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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Passadores, escorredores e outros filtros.



“A troika só sairá de Portugal quando Passos Coelho sair” poderia ter sido um útil sound bite de António Costa. Os jornalistas não adotaram esse como não quiseram passar outros.

A campanha eleitoral que agora termina é a primeira em que a generalidade da chamada comunicação social (toda?) tomou partido, ora às claras ora de forma subliminar.

A CDU e o Bloco tiveram de atacar o PS. Independentemente das divergências políticas, que as há e muitas, se não atacassem António Costa forte e feio não teriam a presença que tiveram nos jornais, rádios e televisões, dominados pela máquina do PSD; editores, jornalistas e jornaleiros, comentadores e mentideiros.

O Livre desapareceu dos favores da comunicação social, apesar de ter quadros mediáticos já feitos e tarimbados (não precisavam inventar personagens) por isso mesmo; não fez do ataque a António Costa o móbil da campanha.

No dia seguinte às eleições se verá as consequências destas estratégias de sobrevivência. Caso António Costa perca e seja substituído por qualquer Assis; – o que vão fazer as esquerdas no Parlamento, com um PS revirado a suportar o governo de Passos Coelho. Um bloco central sem discordâncias de fundo e a continuação da austeridade – desta vez a pedido.

António Costa não descolou nas sondagens porque teve contra, além dos partidos da esquerda e da direita, quase todos os passadores de mensagens e comentadores encartados. Passadores modelo coador, que filtraram e manipularam as mensagens da oposição que podia obrigar Passos Coelho a sair.

Mas votem, é o meu apelo: Pelo menos para que a percentagem que agora vota contra a coligação do governo seja uma grande maioria.


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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Novo Banco. Crimes dentro e fora do BES.

Fraude no BES.Ago. 2014
Novo Banco na falência do BES

Os mafiosos da banca alargaram o buraco do Grupo Espírito Santo ao banco BES com a complacência das autoridades e a cumplicidade dos homens de mão na comunicação social (económica e não só).

A fraude que criou hoje o Novo Banco vai custar dinheiro aos contribuintes - e não é só os juros do empréstimo da troika. Vai custar em falências, em desemprego, em destruição da economia real, para além das minudências do possível aumento das taxas bancárias dos comparsas do Fundo de Resolução.

Cavaco, Passos Coelho, todos os comentadores encartados ao serviço da ideologia do governo e o Banco de Portugal, andaram a adormecer o pagode.

A almofada que Carlos Costa anunciou na Comissão de Orçamento e Finanças da AR como “suficiente para tapar eventuais buracos” serviu para tapar a boca durante duas semanas à opinião pública. Enquanto isso e até ao último instante desviaram-se milhões do BES e destruiu-se a sua cotação em bolsa.

As dívidas que a actual administração (Vítor Bento) do BES entretanto pagou; em montante e a quem, é algo que é preciso saber. Os activos que conformam o “banco mau” e o provisório “Novo Banco” não se conhecem; ora, e como se viu no BPN, é aí que está o “grande negócio” da futura venda do “Novo Banco”.

O resgate do BES com dinheiro público é um facto (dívida pública da linha troika). Salva-se o banco com a injecção de 4,9 milhões de euros (sete vezes mais que o valor de mercado do BES) e Carlos Costa diz que “não terá custos para o erário público nem para os contribuintes”.

As “almofadas” de Carlos Costa são agora para tapar os olhos e os ouvidos dos portugueses. Para intoxicar, que isto nos produtos tóxicos anda tudo ligado; Passos nas calmas de férias no Algarve, fortunas pessoais dos Espírito Santo e demais gestores em bom recato, créditos bancários às empresas a desaparecerem.

Precisam-se investigações da Justiça a esta gente e provavelmente investigações à própria Justiça. Isto anda tudo ligado e sempre ligado ao péssimo funcionamento da Justiça em Portugal.

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Razões marxistas para manter Passos Coelho?

Quem manda é o Capital. Jul.2014
 
Dei com isto no Facebook: - “Mais do que uma mudança de governo, do que precisamos é do fim deste regime de castas (…) ”

Numa leitura rápida, o governo é secundário, o regime tem de ser alterado. O regime é alterado antes das eleições legislativas de 2015? Ou é indiferente ter Passos ou Seguro ou Costa como primeiros-ministros deste país?

