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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

BCE. Revisões em baixa da actividade económica.

Previsões em baixa na Zona Euro. Ago.2013

É pró menino e prá menina. Para quem gosta de especular com zeros vírgula qualquer coisa, e mudar de crença de mês a mês, temos hoje no Público que a “OCDE antecipa recuperação da actividade económica em Portugal” a título, e mais abaixo; “O mesmo movimento antecipa para a Zona Euro”.

Temos também (aqui) que o BCE divulgou um estudo que piora as previsões sobre o desemprego (e da actividade económica) para a Zona Euro. É portanto, só escolher o que dá mais jeito, para melhor dormir. 

Sobre o BCE, que ainda não chegou cá: economistas especializados em previsão económica, consultados pelo BCE reduzem as previsões da actividade económica da zona euro deste ano, de 2014, e de 2015. Esperam uma contração de 0,6 em 2013, quando era “previsível” 0,4 - há três meses.

Os analistas culpam a debilidade da procura interna (mais fraca que o esperado no primeiro trimestre) bem como “os dados decepcionantes procedentes dos países emergentes, nomeadamente a China e o Brasil”.

Acrescente-se que o dito estudo justifica com a menor pujança da procura interna a revisão em baixa para 2014 e 2015, prevendo ainda um ligeiro aumento do desemprego na zona euro para 2014 “apesar de agora ter caído um pouco”.

Se, com o caso de ontem, dos dados do INE sobre o emprego e o desemprego, se pôde fazer notícias contraditórias, com dois estudos simultâneos é só escolher o que agrada mais.

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terça-feira, 14 de maio de 2013

Relatório, ou manifesto da OCDE? Quem governa isto?

Os portugueses têm de impedir a degradação do país. Mai.2013

Depois do relatório do FMI concebido a pedido do governo, outro da OCDE por igual combinação. É um governo aflito, incompetente e desnorteado, que procura socorro. O manifesto da OCDE podia chamar-se, “ Destruir o Estado Democrático e Promover o Crescimento do Desemprego e da Pobreza”, deram-lhe outro nome para iludir papalvos.

Quem redigiu o relatório e quem assim o encomendou sabe que não é exequível em democracia, sabe que é um manifesto para um Golpe de Estado e deve assumir as consequências.

É uma declaração de guerra aos trabalhadores de hoje, de ontem, e do futuro. Há leis, há partes e negociações nas relações laborais, há valores civilizacionais que não se podem continuar a degradar, há caminhos que não sejam as condições de trabalho do Bangladesh. Não é esse o ajuste que os portugueses aceitam.

Propor o congelamento do salário mínimo, propor que se reduzam ainda mais as indeminizações por despedimento, renegar a contratação colectiva e apontar a abolição das portarias de extensão, são um conjunto ideológico de atentados ao direito em vigor e aos acordos já firmados. A crise é uma oportunidade para o extremismo, mas vai haver resistência.

Querem mais tempo de trabalho por menos remuneração, a redução da protecção social e a constituição de um exército de desempregados prontos a aceitar qualquer trabalho por qualquer salário. Mas estão a esticar demasiado a corda.

Tornem os Sindicatos e a Concertação, obsoletos por irrelevância, aqui e lá fora, e vão ver a reacção dos povos.

A resposta à violência não vai ser a passividade.

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cavaco Silva. Crise acaba no próximo mês.

Cavaco Silva em 27 de Abril de 2012. Mai2012

De Cavaco Silva vem uma carta, de Jacarta “Portugal vai vencer a crise mais rápido do que previsto”.

Mais rápido que o previsto por quem? Por Vítor Gaspar que já disse que Portugal ia ao mercado em 2013, ou pelas próprias previsões do nosso presidente que “raramente tem dúvidas e nunca se engana”.

Terão uma vaga ideia de ter ouvido o presidente dizer que no segundo semestre de 2012 estava esperançado que Portugal começava a crescer, foi em Vagos, em 27 de Abril último, e fez títulos por todo o lado, como todas as declarações de Cavaco fazem (decerto para facilitar a pesquisa).

Cavaco Silva diz agora que vai ser mais rápido que as previsões; antes do segundo semestre deste ano – é para o mês que vem!

Anda o Seguro a tentar pôr uma palavra; abracadabra ou crescimento ou lá o que é, num texto do governo, para resolver a crise, e afinal o nosso presidente já sabia que nada disso é preciso.

É bom ter um presidente assim, que emende as previsões da OCDE no próprio dia, com coragem e douto saber, e que não se fique pelas previsões nacionais a que poucos ligam. Quem diz, como Cavaco Silva, que “existe a convicção de que a economia europeia está a entrar na trajectória de recuperação”, quando a OCDE cortou a previsão de crescimento para uma contracção na Zona Euro, merece parangonas internacionais.

