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segunda-feira, 24 de março de 2014

França. Extrema-direita consolida vitórias.

Extrema-direita elege presidente  de câmara. Mar.2014

A Frente Nacional de Marine Le Pen, que até agora “não existia” no poder local francês, conquistou a Câmara de Hénin-Beaumont, já na primeira volta das eleições autárquicas.

Mais; Com uma abstenção que terá chegado pelo menos a 38,5%, sete candidatos do partido de extrema-direita de Marine Le Pen estão à frente nas contagens iniciais dos votos da primeira volta das eleições municipais em França.

A extrema-direita, consolida com vitórias nas autárquicas a sua implantação. Le Pen, que viu sondagens (as primeiras em Outubro de 2013) darem-lhe a vitória para o Parlamento Europeu (essas com 24% contra 22 da UMP e 19 do PS) já não é apenas uma advertência para os socialistas e conservadores franceses; continua a subir nas intenções de voto.

Não se sabe se a mudança de imagem que Marine Le Pen tenta fazer, de uma extrema-direita xenófoba para uma direita patriótica e republicana, consegue maior aprovação ou se são as próprias ideias ultra-conservadoras que têm agora mais aceitação.

O descontentamento com a gestão de Hollande e a direita tradicional, a falta de uma esquerda com projecto aceite como viável e a rejeição por muitos franceses, dos ditames das instituições europeias, fortalece o populismo e a extrema-direita.

Ser entre os idosos e os operários que a extrema-direita se reforça em França, é um caso de estudo para os “teóricos da esquerda”. Talvez por a esquerda passar muito tempo à cata da teoria a aplicar e demorar a arregaçar as mangas para bulir, seja uma causa para isto se passar.

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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Obama isolado. Britânicos votam contra ataque à Síria.

Cameron derrotado no Parlamento. Ago.2013

O Parlamento britânico votou contra uma intervenção militar na Síria proposta pelo governo. A medida teve 285 votos contra e 273 a favor.

O Prémio Nobel da Paz Barack Obama está agora isolado para fazer a guerra.

Os falcões da NATO estão divididos sobre o uso da força militar na Síria, a coligação ocidental que permitiu as intervenções anteriores, e das quais resultaram muitos milhares de mortos civis e a destruição conhecida, não está desta vez, e por agora, operacional.

Em Paris, François Hollande disse na manhã de ontem que “deve ser feito todo o possível para chegar a uma solução política” num evidente recuo sobre o acordo com Obama. 

Em Londres, o governo britânico teve de retroceder por imposição do Parlamento; David Cameron comprometeu-se a respeitar a vontade dos deputados, que “inviabilizaram a participação de forças britânicas numa intervenção” independentemente das conclusões dos inspectores da ONU.

Por agora, é um importante revés para a Casa Branca e uma demonstração da vitalidade da opinião pública - pela causa da paz.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Síria. Hollande recua e defende uma solução política.

Síria. Hollande pede solução política. Ago.2013

François Hollande afirmou hoje num encontro com jornalistas, que “deve ser feito todo o possível para chegar a uma solução política” para o conflito sírio.

A declaração de Hollande, proferida tendo ao lado o líder da “coligação nacional síria”, Ahmad al-Asi al-Jarba que recebeu em Paris, é uma evolução no discurso da França sobre a ameaça ocidental de intervir militarmente na Síria.

A ONU apresentará no próximo sábado dados sobre o ataque químico na Síria.

Enquanto Londres defende acção militar mesmo sem acordo na ONU e Obama afirma ainda não ter tomado uma decisão, a nova atitude de Hollande representa as dúvidas no seio da coligação de agressão NATO. Poderá estar em causa a “resposta comum” que Obama e Hollande afiançaram no último domingo.

Se o passo atrás de Hollande é genuíno, é um passo contra a guerra.

P.S.: Reino Unido propõe atacar Assad como "intervenção humanitária". Outra...

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Síria. França anuncia entrega de armas aos rebeldes.

Garnisé chanfrado vai prá  guerra.Ago.2013Garnisé chanfrado vai prá guerra

O presidente de França anunciou hoje que “aumentará a ajuda militar aos rebeldes”. Garnisé francês mais os falcões do costume preparam intervenção que querem “breve e limitada”, (talvez se enganem).

É intenção dos belicistas ocidentais - e de Israel - não esperar pelo resultado das averiguações sobre as armas químicas usadas na Síria. 

