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segunda-feira, 27 de maio de 2013

É deselegante mentir aos portugueses.

Meta do défice - Portugal não pediu flexibilização. Mai.2013

Vítor Gaspar zangou-se (disse ser deselegante) com a pergunta de um jornalista na conferência de imprensa conjunta, com o presidente do Eurogrupo. A pergunta, para Jeroen Dijsselbloem, foi, se Portugal tinha pedido alívio nas metas do défice.

O presidente do Eurogrupo admitiu a flexibilização do défice, mas disse que Portugal não a pediu.

A flexibilização da meta do défice, não é uma invenção jornalística; Passos Coelho concedeu isso no Parlamento, os jornais têm trazido, com pormenores, os passos que o executivo tem seguido nessas negociações. 

Ainda hoje, pelo almoço, o canal público de televisão, propagandeava a mexida no limite do défice:

 Deselegante pedir confirmação da propaganda do governo.Mai. 2013

Mas o governo entende continuar a dizer uma coisa e o seu contrário, esperando que da confusão saia outra coisa que não seja uma imagem de desorientação. 

Vítor Gaspar dizia em Março de 2012 que “o valor verdadeiramente importante e vinculativo é a meta de 3% em 2013”. Já não é - nem para 2014. Não se sabe para que ano será tal meta, mas sabe-se, que não se chega lá com “ajustamentos” que destroem a economia portuguesa.

Com o desatino e insensatez deste governo não há, sequer, renegociação adequada. Se é que há renegociação viável continuando Portugal dentro da Zona Euro.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Banqueiros não se entendem. O confisco dos depósitos.

Resgate ao Chipre foi unânime no Europrupo. Mai.2013
 
Fernando Ulrich não está com outros banqueiros portugueses; não admite o movimento de contas de depósito para cofres e considerou “boa notícia” taxar depósitos acima de 100.000 euros.

Em entrevista ao Financial Times citada pelo Público, os presidentes do BCP e do BES alertam para o perigo da propagação de “vírus de Chipre”. Mostram-se preocupados com o corte (confisco) dos depósitos acima de 100.000 euros, feitos no Chipre, e suas repercussões na banca.

As declarações de líderes políticos europeus, sobre os resgates dos bancos, põem em causa a segurança dos depósitos bancários, depreende-se das palavras dos presidentes do BCP e do BES.

Já se sabia. No entanto, a apreensão não é geral na banca portuguesa, Fernando Ulrich, presidente do BPI, disse no início deste mês, que taxar depósitos acima de 100.000 euros, era “uma boa notícia”.

O BPI desmente ter afirmado ao Financial Times ter clientes a movimentar dinheiro de depósitos para cofres, é um sinal que o BPI não quer dar e percebe-se; Uma banca que não serve - nem para emprestar, nem para guardar o dinheiro e movimentá-lo, não serve para nada.

Muito dinheiro deve estar a mexer-se, (não para cofres) para fora de Portugal; as razões não serão apenas a insegurança nos depósitos, que está instalada, mas também a desconfiança por uma banca que, embora o Banco de Portugal diga ser segura, é notícia por incobráveis e toxicidades.

O sobre-endividamento das famílias e o desemprego em crescendo, as dividas das empresas e as falências a continuarem, não dão saúde à banca. 

Há um efeito boomerang, o mundo financeiro imaginava estar imune à crise, onde controla o poder político, mas o dinheiro não é elástico, quando falta muito falta para todos. Até os banqueiros vão perceber isso.

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domingo, 21 de abril de 2013

Alemanha apoia confisco de depósitos bancários.

oclarinet. Wolfgang Schauble. Abr.2013

(Excesso de liquidez na Zona Euro. Em que zona da Zona Euro?)

Resgate ao Chipre deve ser modelo para o futuro. Para Schauble, ministro das Finanças da Alemanha, a solução encontrada para o Chipre deve ser norma no resgate dos bancos.

