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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Estamos sujeitos ao perigo das armas químicas sírias.

Pela primeira vez destroem-se armas químicas no mar. Jan.2014
http://www.youtube.com/watch?v=aeGyQMpPZ5g

Os americanos pediram e as autoridades políticas nacionais estão inclinadas a pôr à disposição um porto dos Açores, para o transbordo das armas químicas recolhidas na Síria, que estão a bordo de um barco dinamarquês, para o navio norte-americano que dará início à sua destruição.

No navio, MV Cape Ray (imagem/vídeo), irá ser feita a primeira tentativa de neutralizar armas químicas no mar. Trata-se de adaptar a um navio os meios já conhecidos de inutilizar as armas químicas em situação de estabilidade terrestre.

Para além dos perigos decorrentes das manobras de transbordo, a fazer nos Açores por ser uma “zona isolada” (é o que dizem!), temos a operação de destruição que vai ser efectuada no navio, algures no Atlântico.

O Pacífico teve o recente desastre de Fukushima, (ainda não completamente avaliado) o Atlântico é palco de uma aventura científica que nem teve tempo para ser estudada. Pedir garantias de que tudo corra bem, como faz alguma oposição e ambientalistas, é o mesmo que rezar a São Cristóvão. É uma experiência.

Sendo uma experiência, e perigosa, é natural que os americanos se tenham lembrado dos portugueses e que até o desmintam; estamos a fazer de ratinhos brancos nos ensaios do FMI, para tratar crises económicas em países sem moeda própria, aguentamos ser as cobaias da “zona isolada” onde se tudo correr bem, até se imaginam uns negócios nas Lajes, mas, dando para o torto – paciência…

Cobaia é assim mesmo, tem dono, sujeita-se.

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Obama. Uma nova imagem.

Fora-da-lei internacional. Set.2013
Quando a CNN dá esta imagem do “Nobel da Paz”
 
pé na secretária, dedo engatilhado
 
temos a confirmação de que as piores armas não estão em boas mãos.
 
(A imagem do justiceiro ajusta-se à campanha, é a "cultura" do meio.)

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

À espera da América e de santos milagreiros.

Agressão à Síria mal calculada...Set.2013

Nos impasses passa o tempo. Os homens santos passam horas repletos de compaixão para com as misérias humanas - é um modo de passar o tempo. Os homens justos passam anos aguardando pela sensatez dos imponderados.

As misérias humanas e os gestos levianos de homens poderosos estão intimamente ligados. Desde Ronald Reagan e a invasão de Granada, há trinta anos, que os EU não atacam outro país sem o aval da ONU, ou coligados com outras nações. Obama vai perdurar, como os antecessores, no lado negro da História, na ala do uso irrefletido da violência e da agressão (porque são fortes).

Vivemos o dejá vu da invasão do Iraque, da NATO fora-da-lei, agora escondida da opinião pública; tal como no Kosovo, onde países como a Itália "não participaram", mas estiveram lá. 

Portugal, sobre a Síria desovou declarações dúbias e prolixas: Rui Machete diz “parece-nos que isso deverá”; “é desejável”; “na medida do possível”; e… “que o Conselho de Segurança funcione”. Já agora, que funcione com mais nitidez que o nosso ministro.

Na Síria, é novamente a ideologia do imperialismo pseudo-humanitário, ao qual até alguma esquerda cedeu na violação do direito internacional. 

Resta-nos protestar e esperar que se tenham enganado nos cálculos; que na impossibilidade de os deter, a lei do mais forte não os recompense e alguma lição fique para futuro. 

Hoje, na CNN, no programa do jornalista/comentador Fareed Zacarias, dizia-se que a força de Assad está a ser mal calculada por Obama, e não só por Obama.

Haverá santos? E milagres?

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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Obama isolado. Britânicos votam contra ataque à Síria.

Cameron derrotado no Parlamento. Ago.2013

O Parlamento britânico votou contra uma intervenção militar na Síria proposta pelo governo. A medida teve 285 votos contra e 273 a favor.