Sem provas de nenhuma espécie, quanto mais contundentes, e contra o senso geral, dizem que “sabem” que Bashar al-Assad usou armas químicas. É “inegável” diz John Kerry, tal como era “inegável” a existência de armas de destruição massiva no Iraque. 

Da outra vez ainda apareceram uns ilustres aldrabões a dizer ter visto provas, agora nem isso. Hollande diz que “todas as evidências indicam que o governo sírio está por detrás do massacre de inocentes, e por isso deve ser punido”.

É para colher evidências que os especialistas da ONU estão na Síria, mas a ser verdade o que li algures, sobre a possibilidade de identificar com exatidão a proveniência dos agentes químicos (cada país fabricante terá fórmulas destintas) é bem possível existirem razões de peso para não esperar pelos resultados.

A fórmula do agente químico identifica o país fabricante, a partir daí e do conhecimento de quem apoia quem no conflito, é possível chegar ao grupo que o usou.

Saber-se mais tarde, será secundário, como são hoje tidos como insignificantes todos os episódios em que a opinião pública internacional foi enganada, com a cumplicidade dos meios de informação. 

Se algo podemos fazer pela Causa da Paz - é contrariar a intoxicação mediática que defende e promove a guerra. Pouco mais.

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Coelhos e coelhinhos.

Gráfico. Mai 2013
 
Com o rigor científico possível, quando uma coelha não desova estamos com um problema aviário. Hoje, era mais um dia anunciado para o governo dar à luz as medidas concretas do Documento de Estratégia Orçamental (DEO). Abortaram (outra vez).

Os abortos nos Conselhos de Ministros já são um método anticoncepcional, ali nada nasce como previsto, só germinam novos conselhos de ministros. Silva Pereira traduziu o fenómeno com um slogan publicitário do tempo de Salazar, (adaptado): “Pare, escute e olhe, um conselho de ministros pode esconder outro”. 

Do tempo de Salazar, são também decalcadas as medidas pseudo-salvadoras das finanças e o coerente empobrecimento dos portugueses. Em democracia (mesmo de baixa intensidade) como existe hoje, a coragem dos salazarentos é curta; precisam por isso de lançar na opinião pública ensaios de medidas.

As fugas orientadas de possíveis medidas do governo andam por aí, amontoadas pela ninhada de serviço. Idade da reforma, aumento do horário de trabalho, etc e tal. São preparação psicológica e avaliação de reacções. As medidas, segundo o jornal Público serão anunciadas na sexta -feira, antes, o ministro da presidência tinha dito ser "esta semana".

No entanto, todas as sugeridas provocam mais desemprego jovem, o que é incrível nos tempos (europeus) de hoje. De figuras decorativas como Herman Van Rompuy e Durão Barroso, até políticos no activo, como Hollande ou Enrico Letta, ou até o Papa; todos andam preocupados com o desemprego jovem na Europa. Diz-se que é o objetivo do Conselho Europeu de Junho.

Portugal não segue a inquietação, tem o governo e o presidente mais retrógrados da nossa democracia, somos humilhantemente representados.

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Como habitual no início do mês os títulos mais lidos no mês anterior.

Para além dos artigos lidos no blogue, 3 vídeos (koclarinet) editados no Youtube tiveram em Abril, 6.000 minutos de visualização: “Vítor Gaspar ministro da das finanças da troika” 715 visitas; “João Ferreira do Amaral – sair do euro” 582 visitas e “Adeus Gaspar. Em dez minutos” 83 visitas, (fora do blogue).

Aqui, por ordem:

10/04 – João Ferreira do Amaral, sair do euro, a entrevista.

02/04 – Álvaro, Relvas e tagarela, resolvem desemprego jovem. 

15/04 – Vítor Gaspar ministro das Finanças da Troika.

09/04 – Gaspar manda o Estado gastar mais.

12/04 – Ir aos mercados? Portugal desenganado pela troika.

05/04 – Tribunal Constitucional empurra governo para a rua.

06/04 – Adeus Gaspar. Em Dez Segundos.

25/04 – Discurso do 25 de abril. Obrigado Cavaco Silva. 

21/04 – Alemanha apoia confisco de depósitos bancários.

15/04 – A Europa impede o sucesso de Portugal.

 (clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Hollande dirigiu-se a portugueses e espanhóis.