A não ser, a não ser que Cavaco, quer seja em Vagos quer seja em Jacarta, esteja sempre a leste da realidade. É tempo de organizar uma viagem à comitiva presidencial para um local do Universo com outra visibilidade.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Para cumprir com a troika é preciso mais austeridade.

Obediência vai trazer mais austeridade. Mai.2012

Enquanto a selecção treina em Óbidos a OCDE fez uma selecção de recomendações para o óbito da economia real em Portugal.

De mais “aumento de impostos (IVA e IMI)” ao “congelamento de salários”, de mais “cortes em benefícios e deduções fiscais” à “revisão do subsídio de desemprego”; mais medidas de austeridade serão necessárias para cumprir com as metas da troika.

A OCDE prevê um défice do PIB de 4,6% em 2012 e de 3,5% em 2013. Prevê também o aumento da taxa de desemprego, que chegará a 16,2% em 2013.

Com este panorama, as medidas de consolidação orçamental terão de ir para além do previsto pelo governo, que tem afiançado não serem necessárias mais medidas de austeridade.

O governo está a aprofundar o problema, o ajustamento depende das receitas quando a sua política leva ao encerramento de empresas, mais aumento de impostos reduzirá o consumo a níveis de entorpecimento da economia, a continuada negação de investimento do Estado acabará por paralisar o resto.

No fundo, a conversa do crescimento não passa de conversa, ainda para mais uma conversa feita agora, por quem sempre disse que consolidação orçamental ao ritmo exigido e crescimento eram incompatíveis, e são, como se verificará.

Portugal tem duas alternativas, ou faz do objectivo do défice conversa e do crescimento realidade, ou o inverso, fala em crescimento mas dá prioridade aos objectivos da troika. Portugal e Espanha optaram por alinhar com as exigências de Merkel, a Península é o grande impedimento ao isolamento da política Alemã.

A troika que falhou rotundamente na Grécia, está cá, são os mesmos indivíduos, as mesmas soluções, porque haveria de dar resultados diferentes?

Pouco depende dos portugueses, incapazes de se mobilizarem ou sequer perceber que há alternativas e nada depende da troika que são uns mandaretes dos interesses financeiros.

Estamos subordinados ao que conseguirem políticos e povos europeus que não falam português. Se o resultado for bom para nós (como no futebol) faremos a festa.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Portugal não é a Grécia, mas é o quê?

OCDE Actividade económica a cair em Portugal. Fev.2012 

O gráfico acima, da OCDE, publicado ontem no Expresso online, indica a evolução da actividade económica de Portugal (vermelho) comparando com a da Grécia (azul) e da Irlanda (verde) de Fevereiro 2010 a Dezembro de 2011. Enquanto no princípio do último trimestre de 2011 há um ponto de retoma na Grécia e Irlanda, Portugal não pára de descer.

Dados de agora, do INE, dizem que a recessão em Portugal no total do ano de 2011 foi de 1,5% do PIB. De imediato ouviram-se vozes a minimizar a situação pois havia previsões piores, como estratagema é o que é, mas não esconde a realidade; estamos em recessão há quatro trimestres, os seguintes também serão de recessão, vivemos a crise económica mais longa pelo menos da minha existência.

Um factor a ter em conta é a distribuição pelos trimestres de 2011 da queda do PIB, respectivamente; 0,6% – 0,2% – 0,6% – 1,35%, sendo que o quarto trimestre comparativamente ao mesmo de 2010 caiu 2,7%. Há uma evidente mão das medidas de austeridade do governo, no aprofundamento da recessão.

Na Irlanda o problema é mais no sector financeiro e na Grécia ao nível do Estado, como se sabe, mas em Portugal são os particulares e as empresas que não recuperam, os “ajustamentos” empobrecendo as pessoas e asfixiando por falta de crédito as empresas, não são reformas estruturais.

Mesmo as contas externas que contaram com a queda de importações e o bom comportamento das exportações, vão sofrer alterações este ano; as medidas de austeridade em Espanha (o principal parceiro) vão reflectir-se nas nossas vendas ao exterior, e no nível da nossa recessão.

O governo de Passos Coelho entende que com propaganda convence todos, interna e externamente, que vamos no bom caminho, depois aparecem os indicadores económicos e vai tudo por água abaixo. A Moody´s baixou mais o "nível de lixo" apesar da conversa fiada, e o que eu vejo que ando na produção, é que não há trabalho. A economia está paralisada em muitos sectores, a situação ainda vai piorar para a maioria das famílias portuguesas.

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