Wolfgang Schauble, em entrevista ao semanário económico Wirtschaftswoche, defende o mesmo modelo que o Eurogrupo preconizou para resgatar o Chipre; a contribuição dos depositantes dos bancos (de depósitos não garantidos) para financiar o resgate de bancos em situação difícil.

Recorde-se que o ministro holandês Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, fez declarações semelhantes e todo o mundo lhe caiu em cima, classificando a simples abordagem da ideia, como a coisa mais estúpida decidida pelo conjunto dos ministros das Finanças da União Europeia.

Na altura, (há um mês) Schauble distanciou-se da polémica, afirmando que a decisão de confiscar poupanças dos cipriotas era da responsabilidade do governo de Chipre.

A nuance dos pequenos depositantes e das contas protegidas pelo seguro de depósitos (até 100.000 €) de nada serviu. Schauble exigia no Eurogrupo uma taxa de 40% sobre os depósitos maiores e a desconfiança sobre a segurança dos depósitos bancários ficou adquirida. 

Escrevi aqui em Março, na capitulação de Chipre e antes da abertura dos seus bancos: “A quebra na confiança bancária é irreversível, não provoca para já uma corrida aos bancos, mas implica a fuga massiva de capitais numa altura em que era mais necessário atrair investimento estrangeiro”.

O destino dos capitais em fuga dos países do “sul” da Europa é em grande parte para a Alemanha, onde (por agora) estão seguros. 

A Alemanha perdeu a vergonha, Schauble conhece as implicações das suas afirmações públicas, sabe que está a desnatar países em dificuldades de meios financeiros, só pensa nos germânicos.

  PS. No mesmo semanário, Schauble pediu para o BCE reduzir o excesso de liquidez na Zona Euro. Na Zona Euro? Em que zona da Zona Euro? …Pois!

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ir aos mercados? Portugal desenganado pela troika.

oclarinet.blogspot.com Sair do Euro.Abr 2013

O acesso de Portugal aos mercados tem uma avaliação pessimista da troika.

O jornal Público cita um relatório obtido pelo Financial Times, onde a troika e o FEEF dizem, “nesta fase, o acesso de Portugal aos mercados apenas pode ser considerado como limitado e oportunístico”. Portugal só tem atraído investidores especulativos.

Continuo a citar: “Esta avaliação pessimista deve-se essencialmente a três fragilidades nacionais: os elevados montantes de divida que Portugal terá de emitir nos próximos anos, o rating (a classificação do risco da divida pública) abaixo do nível de investimento e as características dos investidores que estão neste momento a mostrar interesse em Portugal”. 

Uma vez que a troika afirma que fazer as emissões de divida, “pode ser demasiado exigente sem uma melhoria dos ratings de Portugal e a criação de uma base estável de investidores”, sabemos de antemão que qualquer decisão do Eurogrupo sobre Portugal é para consumo interno e guia de risco dos especuladores. Mentiram-nos acerca dos mercados.

Investidores sérios não metem dinheiro em países cuja economia está a ser destruída e o reembolso poderá ser de alto risco. Quem não cria riqueza dificilmente paga dividas.

Os esforços feitos até aqui, pelos portugueses, serviram apenas para resolver os problemas da banca nacional, mais a europeia, detentoras de divida portuguesa, e, encher os bolsos dos especuladores internacionais. 

A divida aumenta e “prospera” a destruição da nossa economia, tornando a divida impagável. O processo de pedir para pagar empréstimos enquanto a divida aumenta é suicidário e não terá fim aceitável para Portugal.

Quando se der atenção às vozes alternativas, será tarde. A sociedade portuguesa (e não só os políticos) espera milagres insistindo no trilho do desastre. 

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Chipre capitulou, continuar no Euro é afundar-se.

Europa afunda Chipre. 2013
 
 Sair do Euro

Parecia que o poder político cipriota ia resistir às pressões europeias, mas de nada valeu a vontade política do Parlamento; votar contra a proposta desonesta e desastrosa do Eurogrupo não bastou. Perante o ultimato para aceitar as condições do novo modelo de resgate da troika ou sair do euro, o Chipre capitulou.