Hollande dirige-se aos portugueses. Out.2012


E há portugueses convencidos que estão a pagar caro, por haverem cometido o erro de terem “vivido acima das suas possibilidades.” Campanhas…

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Eurobonds. PS de Seguro apoia Merkel contra Hollande.

Euro Obrigações só não de debatem em Portugal.Mai2012

“A Posição do PS passa a ser posição de Portugal” disse António José Seguro após saber que a maioria “deixava” passar a sua adenda ao pacto orçamental.

Seguro parecia uma foca a bater as barbatanas de contente; nem reparou que está fora do seu elemento, ou da ambiência natural de todos os partidos socialistas europeus, quer estejam na oposição quer estejam a governar nos seus países.

Caso único na Europa, um Partido Socialista que entra no debate das Eurobonds do lado errado da barricada, de facto, o PS de Seguro apoia Merkel.

O porta-voz da “posição do PS” que é “posição de Portugal” foi o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que em conferência de imprensa em Bruxelas disse o que pensa “Portugal” sobre as Eurobonds, é coincidente com a posição de Angela Merkel, cada dia mais isolada na Europa e vergonhosamente apoiada pelos dois maiores partidos portugueses.

A adenda do PS não tem qualquer influência prática nas políticas do governo; como dizia o deputado do PSD, António Rodrigues, “estamos a apoiar este projecto de resolução diga ele o que disser”, mas tem um significado político quando obriga o PS a retirar as Eurobonds da discussão política, e terá efeitos na percepção que os portugueses fazem do papel do Partido Socialista.

O PS está para a política nacional como a UGT para o mundo laboral, a trair a sua missão natural de fazerem oposição às políticas do governo.

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Reunião Passos Hollande. O que é isso do crescimento?

Hollande-Coelho.Mai.2012 

Cavaco espera que troika concilie agora austeridade com crescimento económico. Vejamos.
Passos Coelho, insatisfeito com a reunião que teve com Tó Zé Seguro, onde o Seguro queria adendar a palavra “crescimento” à realidade da austeridade, foi encontrar-se com François Hollande. Tinha confirmado com o seu amigo Tó Zé que o “crescimento” é matéria que não se dá nas jotas nem se deu na sua faculdade, senão ainda se recordaria pois foi há pouco tempo.

Do relato que Passos faz da reunião com Hollande, das três uma, ou esteve com pouca atenção à aula, ou Hollande esteve a gozar com ele, ou confundiu esta reunião com qualquer das que teve com Merkel. Diz Passos Coelho que Hollande “subscreve a ideia de que é preciso levar a bom porto os esforços de consolidação orçamental que hão-de permitir-nos ser mais competitivos e poder crescer no médio e longo prazo”.

E diz mais; que veio de lá com uma “boa base de trabalho”, com a “prioridade ao estímulo do financiamento à economia para aumentar o crescimento económico, sem aumentar a despesa pública”. Teríamos assim, Hollande de acordo em adiar para o médio e longo prazo a intervenção na economia real e com cuidados tais sobre a despesa pública que manteriam, por exemplo, o uso das verbas do QREN paralisadas. Só pode ser mentira.

A título de explicações gratuitas de quem não precisa de nenhum grupo de estudos para perceber a economia real, digo-lhe:

Sendo verdade que todos os esforços da austeridade não resultam sem acesso a financiamento pelas empresas, e, que a liquidez oferecida aos bancos não chega à economia, coisa que se obvia com um “mecanismo” chamado vontade política, há em paralelo com a servidão ideológica ao sistema financeiro uma outra situação que apenas depende do Estado, das opções do governo:

- O meu caso. Estou prestes a encerrar a minha empresa (menos receitas para o Estado, mais despesa no desemprego) porque pago a sessenta dias aos fornecedores e recebo actualmente as contas principais a seis, sete meses. Não trabalho para o Estado mas tenho clientes que o fazem, eles não recebem (média de pagamentos do Estado 392 dias) não me pagam atempadamente, não tenho mais fundo de caixa para suprir a demora.

Entretanto o Estado já recebeu o IVA do último trimestre de 2011 do qual tenho recebimentos atrasados, do 1º trimestre deste ano também já paguei ao Estado e ainda não recebi a maior parte da facturação.

Não há “variáveis externas que o país não controla” que justifiquem o Estado caloteiro, a responsabilidade é do governo de ignorantes da economia básica
Pior estão indústrias com quem trabalho, cujo volume de facturação impõe pagamento do IVA mensal, têm encomendas, já não conseguem adquirir matéria-prima; boas empresas fecham umas atrás das outras.