Parecia-me aquilo em voga, nos debates abreviados e com carimbo aviados; fulano não é de esquerda, são todos iguais, vai fazer assado, é pior que o outro e vices-versas até serem todos sociais-democratas, coisa que – dizem – já não existe.

Do Facebook enviam-nos para o jornal i, onde Nuno Ramos de Almeida fez um artigo interessante. Diferente da leitura rápida da frase descontextualizada, concordo que alegar uma política realista pode ser perigoso. Tem limites óbvios e na matéria versada (as posições de Ana Drago) parecem-me estar balizados.

Não consta que os dissidentes do Bloco de Esquerda aceitem ir para o governo com quem tenha uma posição “ortodoxa” sobre o Manifesto da Troika e o Pacto Orçamental. Passos, Seguro ou Costa têm, cada um deles, posições díspares sobre esses assuntos. Costa, pelas intervenções na Quadratura do Círculo, é um crítico (é agora, mas é) dos dois papéis.

Depois, há dentro da “política realista” aritmética simples, como a necessidade dos votos do PS (só Costa chega lá) para tirar Passos Coelho do governo. Não será preciso apresentar razões; fundamentais como o Serviço Nacional de Saúde ou a Escola Pública bastariam para procurar entendimentos muito alargados nessas causas.

Penso que é possível uma política hegemónica a partir da recomposição inevitável das forças políticas e sociais existentes, defensoras da Constituição. Mais que doutrina a maioria dos portugueses afectados pelas crises esperam soluções. A decisão do “Fórum Manifesto” é uma demonstração de insatisfação com o impasse da representação política.

Ana Drago era das políticas da esquerda mais elogiadas e partilhadas nas redes sociais, agora, para alguns é social-democrata quando não pior. Mas atrás dos tempos vêm tempos e em política as coisas medem-se pelos resultados.

A cena política vai mudar porque tem de mudar.

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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Passos Coelho, Bruno de Carvalho – os incontinentes.

Passos Coelho incontinente.Jun.2014
 
A conversa de caca – explícita – tomou conta das televisões. A violência verbal atinge o clímax com um dirigente desportivo a chamar a atenção para ele próprio, através do uso da linguagem de esgoto. A urbanidade e delicadeza de quem tem chuteiras nos neurónios. E não é fácil perceber o que Bruno de Carvalho pretende.

Passos Coelho, o outro incontinente verbal do dia, percebe-se perfeitamente o que quer. Um presidente, um governo, uma maioria - e um Tribunal Constitucional.

Qualquer ditador governaria com qualquer Constituição e sem disparar um tiro com os quatro trunfos do sonho de Passos Coelho.

É só mais um trunfinho do que o sonho de Sá Carneiro, caramba.

Pois é. Mas aquilo que Passos diz que “não se resolve acabando com o tribunal evidentemente. Resolve-se escolhendo melhor os juízes”, é a diferença entre governar em democracia num Estado de Direito e o poder absoluto numa ditadura de trampa (para citar Bruno de Carvalho).

Andam as boas almas nacionais preocupadas com o recrudescimento da extrema-direita na Europa. Não enxergam o que têm em casa?

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

E que tal – um governo constitucional?

Já não vale a pena criticar o governo. Jun2014
 
O governo de Passos e Portas lançou a sua máquina mediática infernal contra o Constitucional, até o futebol passou para segundo plano nas televisões. 

Devia alertar os democratas defensores de um Estado de Direito, devia mobilizar toda a sociedade, independentemente de serem muito à esquerda ou mais ao centro ou além de tudo isso. Temos o governo mais retrógrado da democracia.

Já não vale a pena criticar o governo, tem de se tirar Passos Coelho do poder. Não se pode permitir que só ou acompanhada, esta direita continue no próximo governo.

Hoje escrevi na caixa de comentários deste blogue (acerca de António Costa) o seguinte:

Há uma esquerda que prefere um governo de direita ou do bloco central. Limita-se à denúncia ou à contestação aos governos e tem vivido (muito bem) assim - e disso.

Costa é um inconveniente, pois conseguiu quer como líder parlamentar quer na Câmara de Lisboa, aproximações à sua esquerda e trabalhar com eles; é também estranho ao aparelho do PS que já anda às turras com a proposta de eleições primárias abertas de Seguro (não são nada abertas como se confirmará brevemente) que lhes iria aos tachos.