Chipre está condenado, como nós enquanto estivermos no Euro, a ver a sua economia afundar-se. Beneficiada fica a Alemanha, o país que mais tem ganho pela desconfiança induzida no sistema bancário dos países europeus. 

Mas os efeitos colaterais, de desacreditar os fundos de garantia dos depósitos bancários e confiscar contas, podem chegar à Alemanha. Ainda é cedo para abarcar os danos gerais na Europa, que abandonou definitivamente o caminho da solidariedade entre os Estados. O projecto da União Europeia acabou em Chipre.

A quebra de confiança bancária é irreversível, não provoca para já uma corrida aos depósitos, mas implica a fuga massiva de capitais numa altura em que era necessário atrair investimento estrangeiro; para nós (Sr. ministro Gaspar) e para todos os países europeus estagnados ou em recessão.

O Eurogrupo e a troika afundam Chipre com argumentos de sobredimensionamento do sector financeiro, que sendo real, é-o em outros países europeus intocáveis como a Inglaterra ou a Suíça, ao mesmo tempo que denunciam os favores da fiscalidade cipriota, condição generalizada em outros intocáveis, como a Holanda do presidente do Eurogrupo, onde estão sediadas empresas portuguesas para fugir aos impostos em Portugal (como as mercearias Pingo doce).

São lições para Portugal e todos os atingidos pelos ajustamentos impossíveis, somos reféns de uma situação que não criámos, precisamos sair do Euro para conseguir por meios próprios estabilizar as nossas vidas. 

Depois de Chipre todos ficámos a saber que não podemos contar com a solidariedade europeia, somos descartáveis para os países ricos e eles são um desastre para nós.

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sábado, 23 de março de 2013

Líder da Igreja quer Chipre fora do Euro.

Chrysostom II de Chipre com Dmitry Medvedev - Out 2010. Mar.2013

Arcebispo Crysostomos recomenda saída do Euro.

O chefe da Igreja Ortodoxa do Chipre, o arcebispo Chysostomos II, declarou-se a favor da saída do seu país da zona euro.

O arcebispo, que já tinha colocado à disposição do país, todos os bens da Igreja Ortodoxa, afirmou em entrevista não ser tarefa fácil sair do euro, mas que se tinha de dedicar tanto tempo à saída quanto o dedicado para entrar para o euro.

É com a recomendação do líder da Igreja para que o Chipre saia do Euro, que continuam as negociações do resgate da troika, entre o Eurogrupo e o governo cipriota, agendadas para amanhã (18.00h). 

A seguir…

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terça-feira, 19 de março de 2013

Eurogrupo no Chipre – Desconfiança no Euro.

Chipre manifesta-se contra a Europa.Mar.2013

Os ministros das Finanças da União Europeia podem ser maníacos, mas são uma trupe fértil e divertida. Encontram sem dúvida soluções criativas - Chipre foi só mais uma. Que não avaliem as consequências das suas decisões é apenas um pormenor. (Parece coisa do governo português).

O resgate cipriota, que em valor se aproxima dos juros de Portugal à troika em um ano, é um confisco como é próprio dos resgates troikanos. Cá, o confisco está a ser bem superior e a Europa ouve menos alarido.

O desassossego vem mais da planta de estufa do sistema financeiro, que dos desgraçados dos cipriotas; eles vão pagar de outra forma (igual a nós) o mesmíssimo valor que o Eurogrupo quis confiscar atabalhoadamente. 

Isto, se o Chipre quiser continuar com o presente envenenado do Euro, pois tem na Rússia uma solução acessível para os seus infortúnios. As suas grandes reservas de gás natural vão acabar exploradas por estrangeiros e amigos estrangeiros como os da Europa trazem desgraça certa. Geoestratégia não é o forte dos contabilistas do Eurogrupo.