O Prémio Nobel da Paz Barack Obama está agora isolado para fazer a guerra.

Os falcões da NATO estão divididos sobre o uso da força militar na Síria, a coligação ocidental que permitiu as intervenções anteriores, e das quais resultaram muitos milhares de mortos civis e a destruição conhecida, não está desta vez, e por agora, operacional.

Em Paris, François Hollande disse na manhã de ontem que “deve ser feito todo o possível para chegar a uma solução política” num evidente recuo sobre o acordo com Obama. 

Em Londres, o governo britânico teve de retroceder por imposição do Parlamento; David Cameron comprometeu-se a respeitar a vontade dos deputados, que “inviabilizaram a participação de forças britânicas numa intervenção” independentemente das conclusões dos inspectores da ONU.

Por agora, é um importante revés para a Casa Branca e uma demonstração da vitalidade da opinião pública - pela causa da paz.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Síria. Hollande recua e defende uma solução política.

Síria. Hollande pede solução política. Ago.2013

François Hollande afirmou hoje num encontro com jornalistas, que “deve ser feito todo o possível para chegar a uma solução política” para o conflito sírio.

A declaração de Hollande, proferida tendo ao lado o líder da “coligação nacional síria”, Ahmad al-Asi al-Jarba que recebeu em Paris, é uma evolução no discurso da França sobre a ameaça ocidental de intervir militarmente na Síria.

A ONU apresentará no próximo sábado dados sobre o ataque químico na Síria.

Enquanto Londres defende acção militar mesmo sem acordo na ONU e Obama afirma ainda não ter tomado uma decisão, a nova atitude de Hollande representa as dúvidas no seio da coligação de agressão NATO. Poderá estar em causa a “resposta comum” que Obama e Hollande afiançaram no último domingo.

Se o passo atrás de Hollande é genuíno, é um passo contra a guerra.

P.S.: Reino Unido propõe atacar Assad como "intervenção humanitária". Outra...

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A posição do Partido Socialista sobre a Guerra Síria.

Regime de Assad pediu inspectores da ONU. Ago.2013

O Partido Socialista veio pedir ontem, através do seu coordenador parlamentar Paulo Pisco, uma posição clara do governo português sobre o conflito sírio. Também faz falta uma posição clara do Partido Socialista.

O que Paulo Pisco disse à TSF (ouvir aqui) não corresponde ao que os jornais escreveram. Todos os títulos afirmaram que o PS é a favor de uma intervenção militar na Síria; ora, Paulo Pisco, diz no final da declaração, (toda ela bastante infeliz): “provando-se que foi o regime de Assad que utilizou armas químicas”.
Faz toda a diferença.

Mais tarde, ainda ontem, o porta-voz do Partido Socialista, João Ribeiro, na mesma TSF (AQUI) desmentia o deputado dizendo que as declarações de Paulo Pisco refletiam uma posição pessoal, não a do partido. 

Mais confusão, quais declarações? As publicadas ou as ditas na rádio? Como o porta-voz do PS disse que oportunamente a posição oficial do partido será pública, esperam-se para muito breve.  Até agora, nada.

Lembremos que José Sócrates considerou um erro a intervenção no Iraque e que os portugueses precisam de saber que PS é este, o da direcção de António José Seguro.
A política internacional, a guerra e a paz, são assuntos chave na orientação dos partidos.

Aproximam-se eleições, da posição oficial socialista sobre a agressão programada à Síria, para mais nas condições de ilegitimidade actual, dependerão, estou convencido, muitos votos.

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Síria. França anuncia entrega de armas aos rebeldes.

Garnisé chanfrado vai prá  guerra.Ago.2013Garnisé chanfrado vai prá guerra

O presidente de França anunciou hoje que “aumentará a ajuda militar aos rebeldes”. Garnisé francês mais os falcões do costume preparam intervenção que querem “breve e limitada”, (talvez se enganem).