A campanha contra Costa já anda em “blogues de esquerda” (aliada da primeira tropa do Relvas) ao estilo negro anti-sócrates. Os votos em partidos pequenos reflete a penetração da publicidade contra a política mas dispersa-se num primeiro momento para reagrupar mais tarde, estamos a ver em Itália. Pode demorar muito ou pouco tempo, depende da acção dos governos sem oposição, como o actual.

Para mim, e para aqueles que vivem o dia-a-dia semelhante ao meu (e percebem porquê), o primeiro objectivo é tirar esta gente de qualquer governo, o resto é cavaqueira (muito politizada) com promessas de desenlaces lindos e utópicos para antes de 2015, ou qualquer dia. Nenhum governo será igual ao que temos hoje é para mim uma observação objectiva e que vai haver um governo a seguir a este também.

Como os portugueses têm quase todos a 4ª classe, sabem somar. Somando os partidos pequenos que não querem governar, às tertúlias que nem votam não dá para fazer um governo. Dá apenas para passar o tempo na conversa.


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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Mário Soares explica com desenhos.

Mario Soares apoia António Costa.Mai.2014

Mário Soares, o que assina fundador do PS, nestes dias tresmalhados volta a mostrar símbolos que marcavam as esquerdas - sinais extraviados quando Blair/Giddens desencaminharam o “trabalhismo” pelo caminho de cabras da terceira via.

Mário Soares vê em António Costa o líder do partido "do punho erguido à esquerda e dos socialistas que não têm medo de ser tratados por camaradas”. Pronto, está feito, Mário Soares ditou o seu testamento. O filho, João Soares, está por agora politicamente deserdado - mas a família é imensa.

O sistema político-partidário português permite que uma ínfima minoria, composta de dirigentes locais de um partido (o aparelho),possa decidir quem se vai candidatar a próximo primeiro-ministro. No caso actual, decide se o governo de Passos/Portas e Cavaco continua no poder para além de 2015, ou não.

Não é o PS nem figuras públicas do PS que estão em jogo, esses problemas são alheios à maioria dos portugueses, é a continuação do actual governo.

Uma liderança António Costa no PS altera tudo, altera a vitória fácil, já prevista por quase todos, de Passos Coelho sobre António José Seguro em 2015.

Mesmo sendo só isso…é pouco?

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domingo, 4 de maio de 2014

Saída com fralda.

Saída Limpa... Mai.2014
 
Duas piadas de Passos Coelho marcaram a comunicação da chamada saída do programa de assistência; que o governo tenha “estancado a dívida” (já vai em 131%) e a “reconquista da nossa autonomia” (uma piedosa frase eleitoralista).

Mais disse, que “a nossa escolha (dele) está alicerçada no apoio dos nossos parceiros europeus”. Não se recorre agora a “qualquer programa cautelar” mas ele está garantido em caso de necessidade. Há portanto, uma fralda europeia para aparar as próximas indecências do governo.

Por cá, não há bacios para tanta matéria, fraldas serão uma boa saída?

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domingo, 13 de abril de 2014

A inocência do governo PSD/CDS.

in Jornal Público 13-4. Abr.2014

A direita no poder definiu hoje os termos da sua campanha para as eleições europeias.

Quer apagar da história os seus três últimos anos de governação. O país está “como está”, por causa dos governos anteriores a Passos Coelho - dizem.

O governo Passos Coelho / Paulo Portas / Cavaco Silva, não contará para a actual situação desgraçada do país.

Para que alguma ponta da raiz de tal campanha pegue, é preciso muita colaboração das oposições. Para que tal mensagem passe, é necessária grande aselhice à esquerda.

A esquerda anda desastrada, a parlamentar e todas as outras, incapazes de reformular estratégias e de aproveitar momentos favoráveis. A direita diz que as Eleições Europeias “não são umas primárias das legislativas”.

Vamos ver quem, não sendo de direita, vai nisso…


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domingo, 6 de abril de 2014

Passos Coelho–sem novidade no salário mínimo.

Salário Mínimo da UGT não repõe poder de compra.Abr.2014

Hoje, no 13º congresso nacional dos TSD, em Albufeira, Passos Coelho afirmou: “Digo hoje perante o país que o governo está disponível para aprofundar o esforço de concertação (…), de modo a trazer para cima da mesa a discussão da melhoria de salário mínimo nacional (…).

