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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Síria. Cai argumento das armas químicas.

Uma pergunta de Jornalista. Set.2013

Uma jornalista inglesa perguntou a John Kerry como se poderia travar a intervenção militar dos EUA na Síria e ele respondeu: “Se o presidente Bashar al Assad entregasse as suas armas químicas, já esta semana”. 

Terá sido uma resposta de ocasião, senão os Estados Unidos já teriam feito tal proposta. Kerry sabe que a Síria tem armas químicas porque Israel tem armas químicas, isso mesmo afirmou Assad ontem, em entrevista à CBS. Era uma resposta retórica à jornalista, que John Kerry achava impossível de ser aceite.

Só que, a Rússia, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, propôs à Síria que entregasse o seu arsenal de armas químicas à supervisão internacional. 

O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid al-Mouallen, em Moscovo, concordou e disse que só precisava do apoio oficial de Assad para considerar formalmente aceite.

Nessa fase, a fundamentação americana para o ataque à Síria, está definitivamente abalada. Os EUA/NATO não precisam destruir os meios do exército sírio, que o torna capaz de utilizar armas químicas… se eles não estiverem na posse das armas químicas.

Umas observações: Afirmou-se, na situação Líbia, que foi a destruição por Kadhafi, promovida pelo ocidente, do seu arsenal de armas químicas, que permitiu a ofensiva da NATO e aliados. 

E Israel? Vai pôr o seu arsenal de armas químicas sob controlo internacional?

(em actualização)

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Guerra do Mali. Mais apontamentos. Al-Qaeda. França.

Lider extremista de Timbuktu. Jan. 2013

(continuação)

Se o norte do Mali corre o risco de se transformar num Afeganistão, como disse um ministro francês, os “talibans” que está a gerar, podem chegar à Europa. Que as suas acções no Sahel e no Magreb atingem a economia europeia, para além dos países do norte de África, não restam dúvidas.

Como disse aqui ontem, Os tuaregues que Kadhafi empregou e com quem dizia ter afinidades, regressaram da Líbia após o fim do regime; desempregados e sujeitos a perseguição racista, voltaram e com armas. Compõem o moderado MNLA (Movimento Nacional de Libertação de Azawad) com antigos combatentes das rebeliões anteriores e juntando várias etnias.

Na rebelião no Mali, o MNLA teve como aliado o grupo extremista islamista Ansar Dine, que domina algumas cidades (como Timbuktu - dos túmulos sagrados). O grupo Ansar Dine (defensores da fé) como o MUJAO (Movimento de Unidade e Jihad na África Ocidental), estão ligados por militantes comuns, e estes à AQIM (Al-Qaeda do Magreb Islâmico). Ouve-se falar em dissidências; são processos de autonomia e concorrência entre as bases da Al-Qaeda, passe a redundância.

Os grupos fundamentalistas tomaram cidades aos independentistas e nelas têm aplicado a Sharia, com a mesma leitura dos talibans afegãos sobre a lei islâmica. A determinação e traquejo militar dos combatentes jihadistas aliada ao fanatismo religioso parece ter feito a diferença nos combates contra o MNLA, que são (ou eram) em muito maior número.

Jihadistas de vários países estarão na Guerra do Mali, como estão armas nas mãos dos grupos islamistas vindas da Líbia e entregues pela França aos rebeldes líbios. O “Le Figaro” fez uma reportagem há cerca de dois anos, foi depois confirmado; mísseis anti-tanque, lançadores de foguetes, etc. de França para os rebeldes. Depois desapareceram, andam por todo o lado, da Síria ao Mali. Pior são os mísseis terra-ar, (ver aqui set-2011) um perigo acrescido para os interesses franceses na região.

A França que começou por intervir no Mali para criar uma zona tampão que impedisse o avanço dos rebeldes até à capital, vai ter de ir mais além, talvez numa guerra de longa duração. Esta intervenção francesa excede a sempre evocada vontade de intervir nos países que colonizou, tem um interesse estratégico fundamental, que são as minas de urânio no deserto do Níger, na zona que dá para a fronteira do Mali. A que está a funcionar em Arlit, essencial para alimentar as centrais nucleares francesas, e a que está em construção nas novas reservas de Imourarene na mesma região, que terá uma área de exploração de duzentos quilómetros quadrados.

Em Arlit, apesar da segurança militar, já raptaram sete funcionários (4 continuam presos pelos raptores); guardar duzentos quilómetros quadrados de deserto em Imourarene vai ser uma empreitada. E como se está a ver pelo que acontece na Argélia, vontade e capacidade militar não falta aos grupos ligados à Al-Qaeda, que competem entre si esgrimindo contra os infiéis. A França é dos países que tem ajudado (inadvertidamente?) a propagação do radicalismo islamista.

