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sábado, 2 de novembro de 2013

Carvalho da Silva. Precisam-se pessoas para a porrada.


Dispostos a levar porrada - precisam-se. Nov.2013

Em entrevista à Antena 1, mencionada pela SIC Notícias, o ex-Secretário- geral da CGTP, Carvalho da Silva, teme que Portugal esteja a chegar a um momento de rupturas perigosas e diz mesmo que o país precisa de cidadãos que estejam dispostos a sujar as mãos e a levar "porrada" nas ruas. 

O ex-líder da Intersindical aponta a necessidade de “gerar capacidades para que as pessoas se envolvam na acção política, na intervenção”. Carvalho da Silva referiu o exemplo do século passado, em que “o povo português não teve interpretes” e “projectos políticos capazes de incorporar aquilo que era a revolta concreta das pessoas” (na década de trinta e seguintes) o que levou a que nós tivéssemos “fascismo durante muitos anos.” 

Muitos de nós acompanham Carvalho da Silva; o que hoje vemos é muita revolta, que embora generalizada, tem dificuldade em encontrar resposta organizativa tão consensual como a revolta. 

Hoje, o Expresso, através de Martim Silva e uma croniqueta fácil de “altos e baixos”, faz a vingança “jornaleira” de colocar o “Movimento que se Lixe a Troika” em baixo, e afirma que hoje “os portugueses não parecem dispostos a seguir o caminho das ruas”. 

O que eu tenho visto é mais gente daquela que está “disposta a sujar as mãos” nas ruas, em crescendo, a encher. Martim Silva não sabe fazer essa contabilidade, não vê, só sabe contar pelos dedos e por isso conta mal no jornal.


É habitual no dia 1 de cada mês enunciar os posts mais lidos neste blogue no mês anterior, devido à manifestação de ontem (será que Martim Silva a viu) ficou para hoje. Os 10 mais lidos em Outubro:

01/10 – Para quem sonha...

19/10 – Manifestação Ponte-Alcântara convoca 1 de Novembro.

04/10 – António Costa defende directas abertas nos partidos. 

15/10 – Após 39 anos, um governo proíbe uma manifestação.

17/10 – Cavaco Silva foi só depositante do BPN?

08/10 – Bispos preocupados com as contas do corte nas pensões.

10/10 – Tabaco, fisco perde milhões. Fumar com menos impostos.

07/10 – TSU dos reformados - na viuvez, o início do pacote. 

12/10 – Barcelona – Nós Catalunha somos Espanha?

25/10 – Vaga de greves começa mal para fura-greves.

(para ler os artigos clicar nos textos a cor)

Cavaco Silva - Um drama nacional. Nov.2013

PS. - Carvalho da Silva também disse que “um dos maiores dramas que aconteceram a este país, foi, neste período, ter o presidente da República que tem”.

Nisto, também acompanho Carvalho da Silva!


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sábado, 26 de outubro de 2013

Manifestação 26 Out. Lisboa. Que Se Lixe a Troika.

foto 1 Manif.26 Out.Que se Lixe a Troika.Out.2013

Com concentração inicial no Rossio, a manifestação convocada pelo Movimento “Que Se Lixe a Troika” foi engrossando durante o trajecto para a Assembleia da República, tendo atingido alguns milhares de participantes.

Manif.26 Out. Que Se Lixe a Troika.Out.2013

Movimentos de cidadãos, organizações políticas e anónimos foram dizer junto ao parlamento que “está na hora do governo e a troika irem embora”.

Que Se Lixe a Troika - São Bento. Out.2013

Em São Bento a manifestação encheu até abarrotar o largo. Não foi, nem se esperava, algo parecido com a grande manifestação de Setembro do ano passado. Há coisas a rever nas convocatórias e tipos de mobilização, em Lisboa e fora dos grandes centros. Cumpriu-se mais uma jornada de luta.

Dia 1 de Novembro voltamos a São Bento, novamente em unidade,
para recusar o orçamento e exigir a demissão do governo.

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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Vaga de greves começa mal para fura-greves.

Greve dos CTT- contra privatização. Out.2013

Grevistas e PSP impedem camiões privados de levar correspondência da central dos CTT em Cabo Ruivo.

O piquete de greve impediu a saída de dois camiões da central dos correios, os motoristas privados chamaram a PSP, e esta, alertada pelos trabalhadores dos CTT constatou a não existência das obrigatórias guias de transporte. Ficaram todos parados, grevistas e fura-greves.

