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domingo, 29 de abril de 2012

BPN no Diário de Notícias, promete mas...

BPN Diário de Notícias.Abr.2012
O caso BPN está finalmente nos jornais, num trabalho do DN que promete, mas que dá mostras das muitas dificuldades em seguir a maior burla havida em Portugal.
Ramificações do Banco Laranja.Abr.2012
A promiscuidade de políticos do partido que está hoje no poder, com o escândalo, fecha as portas à informação. A Justiça, neste caso, e ao contrário de outros, não colabora com a comunicação social, é parte do manto de silêncio.

Como escreve a jornalista Sílvia Freches, fizeram o trabalho jornalístico como …”um jogo de paciência, tais os muros de silêncio que eram erguidos”. “Em alguns tribunais tudo serviu de argumento para impedir a consulta dos processos. Ainda hoje esperamos vários despachos do juiz a pedidos feitos já lá vão quase dois meses”. Presidente da República, ex-governantes, ex-governador do BP, Oliveira e Costa ou o Ministério das Finanças que “gere o buraco”, todos recusaram “prestar declarações”.
Amigos da Coelha.Abr.2012
Dos julgamentos sabe-se pouco “356 acções em tribunais de todo o país”. Temos os julgamentos dos arguidos que os portugueses têm o direito de acompanhar e temos os julgamentos em que o BPN é réu; nestes o Estado assumiu pagar pelo BPN se houver condenação; dos já sentenciados o banco perdeu e os contribuintes pagaram, 22 milhões a um empresário de Braga, 100 mil euros a uma cliente e mais 3,5 milhões ao Instituto Missionário da Consolata (este caso mereceu-me um post que está AQUI).

Estes sentiram-se enganados, processaram o banco, receberam, todos os outros portugueses estão a ser roubados esperando justiça. Mais que opiniões sobre os erros políticos o que os portugueses querem saber é onde pára o dinheiro.

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sexta-feira, 16 de março de 2012

1º Aniversário do ClariNet. Argumentários e manipulação.

desenho de Vasco. Març.2012

O ClariNet faz hoje um ano; como fazer anos não dá tolerância de ponto, vou contar a história de um embuste (em três partes) que também faz parte da razão das crónicas do ClariNet. É comprido mas têm o fim-de-semana para o ler.

1º - No programa Daily Show, de Jon Stewart, que ontem passou na SIC Notícias, o Jon foi até à fonte inesgotável de sátira política que é a Fox News.

No programa Fox & Friends de Gretchen Carlson, Steve Doocy e Kilmeade Brian, o jornalista e analista político Steve Doocy leu para as câmaras um memorando com três tópicos chamado “preparação para analistas”, elaborado pelo Partido Republicano. Dizia a nota que os problemas da economia de Obama eram “a dívida nacional, que está a disparar, o desemprego que está acima dos 8% e o preço da gasolina”. Gretchen esbugalhou os olhos por Steve estar a divulgar o argumentário para analistas, do partido, mas ele continuou dirigindo-se à audiência; “O preço da gasolina está a afectar-vos? De que estão a prescindir? Enviem-nos um e-mail”.

É preciso ter lata, e um público estupidificado, para um “analista” ler as instruções do partido republicano aos seus “analistas” – mostrar o jogo e jogá-lo na hora.


2º - Em Fevereiro, aquando das manifestações de estudantes em Valência, o El País denunciou a existência de um argumentário do Partido Popular (PP) destinado a dar directrizes aos seus militantes sobre as respostas que justificassem a violência da repressão. Que “não tinham pedido autorização para as manifestações e por isso eram ilegais”; “Não há cortes na educação, os estudantes estão a ser utilizados”; “ cortar o trânsito é um delito”; “ a maioria dos manifestantes não são estudantes”; “travam uma batalha que não é sua, enganados por gente com outros interesses” etc., etc. Perante a divulgação pela comunicação social do argumentário, o PP assumiu e disse ser “uma comunicação interna e habitual nos partidos”. Os espanhóis estão avisados.

3º - E cá? Para onde vão os argumentários do PSD e do governo? Para os quadros dos partidos? Para analistas e comentadores políticos?

Ou vão também e directamente para os jornais onde maus (falsos) jornalistas com a cumplicidade de directores fazem propaganda travestida de notícias? Para melhor compreender a situação da comunicação social portuguesa é fundamental ler o que o Provedor dos Leitores do Diário de Notícias, o jornalista Óscar Mascarenhas escreveu em 3 de Março último com o título “Contraditório porquê se a fonte da notícia foi alguém do governo?”. (clicar no ler mais)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PSD contra políticas de Passos Coelho.

Que mudança...

Transcrevo uma notícia do Diário de Notícias de hoje, da rubrica “Autarcas”, titulada “PSD de Chaves contra política de Passos”.

O grupo municipal do PSD Chaves apresentou e aprovou, por maioria, seis moções em Assembleia Municipal com críticas ao actual Governo (PSD/CDS-PP), propostas também apoiadas pelos restantes partidos políticos no Município (PS, CDS-PP e PCP).