Estas controvérsias permitem ver as voltas que o mundo dá. Não há por cá comentário sem apontar o receio da corrida aos bancos, do famigerado contágio, que fez polémica infindável por causa do BPN (no fundo para desculpabilizar a mafia montada por gente do PSD que ficou com o dinheiro).

O “método” português de salvação da banca é agora dado como exemplar e Teixeira dos Santos, que em 2011 já estava a passar de besta a bestial, (AQUI) tem a sua intervenção no sistema bancário sancionada por muitos dos seus críticos, vê-se reabilitado. 

O que vai ser difícil de reabilitar depois deste episódio eurocipriota é a confiança no Euro. Quem manda na moeda única é um único país, a Alemanha, e os líderes alemães de agora, não batem certo de juízo.

O Euro chega às eleições gerais alemãs? E Portugal? Afunda-se com o Euro, afunda-se por causa do Euro, ou inicia a saída do Euro?

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Europa dá mais tempo a Portugal – e depois?

Contrariou antes contraria agora e vai continuar a contrariar. Jan.2013

Comissão Europeia e Eurogrupo vão “explorar a questão” da extensão da maturidade do empréstimo a Portugal. É porque nos portámos bem, ou porque pensam que assim recebem? O empobrecimento forçado tem limites. 

Portugal não consegue pagar os juros da dívida (já serão cerca de 8.000 milhões) e os empréstimos nos prazos acordados, já se sabia - sabiam eles (credores) e nós; a espiral recessiva a que eles e o governo nos estão a sujeitar, a isso obriga. Desempregados não criam riqueza e sem dinheiro não se pagam dívidas; pagar dívidas com dinheiro emprestado é uma forma de ir enriquecendo os agiotas.

É com agiotas que Portugal lida, como lidaram os países da América Latina, entre outros; prolongar os prazos é uma das medidas que vão ser aceites, também perdoarão parte da dívida e dos juros, se tal for necessário. O preço dos empréstimos já tem integrado riscos ou perdas eventuais. 

O papel do FMI sempre foi garantir que os países pagam, pagam mais com governos “bem comportados”, pagam menos quando os governos têm experiência ao nível de um micro-empresário. Negociar empréstimos faz toda a gente a toda a hora, como este governo faz, só cá e agora.

O governo mentiu. Já nem tem importância. No que a oposição devia matutar é no nível de empobrecimento e de destruição do Estado e da economia. 

A fase de denúncia da incompetência do governo já lá vai, anda por aí nas redes sociais e na boca de todos de todos os quadrantes, agora cabe à oposição (paga pelos contribuintes) e aos portugueses mudar as coisas, mudando o governo.

Estou cansado das críticas à governação, não preciso de ver programas políticos alternativos nem que alguém me convença que faz melhor. 

O tempo é outro.

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domingo, 10 de junho de 2012

Espanha sob resgate com troika dissimulada.

Espanha sob resgate.Jun2012
Espanha pediu assistência financeira para a recapitalização do sector bancário. Vai ser concedido através de empréstimos de um dos fundos de estabilização europeus. O montante, segundo o Eurogrupo, terá um limite de 100 mil milhões de euros, (a Portugal foram emprestados 78 mil milhões, sendo 12 mil milhões para a banca).

Mariano Rajoy, ainda há uma dúzia de dia (28 de Maio) dizia que se “comprometia a recapitalizar a banca sem ajuda externa” mas não encontrou como, nem resistiu à pressão da União Europeia para fazer o pedido de ajuda formal.

Luís de Guindos, ministro da Economia espanhol anunciou o pedido e concessão da ajuda, tentando passar a mensagem de que não é um resgate. Um colunista espanhol escrevia ontem que “a imprensa internacional deve ter um problema com os sinónimos, pois toda ela fala em resgate”. Há imprensa portuguesa, domesticada pelo PSD/CDS, que faz a vontade a Luís de Guindos, em Espanha “rescate” (resgate) é o termo aplicado e explicado.