Os privados contratados pela administração dos CTT, de tão acelerados esqueceram a papelada. Tudo em volta dos CTT tem estado muito apressado. 

O modelo de privatização dos CTT foi aprovado logo na primeira reunião do governo remodelado, em Julho, e a urgência na privatização foi entendida na oposição como de carácter puramente ideológico.

Sendo a receita da privatização para abater ao défice e à dívida pública, a verdade é que não há consolidação das contas públicas e os limites exigidos pela troika são “para mercados-ver”. 

Os CTT deviam ser das privatizações a rever com a troika. Não se justifica perder uma fonte de receita solidificada do Estado e um serviço público essencial. O encerramento de centenas de estações de correio é já um sinal da degradação do serviço postal nacional.

A seguir aos Correios continua a vaga de greves com o Metro de Lisboa, a Carris, Refer, CP, STCP, Transtejo, Soflusa, e a Função Pública que fará uma greve geral.

Várias manifestações estão marcadas para os primeiros dias de Novembro.

Amanhã é dia do movimento “Que Se lixe a Troika” sair à rua
em 13 cidades do país. 
 Que Se Lixe a Troika.out.2013 

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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Não lixem – O “Que Lixe Se Lixe a Troika”.

26 de Outubro - mais uma vez.Out.2013
 
Um só canal por cabo e quatro ou cinco órgãos de comunicação online divulgaram hoje (até esta hora) uma notícia da Lusa sobre a manifestação promovida pelo movimento “Que Se Lixa a Troika”. É tudo nos últimos dias, é curto.

O movimento tem o resto de hoje e amanhã para reverter uma situação que é de alheamento (não quero chamar boicote) da comunicação social à difusão da manifestação. Deve fazê-lo de forma perspicaz, pois o que interessa são os resultados.

Na grande manifestação deste movimento, de 15 de Setembro de 2012, confluíram várias circunstâncias; a guerra interna no governo, a discussão sobre a taxa social única e fundamentalmente a crise na RTP - entre os noticiários com os cartazes contra a troika em todos os cenários e o zero de agora, vão decerto dezenas ou até centenas de milhar de participantes.

Como se sabe, após duas convocatórias da comunicação social sem que ela tenha aparecido, o movimento simulou uma manifestação de apoio e muitos jornalistas ocorreram. 

Teve graça, foi considerado muito inteligente, mas parece, pelas reacções sequentes, ter tido aspectos contraproducente nos termos em que foi feita. Bastava aos “simuladores pró-troika” terem dito algo que permitisse aos jornalistas não se sentirem apanhados como tolos para cortar reacções adversas.

Vi no Facebook jornalistas (que até apoiam a manifestação) ofendidos com a discussão aberta em seguida nas redes sociais. O papel dos jornalistas (logo de todos), a realidade subvertida pela comunicação social e outros acertos de contas não seriam para dirimir nesta ocasião. 

Humildemente deixei um comentário:- o movimento “que se lixe a troika” precisa dos jornalistas e dos órgãos de informação, pense-se na grande manifestação e nas pequenas manifestações. O ambiente online parece ter transformado uma boa ideia em algo de pouca esperteza.

E agora? Se as coisas não se alterarem pelo lado dos apoios nos media, tem de se fazer mais força por outros meios menos eficazes. Pela situação política e pelas características do Orçamento para 2014, estão reunidas todas as condições para que uma grande multidão saia à rua no Sábado. 

Vamos lá.

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domingo, 15 de setembro de 2013

Aposentados. Manifestação 25 de Setembro.

oclarinet.blogspot.com - 25 Set. Protesto contra o corte das pensões. Set.2013

Fotos da manifestação: Clicar Aqui

A um ano da grande manifestação (Que Se Lixe a Troika) de 15 de Setembro, ainda não se conseguiu organizar nada aproximado fora do movimento sindical. 

O governo vem dividindo os trabalhadores; novos e velhos, públicos e privados, precários e efectivos, empregados e reformados, para que eles não se juntem e mobilizem como um só corpo. Não há outro 15 de Setembro nestas condições.

Convocar manifestações que não resultem em fracasso e consequente desmobilização para outras futuras, exige organização, método, e muito trabalho. Espontâneo é quase sempre sinónimo de episódico. Espontâneo é sempre aproveitado por quem está organizado, daqui ao Egipto.

A Frente Comum de Sindicatos da Função Pública, no dia 3 deste mês “desafiou os pensionistas a protestar no próximo dia 25”. Dez dias depois, no dia 13, anunciou que ia organizar a manifestação, fazendo a convocatória oficial. 