Numa das seis moções apresentadas o PSD manifestou ao governo de Passos Coelho o “mais veemente protesto” com o fim da discriminação positiva dos benefícios fiscais às empresas do interior do país em sede de IRC.


Quanto ao hipotético encerramento do pólo de Chaves da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), os sociais-democratas “repudiam” o eventual fecho e apoiam “inequivocamente” as medidas que possam vir a ser tomadas que visem a continuidade do pólo.


Uma outra apresentada pelo PSD passa por reivindicar ao Governo o retorno da A24 como uma via sem custos para o utilizador para residentes e empresas nas zonas servidas pela auto-estrada.


O estado de graça do governo acabou nesta autarquia, pode dizer-se que demorou, pode dizer-se que estavam avisados e que ainda há pouco tempo recebiam em Chaves, Passos Coelho de braços abertos.

Mas é preferível apenas apontar o inevitável, “pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar todos, todo o tempo”.

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domingo, 6 de novembro de 2011

Cortes nos benefícios sociais.

No inicio - a ordem. Nov.2011
O que são os cortes na despesa? Serão os cortes anunciados pelo PSD e pelo CDS durante a campanha eleitoral – nas gorduras do Estado, nos gastos supérfluos, nos investimentos perdulários, nas mordomias dos detentores de cargos públicos, nos estudos externos encomendados a escritórios de advogados e outros sorvedouros, nas negociatas com o sector privado, nos institutos públicos inúteis, nos contratos ruinosos, no tráfico de influência e na corrupção. Ou os cortes na despesa são apenas e só – cortes nos benefícios sociais?
A Agência Lusa falou com Hans-Joachim Voth, resultou o texto que transcrevo na íntegra, publicado ontem no Diário de Notícias.

 Repetem-se erros que conduziram Hitler ao poder

Dois académicos da universidade espanhola Pompeu Fabra concluíram pela história, matemática e economia o que muitos políticos aprendem na pele – que a austeridade provoca contestação social, e que mais...


"Quanto mais corto nos benefícios sociais, mais agitação social tenho. O nível expectável de agitação aumenta maciçamente à medida que cai a despesa do Estado", disse à Agência Lusa Hans-Joachim Voth, um dos autores do estudo, resumindo a investigação que fez com Jacopo Ponticelli, com o título "Austeridade e Anarquia: Cortes Orçamentais e Agitação Social na Europa, 1919-2009".

No estudo, os dois investigadores olharam para os movimentos de contestação social, incluindo motins, manifestações, greves gerais, assassinatos políticos, crises governamentais e tentativas de revolução, ao longo de 90 anos, em 26 países, incluindo Portugal.

Um período que envolveu uma guerra mundial, assassinatos de presidentes e líderes políticos, nascimentos e mortes de nações, o fim da colonização e inúmeras revoltas e revoluções.
Ponticelli e Voth, investigador de História Económica, concluíram que os países que escolheram aumentar os impostos em vez de reduzir as prestações e serviços sociais enfrentaram menos contestação nas ruas.

"Subir impostos quase não teve efeitos, em comparação com os cortes na despesa. Quem paga impostos tem emprego e portanto, tem muito a perder, enquanto quem recebe transferências sociais - grande parte da despesa pública nos países observados - tem pouco a perder e sente que não é parte interessada na sociedade", explica o investigador.

"Ao ver o Estado cortar a despesa, ao dizer aos mais pobres que eles não têm prioridade, um número significativo vai decidir que este não é o género de sociedade em que querem viver", acrescenta Voth, que compara o fenómeno a um fogo - o fósforo pode ser uma causa exterior, mas o combustível são as razões que levam "tantas pessoas dispostas a assumir o pior e a decidir invadir as ruas" e partir para as formas mais extremas de contestação.

O investigador admite que, extrapolando para o futuro as conclusões do passado, é possível recear que o espectro da contestação aumentada ameace a Europa nos próximos anos, até porque, diz Voth, a revolta "tem a ver com as expectativas" e a classe média, que se habituou a esperar do Estado muito mais, deverá engrossar a massa contestatária.

"Se tudo desabar na agitação social, haverá um segundo ciclo em que nos vamos deparar com menos crescimento e receitas fiscais ainda mais baixas. Depois tem que se cortar outra vez e vamos acabar numa espiral, vamos acabar por destruir grande parte do tecido social e político que mantém a estabilidade na Europa", prevê Voth.

O investigador, nascido na Alemanha há 43 anos, diz mesmo que, no caso da crise na Grécia, a Europa vai "olhar para trás e ver que perdeu uma oportunidade gigante" para reforçar o continente e corrigir uma política económica e financeira que Voth compara mesmo àquela que levou à ascensão de Adolf Hitler.

"É o que os alemães viveram no início da década de 1930. A cada ano, o governo tomava novas medidas orçamentais, reduzia os salários da função pública, tentava equilibrar o orçamento e sempre que fazia isto a economia contraía ainda mais, as receitas fiscais era ainda mais baixas, o governo tinha de cortar mais e, no final, destruiu a democracia alemã.

"Repetir este erro é completamente imperdoável, em 2011", concluiu Voth.


Por: Lusa
Publicado no Diário de Noticias em 2011-11-05

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