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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Obama isolado. Britânicos votam contra ataque à Síria.

Cameron derrotado no Parlamento. Ago.2013

O Parlamento britânico votou contra uma intervenção militar na Síria proposta pelo governo. A medida teve 285 votos contra e 273 a favor.

O Prémio Nobel da Paz Barack Obama está agora isolado para fazer a guerra.

Os falcões da NATO estão divididos sobre o uso da força militar na Síria, a coligação ocidental que permitiu as intervenções anteriores, e das quais resultaram muitos milhares de mortos civis e a destruição conhecida, não está desta vez, e por agora, operacional.

Em Paris, François Hollande disse na manhã de ontem que “deve ser feito todo o possível para chegar a uma solução política” num evidente recuo sobre o acordo com Obama. 

Em Londres, o governo britânico teve de retroceder por imposição do Parlamento; David Cameron comprometeu-se a respeitar a vontade dos deputados, que “inviabilizaram a participação de forças britânicas numa intervenção” independentemente das conclusões dos inspectores da ONU.

Por agora, é um importante revés para a Casa Branca e uma demonstração da vitalidade da opinião pública - pela causa da paz.

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Armas químicas na Síria, arma de Obama?

Armas quimicas - a mostarda de Obama.Ago.2012

Obama disse em conferência de imprensa que “até agora” não deu “ordem para intervir militarmente na Síria”, e, deu a entender que a mostarda só lhe chegará ao seu nariz todo-poderoso, de quem decide pela paz ou pela guerra em qualquer parte do Globo, se começarem a ver “grandes quantidades de armas químicas a ser transportadas ou utilizadas”.

O tema das armas químicas na Síria, é em princípio, uma arma para consumo interno em tempo de eleições, perante a acusação de fraqueza que a oposição republicana faz a Obama.

É do conhecimento geral, que em Julho, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria, disse em Damasco que “nenhuma arma química” seria usada contra cidadãos sírios, e que as armas estavam “armazenadas em segurança sob a supervisão das forças armadas”, só prevendo o seu uso “no caso de a Síria ser alvo de uma agressão estrangeira”.

A Síria respondia assim ao alerta da Casa Branca sobre o arsenal de armas químicas sírio e a necessidade do regime garantir a sua segurança.

Na ocasião, a Síria chamou a atenção para a “possibilidade de estrangeiros armarem grupos terroristas com armas químicas (…) fazendo-as explodir em aldeias e acusando as forças sírias”.

Ou a declaração de Obama é preparatória de uma provocação terrorista ou é somente para uso na disparatada campanha eleitoral americana, neste último caso não faz sentido o relevo na imprensa; trata-se de uma sequência cinegética - depois da caça às bruxas temos a caça aos gambuzinos.

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sábado, 18 de agosto de 2012

Paz na Síria nas mãos da Casa Branca e Lakhdar Brahimi.

Urgente parar a guerra para negociar. Ago.2012

Brahimi quer saber com que apoio pode contar e a Casa Branca quer saber mais do mandato do emissário da ONU e da Liga Árabe.

Resume-se nestas incertezas a seriedade da missão de paz do novo mediador Lakhdar Brahimi.
 
Os Estados Unidos tiveram uma primeira reacção, nada prometedora para o fim do conflito sírio; o porta-voz do presidente Obama, Josh Earnest, declarou aos jornalistas que precisam “de mais detalhes da parte da ONU sobre o mandato de Brahimi no seu novo cargo”.

O secretário-geral da ONU tem tido posições contraditórias, ora alinha por soluções que vão no caminho do belicismo, ora pelo trilho das negociações, substituir a missão de paz de Kofi Annan, pelo experiente diplomata argelino Brahimi é dar uma oportunidade à paz negociada. Desta vez, Ban Ki-moon diz que “mais combates e militarização apenas vão exacerbar o sofrimento”.

As declarações da Casa Branca são reticências à missão de paz, o “mandato” do actual mediador só pode estar de acordo com as “boas práticas” introduzidas nas operações de manutenção de paz, depois do Relatório do Grupo para as Operações de Paz da ONU, elaborado em 2000, e conhecido por Relatório Brahimi.

Foi Lakhdar Brahimi quem chefiou o grupo de peritos que elaboraram as condições mínimas necessárias para o êxito das missões de paz, entre elas “ a obtenção de um mandato claro e especifico e o consentimento das partes em conflito”. A exigência de Brahimi, de saber com que apoio conta, inscreve-se nessas condições.

Ou seja, sem cessar-fogo não há processo de paz, e não há cessar-fogo enquanto a Casa Branca e os seus aliados apoiarem a militarização da oposição ao regime, e os países mais influentes junto do poder sírio não exigirem o fim das acções militares de Assad.