Uma organização sindical com força, nunca longe dos seus filiados, que está em negociações directas com o governo - acompanhada pelas televisões e jornais diariamente – precisa de todo este tempo para preparar uma jornada de luta. É um bom exemplo.

Podem-se fazer manifestações de outro tipo, mas manifestações chamadas “de massas”, em que o número de participantes tem peso político, necessitam de muito trabalho de base e de ter direcção. 

Estou convicto que o protesto contra o corte das pensões do próximo dia 25, vai ser um sucesso de participação. 

Após as férias, os mais velhos abrem as hostilidades com os fachos! 

Quem os segue?

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Manifestações. Servem para quê?

oclarinet.blogspot.com - Manifestação Belém 6 de Julho. Jul.2013
Concentração:15 horas - frente ao Mosteiro dos Jerónimos.
 

Para não andar sempre aqui a repetir-me, reproduzo as palavras de José Pacheco Pereira no último programa “A Quadratura do Círculo”.

Na intervenção final do programa e referindo-se à carta de demissão de Vítor Gaspar, ministro das Finanças (e da troika); disse Pacheco Pereira:

“Esta coisa de menosprezar a rua, e menosprezar os sindicatos… por exemplo, Vítor Gaspar não o faz.” E especificou, “Vítor Gaspar refere-se (na carta) ao problema do apoio social às medidas que ele propõe. Esse apoio social, numa sociedade como a portuguesa só se pode ver pela agitação social, e a agitação social são greves e manifestações.” 

 Concluiu em seguida Pacheco Pereira: “Portanto esta ideia de que isto se passa tudo num conflito de personalidades e que o resto do país…Imaginem que não tinha havido nem greves nem manifestações. Alguém numa carta daquela natureza falava na instabilidade social? Alguém falava em fadiga social? Alguém falava em usura social? Ninguém! SIC (fim de citação)

Não existem dúvidas das razões que levaram à demissão de Vítor Gaspar (ele próprio as diz de forma clara na carta), nem das razões da actual crise política. Apesar disso ainda há quem justifique a sua passividade dizendo que de nada servem as manifestações e as greves.

A manifestação de amanhã em Belém, pela demissão do governo de Passos Coelho é convocada pela CGTP, a ela aderiram vários movimentos sociais como as associações “Que se Lixe a Troika” e os “Precários Inflexíveis”.

Os governos caem da mesma forma que caiu Vítor Gaspar, é altura de não baixar a pressão popular. 

Post Scriptum: PSD e CDS/PP rejeitaram no Parlamento, condenar a proibição de aterragem do avião de Evo Morales. Mais uma razão para querer um outro governo, que respeite a legalidade internacional e peça desculpa à Bolívia e a toda a América Latina, reparando as posições inaceitáveis deste governo.

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domingo, 19 de maio de 2013

Sondagem. Mais de 80% contra a troika. Democracia já!

oclarinet.blogspot.com - Denunciar acordo com a troika. Mai.2013

Dos inquiridos pela Eurosondagem só 10,8% consideram que o memorando da troika deve ser cumprido.
41,5% Defendem a denúncia do memorando e 41% a sua renegociação.

A maioria política da Assembleia da República já não representa o desejo da maioria dos portugueses.

O presidente da República, eleito por 23,15% dos eleitores, também não interpreta o sentimento maioritário existente na sociedade portuguesa.

É hora de povo português voltar a votar para eleger um Parlamento representativo da sua vontade.

Eleições!

Em nome da Democracia!

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domingo, 3 de março de 2013

Manif. 2 de Março. A contramanifestação dos números.

Foto manifestação 2 de Março. Mar.2013

O jornal Público engendrou um novo tipo de repórter, na linha muito publicitada do “ganhe dinheiro trabalhando em casa”. 

João Pedro Pereira, o repórter sentado, especialista em escrever sobre coisas que lê na Internet, abalançou-se a fazer uma contra-manifestação ao protesto popular de ontem.

Para tal, contou (de casa) clareiras no Terreiro do Paço e muitas aldrabices no texto. Estive na manifestação de Lisboa, não sei ao certo quantos manifestantes lá estiveram, mas sei que o repórter (!?) do Público ainda o sabe menos. O método dele é uma intrujice, seja voluntária ou fruto da ignorância.