Diz, hoje, o que já tinha dito em 2013, aquando da discussão do Orçamento para 2014. “Aprofundar o esforço de concertação” não significou nada em 2013 nem significa nada para 2014.

Um eventual aumento do Salário Mínimo vai ser deixado para o ano de eleições, e, pela proposta da UGT, não chegará para repor o poder de compra.

Carlos Silva da UGT defendeu na abertura do congresso dos TSD, um aumento de 15 euros (dos actuais 485 para 500 euros), quando lemos que para recuperar o poder de compra perdido desde 2011, o salário mínimo nacional teria de aumentar 5,1% - para os 510 euros - no próximo ano.

A CGTP, que já em 2013 defendia um aumento do Salário Mínimo para 515 euros, propõe um aumento mínimo dos salários em 1 euro por dia, (30 por mês) para 2014.

A UGT reivindica metade do valor proposto pela CGTP para o salário mínimo. Como já se sabe o que é a negociação do governo com os “sindicatos”, (quer dizer UGT), o salário mínimo mais as “cedências” dos “representantes dos trabalhadores” vai dar em quê?

Têm de ser os trabalhadores, nas empresas e nas ruas, a reivindicar um salário digno.

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Primeiro de Abril.

oclarinet.blogspot.com - Primeiro de Abril. Abr.2014

Com o governo PSD/CDS; todos os dias - são dias de feira.

Na banca da feira, vende-se agora que “não querem modelo económico assente em baixos salários”.

Pregoeiros; Cavaco Silva, Passos Coelho e seus muchachos.

Últimos dias…só para lorpas.


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quinta-feira, 13 de março de 2014

Estado condenado a pagar a ex-espião.

oclarinet.blogspot.com- Espiões e PSD  ligação familiar. Mar.2014

Estado terá de pagar salários a Jorge Silva Carvalho desde Janeiro de 2012. A decisão é do Supremo Tribunal Administrativo.

Jorge Silva Carvalho, o ex-espião que depois de ter saído das secretas foi contratado pela Ongoing, foi “acusado” de ter espiado conversas do telemóvel do jornalista Nuno Simas e de enviar clippings diários de imprensa a Miguel Relvas. A principal matéria passível de incriminação foi a de passar informações classificadas à Ongoing.

Jorge Silva Carvalho, ex-director do SIED - Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e ex – funcionário (técnico coordenador) do SIS, foi exonerado pelo secretário-geral dos serviços de Informação em Dezembro de 2010 e contratado em Março de 2013, como técnico superior para a Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, por despacho de Passos Coelho e Vítor Gaspar. Com seis anos de serviço, tinha “adquirido o vínculo definitivo ao Estado”.

Já estão esquecidas as polémicas sobre a relação de certa maçonaria com políticos do partido do governo e homens de negócios; no caso, através da loja Mozart, da qual era membro o ex-espião assim como Nuno Vasconcelos (presidente da Ongoing) e Luís Montenegro (líder parlamentar do PSD).

Segundo o Jornal i, o ordenado (sujeito a retroactividade) do ex-espião, “deve rondar os 3.500 euros mensais limpos”.

Miguel Relvas também está reintegrado.

Mais sobre o tema:

As secretas e a manipulação de relatórios pelo PSD

SIS? Métodos das secretas em democracia



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terça-feira, 11 de março de 2014

70 Personalidades mais um. Saída falsa.

Cautelar- Limpa - ou Saída Falsa...Mar.2014
 

Passos Coelho tem medo do manifesto subscrito por 70 personalidades de diversos quadrantes políticos.

Primeiro-ministro reage duramente ao manifesto que pede a reestruturação da dívida. Passos diz que o manifesto “envia a mensagem errada aos que confiam no país”. É na troika e nos “mercados” que pensa Passos Coelho, não é no país.

O país sabe que não é possível pagar a dívida nestas condições sem acabar com o país, o próprio Cavaco Silva criou a ficção de um crescimento nominal do produto da ordem dos 4 por cento e taxa de juro semelhante, para lá por volta de 2035 chegarmos aos famigerados 60% da dívida.

Mais duas décadas de austeridade, com crescimentos que já não temos há 40 anos e impossíveis de atingir com Portugal na Zona Euro.