É intenção dos belicistas ocidentais - e de Israel - não esperar pelo resultado das averiguações sobre as armas químicas usadas na Síria. 

Sem provas de nenhuma espécie, quanto mais contundentes, e contra o senso geral, dizem que “sabem” que Bashar al-Assad usou armas químicas. É “inegável” diz John Kerry, tal como era “inegável” a existência de armas de destruição massiva no Iraque. 

Da outra vez ainda apareceram uns ilustres aldrabões a dizer ter visto provas, agora nem isso. Hollande diz que “todas as evidências indicam que o governo sírio está por detrás do massacre de inocentes, e por isso deve ser punido”.

É para colher evidências que os especialistas da ONU estão na Síria, mas a ser verdade o que li algures, sobre a possibilidade de identificar com exatidão a proveniência dos agentes químicos (cada país fabricante terá fórmulas destintas) é bem possível existirem razões de peso para não esperar pelos resultados.

A fórmula do agente químico identifica o país fabricante, a partir daí e do conhecimento de quem apoia quem no conflito, é possível chegar ao grupo que o usou.

Saber-se mais tarde, será secundário, como são hoje tidos como insignificantes todos os episódios em que a opinião pública internacional foi enganada, com a cumplicidade dos meios de informação. 

Se algo podemos fazer pela Causa da Paz - é contrariar a intoxicação mediática que defende e promove a guerra. Pouco mais.

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sábado, 24 de agosto de 2013

EUA reforçam Mediterrâneo e ameaçam intervir na Síria.

Forças Navais dos EUA no Mediterrâneo. Ago.2013

Decorre na Síria, o clássico jogo político/militar da provocação que justifique uma intervenção militar externa. Pentágono reforça presença naval no Mediterrâneo enquanto o governo sírio acusa rebeldes de usarem armas químicas e vice-versa.

A preocupação de que o conflito sírio dê origem a uma operação militar estrangeira, do tipo da ocorrida na Líbia, já tem dois anos. As armas químicas na Síria e as ameaças da Casa Branca foram, há um ano, um trunfo eleitoral para Obama. (AQUI)

Nessa altura, há precisamente um ano, o governo sírio declarou que “nenhuma arma química seria usada contra cidadãos sírios”, e que estavam “supervisionadas pelas forças armadas” só prevendo o seu uso “no caso de a Síria ser alvo de uma agressão estrangeira”. 

A Síria completava a resposta aos EUA, chamando à atenção para a “possibilidade de estrangeiros armarem grupos terroristas com armas químicas, fazendo-as explodir em aldeias e acusando as forças sírias”.

Sobre o que realmente se passa na Síria tem-se a propaganda de um e outro lado, e alguns jornalistas independentes. O “ocidente” baseia a “informação do interior” na “ONG” do militante da oposição Rami Abdel Rahmane conhecida por “Observatório Sírio dos Direitos Humanos” e pouco mais.

De facto “O ataque químico na Síria é para especialistas” (ver AQUI). Como diz um correspondente da BBC é “difícil acreditar que o governo sírio, que recentemente recuperou terrenos dominados pelos rebeldes, fizesse um ataque com armas químicas enquanto os inspectores estivessem no país”. 

No mesmo sentido vai a crónica do jornalista José Goulão (AQUI) e o senso comum não comprometido com a agenda bélica dos países da NATO.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Egipto. O fim das primaveras árabes.

Egipto revoluções e ditaduras.Ago.2013

As revoluções que nunca o foram têm desfechos decepcionantes, aquilo a que se chamou “primavera árabe” está a resultar em caos, destruição de vidas, países e civilizações. 

O que o “ocidente” promoveu (e persiste em fomentar) no Norte de África e Médio Oriente são os actos mais criminosos - provocados pela ingerência estrangeira - registados no pós-guerra. 