Agora é na Síria.

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domingo, 26 de agosto de 2012

Líbia. Islamistas destroem mesquita, à luz do dia.

Governo libio incapaz de controlar islamitas radicais. Ago.2012

A mesquita de Al-Shaab, junto ao centro de Trípoli, na Líbia, foi demolida em plena luz do dia, no sábado, e os túmulos sufistas no interior foram profanados por grupos de islamistas armados. A operação envolveu o uso de um bulldozer.

A história da Líbia, os seus monumentos e escritos estão a ser destruídos e os mausoléus profanados e danificados, pelo ultra conservadorismo salafista. 

Organizados em milícias, os extremistas islâmicos contam com a passividade das forças de segurança estatais. Uma testemunha da destruição da mesquita disse à BBC que os militares “pareciam estar a supervisionar o processo em vez de evitá-lo”.

Destruio da mesquita de Al-Shaab. Ago.2012

Se o governo da Líbia não chega ao centro da capital, Trípoli, em pleno dia, onde estará?  


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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tunísia. Mulheres perdem direitos com poder islamita.

Islamitas no poder - mulheres sem direitos na Tunisia.Ago.2012

A proposta para nova Constituição apresenta a mulher tunisina como “complementar” ao homem.

A Tunísia, país que com a Turquia (de Kemal Ataturk) era dos mais tolerantes do mundo árabe e entre os muçulmanos, está a mudar no pior sentido, para as mulheres e toda a sociedade.

As mulheres têm direitos garantidos de igualdade de género desde o Código do Estatuto Pessoal, promulgado em 1956 pelo presidente Habib Bourguiba.

As mulheres tunisinas têm direito à instrução, de casar com quem decidam e de se divorciarem judicialmente, têm tutela sobre os filhos e usam livremente contraceptivos.

A leitura do islamismo como prevalência masculina, que é comum a todos os vencedores das chamadas “primaveras árabes” vai impor um recuo civilizacional que não é surpresa para os mais avisados do ocidente. 

Ocidente que está a apoiar a islamização fundamentalista do norte de África e Médio Oriente por motivos estratégicos de influência na região.

Na Tunísia as mulheres lutavam até agora por melhorar os direitos adquiridos, por conseguir uma maior emancipação e equiparação com os homens nos cargos dirigentes.

Agora voltam ao passado; à luta pela igualdade de direitos, para homens e mulheres – contra o obscurantismo teocrático.

Enquanto se espera a evolução no Egipto, o esquartejamento final da Líbia e a invasão da Síria, era bom que a opinião pública mundial deitasse os olhos para os efeitos da “primavera árabe” na Tunísia, onde os islamitas agora no poder até eram considerados dos mais moderados.

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sábado, 4 de agosto de 2012

ONU não aprova sanções à Síria nem a saída de Assad.

O reino menos democrtico do mundo e seus aliados perderam na ONU. Ago.2012

 Assembleia-Geral da ONU condena violência na Síria. 

Conforme o serviço de notícias das Nações Unidas, a resolução aprovada ontem por maioria, em Assembleia Geral, condena “a violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais por parte do governo, assim como todo o abuso dos direitos humanos cometidos pelos grupos armados de oposição na Síria”.

No texto inicial da resolução, apresentado pela Arabia Saudita e promovido pelo Grupo de Países Árabes, constava a exigência da “saída de Assad do poder e a imposição de sanções contra o regime sírio”, mas tais menções foram retiradas durante as negociações da redacção do texto final.

 A resolução aprovada pela maioria dos 158 países, com 31 abstenções e 12 votos contra, fica assim muito longe da resolução 1973 que serviu para invadir a Líbia. 

Com o veto da Rússia e da China nas resoluções vinculativas do Conselho de Segurança e com a resolução (não vinculativa) da Assembleia Geral da ONU de condenação genérica da violência, não há base legal no concerto das nações para sanções ao regime sírio, para a exigência da saída do líder do regime sírio e muito menos para qualquer intervenção militar estrangeira no conflito.

O resto - são conversas e campanhas.

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Líbia. Resultados eleições. Liberais 39 em 200 lugares.