Para Passos Coelho a reestruturação da dívida é tabu, para os 70 será tabu discutir a saída do euro. Sabemos que não é para todos, que para alguns apelar à reestruturação da dívida é o passo que pode ser dado em comum com personalidades de lugares tão distantes como Ferreira Leite e Louçã.

Mas, sendo inevitável a reestruturação da dívida portuguesa, sendo justo lembrar a solidariedade com a Alemanha no pós-guerra, não se sabe o que é uma “reestruturação responsável” no “espaço institucional europeu”. Não se sabe que “espaço institucional europeu” os 70 vêm na Europa.

Todos estarão de acordo com o manifesto, de que Portugal “não vai contornar sozinho o problema do excesso de endividamento, já que perdeu a soberania monetária e cambial para intervir na economia”.

E recuperar a soberania monetária e cambial para intervir na economia? Sair do euro! Passar dificuldades por poucos anos, em vez da eternidade de austeridade oferecida. Não é para este manifesto!

Falar em sair do euro é capaz de enviar “a mensagem errada aos que confiam no país”.


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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Relvas regressa ao PSD para fazer o que sabe.

Relvas regressa.Fev.2014
 

É normal que Miguel Relvas tenha liderado a lista de Passos Coelho ao Conselho Nacional do PSD? Segundo as notícias “provocou um grande mal-estar junto de muitos congressistas”.

O dito mal-estar faz parte da encenação. Para os desafios eleitorais da direita fazem falta os “Relvas”; gente capaz de mobilizar e dirigir o aparelho partidário.

Ou iam buscar um sucedâneo, fazer uma experimentação, ou Passos Coelho apostava em alguém com provas dadas. Como o tempo não está para ensaios, volta Relvas com a autoridade de ter encabeçado a lista vencedora do Conselho Nacional.

O PSD, que não é um partido famoso pela ética e pela vergonha na cara, acaba por decidir em função das necessidades práticas.

Quem acha insensata a nomeação de Relvas, não percebe Passos Coelho. O primeiro-ministro já demonstrou ser capaz de atropelar tudo para levar avante o seu projecto.

Miguel Relvas e Passos Coelho estão ligados desde sempre. 

Não se pense que Relvas é uma pedra na engrenagem eleitoral do PSD - Relvas é a engrenagem.


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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Passos Coelho ouve “insultos” em Castelo Branco.

Passos Coelho mal recebido em Castelo Branco. Fev.2014

É notícia (lusa) que Passos Coelho foi hoje “insultado” por manifestantes em Castelo Branco.

Como não li na notícia, nem até agora ouvi ou vi nas televisões quais foram os insultos, supõe-se que ultrapassam os apupos habituais que brindam os passeios domingueiros dos nossos governantes.

O que será para o relatador - insulto? Que pena não sabermos, quando afinal sabemos tudo o que se passa nas manifestações de fascistas, da América Latina à Ucrânia.

Será que as expressões, ditas em muitas das manifestações (e por todo o lado) contra este governo e o primeiro-ministro, vão passar a ser qualificadas pelos mensageiros das notícias, como se lhes encomendassem pareceres jurídicos.

Se calhar não são insultos.

Cá em casa, já tenho ouvido a uma professora reformada, aliás, de esmerada educação, alguns comentários (como quando lê os gamanços da sua pensão) impróprios para menores. Será isso insulto?

Ou é a expressão (vernácula) de quem está a ser insultado?


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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Vendo o meu Miró.

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Confesso-me sensibilizado com o paleio discurso do nosso primeiro-ministro Passos Coelho, sobre os quadros de Joan Miró, encontrados na posse da quadrilha (de políticos-ladrões-sociais-democratas) do BPN.

Disse o nosso Coelho que é preciso ser “extremamente criterioso” nas opções; “Quando temos dificuldade em ter dinheiro na área da cultura para recuperar o património que precisamos recuperar (…) e não temos dinheiro para isso”.

De certeza que o dinheiro dos Miró, seria para investir na recuperação do património cultural. Quem não acredita em Passos Coelho?

A “dação em pagamento da dívida”, do BPN à CGD, (que possui uma galeria publica de arte) como sugeriu Teixeira dos Santos, está fora de questão para Passos - passemos adiante.

Como isto da recuperação do património é muito importante, não só o da arte, mas também o outro património essencial - que são as nossas vidas, estou disposto a leiloar o meu Miró por tal causa.