Os metros quadrados do Terreiro do Paço são estáticos, as pessoas não. Os manifestantes do 2 de Março não preencheram a praça, agrupando e ajeitando-se no espaço, esperando uns pelos outros, não arredando pé até fazer uma massa de gente. Isso faz a batida Intersindical, o que levou outro “repórter sentado”, (o Ricardo Costa da SIC/Expresso) a dizer que esteve mais gente na Manif. (da Greve Geral) da CGTP que agora. É falso, afirmo eu que estive nas duas.

Entrei na manifestação na Avenida da Liberdade, perto dos Restauradores, a seguir ao primeiro sector (o silencioso). Quase toda a manifestação estava a montante. Foi enchendo à frente com populares que foram entrando daí para baixo e passado pouco tempo da nossa chegada ao Terreiro do Paço cantou-se a “Grândola”.

É visível nas televisões a saída de gente ainda antes do hino, e muitos mais saíram daí em diante. Foi uma caminhada com passagem pela Praça e não uma concentração, como facilmente qualquer jornalista que fez reportagem (no local, que é onde se fazem) notou. Foram horas a entrar e sair gente. Saí já noite, pelas 19 horas porque não aguentava, nem quem foi comigo, as já 4 horas em pé e ao frio – estava ainda a chegar a “maré da saúde”.

Foi patente que os manifestantes, todos ao mesmo tempo no Terreiro do Paço, não caberiam; as contas do “repórter sentado” do Público não servem de nada aos leitores. Servem para a organização “que se lixe a troika” corrigir procedimentos; tempo de saída, itinerários, distâncias e estrangulamentos, cabeça de manifestação, etc, ou mesmo o modelo, aprendendo com a experiência e com quem faz bem. 

O que é mais importante é a grande manifestação nacional contra este governo.
Pois é.
Mas não podemos esquecer como este governo foi lá parar e com quem conta para lá se manter.

Post Scriptum:
O Público volta hoje (2ªF) à carga com a ocupação por metro quadrado, quando se sabe que a manifestação de 2 de Março obedeceu a uma dinâmica de passagem pelo Terreiro do Paço e não a uma concentração “tipo Fátima”. É o argumentário para as discussões das segundas-feiras, a razão por que se vendem os jornais ditos desportivos. Haja paciência…



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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Manifestação 2 de Março. Próxima meta.

Boaventura Sousa Santos na SIC. Fev.2013
Clicar na foto - SIC

Para Boaventura Sousa Santos a actual contestação “é um sinal do crescente isolamento do governo em relação aos portugueses” (SIC).É visível. Por mais que todos os Mass Media Mafiosi ponham os seus “jornalistas” e comentadores (ou os políticos do regime) contra quem se manifesta, é patente o desagrado geral em Portugal. Com ou sem manifestações o governo perdeu a grande maioria dos portugueses, como é notório por todo o lado.

Boaventura observa que os movimentos sociais em Portugal “nunca foram muito fortes” e que tanto eles como as forças partidárias não estão a responder aos anseios dos mais jovens. Sendo verdade, esses desejos não se saciam no acto da contestação.

As organizações informais de manifestantes funcionam como expressão momentânea do descontentamento, divulgam os sentimentos populares, agregam e ajudam a mobilizar para demonstrações de massa, mas se não têm continuidade  e trazem organização, podem servir substancialmente de escape da tensão social.

Vejo por aí a meta de 2 de Março como se não houvesse 3 de Março; o crescendo de agitação até 2 de Março justifica-se, mas também se justifica que fique algo após essa meta. Ou em 2 de Março há a “explosão social” que leve à demissão do governo, do Cavaco, ou de outro objectivo similar, ou é preciso continuar na rua e continuar a “Cantar as Fevereiras” aos governantes, ao CDS, ao Presidente da República, e talvez ao António José Seguro.

Mas as movimentações produzem efeitos; como diz Boaventura, podem levar até a que haja partidos “que se mobilizem um pouco mais”, por exemplo, “a que o próprio PS, se dê conta que este movimento está a passar à margem do maior partido da oposição” e o leve a “fazer parte da solução e não do problema”.

Temos de estar preparados para um 2 de Março meta final ou meta volante, para a resposta do poder e dos enormes meios à sua disposição, desde logo a totalidade dos Mass Media Mafiosi que controla. Eles vão medir, comparar e relevar dados das manifestações, vão tentar minimizar e controlar danos.

A contrapartida só pode ser mais mobilização e mais organização, mais firmeza na resposta. 

Não se podem dar tréguas – forte contestação até o governo ir embora!

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A hora é para menos conversa e mais presença.