Coligação de Mahmud Jibril - 39 em 200 cadeiras no parlamento líbio.Jul.2012
 
Os “liberais” da coligação Aliança das Forças Nacionais (AFN), foram o partido mais votado na Líbia, conquistaram 39 dos 80 lugares reservados aos partidos. A Aliança, liderada por Mahmoud Jibril, ex-ministro de Kadhafi que se mudou para a oposição, chegando a chefiar o Conselho Nacional de Transição, é dada como vencedora das eleições.

oclarinet. Aliança das Forças Nacionais - 39 lugares em 200. Libya Herald.Jul.2012

A verdade é que num parlamento de 200 deputados, (120 são independentes) e atendendo à miríade de organizações que compõem a AFN, o grupo parlamentar mais homogéneo é a Irmandade Muçulmana que conquistou 17 lugares e ficou em segundo lugar.

De resto, o máximo que os partidos elegeram foram 3 deputados, tendo a grande maioria deles elegido apenas um elemento, como os independentes (!). O Partido da Pátria, dado pela comunicação social como um dos três principais candidatos à vitória não conseguiu qualquer lugar.

O Parlamento líbio passa assim a ser composto por deputados unipessoais na sua grande maioria. Como dizia aqui, só quando houver votações se saberá quem ganhou as eleições na Líbia. 

Em relação à representatividade de todos os eleitos não há elementos para fazer qualquer análise, mas não resultou nada de semelhante ao modelo ocidental que foram obrigados a importar.

Uma incógnita é a reacção das tribos aos resultados e à representatividade que terão na vida política líbia. Provavelmente, as eleições são apenas mais um episódio da guerra da Líbia, que se continuar, é longe dos holofotes dos meios de comunicação ocidentais.

Agora é tempo de fazer outra guerra, a da Síria.

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terça-feira, 10 de julho de 2012

Resultados das eleições na Líbia.

oclarinet.blogspot.com - Líbia.Jul.2012

As eleições na Líbia ainda fazem parte da Guerra da Líbia, tiveram por isso uma cobertura propagandista na comunicação social em vez de informação jornalística esclarecida e elucidativa.

Começou pela participação no acto eleitoral, as primeiras notícias diziam que votaram 60% dos inscritos (1,7 de 2,7 milhões inscritos), para depois todos anunciarem que votaram 60% dos líbios, que são 6,4 milhões. Contas minhas, considerando que 40% da população não terá idade para votar, (sobram 4,6 milhões) terão votado menos de 40% dos líbios adultos. É um pormenor.

Outro pormenor (manipulador) é a caracterização dos partidos, dá jeito ao “Ocidente” depois do surto islamizador das “primaveras árabes”, inventar uma designação ocidentalizada para os islâmicos moderados e coisas afins. Na líbia nasceram uns “liberais”, ditos adversários dos partidos islâmicos.

Estes “liberais” não se enquadram em qualquer família nascida das revoluções ou pensamentos liberais conhecidos, é uma fórmula criada para encobrir a realidade do partido de Mahmoud Jibril (Aliança das Forças Nacionais – “os vencedores”). É um movimento islâmico, que quer o Islão na vida política e considera “a Sharia (lei islâmica) como base da lei” – isto é dito por eles. Sharia, Estado de Direito, Liberalismo, Islão, é demasiada confusão.

No sentido da natureza do poder, estão a criar um Estado mais centralizado que a anterior democracia de base, que, embora não indo até à super-estrutura do poder, era participada directamente pelos líbios.

Também não serão liberais no sentido económico, (não tanto como se pensa). Mahmoud Jibril já avisou que antes da generalização das privatizações, há que construir as infra-estruturas necessárias à Líbia; afinal, o pensamento de Kadhafi, que Jibril executou enquanto responsável do Planeamento e depois do Desenvolvimento Económico no governo deposto.

Não se pode dizer quem ganhou as eleições, como é possível afirmar que um partido que concorre para 80 de 200 lugares venceu? Para mais sendo composto de 58 movimentos e centenas de ONGS (!?) e Independentes.

Só se saberá quem ganhou as actuais eleições depois de ver o sentido das votações no Parlamento. A Irmandade Muçulmana promete surpresas contando com os independentes de filiação política “indefinida”.

Mas o importante é se o governo é aceite pacificamente; por quem deixa de ver reconhecido o seu real poder, as tribos, pelos federalistas que queriam outra representatividade, ou pelas populações que vão contar com menos verbas dos lucros do petróleo. O governo vai ter de pagar aos países que lhe entregaram a governação da Líbia.

Para a opinião pública ocidental, a hipótese de a Líbia não conseguir impedir a violência interna ou regredir dezenas de anos no índice de desenvolvimento humano não será valorizado, afinal os amigos da Líbia são os mesmos amigos do Iraque e ninguém se importa com o que lá sucede desde a “implantação da democracia”. Amigos que estão a estender a sua amizade à Síria.