Depois ficam surpreendidos com a subida do desemprego!

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domingo, 20 de maio de 2012

Saída da Grécia do euro é inevitável, diz Nobel.

Grécia e Zona Euro. Mai2012

Paul Krugman, Nobel de Economia diz que saída da Grécia do euro é inevitável. Entretanto na reunião do G8 todos se mostraram “esperançados” de que a Grécia permaneça no euro.

Da convicção de Hollande à confusão de Merkel, que diz que a “consolidação orçamental e o crescimento são duas faces da mesma moeda”, não produziram (que se saiba) qualquer medida concreta; esperança é muito pouco, este tipo de discursos não mudam o curso dos acontecimentos.

Krugman diz em entrevista ao Der Spiegel não haver alternativa, “todas as soluções que se discutem não servem para remediar o desastre”. O economista aponta como única solução “ a intervenção do Banco Central Europeu (BCE), através da injecção de liquidez”. Não só para a Grécia como para as situações que vivem a Itália e a Espanha.

Importante é a tendência interna alemã, sobre a consolidação do valor das forças políticas nas escolhas do eleitorado. Será o próximo assunto a acompanhar pois irá ter mais reflexos na política europeia que prédicas de circunstância.

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Alta ansiedade no encontro entre Hollande e Merkel.

Reunião  Hollande - Ângela Merkel.Mai2012


Ângela Merkel confessou que está ansiosa pelo encontro com François Hollande, será um teste às promessas de Hollande ou apenas para se conhecerem. Alterações nas políticas não estão no programa de Merkel; nada influencia o caminho traçado, nem a realidade nem isto nem a situação grega.


Paul Krugman, qual agitador catratrofista escreveu no seu blog, com o título
Eurodammerung o seguinte:


Some of us have been talking it over, and here’s what we think the end game looks like:

1. Greek euro exit, very possibly next month.

2. Huge withdrawals from Spanish and Italian banks, as depositors try to move their money to Germany.

3a. Maybe, just possibly, de facto controls, with banks forbidden to transfer deposits out of country and limits on cash withdrawals.

3b. Alternatively, or maybe in tandem, huge draws on ECB credit to keep the banks from collapsing.

4a. Germany has a choice. Accept huge indirect public claims on Italy and Spain, plus a drastic revision of strategy — basically, to give Spain in particular any hope you need both guarantees on its debt to hold borrowing costs down and a higher eurozone inflation target to make relative price adjustment possible; or:

4b. End of the euro.

And we’re talking about months, not years, for this to play out.

É evidente que Ângela Merkel não liga nada ao que Krugman escreve; Paul Krugman, lá porque tem um Nobel pensa que é algum João Cantigas Esteves!?

De maneira que o encontro entre Hollande e Merkel pode ser só para se conhecerem melhor.

Fora do encontro a inquietação é diferente; da agonia da Grécia à aflição de Espanha e Itália, ao tormento de Portugal e Irlanda; muitas esperanças são colocadas na capacidade de Hollande provocar uma inflexão nas políticas europeias.

O Eurogrupo quis dar uma imagem imperturbável e o Ecofin vai de certeza pelo mesmo caminho. Não se passa nada de anormal na zona euro, não há riscos nem traços ou reticências, está tudo controlado. Espera-se pelo menos que Hollande tire a harpa a Merkel que a Europa está prestes a arder.

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domingo, 6 de maio de 2012

François Hollande presidente.

Le Monde. François Hollande presidente.

Desde o ano passado que o ClariNet acompanha as eleições em França. A mudança de poder neste país terá forçosamente grandes reflexos na política europeia. A análise das eleições de hoje, principalmente na França, Grécia e Alemanha fica para próximo post; dos vários artigos feitos sobre as eleições francesas ficam aqui estes exemplos.

Alternativas na Europa.François Hollande pode derrotar Sarkosy. (AQUI)

França. Perda de Triple A com reflexos nas presidenciais. (AQUI)

Hollande à frente de Sarkosy; uma boa notícia. (AQUI)

François Bayrou apoia Hollande, o pior para Sarkosy. (AQUI)

Martin Schulz presidente do Parlamento Europeu.Mai.2012

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

François Bayrou apoia Hollande, o pior para Sarkozy.

