Sobre o que António Borges disse da concessão da RTP não vale a pena gastar teclas. Desde logo foi claro que estava a fazer de lebre do governo, novamente a deitar barro à parede com uma proposta estapafúrdia. Contos do vigário à frente de todos e em câmara lenta levam os actores a fazer figuras tristes.
Lateralmente produziram-se coisas interessantes; a principal, que mais à esquerda ninguém ousa usar (não vão chamar-lhe sócretino) é a declaração de Seguro, disse ele: “Eu quero ser muito claro, quando o PS for governo voltará a existir um serviço público que seja prestado por uma televisão pública com uma gestão rigorosa e que sirva os interesses nacionais”.
Seguro matou o formato divulgado. Sabe que há uma geração mais nova dentro do PS, que não está para carregar a culpa de Sócrates e que quer ser oposição de facto. Quando há apelos públicos de gente de esquerda ao “patriotismo” do CDS, não reconhecer o acto político de Seguro é duplo complexo.
Ao governo resta tentar blindar a negociata, o que não é fácil sem ser acusado no acto, ou mais tarde, de gestão danosa de bens públicos.
Se à esquerda ouve um silêncio complexado, a direita mandou a tropa para as caixas de comentários; caixas de facturação virtual e imaginadas sondagens da opinião pública. Os comentadores de serviço fizeram o resto.
Por exemplo, o director da TSF, Paulo Baldaia, disse num dos canais de TV, algum semelhante a isto “ lá está o PS a dizer que vai desfazer o que este governo está a realizar, é sempre a mesma coisa, cada governo destrói o que o anterior fez e isso não pode continuar”.
Quando as coisas estão como desejamos não há como parar a história, pois é, a democracia é uma chatice. Se Baldaia, e outros, olhassem para a América Latina viam que o neo-liberalismo não é o fim da história, nem qualquer outro sistema.
Que raio de conceito têm da democracia; um partido privatiza porque está no seu programa e foi o mais votado e a partir daí nenhum partido pode apresentar-se ao eleitorado propondo o contrário? Para que se fazem então eleições? Como a democracia portuguesa não vai estar suspensa pela troika eternamente, o melhor é tentarem adaptar-se à vida democrática.
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