Para seguir o escrutínio clicar em: http://www.libyaherald.com/

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sábado, 7 de julho de 2012

Eleições na Líbia - 7de Julho. Que democracia?

Eleições na Líbia - Resultados duvidosos.Jul2012

As eleições na Líbia não são comparáveis com as da Tunísia ou do Egipto. A Líbia perdeu a unidade política com o derrube de Kadhafi e está instalado o caos em todo o território; mesmo em Benghazi (berço da rebelião contra o anterior regime) foi atacada o mês passado, uma coluna de veículos da embaixada britânica e noutra operação foram detidos funcionários do Tribunal Penal Internacional (só libertados com intervenção do Conselho de Segurança da ONU).

Já esta semana, também em Benghazi, cerca de 300 homens armados invadiram a sede da Comissão Eleitoral de Eleições, onde destruíram material informático, urnas e outros materiais para a votação, enquanto no sudeste líbio o líder dos Toubus (clicar aqui/artigo sobre os Toubus) declarava ir boicotar as eleições. Ainda ontem, entre outros incidentes, foi abatido um helicóptero que transportava material eleitoral e foram suspensas por milícias armadas todas as operações no principal porto petrolífero da Líbia (Ras Lanouf).

Não há condições mínimas para realizar eleições na Líbia mas parece que isso não é importante. A ideia não é acabar com o caos, mas apenas dar-lhe algum ordenamento, no fundo definir melhor o terreno. Com esse propósito as eleições são uma primeira amostragem onde as verdadeiras forças políticas vão evoluir. 

As eleições foram manipuladas na própria concepção, pelo que não resultará nem um simulacro de democracia representativa. Centenas de partidos e organizações políticas congregados em algumas frentes eleitorais e milhares de independentes (muitos deles falsos independentes promovidos e apoiados às claras por partidos) vão disputar os 200 lugares do Parlamento.

Em 6 milhões de habitantes, estão inscritos para votar 2,7 milhões. Dos mais de 4.000 candidatos a Comissão Eleitoral considerou elegíveis 2.501 independentes e 1.206 de grupos políticos. 120 lugares são para os independentes (!?) e 80 para os agrupamentos políticos.

Por “razões demográficas” 100 lugares são para o oeste com mais população, 60 para o leste e 40 para o sul, mas inventou-se um sistema de votação para a futura Assembleia que impede o voto representativo; as aprovações serão por maioria de dois terços, para que o oeste da líbia nunca tenha a maioria.

Com este sistema, em que o CNT não permite a repartição equitativa dos lugares do Parlamento, confessa-se a real divisão líbia. Trata-se de uma manipulação (de sinal contrário ao caso grego em que o vencedor tem mais 50 votos) que vai no sentido de impor (!) a ingovernalidade. Esta situação não é aceite hoje e será mais um factor contra a pacificação após as eleições.

Sem sondagens, a comunicação social árabe “elegeu” 3 partidos como principais. Dois islamitas, o Partido da Justiça e Construção e o Al-Watan (Partido da Pátria - salafista), o primeiro é a Irmandade Muçulmana, o segundo do ex-chefe militar de Trípoli Abdelhakim Belhaj. O outro agrupamento (Aliança das Forças Nacionais) é uma coligação dita liberal, promovida pelo ex-primeiro ministro do CNT Mahmoud Jibril.

Admite-se que também com o truque dos independentes apoiados pelos partidos, os islamitas possam ter a uma maioria no Parlamento. No entanto o verdadeiro poder político continuará nas tribos que defendem os interesses regionais com a legitimidade histórica e armas pesadas.

Que democracia resultará de eleições numa Líbia mergulhada no caos generalizado, sem exército unificado e um modelo de poder político importado (mal) e aplicado sem ter em conta a realidade física e histórica? 

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mais lido. Para-quedistas portugueses presos na Síria.

Paraquedistas portugueses presos na Síria.Jul.2012

Em parte, o ClariNet dedica-se a notícias que não são notícia, porque a nossa comunicação social não lhes dá relevo ou simplesmente as ignora. 

Nesse sentido vai o primeiro post deste mês sobre a cimeira do Mercosul que “suspendeu o Paraguai e integrou a Venezuela”. O que se passa na América Latina, onde está uma potência económica e política como o Brasil, o país com mais falantes de português, e outros, com quem temos relações comerciais de grande importância, deveria ter a atenção dos media nacionais. 