Texto de Andre Freire - Que Se Lixe a Troika. Fev.2013

Texto de André Freire

Efeitos positivos da crise: o despertar da cidadania para a importância da política

Uma das poucas coisas positivas com a crise económica e financeira internacional, começada em 2008 nos EUA, é que muitas pessoas começaram a despertar para a importância da política e da cidadania. Isso é visível em manifestações, petições, abaixo-assinados, etc., sobretudo nas formas de mobilização que extravasam o controlo das organizações sociopolíticas tradicionais. E foi visível em manifestações como a de 12 de Março de 2011 ou a de 15 de Setembro de 2012, onde era possível encontrar gente de todas as idades e estratos sociais, bem como em iniciativas como as dos Indignados ou de vários grupos e tertúlias para o debate e a (in)formação políticas. Claro: nem tudo são rosas, seja porque será bom «não deitar o bebé fora com a água do banho» (as organizações sociopolíticas tradicionais são ainda os veículos centrais da representação política), seja porque falta muitas vezes capacidade propositiva a estas iniciativas mais inorgânicas, seja porque, por vezes, o criticismo anti-partidos e anti-classe política roça o populismo antidemocrático. Porém, globalmente, diria que o balanço geral é ainda bastante positivo.

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Plenamente de acordo - O ClariNet vai às manifestações convocadas para 16 de Fevereiro e 2 de Março. A todas que possam contribuir para recuperar “as nossas vidas”.

Para já esta:oclarinet.blogspot.com - com a MANIF ponto.Fev.2013 
Outras concentrações (16 Fev.) pelo país (clicar AQUI)

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

14 Nov. Dia de Greve Geral. Carga policial em S.Bento.

Dia de greve geral acaba mal.Nov2012

A violenta carga policial junto ao Parlamento não obscurece a jornada de luta dos trabalhadores portugueses. A greve geral, que se saldou segundo os dados da CGTP, por uma das maiores greves nacionais, decorreu sem incidentes nos locais de trabalho, para além da lamentável presença policial junto de alguns piquetes de greve.

Portugueses e estrangeiros greve geral.Nov.2012

A concentração em Lisboa, teve a participação de vários sindicatos não filiados na CGTP para além de movimentos e organizações, nomeadamente; “Precários Inflexíveis”; “Que se lixe a troika”; e delegações estrangeiras.

oclarinet. Rossio greve geral.Nov.2012
oclarinet.Rossio-Parlamento.Nov.2012










Do Rossio, o desfile seguiu para a frente da Assembleia da República entoando palavras de ordem.
 
oclarinet.greve geral-Parlamento.Nov2012
Os manifestantes superlotaram o espaço frente ao parlamento, e muitos deles não arredaram pé após o fim do período de intervenção da CGTP. Foi sobre esses manifestantes que a polícia de choque carregou e não apenas sobre aqueles que atiravam objectos contra a força policial. É visível nas reportagens das televisões que são agredidas pessoas idosas e mulheres numa investida cega, como é “normal” na actuação destas forças.

Av.D.Carlos revolta greve geral.Nov.2012

Como reacção, muitos jovens revoltados causaram distúrbios na via pública, incendiando caixotes de lixo e virando vidrões e contentores, numa expressão de violência a que não estávamos habituados em Portugal. Uma viragem comportamental que as autoridades deviam ter calculado. É um tema que vai ser debatido na nossa sociedade e cá estaremos para contribuir, mas se pensam que a violência latente que começa a aparecer é fruto de “profissionais da desordem” ou quejandos, estão muito enganados.

Av.D.Carlos em chamas.greve geral.Nov.2012

Portugal é um país normal, com uma sociedade tão normal como as outras, onde inventaram uma léria de brandos costumes sem qualquer fundamentação histórica.

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Visita de Merkel. Protestos CCB e S.Bento.

oclarinet. Foto Angela  Merkel CCB.12 Nov.2012

A segurança em torno da visita de Ângela Merkel serviu sobretudo para dificultar o acesso dos manifestantes à zona de Belém.

Foi possível ver a comitiva a curta distância como demonstra esta foto; com as faixas de rodagem e a linha do comboio entre os carros oficiais (a baixa velocidade por aproximação do CCB) e o fotógrafo. Neste caso foi apontada uma câmara de bolso, mas poderia ser apontado outra coisa - por exemplo…um dedo acusador.


Da visita de Ângela Merkel a Portugal ficaram os protestos.

oclarinet. A caminho do CCB. Nov.2012 oclarinet.A caminho de S. Bento.Nov.2012











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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Por onde andará Ângela Merkel no dia 12.