Os Estados Unidos, Israel e União Europeia, sabiam que o modelo de democracia ocidental não ia resultar nos países destruídos, como o Iraque e a Líbia, em devastação como a Síria e o Egipto, ou na Tunísia em fase de terrorismo de Estado islamista. A aliança do “ocidente” com as ditaduras do golfo e organizações islâmicas radicais para alterar o poder na região, algum dele até pouco adverso, não deu nem mais democracia nem governabilidade; originou ditaduras teocráticas (eleitas), guerras civis, desmembramento de países. 

A desordem instalada, inicialmente conveniente para o “ocidente” e seus aliados, está fora de controlo. Desde a guerra do Iraque que fazem de aprendizes de feiticeiro; as prisões de uns, como o líder da Irmandade Muçulmana Mohammed Badie e a libertação de outros como a anunciada de Hosni Mubarak, são remendos numa situação de difícil restauro, não há retorno ao período pré-primaveras árabes nem se vislumbra, a curto prazo, uma saída pacificadora e democrática para aquelas gentes.

Mas o “ocidente” ainda pode piorar as coisas no Egipto, cedendo à tentação de armar a oposição caso perca a influência que tem no exército. A instabilidade foi semeada e vinga na região, não há revoluções ou processos democráticos, apenas e só incertezas.

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Rebeldes da Síria sequestram soldados da ONU.

M. Ed- Mar.2013

A oposição armada síria sequestrou 21 militares das forças de paz da ONU. Os militares, de nacionalidade filipina, integram o contingente da UNDOF, encarregue de vigiar o cumprimento do cessar-fogo entre Israel e a Síria, nos Montes Golan.

Tropas da UNDOF - site ONU. Mar 2013

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o Conselho de Segurança exigem a libertação imediata e incondicional dos militares da força de observação, detidos pelos rebeldes.

Não deixa de ser curioso, que a oposição armada ao regime sírio, apoiados pelas monarquias do Golfo e pelo "ocidente" que (quase) controla a ONU, não respeitem as forças pacificadoras das Nações Unidas.

Como seria se alcançassem o poder político na Síria?




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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Acabaram os cuidados do fim do ano.

oclarinet.blogspot.com Jan.2013


Dezembro de 2012 foi um mês de desassossego, aqui e lá fora. Termina à maneira de Hollywood, com o desarme da bomba do “abismo orçamental” americano - no último momento. Aliás, para lá do último momento, o que só é possível nos argumentos cinéfilos e por efeitos especiais, coisa em que o senado americano “vai muito à frente”.

O facto de boa parte da Europa estar já no abismo fiscal, e nós particularmente, em queda desamparada dentro do abismo, não deixa que a nossa querida imprensa se congratule ruidosamente com a boa nova para a classe média americana. Não haverá recessão nos Estados Unidos, o que seria insuportável - por cá a malta aguenta…

O que seria da classe média portuguesa se a sua congénere dos Estados Unidos tivesse de pagar mais impostos? Ao certo ninguém sabe, mas diz o argumento que seria uma tragédia global só equiparada ao futuro choque do asteroide Apophis com a Terra.


No dia 1 de cada mês, os posts mais lidos no mês anterior no “ClariNet”:

No observatório que representa este blogue, os dados dizem, que em Dezembro 2012 havia por aqui duas vezes mais gente preocupada com o bacalhau, que com outra coisa. Não é um fenómeno de Portugal, é de portugueses espalhados pelo mundo e de muitos brasileiros. Dura todo o ano desde que o post foi publicado em 2011, em Dezembro de 2012 excedeu tudo. As primeiras dez publicações:

10/ 12 (2011) – Bacalhau, como escolher, como comprar e preparar.

27/12 – Padre italiano culpa as mulheres da violência sexual.

11/12 – Coligação vai treinar rebeldes sírios.

10/12 – Alemanha. Peer Steinbruck quer governar com Os Verdes.

12/12 – Álvaro o mentor? A reindustrialização da Europa.

16/12 – Passos: Tirar dinheiro das pensões é constitucional. 