Também o facto de os restantes países de língua oficial portuguesa terem relações privilegiadas com a América Latina, deveria merecer o acompanhamento da evolução política na parte sul do continente americano.

Mas os meios de comunicação portugueses só têm olhos para a América do Norte; olhos e ouvidos com palas, que recebem e retransmitem as dores e anseios dos EUA como se fosse do nosso interesse - os seus interesses. 

A comunicação social portuguesa de referência (jornais e canais de televisão) é totalmente alinhada com a política da Casa Branca, mesmo que com isso prejudique valores civilizacionais, conveniências europeias ou proveitos pátrios. O incumprimento do direito a ser informado é nesta época de perca de todos os direitos, dos mais nocivos para a nossa sociedade e para a democracia.

 A introdução serve para dizer que a publicação sobre os "para-quedistas portugueses presos na Síria” foi de longe a mais lida em Junho. É assunto que nenhum jornal português referiu e que continua a receber visitas de Portugal e do estrangeiro, está espalhado por jornais e sites de todo o lado, cá, espera-se que passe despercebido.

Depois, as normais diatribes dos nossos colunáveis políticos; coube a vez a António Borges que dizia “ser urgente diminuir salários” quando ele ganhou “225 mil euros sem impostos”. A “Grécia. Resultados eleitorais obriga a coligação” e “Avião turco abatido na Síria mobiliza NATO” são os dois temas mais visitados, antes dos dois posts sobre a Manifestação de 16 de Junho da CGTP, o “anúncio” e o “pós-manifestação”. Por fim “Líbia. A 15 dias das eleições milícias ocupam aeroporto”. Como lá disse, demonstrou-se não haver condições para realizar eleições no prazo previsto. 

Fomos durante meses intoxicados com a Guerra da Líbia para depois o “jornalismo” abandonar a realidade líbia após a tomada de poder pelo CNT. É matéria para acompanhar, até porque ao contrário da grande maioria da comunicação social profissional, não temos vergonha do que dissemos. 

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Líbia. A 15 dias das eleições milícias ocupam aeroporto.

Milícias tomaram aeroporto internacional de Trípoli.Jun.2012
A 15 dias das eleições na Líbia, milícias ocuparam o aeroporto internacional de Tripoli. Um grupo armado de cerca de 200 homens – da milícia Al Awfia oriunda de Tarhuna, cidade considerada fiel a Kadhafi e situada a cerca de 60 km a sudeste da capital – usou armas pesadas montadas em dezenas de veículos para controlar o aeroporto civil mais importante da Líbia.

A milícia exigia a libertação do seu líder, o coronel Abu Ujeila al-Habashi desaparecido no domingo e que, segundo a Al-Jazzera, teria ido à capital entregar uns tanques do exército regular. O Conselho Nacional de Transição (CNT) no poder na Líbia negou qualquer envolvimento no desaparecimento do líder da Al Awfia, responsabilizando “rebeldes armados desconhecidos” pelo seu rapto.

Forças líbias já recuperaram o aeroporto, há notícia de membros das milícias detidos e o CNT tinha prometido nas negociações, através do seu presidente Mustafá Abdul Jalil, um inquérito ao desaparecimento do chefe da Al Awfia.

Fica do acontecimento mais uma prova de que dificilmente há condições para a realização de eleições livres e sérias na Líbia, no prazo previsto, que é no próximo dia 19.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Líbia - Toubus. Confrontos tribais ou limpeza étnica?

foto Mahamd Turkia-AFP - Toubus da Líbia. Març.2012 

Sucedem-se os confrontos tribais na Líbia. Notícias dão conta de combates entre membros de tribos árabes e a tribo Toubus no deserto a sul do país; 70 mortos e 150 feridos nos últimos 3 dias na cidade de Sabha (fonte do governo) a 600 km de Tripoli. Na semana passada a France Press noticiava que 113 pessoas tinham morrido em Al Kupra (no sudeste, fronteira com Chade, Sudão e Egipto) e 241 ficado feridas.

O governo líbio; Conselho Nacional de Transição (CNT), não tem mão nas milícias e é incapaz de pacificar as tribos, não exerce qualquer soberania no país.
O representante de Sabha no Conselho, Abdelmajid Seif al-Nasser, demitiu-se na terça-feira em protesto contra a falta de capacidade do CNT.

A tribo Toubus, de “pele escura” cuja etnia está presente no Chade e sul da Líbia, tornou-se vítima de várias tribos árabes. Atacada pela tribo Zwai no início de Fevereiro, viu o CNT apoiar o ataque, o que foi confirmado pelos próprios Zwai (Arab News). O envio de armas pesadas e combatentes pelo CNT traduziu-se em cerco e bombardeamento dos bairros Toubus de Shaba e de Al Kupra, zonas agora descritas como “de desastre”.