Bayrou no Le Monde.Mai2012

François Bayrou, ex-candidato às eleições presidenciais francesas e líder da organização centrista Movimento Democrático (MoDem), votará em François Hollande no próximo domingo, contra Sarkozy.

Numa curta declaração à imprensa que tinha anunciado para depois do debate televisivo de quarta-feira entre os candidatos, Bayrou justificou a sua escolha pela “violência” da campanha de Sarkozy na “corrida” ao voto da extrema-direita com posições anti-emigração que constituem uma “contradição dos valores” dos centristas e “uma negação do projecto europeu”.

Bayrou foi o quarto classificado na primeira volta das presidenciais, (com 9,13% de votos) depois dos dois finalistas e de Marine Le Pen. Enquanto Marine não fez opção para a segunda volta, o político centrista decidiu-se por Hollande; os eleitorados de ambos não seguirão (todos) as opções dos candidatos derrotados, mas é significativo que Bayrou tenha dado um sinal de apoio expresso a Hollande e feito críticas políticas a Sarkozy.

Poderá inclusivamente ser um gesto com mais efeito no resultado final, que o debate entre Hollande e Sarkozy, onde o candidato da direita esteve mal e belicoso, enquanto François Hollande apareceu determinado. Se o debate foi no sentido do empate, como é opinião da maior parte dos observadores, a definição de Bayrou é um auxílio importante para Hollande subir ao Eliseu.

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domingo, 22 de abril de 2012

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas.

Le Figaro-projecções no fecho das urnas.Abr.2012
Le Figaro


Primeiras projecções tf1
Hollande vence 1ª volta.Abr.2012
Le Pen é terceira podendo chegar a 20%.Abr.2012

Hollande à frente de Sarkozy; uma boa notícia. (Aqui)


Resultados finais.

Incritos 46 037 545 – eleitores 36 585 858 – 79,47%
Abstenção 20,53 – brancos e nulos – 1,52%


François Hollande 28,63% – Nicolas Sarkozy 27,18% – Marine Le Pen 17,90%
Jean-Luc Mélanchon 11,11% – François Bayrou 9,13%
Eva Joly 2,31% – Nicolas Dupont-Aignan 1,79% – Philippe Poutou 1,15%
Nathalie Arthaud 0,56% – Jacques Cheminade 0,25%.
Fonte: Ministério do Interior francês.

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sábado, 21 de abril de 2012

Hollande à frente de Sarkozy; uma boa notícia.

François Hollande favorito em França.Abr.2012 Evolução das sondagens AQUI

François Hollande não é o anti-capitalista Jean-Luc Mélanchon nem Mélanchon vai substituir Sarkozy no Eliseu, duas verdades básicas para olhar para as presidenciais francesas cuja primeira volta é amanhã.

Hollande e Sarkozy não “são a mesma coisa” como o discurso dito radical apregoa, aliás, foi essa prédica que deu, cá, a maioria absoluta a Passos Coelho e estamos a ver as consequências; para tirar alguém do poder, em eleições democráticas, é preciso votar e votar contra alguém.

Em França, o que realmente está em jogo é retirar a presidência a Sarkozy, os efeitos disso serão sentidos na política interna francesa, no rumo europeu e no âmbito da política externa da França. A mudança será sempre vantajosa.

Hollande não vai deixar de se relacionar com Angela Merkel mas terá um novo tipo de “diálogo”. Da posição da França na concertação com a Alemanha depende o essencial da política na Europa e da Europa no mundo, da democraticidade na União Europeia às intervenções militares no horizonte da NATO, da política económica de austeridade à nova (des)ordem da ditadura dos mercados.

As mudanças não serão profundas? Creio que sim, mas logo se vê. Uma certeza é que haverá alterações no melhor sentido se Nicolas Sarkozy sair da presidência. A luta social, paralela a estas disputas pela governação, também terá melhores condições de se desenvolver na ausência de Sarkozy e do seu controlo dos meios de comunicação social.

Sem ilusões ou expectativas exageradas a mudança de poder que se adivinha em França é uma boa notícia.


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sexta-feira, 23 de março de 2012

Al-Qaeda na campanha presidencial de Sarkozy.

França.Març2012

Mohamed Merah, o jihadista islâmico abatido pelas autoridades francesas, deu oportunidade, com os seus actos fanáticos, para que Nicolás Sarkozy tire partido da crise de violência em tempo de campanha eleitoral. A primeira consequência política é a subida nas sondagens de Sarkozy que voltou ao discurso do “presidente protector” dos franceses.