Um caneco, mais valioso que as litografias da “Questions D´Art” que rondarão uns 50 dólares. Os canecos partem-se, tornam-se naturalmente raros, como é sabido…

Como um caneco não faz uma colecção do caneco, alguém tem de juntar um caneco das Caldas, para fazer uma colecção do pincel…pois, ou isso!

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Passos Coelho não gosta dos seus conterrâneos.

Avião de Bragança  - vigarice .Jan.2014
Portugueses que gostam mais dos alemães, (ou dos americanos, ou dos russos, ou dos espanhóis) que dos seus compatriotas, há muitos. Que detestem os patrícios da sua terra, daquele lugar primeiro do nascimento é mais raro.

Ontem, José Sócrates contou um episódio da indecência da política eleitoralista, que merece ficar para memória futura.

Sócrates também tem histórias, outros políticos terão outras, mas a de Passos Coelho com a linha aérea Trás-os-Montes/Lisboa é uma nojeira exemplar.

Este governo, em Novembro de 2012, retirou o subsídio de rota à carreira aérea Lisboa-Vila Real- Bragança. O transporte por avião que funcionou ininterruptamente durante 15 anos ficou suspenso, porque, dizia o governo, Bruxelas não permitia esse financiamento.

No fim de 2012, o governo anunciou uma solução (subsídio por bilhete) para repor a ligação aérea. Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, informou estar dependente da aprovação de Bruxelas.

Sócrates disse ontem no seu programa na RTP, que recentemente o primeiro- ministro informou não ter ainda “luz verde da Comissão Europeia” para o novo modelo de financiamento. Mas, “acontece que deputados do PCP perguntaram à Comissão” pela proposta do governo português e a Comissão Europeia respondeu: “não tomamos posição pela simples razão de o governo português não ter cá proposta nenhuma, já teve mas retirou-a”, conta Sócrates.

Pior, ainda, que esta aldrabice obscena, são as datas em que a proposta entrou e foi retirada da Comissão Europeia.

Segundo o comentador averiguou, o governo fez um decreto-lei (o tal dependente de Bruxelas) e anunciou-o, com promessas, em 13 de Agosto (período da campanha autárquica). Em 29 de Setembro deram-se as eleições autárquicas, e no dia 30…no dia seguinte à votação – o governo retirou a proposta de Bruxelas.

Passos Coelho enganou os transmontanos indecentemente.

Passos Coelho não tem raízes - nem aprumadas, nem murchas. Dizem-no transmontano, fizeram-no presidente da assembleia do município de Vila-Real, mas não passa de uma infiltração de sujidade nas terras asseadas de Trás-os-Montes.

Passos Coelho obrigou as portagens na A 24, parou o Túnel do Marão, extinguiu o museu do Côa e quer fazer o mesmo ao helicóptero de Macedo, encerra serviços hospitalares, escolas e tribunais; mas ainda o recebem em Trás-os-Montes.

E recebem-no bem…e voltam a votar nele?!


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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Passos Coelho volta a ser reeleito primeiro-ministro.

Apre - Passos Coelho reeleito - NÃO. Jan.2014

Lê-se hoje no jornal Público uma frase que pairava nas nuvens, sobre Passos Coelho, escreve-se; “ (…) agora que aumenta a convicção de que pode voltar a ser reeleito primeiro-ministro, no próximo ano.” Está dito e escrito num jornal de referência.

Enquanto uns estão convictos de que bastará a propaganda para ser reeleito, outros estão convictos de que quem está a sofrer as consequências da governação de Passos Coelho não lhe dará o seu voto nem se vai abster. Foi isso que os reformados foram ontem dizer a São Bento. Nós Votamos!

“Passos Coelho volta a ser reeleito primeiro-ministro” - é campanha; que “aumenta essa convicção” é técnica publicitária.

Estamos a ser bombardeados com números aldrabados, e, “aumenta a convicção”, de que vamos assistir a um crescendo da divulgação de dados “oficiais” e previsões económicas milagrosas, para branquear o cenário negro da vida dos portugueses. Será o cerne da campanha da reeleição de Passos Coelho.

Daí valer a pena (por exemplo) recuperar a denúncia do “insuspeito” Bagão Félix. Compreender os números, entender a vigarice.