O líder dos Toubus, Isa Abdelmajid Mansur, denunciou na segunda-feira à AFP a existência de um plano de “limpeza étnica” contra a sua tribo. Anunciou também a reactivação da Frente Toubou para a Salvação da Líbia (movimento que se opôs ao anterior regime) para proteger os Toubus. Disse também que ia pedir uma intervenção internacional e que pretendem trabalhar para um Estado independente – “como o Sudão do Sul”.

Lutas tribais, ou genocídio, para o extermínio dos Toubus líbios, é uma incerteza, mas que a Líbia não está em condições de realizar eleições daqui a três meses, como quer Obama e o CNT, é uma verdade irrefutável.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A primavera árabe quando nasce não é para todos.

Primavera ÁrabeOut2011


Cristãos egípcios (coptas por redundância) apoiaram a comunidade muçulmana nos protestos contra Mubarak, fizeram-no nas ruas. Foi muito divulgada a imagem dos coptas rodeando e protegendo os muçulmanos nas manifestações enquanto eles rezavam. Os coptas que participaram no levantamento foram contra a directriz do seu patriarca Shenuda III que apoiava Mubarak como aliás Mubarak apoiou a minoria da igreja copta contra o extremismo muçulmano.

Agora pelo menos 24 pessoas perderam a vida durante os confrontos registados ontem à noite no Egipto entre cristãos coptas e as forças de segurança. Nas “forças” envolvidas estavam militares, militares esses que não intervieram aquando do derrube de Mubarak.

Ao contrário do que se quer fazer crer no ocidente a primavera árabe não é para todos, na Líbia basta ter pele escura para ser perseguido, ou ter o azar de nascer na tribo Gaddafa, e até na Warfalla que começou por pedir a saída de Kadhafi e agora teme pelas relações ancestrais privilegiadas com a tribo de Kadhafi. No Egipto, a mudança do líder do regime, só isso por enquanto, fez voltar ao de cima os sectarismos religiosos, como voltarão os tribais na Líbia.

Dá que pensar quando se prepara a opinião pública para mudanças na Síria, que mudanças? O que acontece depois aos Alauitas, cristãos, judeus e aos sunitas refugiados do Iraque? A “rua árabe” tem muitos passeios mal frequentados, muitos interesses inconfessáveis com campo privilegiado para provocação de conflitos. Mudanças sim, mas que acautelem a sobrevivência, em paz, de todas as etnias e religiões.

No Egipto, o imã sunita da Al-Azhar e o patriarca copta Shenuda vão reunir (outra vez) para tentar sanar as lutas religiosas, é um passo. Outros passos devem ser dados, mas tem de ser por quem habita o Médio Oriente, sem intromissão estrangeira, seja ela dos árabes do Golfo, do Irão, da Turquia, ou do “Ocidente”.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lula da Silva nos saldos em Portugal, Paulo Portas aos restos na Líbia.

nuvens negrasSet2011


Chamam Diplomacia Económica à tarefa de caixeiro-viajante que figuras políticas e dirigentes dos países fazem um pouco por todo o mundo. Umas ocasiões são trocas de favores ou busca de equilíbrio das relações comerciais, outras vezes cobranças de jeitos políticos ou militares. Não há almoços grátis.

A Diplomacia Económica tem estilos; Mário Soares levava uma multidão de empresários, abria a porta do país de destino, e enquanto admirava as vistas e passeava o ego de estadista, os “empreendedores” trocavam portfolios e fechavam promessas de negócios. Sócrates, reconhecidamente um dos maiores vendedores dos dois hemisférios, era adepto da venda agressiva porta a porta, apregoava o produto desembalado, e, como nas feiras, juntava a pechincha de uma dúzia de peúgas ao edredão, que é como quem diz, uns computadores Magalhães às embarcações dos estaleiros de Viana.

Lula e Portas vêm de outras escolas de vendas. Lula da Silva não está especialmente interessado em aumentar o intercâmbio comercial com Portugal. Ainda esta semana discursando na UNASUR, se gabava de ter ido contra o parecer de empresários brasileiros, (que diziam ser muito pequeno o mercado da América Latina) privilegiando as relações com os seus vizinhos. O facto é que hoje as vendas do Brasil para a América do Sul ultrapassam o comércio com a Europa, só não superam as mantidas com a China.