15/12 – Manif. 15 Dez. Milhares pedem veto do Orçamento 2013.

26/12 – Um bom discurso de Passos Coelho - e da oposição.

14/12 – CDS sem voz no governo, diz Portas - malandrice (!).

6/12 – Ângela Merkel e Netanyahu concordaram em discordar.

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Coligação vai treinar rebeldes sírios.

Siria atacada. Dez.2012

No dia seguinte à “Europa” ter recebido o prémio Nobel da paz, entrega onde pontificou o “pacifista das Lajes” Durão Barroso, sabe-se que países europeus planeiam envolver-se directamente na Guerra Síria.

Segundo o site do jornal britânico The Independent, uma “coligação internacional planeia dar apoio aéreo e marítimo, assim como treino militar aos rebeldes sírios que lutam contra o regime de Assad”. 

Diz o The Independent; “o comandante das forças armadas britânicas, general David Richards, organizou um encontro confidencial em Londres, há algumas semanas, onde estiveram presentes chefes militares da França, Turquia, Jordânia, Qatar, e Emiratos Árabes Unidos, mais um general de três estrelas americano”. Diz ainda, que “outros departamentos governamentais do Reino Unido e os seus homólogos dos Estados aliados têm feito reuniões acerca da missão”.

Os chamados “aliados ocidentais” afirmam-se preocupados com “os grupos jihadistas rebeldes, alguns ligados à Al-Qaeda, que têm conquistado poder e influência por causa do seu acesso a armas e dinheiro proveniente dos países do Golfo”. 

Como em todos os lugares da região onde os “aliados ocidentais” mudaram os regimes pela força, quem combate quer ficar com boa parte. Reconhecer politicamente uma oposição moderada não garante um poder democrático após a queda dos regimes. Médio Oriente e Norte de África são disso prova recente.

A aventura dos “aliados ocidentais” na Síria segue um plano com semelhanças aos anteriores e alguns acrescentos. Dele fazem parte os mísseis Patriot na Turquia, junto à fronteira com a Síria, e que, como se vê, não são uma medida defensiva para o Estado turco, mas para proteger os campos de treino dos rebeldes, que seriam nesse território.

As armas químicas que há na Síria têm um papel semelhante das “armas de destruição maciça” que não havia no Iraque; podem “justificar” uma intervenção militar externa, sejam usadas pelo governo, sejam usadas pelos rebeldes. É um “incêndio do Reichstag” de que muitos estão à espera.

E a Europa nisto!...Já houve outros prémios “Nobel da Paz” que se vieram a verificar terem sido muito mal entregues - logo no dia seguinte, julgo ser o primeiro.

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Armas químicas na Síria, arma de Obama?

Armas quimicas - a mostarda de Obama.Ago.2012

Obama disse em conferência de imprensa que “até agora” não deu “ordem para intervir militarmente na Síria”, e, deu a entender que a mostarda só lhe chegará ao seu nariz todo-poderoso, de quem decide pela paz ou pela guerra em qualquer parte do Globo, se começarem a ver “grandes quantidades de armas químicas a ser transportadas ou utilizadas”.

O tema das armas químicas na Síria, é em princípio, uma arma para consumo interno em tempo de eleições, perante a acusação de fraqueza que a oposição republicana faz a Obama.

É do conhecimento geral, que em Julho, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria, disse em Damasco que “nenhuma arma química” seria usada contra cidadãos sírios, e que as armas estavam “armazenadas em segurança sob a supervisão das forças armadas”, só prevendo o seu uso “no caso de a Síria ser alvo de uma agressão estrangeira”.

A Síria respondia assim ao alerta da Casa Branca sobre o arsenal de armas químicas sírio e a necessidade do regime garantir a sua segurança.

Na ocasião, a Síria chamou a atenção para a “possibilidade de estrangeiros armarem grupos terroristas com armas químicas (…) fazendo-as explodir em aldeias e acusando as forças sírias”.