As “condições limitadas” que seriam exigidas a Madrid, anunciadas para “distinguir” o resgate de Espanha dos da Grécia, Irlanda e Portugal, não passam de simulação para consumo interno, a troika impôs medidas duras nos casos anteriores mas a União Europeia não deixa de exigir as reformas estruturais e a redução do défice acordado com Mariano Rajoy.

A Espanha terá a visita periódica do FMI para monitorizar a linha de crédito concedida e os “ajustes” na sociedade e economia espanhola estão em marcha, com os (re)cortes na saúde, na educação, nas autonomias e funcionalismo público, na imposição da nova lei laboral, e no que se seguirá. O Partido Socialista (PSOE) diz que o "resgate é má notícia" e chama Rajoy ao parlamento, ele, que não deu a cara para anunciar o pedido de "ajuda", foi "ver a bola".

Espanha pediu auxílio para sanear a banca mas está sujeita à supervisão total por entidades estrangeiras, Espanha não era Portugal, como Portugal não era a Grécia e agora estão todos no mesmo barco. Viajam em partes diferentes da embarcação, sentem o mar agitado com mais ou menos violência, mas a tempestade é a mesma.

Esta história trágico-marítima só terá piada quando os europeus que navegam nos iates se aperceberem que estão no mesmo mar que os países do sul, e que a descontrolada barcaça dos PIIGS mareia prestes a abalroá-los.

Post Scriptum.: Na hora em publicava este post, Mariano Rajoy dava uma conferência de imprensa, antes de ir assistir ao vivo ao jogo da selecção espanhola de futebol, as críticas na imprensa obrigaram-no a isso. Uma comunicação social activa, independente e exigente como a de Espanha fazia-nos aqui falta, é uma lacuna que explica a reacção diferente dos espanhóis e dos portugueses à intervenção externa.

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terça-feira, 13 de março de 2012

Vítor Gaspar é uma seca.

Seca .Març.2012


O governo espanhol decidiu unilateralmente a meta do défice do seu país para 2012, o Eurogrupo engoliu – e mais nada! A soberania e os interesses da economia espanhola foram defendidos. Já o tinha referido AQUI e AQUI e Mário Soares também.

O ministro plenipotenciário Vítor Gaspar resolveu explicar as razões para que a flexibilização que o Eurogrupo aceitou para Espanha não se aplique a Portugal.

Diz Gaspar que é por causa do “desenho”; Portugal “está comprometido pelo próprio desenho do programa a manter os seus limites orçamentais independentemente da evolução das circunstâncias macroeconómicas.” A mim, que estudei desenho, e até fui desenhador de profissão, parece-me que Vítor Gaspar está a chamar desenhos a gatafunhos, limites orçamentais têm todos.

O modelo a desenhar é o mesmo para todos os países signatários do “Pacto Orçamental”, a Espanha, no dia e que o assinou, disse que ia fazer um desenho livre, os professores disseram que não deixavam, Rajoy bateu o pé, e ganhou.

Gaspar diz agora que “o valor verdadeiramente importante e vinculativo” é a meta de 3% em 2013, não é isso que nos é vendido em Portugal e se a Espanha pode definir para o seu caso valores intermédios de défice, os outros países também. Por maioria de razão a economia portuguesa, mais fraca, precisaria de maior flexibilidade na meta e no tempo para chegar à meta.

O problema português, mais que do desenho é da perspectiva, Vítor Gaspar justifica que se reparta o esforço dos espanhóis na consolidação orçamental, pois ele “permitirá credibilizar o processo de ajustamento em Espanha”. Portugal não precisa de facilidades para conseguir alcançar as metas fixadas “mesmo em situação de conjuntura económica pior que o previsto” como reiterou. É por causa destas fanfarronices que a credibilidade nos mercados, do nosso país, é o que é.

Ninguém vê como é que Portugal vai pagar as dívidas sem crescimento e destruindo a economia, excepto o governo com o manda-chuva Gaspar a liderar. É uma seca.

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