracionais têm os seus códigos de paz e derrota, ficam imobilizados, fogem, deixam de mostrar os dentes, deitam-se de patas para o ar etc. Os nossos códigos são semelhantes, a fuga ou mostrar as palmas das mãos bastam para em situações normais refrear a violência.

Aos “corpos de intervenção” não lhes dão nada nos treinos, tiram-lhes. Tiram-lhes capacidades e discernimento, o termo não é neuropsicológico mas não tenho melhor, ficam atrofiados; não são autómatos nem paus mandados são atrofiados. E quando se está atrofiado não se pode receber ordens de chefes atrofiados ou ter ministros atrofiados que mandam nos chefes atrofiados.

É que as imagens da greve geral de quinta-feira que passaram na comunicação social estrangeira, não foram da greve, foram dos confrontos estupidamente violentos provocados pelos atrofiados. Imagens parecidas com as da Grécia – e gastam milhões para convencerem meio mundo que não somos a Grécia.

Ficámos a saber que os “corpos de intervenção” limpam tudo à ordem de “avançar”; que tal usá-los para limpar as praias, ou ainda melhor – as matas.
AVANNNÇAR!!!

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