Ou a declaração de Obama é preparatória de uma provocação terrorista ou é somente para uso na disparatada campanha eleitoral americana, neste último caso não faz sentido o relevo na imprensa; trata-se de uma sequência cinegética - depois da caça às bruxas temos a caça aos gambuzinos.

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sábado, 18 de agosto de 2012

Paz na Síria nas mãos da Casa Branca e Lakhdar Brahimi.

Urgente parar a guerra para negociar. Ago.2012

Brahimi quer saber com que apoio pode contar e a Casa Branca quer saber mais do mandato do emissário da ONU e da Liga Árabe.

Resume-se nestas incertezas a seriedade da missão de paz do novo mediador Lakhdar Brahimi.
 
Os Estados Unidos tiveram uma primeira reacção, nada prometedora para o fim do conflito sírio; o porta-voz do presidente Obama, Josh Earnest, declarou aos jornalistas que precisam “de mais detalhes da parte da ONU sobre o mandato de Brahimi no seu novo cargo”.

O secretário-geral da ONU tem tido posições contraditórias, ora alinha por soluções que vão no caminho do belicismo, ora pelo trilho das negociações, substituir a missão de paz de Kofi Annan, pelo experiente diplomata argelino Brahimi é dar uma oportunidade à paz negociada. Desta vez, Ban Ki-moon diz que “mais combates e militarização apenas vão exacerbar o sofrimento”.

As declarações da Casa Branca são reticências à missão de paz, o “mandato” do actual mediador só pode estar de acordo com as “boas práticas” introduzidas nas operações de manutenção de paz, depois do Relatório do Grupo para as Operações de Paz da ONU, elaborado em 2000, e conhecido por Relatório Brahimi.

Foi Lakhdar Brahimi quem chefiou o grupo de peritos que elaboraram as condições mínimas necessárias para o êxito das missões de paz, entre elas “ a obtenção de um mandato claro e especifico e o consentimento das partes em conflito”. A exigência de Brahimi, de saber com que apoio conta, inscreve-se nessas condições.

Ou seja, sem cessar-fogo não há processo de paz, e não há cessar-fogo enquanto a Casa Branca e os seus aliados apoiarem a militarização da oposição ao regime, e os países mais influentes junto do poder sírio não exigirem o fim das acções militares de Assad.

A China, sem reticências, promete cooperar com o novo enviado da ONU.

Brahimi pode ter uma missão impossível mas vai decerto esclarecer quem quer a paz e quem fomenta a guerra na Síria.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Síria. ONU acusa militares e rebeldes de crimes de guerra.


Um relatório “de uma comissão independente de investigação” divulgado hoje em Genebra, pela ONU, acusa as forças governamentais e as milícias ligadas ao regime, de “crimes contra a humanidade como assassinato e tortura, crimes de guerra e violações flagrantes dos direitos humanos e leis humanitárias”.

A comissão com mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU considera, que “as violações foram cometidas como parte da política do Estado, o que implica o envolvimento no mais alto nível das forças armadas e de segurança do governo”.

Diz ainda que “os grupos armados antigovernamentais cometeram crimes de guerra, incluindo assassinatos extrajudiciais e torturas. Apesar disso, estas violações e abusos não tiveram a mesma gravidade, frequência e escala do que os cometidos pelas forças governamentais e pelas milícias”.

Sabendo nós que não há guerras sem crimes de guerra; este tipo de relatórios que pretendem estabelecer escalas nas atrocidades são muito duvidosos na sua independência. Parecem encomendas.

Depois, há um problema insolúvel na guerra mediática do caso sírio; os rebeldes têm o hábito de filmar os seus “feitos” e colocarem-nos na internet.

Desde segunda – feira que estão três vídeos no Youtube (que me abstraí de divulgar por razões obvias) mostrando os rebeldes a assassinar a sangue frio um homem, outro a mandarem do telhado do edifício dos correios de Al-Bab vários homens que morrem estatelados na calçada, enquanto uma multidão grita Allah Akbar, e um terceiro em que um prisioneiro é degolado.

