O Agente
A placa dizia “Imobiliária Ajax”, e o agente subiu ao segundo andar. Na sala só havia uma mesa, uma cadeira e um homem sentado nela, imóvel, olhando o tecto.
O agente olhou para ele e disse:
“Sou do Instituto de Estatística e venho fazer o seu questionário.”
“Que questionário?” perguntou o homem que estava na mesa.
“Nome, nacionalidade, estado civil – esses dados todos.”
“Para quê?”
“Para o recenseamento, para sabermos quantos somos, o que somos.”
“O que somos? Isso não”, disse o homem da mesa, com certo pessimismo.
“O recenseamento nos dará a resposta de tudo”, disse o agente.
“Mas eu não quero saber de mais nada”, disse o homem. “O senhor não está vendo”, acrescentou, subitamente aborrecido, “que eu estou ocupado?”
O senhor me desculpe”, disse o agente, “mas sou obrigado a preencher a sua ficha, o senhor também é, de certa forma, obrigado a colaborar. O senhor não leu a proclamação do presidente da República?”
“Não.”
“Foi publicada em todos os jornais. O presidente disse – “
“Isso não interessa”, disse o homem levantando da cadeira abrindo os braços, “por favor.”
Mas o agente, lápis em uma das mãos e formulário na outra, não tomou conhecimento do pedido. “Seu nome?”, inquiriu.