Manif.12 Nov.Receber Merkel - Nov.2012

Onde para a Merkel?

Dia 12, segunda-feira, muitos dos que se querem manifestar contra Ângela Merkel gostariam de saber por onde ela andará. O secretismo do programa da visita da chanceler da Alemanha é ridículo, tanto como o das saídas dos nossos governantes a eventos públicos. Fugir dos populares já é padrão dos governantes portugueses, agora estende-se às suas visitas.

As notícias contraditórias sobre o itinerário e horário de Merkel, tem como única razão esconder Merkel do povo, e esconder o povo que se manifesta, de Merkel. Inicialmente a Autoeuropa fazia parte dos destinos, últimos ecos apenas dão certos os encontros com Passos Coelho, com Cavaco Silva em Belém e a participação no Encontro Empresarial Luso – Alemão no CCB. Horas, em segredo.

Ângela Merkel vai ter esperas pelos locais onde consta ir, e vai ter manifestações; essas vão ser vistas, difundidas pelas televisões nacionais e estrangeiras. A convocada para Lisboa pela CGTP parte do Largo do Camões (15.00H) para São Bento e outra do movimento “Que Se Lixe a Troika” sai do Largo do Calvário (13.00H) para Belém. 

A recepção de más-vindas a Merkel vai dispersar-se por vários locais, os populares não deixarão de ir atrás das notícias que localizem a chanceler. Merkel tem seis horas para umas corridas entre encontros, enquanto o governo tentará escondê-la e esconder dela os protestos.

Se os portugueses ocorrerem em massa às manifestações nada poderá ser escondido.

Vamos lá!

Como receber Merkel dia 12 de Novembro. Nov.2012

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Outubro acabou mal; no Parlamento e no país.

Foto manifestacao votacao orcamento. 31-10-2012

Os deputados da maioria tiveram medo; anteciparam a votação do Orçamento de Estado com receio das manifestações frente à Assembleia da República, o que é deplorável e indigno.

Mas não se livraram do bloqueio da saída do Parlamento, feito pelos Estivadores que chegaram mais cedo que os outros manifestantes. Houve deputados a fugir como ratos, trocando de lateral do edifício, por uma rampa protegida pela polícia de choque. 

Eleitos a fugirem do povo é prelúdio de maiores problemas, a golpada que a extrema-direita no poder, quer fazer ao regime constitucional, não vai ser fácil. 

Apesar do Orçamento aprovado pelo PSD e pelo CDS ser muito lesivo para a classe média, a maioria dos manifestantes em S. Bento era gente humilde; além dos funcionários públicos convocados pela Frente Sindical, viam-se muitos reformados (sustento de famílias novas no desemprego) e jovens urbanos radicalizados pela pobreza e dependência da família. Desempregados atirados para a miséria e empregados a lutar pelos seus direitos.
 Na rua ate o governo ir embora. Nov 2012

Como habitual, cada dia 1 os posts mais lidos no ClariNet no mês anterior. São também uma amostragem das inquietações de quem frequenta as redes sociais.

05/10 – 5 de Outubro. Incidentes nas comemorações.

25/10 – Borla nos transportes públicos para juízes, vergonha.

06/10 - JLS. Governo obriga empresas portuguesas a emigrar.

13/10 – 13 de Outubro. Praça da Figueira - Praça de Espanha.

18/10 – Greve Geral Ibérica dia 14 de Novembro.

11/10 – Setúbal. Marcha Contra o Desemprego, fotos.

09/10 – FMI. Previsões da dívida pública 3013 / 2017

12/10 – D. José Policarpo. A rua não resolve nada.

03/10 – Gaspar. Aumento de impostos, escalões e sobretaxas IRS.

16/10 – Cerco a S. Bento – fotos.

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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sábado, 13 de outubro de 2012

13 de Outubro. Praça da Figueira–Praça de Espanha.

Manif. Praa da Figueira.Out.2012
 
A Marcha Contra o Desemprego está em Lisboa.
 
A coluna do sul concentra-se no Cais do Sodré, às 15.45, e a do norte na Alameda D. Afonso Henriques, às 15.30. 

Convergem de cada um desses locais para a Praça da Figueira e prosseguem juntas, numa grande manifestação de alerta contra o flagelo social do desemprego que culminará na Assembleia da República, onde o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, proferirá uma intervenção. 