A notícia está em vários lados, foi a mais vista na selecção noticiosa do Google (Terra Brasil), ver no Diário Digital. Os vídeos, não recomendo que os procurem.

É o pior da espécie humana, que não merece a desculpabilização de um organismo como as Nações Unidas. Se estas atrocidades “não têm a mesma gravidade” que as cometidas pelo governo, não se viram coisas piores.

Hoje, a China acusa os países ocidentais de impedirem a resolução política do conflito na Síria. Segundo o editorial do jornal do PCC “os países ocidentais nunca renunciaram ao seu objectivo de mudar o regime na Síria, e de forma constante, reforçaram o seu apoio às forças anti-governamentais”.

A China (e não só) diz que é o “ocidente” que impede um consenso da comunidade internacional, a oposição interna moderada da Síria pede um cessar-fogo de ambas as partes, e a ONU vem deitar mais achas para a fogueira. Com ameaças de acusações no TPI ninguém pára de disparar - só os derrotados serão julgados.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tunísia. Mulheres perdem direitos com poder islamita.

Islamitas no poder - mulheres sem direitos na Tunisia.Ago.2012

A proposta para nova Constituição apresenta a mulher tunisina como “complementar” ao homem.

A Tunísia, país que com a Turquia (de Kemal Ataturk) era dos mais tolerantes do mundo árabe e entre os muçulmanos, está a mudar no pior sentido, para as mulheres e toda a sociedade.

As mulheres têm direitos garantidos de igualdade de género desde o Código do Estatuto Pessoal, promulgado em 1956 pelo presidente Habib Bourguiba.

As mulheres tunisinas têm direito à instrução, de casar com quem decidam e de se divorciarem judicialmente, têm tutela sobre os filhos e usam livremente contraceptivos.

A leitura do islamismo como prevalência masculina, que é comum a todos os vencedores das chamadas “primaveras árabes” vai impor um recuo civilizacional que não é surpresa para os mais avisados do ocidente. 

Ocidente que está a apoiar a islamização fundamentalista do norte de África e Médio Oriente por motivos estratégicos de influência na região.

Na Tunísia as mulheres lutavam até agora por melhorar os direitos adquiridos, por conseguir uma maior emancipação e equiparação com os homens nos cargos dirigentes.

Agora voltam ao passado; à luta pela igualdade de direitos, para homens e mulheres – contra o obscurantismo teocrático.

Enquanto se espera a evolução no Egipto, o esquartejamento final da Líbia e a invasão da Síria, era bom que a opinião pública mundial deitasse os olhos para os efeitos da “primavera árabe” na Tunísia, onde os islamitas agora no poder até eram considerados dos mais moderados.

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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Alepo, exército sírio obriga a retirada dos rebeldes.

Rebeldes retiram de Alepo.Ago.2012

Síria. Segundo noticia o jornal The Guardian, “ao nascer do sol desta quinta-feira e após uma noite de intensos bombardeamentos” os rebeldes “retiraram todas as suas unidades de combate do bairro de Salahedin, no sul de Alepo”. A notícia é confirmada por repórteres estrangeiros e pelos próprios rebeldes.

Já ontem havia notícias do abandono de posições por parte dos rebeldes, como resultado da ofensiva das forças pró-governamentais. É um revés para a oposição armada (e seus aliados externos) que pretendia usar Alepo (a 60 km da fronteira turca) como posição para receber auxílio estrangeiro e ponto de partida para operações militares.

A “Batalha de Alepo” foi considerada decisiva pela oposição armada ao regime sírio, pelos seus apoiantes estrangeiros, e pelo próprio governo sírio. Utilizada na guerra mediática nos últimos dias, o insucesso rebelde custa a ser noticiado nos órgãos noticiosos nacionais, como é já habitual.