Os radicais islâmicos, usados por países ocidentais nas alterações políticas iniciadas pela “Primavera Árabe”, apoiados entre outros pela França no Norte de África e no Médio Oriente, particularmente na Líbia e na Síria, mas também no Egipto, têm no seu seio elementos que nunca esconderam o desejo de atacar a Europa. São diversas “famílias” em grupos dispersos saídos dos grandes movimentos fundamentalistas que agora disputam eleições nos países árabes, unifica-as a aceitação dos princípios da Al-Qaeda.

As aventuras no Afeganistão e na Líbia, como antes no Iraque, no fundo as alterações geoestratégicas promovidas pelo ocidente nos países do petróleo, ou que são ameaças a Israel, criaram condições para o aumento do jihadismo; do recrutamento, do treino e financiamento.

A adesão à rede difusa e descentralizada da Al-Qaeda de jovens europeus é conhecida das autoridades. A Reuters cita fontes dos serviços secretos franceses de que se sabe de cerca de 30 cidadãos franceses treinados pelos talibãs. Merah era um deles, detido em 2007 em Kandahar por fabrico de engenhos explosivos; fugiu com centenas de talibãs da prisão no Afeganistão, voltou ao Paquistão em 2010 e 2011. Mohamed Merah fazia parte da No-Fly List do FBI.

Não se sabe, por enquanto, se houve razões políticas para não apanharem vivo o atirador de Toulouse, (salta desarmado da varanda e com um polícia junto a ele - vídeo Youtube) mas sabe-se que a tese do “lobo solitário” não se enquadra no tipo de organização por células dos aderentes à Al-Qaeda.

A operação policial rende eleitoralmente, o inimigo que “está entre nós” e aparenta ser um vulgar cidadão (o que é falso) rende quando se defende o extremismo anti-emigrante. Sarkozy que nem tinha feito “uma chamada do Eliseu” para as famílias dos pára-quedistas assassinados, (sabe-se agora, por Merah) viu nos últimos acontecimentos uma oportunidade de surgir como pacificador da pátria, afirmando as ideias securitárias da direita xenófoba.

Assim, depois de Sarkozy perder o Senado para a esquerda, de ver François Hollande como o mais provável vencedor das presidenciais, uma acção da Al-Qaeda ameaça influenciar decisivamente o futuro da França e da Europa. Eis um terreno fértil para as teorias da conspiração.

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sábado, 14 de janeiro de 2012

França. Perda de Triple A com reflexos nas presidenciais.

Sarkozy tremido. Jan 2012


Como estava “anunciado” e como resultado do fracasso da cimeira europeia de Dezembro, e os impasses seguintes, a Standard & Poor´s baixou vários ratings pela Europa.

A França, a 100 dias das eleições presidenciais, será o país onde a iniciativa da agência terá efeitos políticos imediatos, com influência importante no resto da Europa. Para já toda a oposição a Sarkozy, da esquerda e da direita, veio aproveitar a situação.

Se para Jean Luc Mélenchon esta perda do “triple A”, é uma “rendição incondicional” de todos os líderes políticos, e para Eva Joly, “deve ser uma oportunidade para tomar consciência de que outro mundo deve nascer”; já Francois Bayrou diz haver uma “responsabilidade dos governos de Sarkozy”, mas essa responsabilidade é partilhada entre o UMP e o PS, pois a origem desta situação remonta aos anos 90. Francois Hollande, que lidera as sondagens, diz que a batalha de Sarkozy pelo “triplo A” se perdeu, e que a degradação é da política e não da França. No mesmo sentido Dominique de Villepin considera que a perda do “Triple A” é “o fracasso da política do governo e não da França”, é “ a sanção de uma política”. Marine Le Pen assinala “o fim do mito do presidente protector.

Nicolas sarkozy já tinha a reeleição comprometida; a classificação da Standard & Poor´s será decerto um contributo para aumentar a distância nas sondagens.
 A descida do rating francês trará consequências para a vida dos franceses, e também efeitos na política francesa e europeia. Sarkozy fez do “Triple A” bandeira do seu mandato, dificilmente a tentativa de desdramatizar a situação impedirá as consequências políticas.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

França. Villepin anuncia candidatura ao Eliseu.