Falácias e mentiras sobre pensões

Por Bagão Félix*

Escreveu Jean Cocteau: “Uma garrafa de vinho meio vazia está meio cheia. Mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade”. Veio-me à memória esta frase a propósito das meias mentiras e falácias que o tema pensões alimenta. Eis (apenas) algumas:

1. “As pensões e salários pagos pelo Estado ultrapassam os 70% da despesa pública, logo é aí que se tem que cortar”. O número está, desde logo, errado: são 42,2% (OE 2014). Quanto às pensões, quem assim faz as contas esquece-se que ao seu valor bruto há que descontar a parte das contribuições que só existem por causa daquelas. Ou seja, em vez de quase 24.000 M€ de pensões pagas (CGA + SS) há que abater a parte que financia a sua componente contributiva (cerca de 2/3 da TSU). Assim sendo, o valor que sobra representa 8,1% da despesa das Administrações Públicas.

2. Ou seja, nada de diferente do que o Estado faz quando transforma as SCUT em auto-estradas com portagens, ao deduzi-las ao seu custo futuro. Como à despesa bruta das universidades se devem deduzir as propinas. E tantos outros casos…

3. Curiosamente ninguém fala do que aconteceu antes: quando entravam mais contribuições do que se pagava em pensões. Aí o Estado não se queixava de aproveitar fundos para cobrir outros défices.

4. Outra falácia: “o sistema público de pensões é insustentável”. Verdade seja dita que esse risco é cada vez mais consequência do efeito duplo do desemprego (menos pagadores/mais recebedores) e - muito menos do que se pensa - da demografia, em parte já compensada pelo aumento gradual da idade de reforma (f. de sustentabilidade). Mas porque é que tantos “sábios de ouvido” falam da insustentabilidade das pensões públicas e nada dizem sobre a insustentabilidade da saúde ou da educação também pelas mesmas razões económicas e demográficas? Ou das rodovias? Ou do sistema de justiça? Ou das Forças Armadas? Etc. Será que só para as pensões o pagador dos défices tem que ser o seu pseudo “causador”, quase numa generalização do princípio do poluidor/pagador?

5. “A CES não é um imposto”, dizem. Então façam o favor de explicar o que é? Basta de logro intelectual. E de “inovações” pelas quais a CES (imagine-se!) é considerada em contabilidade nacional como “dedução a prestações sociais” (p. 38 da Síntese de Execução Orçamental de Novembro, DGO).

6. “95% dos pensionistas da SS escapam à CES”, diz-se com cândido rubor social. Nem se dá conta que é pela pior razão, ou seja por 90% das pensões estarem abaixo dos 500 €. Seria, como num país de 50% de pobres, dizer que muita gente é poupada aos impostos. Os pobres agradecem tal desvelo.

7. A CES, além de um imposto duplo sobre o rendimento, trata de igual modo pensões contributivas e pensões-bónus sem base de descontos, não diferencia carreiras longas e nem sequer distingue idades (diminuindo o agravamento para os mais velhos) como até o fazia a convergência (chumbada) das pensões da CGA.

8. “As pensões podem ser cortadas”, sentenciam os mais afoitos. Então o crédito dos detentores da dívida pública é intocável e os créditos dos reformados podem ser sujeitos a todas as arbitrariedades?

9. “Os pensionistas têm tido menos cortes do que os outros”. Além da CES, ter-se-ão esquecido do seu (maior) aumento do IRS por fortíssima redução da dedução específica?

10. Caminhamos a passos largos para a versão refundida e dissimulada do famigerado aumento de 7% na TSU por troca com a descida da TSU das empresas. Do lado dos custos já está praticamente esgotado o mesmo efeito por via laboral e pensional, do lado dos proveitos o IRC foi já um passo significativo.

11. Com os dados com que o Governo informou o país sobre a “calibrada” CES, as contas são simples de fazer. O buraco era de 388 M€. Descontado o montante previsto para a ADSE, ficam por compensar 228 M€ através da CES. Considerando um valor médio de pensão dos novos atingidos (1175€ brutos), chegamos a um valor de 63 M€ tendo em conta o número – 140.000 pessoas - que o Governo indicou (parece-me inflacionado…). Mesmo juntando mais alguns milhões de receitas por via do agravamento dos escalões para as pensões mais elevadas, dificilmente se ultrapassam os 80 M€. Faltam 148 M, quase 0,1% do PIB (dos 0,25% que o Governo entendeu não renegociar com a troika, lembram-se?). Milagre? “Descalibração”? Só para troika ver?