Líderes dos rebeldes disseram a repórteres no local, que a retirada é de “carácter táctico” como já tinham dito quando da retirada de Damasco. O exército sírio anunciou que prendeu oficiais turcos e da Arábia Saudita em Alepo.

A guerra da Síria está dependente (sempre esteve) do que as potências estrangeiras conseguirem fazer; as forças internas da oposição armada, mesmo apoiadas por mercenários estrangeiros, parecem condenadas ao malogro militar.

PS: A noticia de hoje é que "chefe do protocolo de Assad desertou".
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sábado, 4 de agosto de 2012

ONU não aprova sanções à Síria nem a saída de Assad.

O reino menos democrtico do mundo e seus aliados perderam na ONU. Ago.2012

 Assembleia-Geral da ONU condena violência na Síria. 

Conforme o serviço de notícias das Nações Unidas, a resolução aprovada ontem por maioria, em Assembleia Geral, condena “a violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais por parte do governo, assim como todo o abuso dos direitos humanos cometidos pelos grupos armados de oposição na Síria”.

No texto inicial da resolução, apresentado pela Arabia Saudita e promovido pelo Grupo de Países Árabes, constava a exigência da “saída de Assad do poder e a imposição de sanções contra o regime sírio”, mas tais menções foram retiradas durante as negociações da redacção do texto final.

 A resolução aprovada pela maioria dos 158 países, com 31 abstenções e 12 votos contra, fica assim muito longe da resolução 1973 que serviu para invadir a Líbia. 

Com o veto da Rússia e da China nas resoluções vinculativas do Conselho de Segurança e com a resolução (não vinculativa) da Assembleia Geral da ONU de condenação genérica da violência, não há base legal no concerto das nações para sanções ao regime sírio, para a exigência da saída do líder do regime sírio e muito menos para qualquer intervenção militar estrangeira no conflito.

O resto - são conversas e campanhas.

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Síria.Rebeldes atacam bairros cristãos em Damasco.

Rebeldes atacam bairros cristos.Ago.2012

Os bairros “tradicionais” cristãos de Bab Touma e Bab Charqui, em Damasco foram atacados por rebeldes. Apesar de ser reportado pelas agências internacionais de notícias e pelo auto intitulado Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a imprensa portuguesa demora a dar a notícia.  

A RTP adiantou-se no seu noticiário, onde esperava ver o enviado especial Paulo Dentinho, mas ele desapareceu dos écrans. É um caso curioso; o jornalista Paulo Dentinho, responsável pelas reportagens mais caricatas da guerra da Líbia, para onde foi com a cartilha e personificou o medo de quem não estava preparado para repórter de guerra, foi enviado à Síria.

Apareceu uma vez num telejornal a dizer que as coisas na Síria são mais complexas do que se imagina (imagino eu, para quem só lê a imprensa portuguesa).

Dentinho tinha falado com cristãos que lhe expressaram o receio que tinham de um poder islamita, depois fez uma reportagem com eles, filmou clérigos e igrejas cristãs e desapareceu dos noticiários da RTP (que eu tenha visto). Estranho ou talvez não.

Os rebeldes terem entrado em bairros cristãos “frequentados por turistas e palco de manifestações pró-Assad” segundo a imprensa, é significativo e deita por terra a tese de um confronto “dos sírios” contra a minoria Alauíta. É mais complexo, como afirmava Paulo Dentinho quando estava de serviço.

Volto a lembrar que as vítimas do atentado terrorista de Damasco foram o vice-ministro da defesa, Asaf Shawat (alauíta), o ministro da defesa, Daud Rajiha (cristão) e o ministro assistente Hassan Turkomani (sunita). São portanto várias as religiões representadas no poder de Damasco.

Os jornais portugueses falam hoje do discurso do presidente Bachar al-Assad, mas até esta hora não há notícia do ataque dos rebeldes a bairros cristãos, apesar de a RTP o ter feito na hora de almoço. Não é anormal?

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