Os portugueses parecem estar todos à espera do resultado de um exame clínico. Como se andasse por aí uma epidemia facilmente transmissível, que infecta de forma mais ou menos grave a população. As reacções são variadas, enquanto uns vivem despreocupados como habitualmente, outros entraram em depressão esperando o pior, ou ficaram zangados irritados e irritantes, e nos casos mais graves, desataram a gastar como se estivessem condenados e não houvesse amanhã. Um familiar que tem acesso às contas duma grande empresa de distribuição contou-me que nesta Páscoa se bateram todos os máximos de consumo, e já não é a primeira vez que me informa de records. Ou anda tudo doido ou há muita gente, demasiada, que ainda não tem noção da situação que se está e vai viver.
Para além dos casos de indivíduos que estão em processo de negação, há o contributo de muita gente que fala e escreve com a única razão de desabafar ou fazer propaganda. Passa a ideia perigosa que se ficarem os mesmos governantes o tipo de vida fica na mesma, que se substituírem os governantes o tipo de vida fica na mesma e até que se não se votar ou votar em branco nas próximas eleições, o tipo de vida fica na mesma.