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quarta-feira, 9 de abril de 2014

APRe. Uma volta pelo voto – passou por Lisboa.

APRe! Conferência de Fernando Rosas. Abr.2014

(votar ou não votar nas europeias)

Fernando Rosas, mestre em história do século XIX e XX, animou a sessão cultural promovida pela Associação de Aposentados Pensionistas e Reformados (APRe) realizada ontem.

A conferência teve como tema “Portugal, a crise do liberalismo e as origens da Ditadura; ontem e hoje”, enquadrou a ascensão dos fascismos na Europa, o Estado Novo, as crises capitalistas e as soluções ditatoriais nos países do sul da Europa.

Para a APRe, que lançou uma campanha pelo voto, “não apenas nas eleições europeias que se aproximam mas também a pensar nas legislativas e nas presidenciais”, os portugueses têm a obrigação de defender as conquistas de Abril. As eleições “devem convocar os portugueses para a reflexão e para o cumprimento do dever cívico conquistado há 40 anos. Dizem.

A campanha da APRe pretende contrariar o apelo ao voto branco, nulo e abstenção “que invadiu as redes sociais”. Por um lado - é obra; por outro, é tarefa facilitada pelo facto de os mais velhos votarem mais e serem menos influenciados pela “rede”.

Vivemos em Portugal uma democracia mutilada com a soberania reduzida pelos tratados europeus.

O divórcio entre a União Europeia e os cidadãos, a suspeita para uns (certeza para outros, como eu) de que estaríamos melhor fora da Zona Euro, afasta eleitores das próximas eleições. A desconfiança perante os partidos, as campanhas anti-políticos e a “distância” entre as políticas de Bruxelas/Estrasburgo e os anseios dos portugueses também não ajuda.

Só nos lembram da Europa em tempos de eleições, nunca aqui se discutiu a Europa nem as suas diretrizes. Pela Europa, por causa da Europa, não votaria, não acredito numa reforma da União Europeia que nos aproveite, ao contrário de todos os nossos partidos parlamentares do centro e da esquerda.

Mas, se o nosso voto serve para pouco em termos europeus, não votar serve o quê? Cavaco foi eleito (com 23,15%) numas eleições em que a abstenção ganhou!

Deve-se, por isso, aproveitar as eleições europeias para votar contra este governo e contra quem nos governa a partir da Europa?

Fica para próximos capítulos…

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quarta-feira, 19 de março de 2014

Centro-esquerda baixa na Europa.

o que Passos prometeu a Merkel...Mar.2014

Em Portugal os “conservadores” do PSD e os “socialistas” do PS andarão empatados, segundo a última sondagem Poll Watch para as eleições de Maio para o Parlamento Europeu, citada pelo jornal Público.

Na União Europeia o resultado é o mesmo, empate técnico, entre a direita do grupo Partido Popular Europeu (PPE) e o centro – esquerda do grupo Socialista e Democrata (S&D). Como curiosidade o PPE reduz em 16 deputados a diferença que tinha há um mês para o centro-esquerda (agora; socialistas 214 – conservadores 213, para 751 lugares).

A social-democracia europeia experimenta uma crise histórica. A adesão às regras ditadas pelo sistema financeiro internacional e o abandono de qualquer matriz ideológica trabalhista deixa o centro-esquerda sem rumo. Já nem o Estado Social é bandeira da nova geração de líderes vacilantes do centro-esquerda.

A terceira força no Parlamento seriam os Liberais com 66 deputados e a quarta a Esquerda Unida com 59. Em que Europa estará Portugal no futuro próximo? Numa Europa sem diferenças relevantes entre poder e oposição? Um bloco central de defensores e rendidos ao neo-liberalismo?

Se a próxima campanha eleitoral para as Europeias, servir para discutir o que faz Portugal nesta Europa, vale a despesa.

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Passos satisfeito com orçamento de cortes europeu.

Cortes nos fundos europeus. Fev.2013

Líderes europeus chegaram a acordo sobre orçamento comunitário. Portugal recebe menos 9,7% do que o actual orçamento.

Em comunicado conjunto “as quatro principais famílias políticas do Parlamento europeu (incluindo o PPE) avisaram os líderes dos 27 que rejeitam o orçamento comunitário.”

Segundo Passos Coelho o corte de quase 10% é um bom resultado.

Depois dos cortes nos fundos europeus temos os cortes de 4.000 milhões em Portugal. 

Até que se corte com isto definitivamente.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Martim Schulz e Merkel, ingerências e declínio.

Foto e legenda Público.Fev 2012


O alvoroço que estão a gerar as declarações do presidente do Parlamento Europeu sobre o facto de Passos Coelho ter ido pedir dinheiro a Angola, tem razões legítimas e abusivas.

Legitimo é que em Portugal se defenda o direito a ter política externa própria, que aliás não temos, e relações comerciais ou diplomáticas com quem o Estado português entender. Abusivo é tudo o resto a começar pela interpretação das palavras de Martim Schulz.

A dissertação de Martim Schulz não pode ser entendida como interferência na política externa portuguesa, não criticou, constatou factos. Também não é menos respeitosa, expressam uma realidade portuguesa e europeia, principalmente europeia – o ponto que Schulz quis realçar.

Martim Schulz introduziu longamente o passado das relações coloniais entre Portugal e Angola antes de falar no declínio como futuro de Portugal. Interpretei o “declínio” como evento futuro (na verdade já é presente) da relação da potência colonial a pedir dinheiro (e seus custos políticos) ao país antes colonizado. É uma verdade, é o mesmo declínio da Europa rica, no G20, em que Merkel pediu dinheiro ao Canadá, ao Brasil, à China (país agora visitado por Merkel para guarnecer o Fundo europeu).

Schulz não tem razão em qualificar esse declínio como “um perigo social para as pessoas” e “sobretudo para o nosso modelo democrático”? Não tivemos em Portugal censura e saneamento na RDP para agradar ao poder angolano? Para que quer Angola um semanário, um banco (ou dois), e pelo que se alvitra um canal de televisão em Portugal, (um país estrangeiro)? Qual vai ser a política externa de Portugal em relação à China? Não fomos já mais independentes? Se somos menos, isso não é um declínio?

O mais estranho (ou não) é que os que agora fazem burburinho com Martim Schulz tenham estado silenciosos com a descarada ingerência de Angela Merkel com o exemplo da Madeira. O orçamento da Madeira não é assunto interno português? Parece que há por cá quem facilmente aceitaria um comissário europeu a gerir e vetar a execução orçamental portuguesa.

A coisa boa que sai destas polémicas é a consciência de que a independência nacional é um valor. Outra constatação é que Helmut Schmidt tinha razão quando avisava que a hegemonia alemã na Europa não servia os interesses estratégicos da Alemanha; “os vizinhos vão defender-se cada vez mais”. Na Grécia queimam bandeiras da Alemanha, nós devemos defender-nos, mas fazer de Martim Schulz alvo, é atirar ao lado.

Próximo Sábado 15 h MANIFESTAÇÃO NACIONAL
Cais do Sodré – Martim Moniz – Restauradores – Stª Apolónia
Para Terreiro do Paço

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