Arménio Carlos apresentará as propostas da CGTP-IN que se destinam ao equilíbrio das contas públicas e à promoção do crescimento e do emprego. (CGTP)

Do norte do sul - Praca da Figueira - Assembleia da Republica.Out.2012

Após o encerramento da Marcha Contra o Desemprego, em S.Bento, os participantes da Marcha e os manifestantes que os receberam em Lisboa, seguem para a Praça de Espanha, onde o Movimento “Que se lixe a troika” e dezenas de artistas promovem um segundo momento de protesto.

Sendo dois protestos com objectivos comuns, espera-se a participação da Marcha (os que ainda aguentarem depois de da jornada de 9 dias) na manifestação da Praça de Espanha, e, que o povo da grande Lisboa receba a Marcha contra o Desemprego na Praça da Figueira e a acompanhe à Assembleia da República. 

Participa!

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Subscritores “Que se lixe a troika” com Manif. da CGTP.

oclarinet Manif. 29 de Setembro.Set.2012

Os 29 activistas que subescreveram o manifesto “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” Que esteve na origem da maior manifestação popular depois do 1º de Maio de 1974, pedem que as “cidadãs e cidadãos esqueçam eventuais e pontuais divergências e se unam, se solidarizem e se juntem a outras forças organizadas e aos movimentos que recusam este rumo, numa frente de resistência comum”.
 
Os subscritores da manifestação do 15 de Setembro e da vigília de 21 de Setembro apelam “à participação massiva no protesto entretanto convocado pela CGTP-Intersindical para o próximo Sábado, dia 29 de Setembro”.

O comunicado na íntegra: 

Tantas horas de Conselho de Estado para nada
 
Quando o país esperava que o Conselho de Estado o percebesse, este fechou os olhos. Para quem se manifestou a 15 de Setembro e esteve nas vigílias de 21 de Setembro, os problemas deste país não se resolvem pelo facto de o governo passar a tirar-nos de outra maneira aquilo que nos roubava na TSU. Ao conquistarem as ruas das suas cidades sob o lema “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!”, centenas de milhares tomaram uma posição firme de denúncia de um programa, o da troika, de um governo, o dos troikistas, e de um método anti-democrático, o de sujeitar a população portuguesa a políticas que as pessoas não discutiram nem votaram.
 
Os resultados comunicados ao país, após mais de oito horas de reunião, apenas sugerem, sem concretizar, um possível recuo na subida da TSU para os trabalhadores. Não nos congratulamos por isso: consideramos grave a avaliação de que sem o protesto cívico não se teria alterado sequer esta aberrante medida. Congratulamo-nos, antes, pelos milhares de pessoas que fizeram exercício da sua participação política, muitas intervindo pela primeira vez e muitas outras reiterando protestos desencadeados em diversos sectores da sociedade, face aos sucessivos cortes nos rendimentos do trabalho e nas reformas, na Saúde, na Educação, na Cultura, as privatizações das companhias fornecedoras de gás e electricidade, os consequentes aumentos de preço e do IVA, o agravamento de custos e as limitações às redes dos transportes públicos. Os problemas do país não se resolvem com estas medidas de austeridade. A resolução passa por dar voz ao povo, para que decida em conjunto como garantir um país justo, defendendo os interesses de quem cá vive e trabalha e invertendo cruéis assimetrias em prol de subservientes acordos assumidos com a troika.
 
O Conselho de Estado – em que não se garante, de maneira alguma, uma verdadeira representação do espectro político português – revelou os mesmos defeitos de cegueira e surdez à voz do povo, característicos do governo, desrespeitando e reinterpretando a seu gosto estes últimos e inequívocos protestos, num texto paupérrimo e vazio, uma manobra de bluff político. Confirmámos assim que não é apenas o governo quem vira as costas ao seu povo. O incansável protesto da multidão demonstrou que, nitidamente, também o Presidente da República perdeu por completo o respeito dos cidadãos e das cidadãs que vivem e trabalham neste país.
 
É por isso necessário que continuemos a protestar. É cada vez mais urgente traçar um novo rumo. Um rumo que tenha finalmente as pessoas como centro das atenções, e não bancos e mercados ou interesses financeiros e especulativos. Um rumo que reforce a participação democrática e cidadã e não nos limite a vulgares espectadores de uma tragédia colectiva, ditada de gabinetes e de bolsas. Um rumo que aponte para uma verdadeira solidariedade internacional, numa mudança de regime que beneficie todos os povos, e que começa cada vez mais a ser desenhado por plataformas e acções que apelam à convergência cívica em vários países e designadamente à construção de uma nova Europa. Ao contrário do primeiro-ministro Passos Coelho que considerou ser de menor importância uma reunião de governos de Itália, Grécia, Espanha e Irlanda e Portugal para discutir as politicas europeias, nós achamos fundamental que os povos da Europa ajudem a traçar políticas para desenvolver a economia e o emprego em vez de planos para garantir e multiplicar os lucros dos especuladores e agiotas que jogam com as dívidas soberanas.
 