12. A apelidada “TSU dos pensionistas” prevista na carta que o PM enviou a Barroso, Draghi e Lagarde em 3/5/13 e que tinha o nome de “contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões” valia 436 M€. Ora a CES terá rendido no ano que acabou cerca de 530 M€. Se acrescentarmos o que ora foi anunciado, chegaremos, em 2014, a mais de 600 M€ de CES. Afinal não nos estamos a aproximar da “TSU dos pensionistas”, mas a … afastarmo-nos. Já vai em mais 40%!

13. A ideologia punitiva sobre os mais velhos prossegue entre um muro de indiferença, um biombo de manipulação, uma ausência de reflexão colectiva e uma tecnocracia gélida. Neste momento, comparo o fácies da ministra das Finanças a anunciar estes agravamentos e as lágrimas incontidas da ministra dos Assuntos Sociais do Governo Monti em Itália quando se viu forçada a anunciar cortes sociais. A política, mesmo que dolorosa, também precisa de ter uma perspectiva afectiva para os atingidos. Já agora onde pára o ministro das pensões?

P.S. Uma nota de ironia simbólica (admito que demagógica): no Governo há “assessores de aviário”, jovens promissores de 20 e poucos anos a vencer 3.000€ mensais. Expliquem-nos a razão por que um pensionista paga CES e IRS e estes jovens só pagam IRS! Ética social da austeridade?

*Economista, ex-ministro das Finanças
(in Público – 13.01.2014)


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Melgas de Inverno. Alastra febre laranja.

Melgas atacam. Jan.2014

O pernilongo do Algarve juntamente com o muriçoca de Massamá são os principais vetores de disseminação da febre laranja. Como alguns previam estendem-se pelo território nacional com ajuda dos ventos troikos e nem o inverno os detém.

As ditas melgas incapacitantes são responsáveis pelo aumento de alergias e outras hipersensibilidades. Como é já sabido, a sobrevida dos parasitas que se julgava ser de quatro anos, corre o risco de ser ampliada pela reprodução sucessiva da espécie portadora.

A praga ameaça continuar a sugar os portugueses, não se conhecendo ainda uma forma definitiva de erradicar os grandes “bicos” laranja.

Sem mezinha radical a solução popular é enxotar a bicharada; espera-se para 2014 um grande chinfrim, provocado por magotes de pessoas a sacudir e espantar as melgas.


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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Do bacalhau à forquilha.

Apoio aos protestos dos Forconi. Jan.2014

Um dos entreténs do início do ano é fazer o balanço do ano anterior. Há balanços que espevitam, outros que adormecem e ainda outros que só enervam. As televisões dão as assombrações, Cavaco, Portas e Passos Coelho, mais o pavor de termos de levar com eles em 2014.

Não é maneira de começar o novo ano que todos os portugueses desejaram, uns aos outros, que seja bom. Nada aponta para que haja melhorias colectivas.

Começo a ano cansado (das canseiras que aí vêm); exercícios, só pequeninos.

Como no dia 1 de cada mês publico os títulos mais lidos no mês anterior, aqui vão com o comentário, de haver em dez, dois ligados ao bacalhau e outros dois ao movimento dos "Forconi". O bacalhau é da época embora o primeiro post seja lido todo o ano, por todos os continentes, coisas da Internet.

Já os “Forconi” é fruto da falta de informação geral; só vi um artigo de opinião de Jorge Almeida Fernandes, uma notícia no Expresso e uma salgalhada encomendada pelo Esquerda.Net, a uns trotskistas que em Itália viram num movimento com o apoio de 86% de italianos, uma ofensiva dos fascistas contra a classe operária.

Os dez títulos de Dezembro, por ordem:

(2011) – Bacalhau, como escolher, como comprar e preparar.

01/12 – História. A clandestinidade das Brigadas Revolucionárias.

15/12 – Um Tribunal Constitucional a favor do governo?

26/12 – Militantes do Bloco de esquerda querem saída do euro. 

13/12 – Movimento Forconi despoleta rebelião em Itália.

09/12 – Bacalhau sem fosfatos. Como escolher bacalhau. 

20/12 – Passos Coelho não desiste de baixar pensões.

10/12 – Movimento da Forquilha. A revolta social em Itália. 

04/12 – A mãe de Sócrates. Os professores.

29/12 – Bolívia. Somos Más.

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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