Dominique Villepin Dez 2011


Dominique de Villepin é candidato às eleições presidenciais francesas dividindo assim o eleitorado conservador. Villepin, membro do partido de Sarkozy, anunciou a candidatura ao Eliseu, favorecendo desde já François Hollande, o candidato melhor colocado para derrotar Nicolas Sarkozy.

A surpreendente candidatura de Villepin, que afirmou na apresentação estar inquieto por ver “a França ser humilhada pela lei dos mercados, que impõem mais e mais austeridade”, tem na soberania a causa que o levou entrar na corrida presidencial. Villepin afirmou; “hoje a soberania escapa-nos das mãos em grande parte. Alinhamos com interesses que não são os da França. Penso que é necessário mais coragem”.

Uma sondagem deste fim-de-semana dava Francois Hollande (socialista) à frente nas intenções de voto com 31,5%, seguido de Sarkozy com 26%. A seguir, Marine Le Pen (Frente Nacional) 13,5 e o centrista Francois Bayrou com 13%. Depois vêm Jean Luc Milenchou (Frente de Esquerda) com 6,5% e Eva Joly dos Verdes com 4,5%. Para a segunda volta Francois Hollande venceria Nicolas Sarcozy por 57% contra 43%.

Não se sabe se a candidatura de Dominique de Villepin alterará muito os números, (não era antes do anuncio um nome desejado pelo UMF) mas tem o seu próprio eleitorado. É para já mais um indicador que vão haver alterações na política francesa e por arrasto na política da União Europeia. A seguir.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Alternativas na Europa. François Hollande pode derrotar Sarkozy.

François Hollande Out2011

(Actualização das presidenciais francesas AQUI)

Devemos estar atentos às modificações políticas nos países que compõem a União Europeia, em particular aqueles que ilegitimamente se autopromoveram a líderes da Europa. A França de Sarkozy aparenta ter os dias contados, François Hollande derrotará Sarkozy segundo o primeiro estudo de opinião, (após a designação de Hollande) o que não é indiferente para os países do euro e para o mundo.

François Hollande recém-eleito representante do Partido Socialista francês na corrida presidencial de 2012 venceria Sarkozy na primeira volta das eleições, segundo uma sondagem do Instituto CSA (Conseil Supérieur de l´Audiovisuel).

A sondagem deu; François Hollande (Partido Socialista – centro esquerda) 35%, Nicolas Sarkozy (UMF – União para um Movimento Popular, direita) 25%, Marine Le Pen (Frente Popular, extrema-direita) 16%, François Bayrou (UDF – União para a Democracia Francesa, centro direita) 9%, Jean-Luc Mélenchon (PG – Partido da Esquerda, esquerda) 5% e Eva Joly (Europa-Ecologia, verdes) 3%, outros, abaixo de 2%.

Para uma segunda volta nas presidenciais, entre Hollande e Sarkozy, a sondagem do CSA indica uma vantagem do candidato socialista de 62% contra 38% do actual presidente.

O resultado de Hollande na primeira volta ultrapassa os 33% (em Março) de Dominique Strauss-Kahn suposto candidato socialista, afastado pelo escândalo sexual em que esteve (ou foi) envolvido. Significa que as opções nas primárias socialistas, tendo em conta o objectivo de derrubar a direita foram acertadas.

A escolha de François Hollande na segunda volta das primárias socialistas, teve em conta encontrar o candidato melhor posicionado para conquistar os votos ao centro (também lá decidem quem vence). Hollande ganhou por 56,55 contra 43.5% de Martine Aubry, primeira secretária do PS, filha do ex-presidente da União Europeia Jacques Delors, ex-ministra do trabalho e numero dois do governo do “trotskista” (entrista) Lionel Jospin.

Hollande teve o apoio dos candidatos derrotados na primeira volta, Ségolène Royal, Manuel Valls, Jean-Michel Baylet, do lado “centrista” do PS, e fundamentalmente de Arnaud Montebourg cujas propostas mais à esquerda valeram 17% na primeira volta das primárias. A atitude de Montebourg consegue a unidade do PS, dos sectores mais à esquerda aos sociais-liberais. Como ele disse, “quero que a esquerda ganhe e derrote Nicolas Sarkozy”.

As eleições primárias do Partido Socialista abertas aos eleitores de esquerda; (diziam que eram de esquerda e pagavam um euro) transformaram os 218 mil filiados em mais de 2 milhões de votantes. Talvez um dia isso aconteça por cá.

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