Mas Lula tem umas contas a ajustar, e para o seu lado. Abriu o Brasil aos grandes negócios da GALP e da PT, entre outros menores, e vem cobrar as facilidades concedidas. Sabe que em Portugal (como para outros, na Líbia) há negócios de ocasião.

A loja portuguesa está em liquidação total, é amigo, representa dinheiro, e há interesses que podem ser comuns em África. A atenção pelos Estaleiros de Viana pode ser uma solução depois de Chávez ter ruído a corda das encomendas; Chávez é menos pragmático que Lula, leva em conta a cor dos governos, e neo-liberais deita ele pelos olhos em todos os discursos. Lula da Silva será sempre bem-vindo em Portugal.
Paulo Portas foi à Líbia encontrar-se com Mustafa Abdel Jalil, o presidente do CNT (ex-secretário do Comité Popular da Grande Jamahiriya Árabe Líbia, alcunhado ex-ministro da Justiça, de Kadhafi). Portas lembrou que Portugal reconheceu o CNT e fez parte do comité de sanções da ONU. Como os negócios do ouro, da água e do petróleo são para dividir pelos países que participaram na “revolução”com homens e armas, e não por quem só fez comunicados, pediu que se mantenham para as empresas portuguesas os contratos firmados com Kadhafi.

Depois esteve com Ahmed Gehani, ministro da Reconstrução Nacional, um ministério criado habitualmente logo após a participação da NATO em “revoluções”. Destruir para depois reconstruir tem sido um bom negócio, veja-se o que se passou no Iraque onde a primazia foi para as empresas americanas, como a Halliburton do vice-presidente Dick Cheney. Na Líbia será parecido. De qualquer maneira é preferível não entrar no negócio que fazer despesa enviando a engenharia militar, como acontece na reconstrução do Líbano.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Líbia, NATO está a bombardear bairros civis em Tripoli.

LíbiaoclarinetJun2011


Intensificam-se os ataques a Tripoli por parte das forças da NATO, hoje, segundo jornalistas na cidade, estão a ser bombardeadas possíveis residências do líder líbio e família, as instalações da rádio e televisão e quartéis da guarda revolucionária. Estão também a ser atingidos bairros civis na zona sudoeste da capital.
Kadhafi faz hoje 69 anos, e a data parece ter sido escolhida pela NATO para o recrudescimento da guerra contra a Líbia. Os ataques aéreos já há muito que estão a ser feitos desrespeitando o mandato da ONU, que era de garantir uma zona de exclusão aérea.
Segundo Rolando Segura, enviado especial da Telesur (em cima, na imagem de hoje) o número de incursões da NATO ultrapassa as 10.000, Rolando já tinha reportado anteriormente que 40% das munições usadas pela Aliança Atlântica continham urânio empobrecido, substância radioactiva que ficará no território da Líbia; causadora de cancros, complicações neuro-degenerativas e má formação congénita nos humanos.
Enquanto a União Africana, a China e a Rússia envidam esforços para o estabelecimento de um cessar – fogo, a NATO pretende em reunião a efectuar amanhã vir a integrar mais países nos ataques.
Segundo alguns observadores, o que estará em causa na guerra de agressão ocidental à Líbia já não seria apenas (!) uma “guerra do petróleo”, mas a tentativa de efectuar um “desfalque” aos fundos soberanos detidos pelos bancos ocidentais. Kadhafi derrubado o dinheiro investido em segredo desaparece por não ter dono. Cá, BES e BCP devem estar à espera do resultado da guerra, e nós vamos percebendo cada dia melhor as causas destes conflitos.
Há milhões de razões para acabar com Kadhafi, contam-se em notas; os mortos inocentes serão apenas números de baixo valor.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Al Qaeda nas forças rebeldes da Líbia.

