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sábado, 26 de abril de 2014

24 de Abril. O bafio do 24 de Abril.

oclarinet.blogspot.com - Retrovisor enganador. Abr.2014

Houve um tempo antes do 25 de Abril – estive lá. Essa época é difícil de descrever, quem não a vivenciou não “sente” esse tempo. Os filmes a preto e branco dão cor em demasia e faltam sempre os cheiros. Os cheiros a medo e perseguição, a ignorância, a solidão, a desemprego e trabalho forçado, a velho gasto e puto sem futuro. A ditadura conta-se, o passado conta-se, viver a experiência do obscurantismo (como da liberdade) é único.

O 24 de Abril era descalço e ranhoso, beato e servil, traiçoeiro pidesco e o raio que o parta! Tinha mofo o 24 de Abril. Bolor entranhado no Estado, nas repartições públicas, nas polícias, na corrupção generalizada dos ministérios às fronteiras.

Fugia-se da miséria dizendo-se simpatizante do regime. Compravam-se empregos, chegando a dar-se um quinhão do ordenado a quem lhe arranjava um posto no Estado. Um mundo de corrupção e compadrio, de submissão institucionalizada.

Hoje, vale a pena ler o texto de José Pacheco Pereira no Público; é sobre o que cheirou a bafio no 25 de Abril. Bajulação, ignorância, sabujice…há uma casta que quer sobreviver bem, como no 24 de Abril.

Logo, ao fim da tarde, vou tentar ver a estreia do filme de João Pinto Nogueira, “Outra Forma de Luta”. Vou apontar o meu espelho retrovisor para uma outra forma de ver o nosso tempo. Desenjoa.

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Manifestações. Servem para quê?

oclarinet.blogspot.com - Manifestação Belém 6 de Julho. Jul.2013
Concentração:15 horas - frente ao Mosteiro dos Jerónimos.
 

Para não andar sempre aqui a repetir-me, reproduzo as palavras de José Pacheco Pereira no último programa “A Quadratura do Círculo”.

Na intervenção final do programa e referindo-se à carta de demissão de Vítor Gaspar, ministro das Finanças (e da troika); disse Pacheco Pereira:

“Esta coisa de menosprezar a rua, e menosprezar os sindicatos… por exemplo, Vítor Gaspar não o faz.” E especificou, “Vítor Gaspar refere-se (na carta) ao problema do apoio social às medidas que ele propõe. Esse apoio social, numa sociedade como a portuguesa só se pode ver pela agitação social, e a agitação social são greves e manifestações.” 

 Concluiu em seguida Pacheco Pereira: “Portanto esta ideia de que isto se passa tudo num conflito de personalidades e que o resto do país…Imaginem que não tinha havido nem greves nem manifestações. Alguém numa carta daquela natureza falava na instabilidade social? Alguém falava em fadiga social? Alguém falava em usura social? Ninguém! SIC (fim de citação)

Não existem dúvidas das razões que levaram à demissão de Vítor Gaspar (ele próprio as diz de forma clara na carta), nem das razões da actual crise política. Apesar disso ainda há quem justifique a sua passividade dizendo que de nada servem as manifestações e as greves.

A manifestação de amanhã em Belém, pela demissão do governo de Passos Coelho é convocada pela CGTP, a ela aderiram vários movimentos sociais como as associações “Que se Lixe a Troika” e os “Precários Inflexíveis”.

Os governos caem da mesma forma que caiu Vítor Gaspar, é altura de não baixar a pressão popular. 

Post Scriptum: PSD e CDS/PP rejeitaram no Parlamento, condenar a proibição de aterragem do avião de Evo Morales. Mais uma razão para querer um outro governo, que respeite a legalidade internacional e peça desculpa à Bolívia e a toda a América Latina, reparando as posições inaceitáveis deste governo.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Aldrabice do FMI. António Costa/Marques Mendes

Quadratura do Circulo Pacheco Pereira. Jan.2013

Relatório do FMI. Os consultores do FMI, convidados por Vítor Gaspar, queriam fazer passar um documento ideológico como um estudo técnico, mas não estão a conseguir enganar ninguém.

No último programa da SIC Notícias, “Quadratura do Círculo”, António Lobo Xavier só suscitou críticas de forma, enquanto Pacheco Pereira e António Costa evidenciaram bem as intenções do relatório e desmontaram com fortes argumentos os propósitos políticos do governo.

(O programa repete, integralmente, hoje às 13.10h na SIC Notícias. A ver.) 


Antonio Costa Quadratura do Circulo.Jan.2013

António Costa acusa o relatório de não ter “nada de técnico” e de ser “essencialmente político”, apresentando vários dados concretos que põem em causa os pressupostos do “chamado estudo”.

Pacheco Pereira coloca em causa o método do estudo que “não leva em conta a realidade portuguesa” e de ser “o programa que o governo gostaria de pôr em prática, mas não tem coragem”. Ambos consideram que o documento não tem a menor credibilidade, para servir como qualquer base de discussão.

António Costa diz mesmo que “se passasse pela cabeça do PS, sequer discutir com base neste documento, o que quer que seja, seria a explosão imediata a nível nacional”.

Marques Mendes, acusado por António Costa de ser o “chico-esperto” que já tinha anunciado estas medidas, disse na TVI 24 que o dossier da reforma do Estado (motivo do relatório) pode levar à queda do governo.

Está bem. Pode ser. 

Nesse caso, o relatório sempre servia para alguma coisa útil.

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