Consideramos ainda premente, para o nosso país e para as nossas vidas, que as cidadãs e os cidadãos esqueçam eventuais e pontuais divergências e se unam, se solidarizem e se juntem a outras forças organizadas e aos movimentos que recusam este rumo, numa frente de resistência comum. Apelamos por tudo isto à participação massiva no protesto entretanto convocado pela CGTP-Intersindical para o próximo sábado, dia 29 de Setembro. Juntos reclamaremos esse novo rumo, que inverta totalmente a sujeição do governo aos joguetes políticos de entidades não sufragadas, que cinicamente nos impõem “ajudas” com juros fatais e sacrifícios que jamais ousariam sequer imaginar para si próprios. Um rumo onde não cabem a troika nem os troikistas. 
 
Queremos as nossas vidas.
 
E por elas estamos dispostos a fazer, em cada dia de luta, em cada novo protesto, algo de extraordinário.
 
24 Setembro de 2012
Subscritoras e subscritores das manifestações de 15 e 21 de Setembro.


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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sábado 29 – Em Lisboa.

Todos a Lisboa dia 29. Set.2012

Apareceu nos últimos dias uma convocatória, sem assinatura, que anuncia manifestações em várias cidades do país para o próximo dia 29.

Como para o dia 29 está marcada, desde há muito, uma “Jornada de Luta Nacional” pela CGTP- em Lisboa - achei estranho. Para confundir ainda mais, a convocatória dispersa (anónima), usou o cartaz da manifestação “Que Se Lixe A Troika”. É trapaça e nem vale a pena adiantar mais nada.

Sobre o assunto, Nuno Ramos de Almeida, um dos elementos que convocou a manifestação “Que Se Lixa A Troika” deixou este texto no blog “5 dias”:

 Somar lutas

 24 de Setembro de 2012 por Nuno Ramos de Almeida

Não vejo qualquer concorrência entre as manifestações de 15 de Setembro e a concentração da CGTP a 29 de Setembro. Todas são importantes para derrubar o governo e recusar a política da troika. Elas não se opõem, elas somam-se. Acho que a maior parte das pessoas que tem como objectivo derrotar as políticas neoliberais e criar uma alternativa popular e de esquerda têm este ponto-de-vista. Infelizmente, há gente que prefere que as forças anti-troika se degladiem. Normalmente, esses grupos ultra-minoritários têm como projecto derrotar os sindicatos e as forças de esquerda existentes. Os seus inimigos não são o grande capital, a troika e os partidos que assinaram o memorando, os seus verdadeiros adversários são o PCP, o BE e a CGTP. Eu não dou para este peditório. Por isso em vez de dividir vou juntar-me aos trabalhadores que se manifestam na concentração convocada para dia 29 de Setembro às 15 horas no Terreiro do Paço em Lisboa.

Estamos esclarecidos.

PS: 

"Manifestantes de 15 de Setembro apelam à "participação massiva" no protesto da CGTP"

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Acordai. Vigília ao Conselho de Estado em Belém

A música de Lopes Graça vai estar presente na vigília ao Conselho de Estado.

Poema de José Gomes Ferreira

Acordai!
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raiz!


Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações…


Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.


Acordai!

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sábado, 15 de setembro de 2012

Centenas de milhar contra a troika e o governo.

Manif.15 de Setembro - Lisboa. oclarinet.blogspot.com Set.2012

“Que se lixe a troika” levou centenas de milhar de portugueses à rua. Em Lisboa, onde fui, vi das maiores manifestações de sempre e estive no 1º de Maio de 1974.
É muita gente para se poder apagar nos próximos dias.

E sabemos que vai haver a tentativa de desvalorizar este acontecimento.

Depois desta demonstração de cidadania, nada pode ficar como está na política portuguesa; os cidadãos vieram afirmar que não são a massa amorfa que se dizia, que todos diziam. 

O que mais se ouvia neste país era “que ninguém faz nada contra isto”, “ninguém se manifesta”, “o governo faz o que quer e ninguém protesta”; pois agora o povo foi para a rua, foi fazer política no sentido mais nobre do termo. E avisar que as medidas políticas têm de os levar em conta, não são números ou percentagens, são pessoas, famílias, vidas.

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