Segundo o almirante James G.Stavridis, da NATO, em declarações numa comissão do senado dos EUA, os serviços de inteligência ocidentais encontraram sinais da presença da Al Qaeda entre as forças anti-Kadhafi.
Já em 23 de Fevereiro (como referi num post) o vice ministro das Relações Externas líbio, Khaled Kaim, tinha afirmado aos embaixadores da União Europeia que a Al Qaeda tinha estabelecido um “emirato islâmico” em Derna, no leste da Líbia sob o domínio dos revoltosos. Seria dirigido por Al Hasadi, um ex-preso de Guantánamo. Derna é a cidade do mundo onde a Al Qaeda recrutou mais elementos.
Kadhafi tinha erradicado os simpatizantes da Al Qaeda da Líbia em colaboração com serviços secretos ocidentais, agora voltaram e quem o confirma são fontes americanas. A Líbia faz parte dos objectivos confessados da Al Qaeda, de fundar uma base para lançar ataques á Europa.
Esta informação tem relevo numa altura em que se discute o fornecimento de armas aos rebeldes. A resolução 1970 do Conselho de Segurança impõe o embargo do comércio de armas com a Líbia, mas como era esperado já há uma “interpretação” baseada na frase “usar todas as medidas necessárias”.
A repórter da SIC na Líbia, hoje à hora de almoço dizia que tinha visto nas mãos dos rebeldes “armas novinhas”. Os americanos não aprendem nada com a história, nem com a sua experiência em armar insurgentes, de que o caso dos Talibans no Afeganistão é um exemplo.
O receio de que armas Líbias venham a ser usadas no terrorismo surgiu logo no início do conflito. A pilhagem de material militar nos armazéns do exército, lançou inevitavelmente no mercado negro armas de todo o tipo, incluindo mísseis terra – ar, uma ameaça para os aviões civis; e foram filmados insurgentes na sua posse.
Hillary Clinton admitiu saber pouco sobre os rebeldes, o comandante da NATO na Europa diz que estão (agora) a avaliar “o conteúdo, a composição e as pessoas que são líderes das forças de oposição a Kadhafi”; no entanto os EUA estão dispostos a fornecer-lhes armamento; contra a decisão da ONU e contra qualquer bom senso que reconheça que esse acto é uma ameaça ao futuro da segurança internacional.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Guerra do petróleo.

Uma avaria nas telecomunicações do jornal impediu que este artigo fosse hoje para paginação do Semanário Transmontano. Fica aqui.

Não é a primeira guerra do petróleo, nem vai ser a última.

Mais uma guerra do petróleo. Na Líbia ou noutro local era inevitável; do Médio Oriente à região do mar Cáspio, de África à América Latina, onde houver petróleo e instabilidade política há palco para a intervenção das grandes potências. E quando não há instabilidade cria-se, é esse o papel dos serviços secretos, aproveitar as disputas étnicas e religiosas, as divergências políticas locais, e até reivindicações populares justas, para instaurar regimes que orientem, controlando a posse dos recursos energéticos

domingo, 20 de março de 2011

Outra guerra do petróleo.

Os acidentes nas centrais nucleares japonesas, que espalharam receios fundados na opinião pública mundial, sobre a energia nuclear, são um elemento crucial a ter em conta na disputa do petróleo africano e do Golfo.

Começou outra guerra, dita para garantir a estabilidade e os direitos humanos; agora na Líbia. Como vai acabar, e quando, ninguém sabe.

quarta-feira, 16 de março de 2011

No-fly zone ou o fim da guerra civil na Líbia

Por Carlos Mesquita

O filho de Kadhafi, Saif al-Islam Kadhafi, anunciou em entrevista (exclusivo no portal Euronews) que o fim dos combates está para breve.

Ao impasse na guerra civil e perante a ameaça internacional, Kadhafi respondeu primeiro com a reconquista das cidades ocupadas pelos insurgentes a oeste, até à fronteira com a Tunísia, em seguida dominou os complexos petrolíferos até as portas de Benghazi. É em redor da maior cidade da Cirenaica islamizada, que diz estar neste momento. Não é crível que use mais que a força necessária para abrir condições de negociar.

Para o regime de Kadhafi as sanções impostas pelo ocidente nada alteram, nem as deliberações do Parlamento Europeu, da Liga Árabe ou da Conferência Islâmica; o importante é internamente conquistar o apoio das tribos com quem divide a autoridade politica. A maioria delas é espectadora do conflito, seria prejudicada pela divisão do país e tomarão a iniciativa de impor negociações perante uma situação sem solução militar.
 Para além do risco político de uma operação militar da NATO contra um país árabe, há experiência anterior de não se conseguirem cumprir os objectivos inicialmente propostos pelas zonas de exclusão aérea.

As forças de Kadhafi têm uma grande supremacia militar nos meios terrestres e não precisam (às portas de Benghazi) de projectar à distância operações aéreas ou bombardear uma cidade com muita população civil, o que seria um contra-senso político que Kadhafi, já se viu, dificilmente cometerá.
O bloqueio aéreo na Líbia seria uma operação complexa, de resultados duvidosos e imprevisíveis consequências; mas o mundo está cheio de governantes que perderam a noção da realidade.

Antes de ontem publiquei no Estrolabio o post seguinte:

 O governo americano apresenta amanhã o plano
 para os europeus se envolverem na guerra civil líbia.