A China, sem reticências, promete cooperar com o novo enviado da ONU.

Brahimi pode ter uma missão impossível mas vai decerto esclarecer quem quer a paz e quem fomenta a guerra na Síria.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mais lido. Para-quedistas portugueses presos na Síria.

Paraquedistas portugueses presos na Síria.Jul.2012

Em parte, o ClariNet dedica-se a notícias que não são notícia, porque a nossa comunicação social não lhes dá relevo ou simplesmente as ignora. 

Nesse sentido vai o primeiro post deste mês sobre a cimeira do Mercosul que “suspendeu o Paraguai e integrou a Venezuela”. O que se passa na América Latina, onde está uma potência económica e política como o Brasil, o país com mais falantes de português, e outros, com quem temos relações comerciais de grande importância, deveria ter a atenção dos media nacionais. 

Também o facto de os restantes países de língua oficial portuguesa terem relações privilegiadas com a América Latina, deveria merecer o acompanhamento da evolução política na parte sul do continente americano.

Mas os meios de comunicação portugueses só têm olhos para a América do Norte; olhos e ouvidos com palas, que recebem e retransmitem as dores e anseios dos EUA como se fosse do nosso interesse - os seus interesses. 

A comunicação social portuguesa de referência (jornais e canais de televisão) é totalmente alinhada com a política da Casa Branca, mesmo que com isso prejudique valores civilizacionais, conveniências europeias ou proveitos pátrios. O incumprimento do direito a ser informado é nesta época de perca de todos os direitos, dos mais nocivos para a nossa sociedade e para a democracia.

 A introdução serve para dizer que a publicação sobre os "para-quedistas portugueses presos na Síria” foi de longe a mais lida em Junho. É assunto que nenhum jornal português referiu e que continua a receber visitas de Portugal e do estrangeiro, está espalhado por jornais e sites de todo o lado, cá, espera-se que passe despercebido.

Depois, as normais diatribes dos nossos colunáveis políticos; coube a vez a António Borges que dizia “ser urgente diminuir salários” quando ele ganhou “225 mil euros sem impostos”. A “Grécia. Resultados eleitorais obriga a coligação” e “Avião turco abatido na Síria mobiliza NATO” são os dois temas mais visitados, antes dos dois posts sobre a Manifestação de 16 de Junho da CGTP, o “anúncio” e o “pós-manifestação”. Por fim “Líbia. A 15 dias das eleições milícias ocupam aeroporto”. Como lá disse, demonstrou-se não haver condições para realizar eleições no prazo previsto. 

Fomos durante meses intoxicados com a Guerra da Líbia para depois o “jornalismo” abandonar a realidade líbia após a tomada de poder pelo CNT. É matéria para acompanhar, até porque ao contrário da grande maioria da comunicação social profissional, não temos vergonha do que dissemos. 

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domingo, 29 de abril de 2012

CISPA. A privacidade da Internet em causa.

Internet vigiada.Abr.2012

A liberdade e a privacidade não são separáveis, o direito à privacidade é parte das liberdades individuais nos países democráticos. A Câmara dos Representantes dos EUA não entendeu assim e aprovou a CISPA (Cyber Intelligence Sharing and Protection Act), que legitima a partilha de informação que circula na Internet, (até agora confidencial) entre organismos públicos e organizações privadas.

A lei, que ainda irá ao Senado e à Casa Branca, abarca os internautas estrangeiros e as suas publicações nas redes sociais ou sites; permite a troca entre os fornecedores de serviços da Internet, o governo americano e entidades privadas.

O PIPA e o SOPA que se dizia terem abandonado, afinal não o foram – refinaram-se. O projecto SOPA teve muitos críticos por ir contra a liberdade de expressão, mas no fundo o CISPA é a mesma SOPA com menos água, o essencial proteico está lá e em maior concentração; ou seja, expressem-se à vontade que quanto mais se expressam mais informações fornecem.

O CISPA vem legitimar uma prática já existente, embora limitada. Pelo menos desde o Patriot Act de 2001 que se seguiu ao atentado às Torres Gémeas, que os movimentos dos internautas são vigiados e as suas publicações esmiuçadas, os serviços de inteligência aproveitaram os receios por actos terroristas, para pôr os americanos a espiarem-se uns aos outros e a aceitarem a violação da privacidade.

Com o direito à privacidade definitivamente fora da Internet, cabe aos usuários tomar as cautelas devidas. A mim preocupa-me mais o princípio que as consequências práticas na minha rotina, ser vigiado e saber disso não é inédito, não altera nada.

A antiga PIDE fazia recortes de jornais, violava correspondência, seguia pessoas; estes fazem o mesmo com mais meios e sobre mais indivíduos. É a Nova Ordem.

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